Meu Querido Cunhado

39 Capítulo 39 - Mar


Notas iniciais
Ei, eu falei que voltava.
Obrigada pelo review que eu recebi. Realmente amei.
Espero que gostem desse capítulo.

Me abracei, me sentindo desconfortável com o biquíni. A manhã estava com um sol escaldante, e meus pés afundavam na praia. Uma brisa suave batia no meu rosto, fazendo meus cabelos grudados na nuca balançarem de leve. Éramos pra ter chegado mais cedo. Mas acabei enrolando durante umas duas horas, até Igor finalmente me arrastar pra fora de casa. Então, já eram 10 horas agora. Igor estava agitado, com sua prancha ao lado. Me olhava encorajador. Olhei o mar, gostava de vê-lo... De longe. Mas assim, sabendo que entraria nele já me angustiava.

– Por favor, Igor... Isso é mesmo necessário?

– Vai ser divertido.

– Não, vai não. – O encarei, ele sorriu de lado. – Ta, ta, pode até ser divertido... Pra você.

– Aposto que você vai gostar. – Ele pegou a prancha, fazendo um sinal para que eu seguisse. Comecei a entrar em pânico.

– Você nem se lembra como surfar! Acha mesmo que eu vou entrar no mar com você? – cruzei os braços, teimosamente. Dando dois passos para trás.

– Você já está aqui, vai mesmo dar pra trás?

– Eu podia ficar admirando a paisagem. – resmunguei. O que era absolutamente verdade. Eu podia prestar atenção em outras coisas, no mar, no céu, em Igor... Que a propósito, ficava muito bem somente com aquela bermuda de praia e com o peitoral descoberto. Bem, muito bem.

– Está com medo de subir na prancha, ou do mar?

– Sério, se você faz tanta questão, eu posso ficar em pé em cima da prancha aqui mesmo. Na areia! Sério, ia ser radical do mesmo jeito e tudo o mais... É só que... – suspirei, amedrontada. – Esse marzinho, sabe...

– Não vou deixar o mar te engolir. Ele pode ter uma indigestão.

– Ha há. Piada fail. – Faço uma cara de tédio para ele, que ri baixo. Ainda me encarando.

– Você não vai se afogar, nem morrer, nem nada. Prometo não te soltar.

– Não, não, não... Prefiro ficar vendo você surfar. Divirta-se! – sorri encorajadoramente. Igor revirou os olhos, soltou a prancha e veio até mim. Fiquei confusa e surpresa. Então ele tirou minha toalha do meu ombro, jogou ao lado de sua prancha e simplesmente me jogou em seus ombros. Assim, bem natural. Acabei arfando de surpresa. Permaneci quieta, em choque, até perceber que ele estava andando... Para o mar! – Igor... IGOR! ME SOLTAA.

Podia o sentir entrando na água, já que ele ria. Então, senti a água nos meus pés e Igor me soltou. Afundei levemente, até sentir Igor me segurando pelos braços, me mantendo na superfície. A água batendo em nossos pescoços. Finalmente estávamos na mesma ‘altura’. Era estranho.

– Sem mortes até agora, viu? – respirei fundo. Tendo consciência da água do mar em meu corpo. Dos suaves balanços que a água fazia. De como Igor agarrava firmemente meus braços, e o quão próxima eu estava dele. Senti a onda, antes mesmo dela me tocar. Nessa hora Igor me puxou para mais perto e antes que eu pudesse sequer gritar, nos afundou. A onda passando por nossas cabeças. Emergimos, pisquei, e Igor me puxou para perto. Tirei os cabelos dos olhos. E olhei para aquele sorriso insolente.

– Eu te odeio, Igor. – tossi, e ele riu mais. Jogando a cabeça pra trás. O sol tocando seus cabelos e ele tocando minha pele. Me senti arrepiar, pelo frio, por Igor. Por tudo...

Ele pareceu perceber meu olhar confuso, me encarando mais firmemente dessa vez. Percebi que meus lábios se entreabriram e senti o gosto da água salgada. Fiz o possível para desviar os olhos dos de Igor. Mas estava difícil. Meu estômago se revirava, e eu quase entrei em colapso quando percebi os lábios dele cada vez mais próximos. Então... Outra onda nos pegou de surpresa. Interrompendo aquele estranho momento. Afundei e Igor agarrou mais firmemente meus braços, me prensando ainda mais a ele. Naqueles míseros segundos, debaixo d’água. Senti algo roçar em meus lábios. Rápida e seguramente. Lábios nos meus por reles segundos e dedos agarrando meus braços de um jeito que chegava a doer.

Emergimos novamente, respirei fundo. Confusa. Provavelmente tinha água em meu cérebro. Levantei os olhos, piscando furiosamente. Até o rosto de Igor entrar em foco. Parecia tão consternado quanto eu. Me soltei dos seus braços e usei todo o meu esforço para chegar a praia, caminhando desajeitadamente. Sentindo a areia em meus pés e peguei minha toalha ao lado da prancha, me enrolei nela e voltei a caminhar, confusa, sem olhar para trás. Podia ouvi Igor me chamando mais atrás. Não olhei para trás. Sentia raiva, sei lá do que. Não só raiva de me ter feito entrar na água, raiva dele ter feito como que eu me sentisse segura e até mesmo satisfeita no meio de meus receios. Raiva de talvez ter imaginado aquele beijo. Selinho. Tanto faz.

Talvez eu tenha calculado mal. Igor não estava tão atrás de mim. Me puxou pelo braço, me fazendo virar bruscamente. Com a mão livre tirei os cabelos molhados da face novamente e já me sentia tremer. Os olhos de Igor estavam confusos, ainda. Confusos e ainda assim decididos. Seus cabelos pingavam água e escorriam gotas de seus braços. Lentamente, sem nenhuma explicação ele se aproximou. Uma atitude muito familiar, Igor nunca esperava. Demoraram segundos até meu cérebro perceber o que ia acontecer. Então meu corpo não esperou o suficiente até os lábios dele tocarem os meus. Me estiquei na ponta dos pés, até sentir o roçar dos seus lábios. Igor agarrou minha nuca e aí senti plenamente seus lábios preenchendo os meus. Foi um beijo entre dois desconhecidos, imagino. Devagar e suave. Foi uma surpresa para nós dois. Menos para meu corpo. Já acostumado com aquele toque familiar, com aquele jeito tão familiar de segurar meus cabelos da nuca. Tinha jeito de passado, aquele beijo. Lábios salgados, a brisa do mar, minha vontade raivosa. Mas tudo estava diferente. Eu sentia raiva. E éramos... Amigos. Não existia só a atração física cruel, mas sim aquela amizade. Aquele conhecimento um pelo outro. Igor quebrou o beijo antes de mim.

Arfei, o oxigênio voltando ao meu cérebro. Me soltei de Igor. Absolutamente confusa. Não olhei seu rosto, ao deixá-lo plantado lá atrás e correndo para minha casa. Procurando uma segurança familiar. Tentando acreditar que acordaria em minha cama sabendo que nada disso acontecera. Que nada fora estragado.