Meu Querido Padrasto
14 Sonho

Fecho os olhos, sentindo a brisa da noite tocar meu rosto. Chris acelera a moto e eu agarro mais sua cintura. Foi uma surpresa e tanto, ainda mais quando o vi aparecer com a motocicleta na porta do restaurante. Ele realmente se esforçou para me agradar. A noite está fria, mas isso não me incomoda enquanto a adrenalina vagueia meu corpo. O loiro segue por um caminho que eu conheço e sorrio aconchegando minha cabeça em suas costas. O cheiro agradável penetra em meu olfato enquanto ele estaciona.
— Acha que podemos caminhar um pouco? — Diz e abro os olhos, visualizando o mar em nossa frente. — Se não estiver muito cansada, claro. — Nego com a cabeça e desço de sua garupa.
— Gosto daqui. — Resmungo acariciando o anel em meu dedo. Ele desce do veículo e se aproxima de mim, retirando seu terno e colocando sobre meus ombros.
— Gosto de pensar que aqui seja nosso lugar. — Sorri atraindo meu olhar. — Foi aqui que nos beijamos pela primeira vez e conversamos sobre o futuro.
— Imaginou alguma vez isso? — Pergunto e ele me olha.
— Nós dois juntos? — Assinto. — Quando estivemos aqui pela primeira vez, não. — Fica atrás de meu corpo e me abraça. — Mas eu desejava muito. — Beija minha cabeça e eu sorrio.
— Porque estamos aqui? — Pergunto curiosa me virando de frente para seu corpo e olhando em seus olhos. — Está evitando voltar para casa?
Ele pega minhas mãos. — Na verdade, eu te trouxe aqui por que como foi onde nos beijamos pela primeira vez, esse dia se tornou especial. — Aproxima nossos rostos. — E hoje como aceitou ser minha para sempre, se tornou o dia mais especial da minha vida. — Sela nossos lábios em um beijo apaixonado.
***
As portas do elevador, se fecham e o loiro me pressiona contra a parede, gargalho e ele beija meu pescoço. Eu nunca vou me cansar das sensações que ele me causa. Ele sobe com a boca para minha orelha e mordisca a mesma. Subo minhas mãos para seu abdômen e arranho o mesmo por cima da camisa. As portas do elevador se abrem fazendo um barulho e Chris me puxa em direção ao apartamento escuro. Ele leva as mãos para minhas costas, procurando pelo zíper do vestido. Ele abre o mesmo e de repente acerta a mesa de centro da sala.
Gargalho. — Silêncio.
— Estamos parecendo dois adolescentes que namoram escondidos. — Brinca me agarrando com mais força. — Eu até que gosto disso. — As luzes acendem nos assustando.
— Porém, eu não. — A mulher diz encostada na parede. Seguro meu vestido aberto enquanto procuro uma reação certa para o momento. — Acho que se esqueceram de que não estão mais sozinhos aqui... — Se aproxima. — E que por um acaso, a hospede é sua esposa. — Olha para Chris.
— Jennifer...
— Não. — Interrompe. — Não quero escutar seu disco arranhado de que quer se separar e que não me ama mais.
— Você precisa entender... — Chris tenta mais uma vez falar, mas ela ergue a mão como pedido de que pare. Ela me olha como se fosse me devorar viva.
— Pelo menos um pouco de respeito com a sua mãe. — Olho-a perplexa. — Não consegue ter ao menos isso?! — Grita.
Inevitavelmente, eu rio sarcástica. — Mãe? Você mesmo deixou claro diversas vezes que eu não era mais sua filha.
— Infelizmente, o sangue ainda nos condena. — Continua gritando e irritada, eu dou um passo em sua direção.
Como ela consegue ser tão seca?!
— Então me condene. — Grito e ela arregala os olhos. — Me condene por ter me apaixonado por ele, me condene por estar sendo feliz ao lado do homem que me ama... — Sinto os braços de Chris segurar meus ombros, mas não me consigo me controlar. — Porém, me condene mais ainda por ter aceitado ser a mulher da vida dele. — Ergo a mão em seu rosto, mostrando-lhe o anel.
Ela ofega e uma lágrima desce de seus olhos. — Você a pediu em casamento? — Pergunta olhando para o loiro, incrédula.
— Sim! — Respondo por ele e ela volta a me olhar. — E agora, mãe? Vai se respeitar o suficiente para entender que acabou e que você perdeu? — Finalizo eufórica e ela abre a boca, sem resposta.
— Lauren... — Chris me puxa, abraçando meu corpo. — Se acalma, por favor.
— Estou cansada... — Minha voz falha com o nó que forma em minha garganta. — Cansada de ter de aguentar você me tratando como uma rival, cansada de você agir como se isso fosse uma competição. — Uma lágrima desce dos meus olhos. — Isso aqui, se trata de sentimentos, não de um jogo. — Vejo-a engolir em seco. — Foi um erro, foi. — Grito exaltada. — Mais foi o erro mais bonito da minha vida.
— Não me peça para ficar feliz por você. — Ela responde abaixando a cabeça. — Não posso. Eu estaria sendo falsa.
— Então não fique. — Ela volta a me olhar. — Só não me peça para fingir está mal por isso. — Completo lhe dando as costas e indo em direção ao quarto.
Estou quebrada!
Chris Evans
— Não precisa criar coragem para me pedir que vá embora. — Ouço a mulher resmungar enquanto observo Lauren sumir no corredor.
— Eu não estava pensando nisso. — Respondo voltando a olhá-la. — Afinal, você não merece isso de maneira nenhuma e é mãe da mulher que eu amo.
Ela sorri fraco. — Vocês insistem em me lembrar toda hora que se amam. — Enxuga uma lágrima que escorre de seus olhos. — É divertido?
— Jennifer...
— Eu vou arrumar minhas coisas. — Corta-me passando por mim e indo em direção ao quarto. — Não posso ficar mais aqui com vocês dois.
— E sobre o divórcio? — Pergunto por puro instinto e ela me olha, assustada. — Podemos fazer isso de forma amigável e sem precisarmos nos magoar mais?
Ela não me responde, apenas me dá as costas e segue para o quarto. Bufo estressado e me jogo no sofá da sala. Fecho os olhos e deito minha cabeça na cabeceira do mesmo. Em um momento, eu estava rindo de felicidade por finalmente pôde tornar a mulher que eu amo em minha esposa e no outro estou desabando porque minha esposa não deixa de ser minha esposa.
Complicado, difícil e cansativo!
— Como você está? — Pergunto assim que adentro o quarto e vejo a garota deitada na cama. Ela não abre os olhos, somente suspira.
— Cansada. — Resmunga.
Caminho até a cama e me sento ao seu lado. — Você realmente falou tudo que estava engasgado. — Ela finalmente abre os olhos e me olha.
— Eu precisava desabafar. — Diz se sentando na cama. Eu assinto e puxo sua cabeça, abraçando seu corpo. — Como ela está?
— Vai embora. — Respondo e ela se afasta me olhando, culpada. — Ela já está bem grandinha, sabe se cuidar sozinha.
— Eu me responsabilizei por cuidar dela. — Bufa e eu torno puxá-la para um abraço. — Eu sinto como se meu corpo todo tivesse sido pisoteado. — Acaricio sua cabeça.
— Que tal um banho? — Ela assente e eu pego-a no colo. Ela se assusta. — Deixe que eu te lavo e te ponho para dormir essa noite. — Ela ri, se deixando levar.
Lauren Foster
Uma semana depois
Apoio os braços na mesa e seguro minha cabeça com as mãos. Não sei o que pensar e como reagir. É um misto de sentimentos e alguns incompreensíveis. Suspiro agoniada e bato o pé no chão. Levanto a cabeça e pisco atordoada. Alcanço o celular dentro da bolsa e desbloqueio, procurando por algumas anotações. O som da porta, me chama atenção e vejo Samanta adentrar a sala.
— Qual a emergência? — Pergunta se aproximando. Eu pego a mochila do chão e lhe estendo o objeto. Ela pega o mesmo e me olha, incrédula. — Você está grávida? — Grita olhando para o teste.
— É o que diz ai. — Resmungo.
— Você já fez o exame de sangue para ter certeza? — Pergunta se sentando em minha frente. Nego. — Como acha que Chris vai reagir?
— Ele vai ficar feliz. — Digo me lembrando da nossa conversa na praia, quando ele disse que era seu sonho ser pai.
— Ele acabou de te pedi em casamento e colocar esse brasão em seu dedo... — Diz brincalhona apontando para meu dedo. — Nem conseguiu se separar da sua mãe ainda e agora você está esperando um bebê. — Completa eufórica.
— Não sei como contar a ele. — Suspiro. — Queria fazer algo que o surpreendesse e que não fosse tão clichê. — Coço a cabeça.
— E pergunta é, como você está se sentindo com isso? — Pergunta preocupada. — Está feliz ou....
— Não sei dizer ainda. — Interrompo-a. — É como se não tivesse caído a ficha, como se não fosse verdade. Não sei como reagir ainda.
— Seja o que for, sabe que estamos do seu lado, não sabe? — Pergunta pegando minhas mãos e me abraçando forte.
***
— Boa tarde. — Digo me aproximando dá recepcionista da clínica. Ela me olha e sorri fraco. — Eu gostaria de fazer um exame de gravidez, porém qual seria o prazo de entrega do resultado?
— Dura em torno de uma hora no máximo. — Responde. — Pode me dizer seus dois primeiros nomes? — Digita algo no computador.
— Laurena Foster. — Respondo tentando controlar o nervoso.
— Já realizou algum outro teste de gravidez hoje? — Pergunta e assinto, ela digita mais. — Será por algum plano de saúde ou pagamento? — Pergunta e eu mexo na bolsa, pegando o dinheiro e entregando-a.
— Eu precisaria estar de jejum? — Pergunto enquanto ela me entrega alguns papéis para assinar. Minha mão treme tanto que mal consigo escrever.
— Não. Apenas aconselho a tomar um pouco de água. — Sorri tentando me passar tranquilidade, devolvo o sorriso e os papéis assinados. — Primeiro filho?
— Sim.
— Uma benção.
— É o que quero pensar. — Devolvo.
— Você será chamada pelo seu nome. — Explica. — Boa sorte! — Assinto como agradecimento e me afasto, caminhando até o bebedouro de água, pegando um copo, enchendo-o e bebericando do mesmo.
Olho em volta e suspiro. Não há muitas pessoas aqui, posso ser a próxima. — Laurena Foster? — Dito e feito. Uma enfermeira me chama e eu ergo a mão, jogando o copo na lixeira.
— Estou aqui. — Resmungo caminhando até a mesma.
— Venha comigo. — Guiada até uma sala pequena, a enfermeira aponta para uma cadeira e eu me sento. Ela faz algumas anotações e se volta para mim. Ela calça as luvas, pega uma vasilha com seringa e agulha. — Coloque seu braço aqui. — Aponta para uma mesa e eu obedeço.
Ela pega um garrote e prende em meu braço, fazendo minha veia saltar. Ela pega um algodão, embebe no álcool passa em meu braço. Preparando o ângulo da agulha, ela insere em meu braço e rapidamente meu sangue preenche a seringa.
***
Ouço o som do elevador e me recomponho no sofá. — Minha hora favorita! — Chris diz adentrando a sala do nosso apartamento. — Chegar em casa e encontrar minha futura esposa. — Rio e ele se abaixa na minha altura, depositando um beijo em meus lábios.
— Está muito cansado? — Pergunto assim que ele afasta nossas bocas.
— Não, porque? — Responde me olhando com uma expressão maliciosa. — Planejou uma noite diferente para gente?
Rio. — Nada que sua mente maliciosa está imaginando. — Ele faz beicinho. — Só queria sair um pouco de casa.
— Aonde quer ir? — Se senta ao meu lado.
— Queria que pegássemos a moto e fossemos na praia. — Mordo o lábio e ele me olha, confuso. — Quem sabe não podemos até nadar pelados. — Brinco.
— Aí melhorou. — Ri malicioso. — Vou apenas tomar um banho e vamos. — Assinto e ele se levanta indo para o banheiro.
Coragem, Lauren!
***
O loiro estaciona a motocicleta e desço da mesma. Ele me imita e me segue enquanto caminho pela areia, para mais perto do mar. — Por que eu sinto que você está estranha? — Pergunta.
— Eu quis vim aqui o dia todo. — Respondo sem encará-lo. — Você disse que aqui era nosso lugar e por isso todos os momentos especiais que viveríamos mereceriam ser aqui. — Olho-o finalmente.
— Hoje é um dia especial? — Pergunta.
— Quero que seja.
— Como assim?
— Vire de costas.
— Lauren, está me assustando. — Bufa e eu rio.
— Apenas faça isso. — Pego em seus ombros e forço-o a se virar de costas para mim. Olho ao redor procurando por algo, mas não há nada. Me abaixo e com o dedo escrevo as palavras que não consigo dizer. — Você lembra que foi aqui que contou seus sonhos?
— Sim. — Resmunga. — Posso me virar?
Chris Evans
— Pode! — Lauren responde e eu me viro vagarosamente, confuso com suas atitudes. Vejo-a sorrir e apontar para baixo. Desço o olhar e bem ali na minha frente, na areia...
Parabéns! Seu sonho está a caminho.
— Eu... — Engulo em seco, sem saber o que pensar. — Você está... — Engasgo e vejo-a colocar as mãos na barriga
— Você vai ser papai! — Diz sorrindo e eu ofego, emocionado. Sinto meus olhos marejarem e eu corro em sua direção, agarrando-a e abraçando-a.
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