Meu Primeiro Amor ?!
30 Curiosidade...
Notas iniciais
Há dois meses estamos morando em Sta Helena – CA, e já estou de seis meses e meio, e vou te contar viu estou cada dia maior, minha médica até já pediu pra eu fazer um regime e caminhada, ganhei doze quilos em seis meses e meio nessa brincadeira, ta que eu já vim pra cá meio gordinha, mas ultimamente estou descontando a ausência de meus pais e minhas irmãs nos doces, e como Peeta raramente fica em casa ele tenta compensar com doces e pães salgados, sem contar o pão de queijo que não pode faltar, sempre traz ou faz alguma coisa gostosa e eu acabo cedendo.
Escuto meu celular tocar uma das minhas músicas favoritas e é claro que espero pela melhor parte antes de atender... – This girl is on fireeeeee... – canto junto com Alicia Keys antes de atender uma Primrose nervosinha.
– Katniss Everdeen Mellark... Se você não estivesse grávida e tão longe, eu juro que voava no seu pescoço.– Ih o que eu fiz dessa vez?
– Que isso, menina doida, ta de TPM é?
– Doida ainda não, mas se depender dos seus pais, eu fico rapidinho. – ela diz bufando.
– Espera ai dona Primrose Everdeen, quero saber pelo o que estou sendo acusada, desembucha logo. – digo já achando graça do estado da minha irmã, ela respira fundo antes de falar.
– Lembra daquele menino que gostava de mim e tals, e eu achava ele gatinho e nós demos uns beijos?
– Sim lembro, o que tem o gatinho? – pergunto lembrando o entusiasmo da pequena ao falar do garoto.
– Então ele me pediu em namoro ontem, e eu aceitei foi tão lindo Kat. – Ah que lindo minha pequenininha esta vivendo seu primeiro amor. – Até que o papai descobriu, contou pra mamãe e agora os dois estão me perturbando, e adivinha porque? – Tenho um pequeno palpite.
– Porque eu engravidei? – pergunto sabendo a resposta e me sentindo um pouco culpada. Ela novamente respira fundo e diz mais calma.
– Desculpa Kat, eu sei que você não tem culpa, mas é que eles estão surtados. O papai me fez prometer que eu me manteria virgem até o casamento e a mamãe conversou comigo sobre sexo, e cara é sério, isso não foi nada legal. Eu fiquei super constrangida, a mamãe só faltou me ensinar como se coloca um preservativo, ela só parou quando lembrei a ela que só tenho 14 anos e que havia prometido casar-me virgem ao papai. – ela ria ao terminar de falar, mas eu ainda me sentia culpada por causar este incomodo a minha irmãzinha.
– Ah patinha, me desculpe por isso okay? Vou conversar com eles, afinal você sempre foi mais madura e responsável que eu, então isso pode contar pontos a seu favor, vou pedir pra eles afrouxarem um pouco as rédeas.
– Obrigada Kat, e para de me chamar de patinha.– ela diz divertida.
– Nem pensar... e outra quero conhecer esse garoto viu, saber as intenções dele com minha patinha.
– Ai Katniss você não existe.
– Existo sim e você me ama, e eu te amo também, e vou te ajudar a amansar a fera, ou melhor, as feras.
– Ai ai ai só você mesmo. Mas me conta e seu vizinho gato?
– Prim... é Cato. – digo rindo pois eu mesmo quase dei uma gafe chamando-o de Gato ao invés de Cato.
– Ah tanto faz, fala logo.
– Ele descobriu que estou grávida e que sou casada. – digo rindo ao lembrar da cena, eu saindo pra caminhar com meu imenso barrigão e encontro meu vizinho no saguão do condomínio, saindo também.
– Vizinhaaa. – ele diz e eu me viro, ele faz uma cara engraçada meio sem graça. – Bom dia. – ele diz evitando encarar minha barriga.
– Bom dia vizinho. – digo rindo da cara sem graça dele.
– Desculpe perguntar mas você esta grávida, não esta? – é mais forte que então não resisto e faço uma careta pra ele e digo.
– Não, estou tentando emagrecer, por isso que comecei a caminhar e...
– Me desculpe Katniss, é sério, nossa como eu pude fazer uma pergunta dessas. Nossa eu realmente não sei como posso me desculpar com você. – Eu iria continuar com a estória e enrolar ele, mas ele fez uma carinha tão bonitinha de sem graça que não pude continuar e comecei a gargalhar.
– Desculpe Cato, eu não resisti. Estou grávida sim, de seis meses. — ele fez uma cara de alivio, e riu também.
– É vizinha você me pegou. Mas você esta aqui sozinha? Mal te vejo e quando vejo não esta acompanhada.
– Não eu moro com meu marido. Estamos casados há alguns meses, e nos mudamos há dois. Eu casei grávida. – disparei a falar, estranho como apesar de não conhecê-lo consigo conversar com ele, acho que devido a falta de ter meus amigos e minha família por perto. Continuamos conversando por mais algum tempo, até que ele se despediu, pois estava a caminho da academia, algo que eu já havia percebido por causa de suas roupas. E eu continuei minha caminhada, faz duas semanas que eu não o vejo, até gostaria de uma companhia, mas fazer o que né.
– E o povo? Você tem visto eles? – pra falar assim ela só pode estar falando de Mad e Gale, Finnick e Annie.
– Pouco mas tenho, nós saímos as vezes e eles continuam doidos como sempre. Tenho falado pouco com Mad e o Odair, a faculdade e trabalho toma todo o tempo deles. – digo um pouco desanimada.
– E o Peeta?
– Ele esta bem... – me limito a dizer.
– Kat você sabe que pode contar comigo né?
– Sim eu sei, só não conta pra mãe e pro pai ta? Esta tudo na mesma Prim, de segunda a sexta faculdade, e o restaurante, finais de semana trabalhos e estudar, em alguns saímos com o pessoal, em outros ficamos em casa, parei de implicar com ele por causa da Glimmer mas não é nada fácil, pensar que ele passa boa parte do dia com ela me deixa nos nervos, preciso arranjar alguma atividade, mas o que?
– Kat, eu sei que não é nada fácil suportar a coisinha perto do Peeta o dia inteiro, mas continue não implicando com ele, afinal pra ele não deve estar sendo muito fácil também, trabalhar, estudar, se preocupar em te dar atenção e com o filho de vocês, não é tarefa fácil, e quanto a você ter uma atividade também concordo, vou pensar em algo e te falo. – ela faz uma pequena pausa e recomeça – Se você quiser posso ir morar com você por algum tempo, te ajudar a cuidar do bebê. – ela diz toda solicita.
– Obrigada patinha, mas eu nunca te pediria isso, sua vida esta ai junto dos nossos pais, amigos, seu namoradinho, do Tom e da Rue. – rimos um pouco quando digo isso. Até eu sentir meu estômago protestar as longas duas horas sem comer nada. — agora vou desligar porque tenho que alimentar meu filho.
– Ou filhaaaaaa... – ela grita no telefone – Sim alimenta direitinho meu sobrinho ou sobrinha, diz que titia ama demais, e me manda fotos e o vídeo da próxima ultra-som.
– Sim sim, pode deixar tia babona. Beijos patinha, manda beijos pra todos, e diz que eu ligo a noite quando o Peeta chegar.
– Beijos mamãe...
Desligo o telefone e vou direto para a geladeira preparar o jantar, como Peeta estava comigo na consulta, sempre pega no meu pé com o que estou comendo então procuro fazer algo saudável para ambos, decido por fazer filé de frango grelhado, salada e arroz integral.
– Você ouviu a titia meu amorzinho, ela disse que te ama demais, e você bem que podia abrir as perninhas pra mamãe e o papai ver né, se teremos uma princesinha ou um príncipe. – Digo acariciando minha barriga converso bastante com meu bebê, e ele ou ela sempre responde com chutes e tremidinhas, o que me deixa toda boba e orgulhosa.
Como agora tenho horários para comer, acabo jantando sozinha pra não fugir da dieta, Peeta chega mais ou menos uma ou duas horas depois que eu janto, por isso não posso esperá-lo, algo que se tornou um pouco freqüente também é eu dormir antes de Peeta chegar, o sono me pega de jeito e não consigo manter-me acordada, a parte boa é que acordo cedo faço nosso café da manha e o tomamos juntos, e quando ele sai para a universidade eu vou caminhar.
Uma meia hora após jantar, tomo um banho e vou para a cama, adquiri o habito de ler o que tem me feito muito bem, atualmente estou lendo um clássico de Nicholas Sparks “O diário de uma paixão” apesar de ser uma excelente leitura me dá muito sono e logo começo a me ajeitar na cama até estar completamente deitada e acabo dormindo.
Acordo sentindo algo quente em meus lábios indo em direção ao meu ouvido.
– Boa noite meu amor, vou tomar um banho e já volto. – Peeta diz, mas meus olhos estão pesados e não consigo abri-los e apenas digo.
– Uhum... – e após um tempo, sinto seus braços me envolverem antes de eu voltar a dormir profundamente.
Levanto e sigo a mesma rotina que se estabeleceu há algum tempo, banho, preparar o café da manha, tomá-lo com Peeta, ver as noticias, vê-lo arrumando suas coisas e indo pra faculdade, me trocar e alongar para mais uma caminhada, tranco a casa e saio. Encontro meu vizinho sentado no saguão lendo um jornal, sigo em frente até ouvir meu nome.
– Hey Katniss. – me viro para meu vizinho, pois reconheço sua voz.
– Vizinho.
– Posso te acompanhar na caminhada?
– Claro. – digo e assim saímos do condomínio.
– Então vizinha me conte o que te trouxe até Sta Helena. – ele diz exibindo mais uma vez seu sorriso perfeito.
– CIA... Meu marido ganhou uma bolsa integral. – conto a ele.
– Ah então ele é um nerd.
– Sim, ele é. – digo rindo.
– E você? Provavelmente não esta trabalhando aqui, mas o que você fazia na sua cidade natal?
– Nada. – digo rindo e ele me encara não acreditando em minhas palavras – To brincando, fiz um ano de cursinho e trabalhava na padaria do meu sogro/padrasto. – vejo um ponto de interrogação se formar na face de Cato, e então digo a ele como funciona minha louca família, o que ele achou diferente e divertido.
– Realmente sua família é bem diferente.
– Então quando eu engravidei, e meu marido ganhou a bolsa para estudar não pensei duas vezes, ele já abriu mão disso por mim uma vez, não permitiria que ele fizesse de novo. – ao falar isso para Cato, se torna mais real o que Peeta fez e faz por mim, não há como não amá-lo ainda mais por isso.
– Eu também faria isso por uma mulher que vale a pena. – Cato diz me encarando, e um frio percorre minha barriga.
– Mas e você vizinho, já te contei quase minha vida inteira e olha que eu não sou disso.
– Ah eu sou praticamente formado em direito, vim para Sta. Helena fazer minha tese. – Nossa agora ele me impressionou.
– Nossa que legal, e sobre o que é sua tese?
– Bom pretendo me especializar em direito familiar, infantil e juvenil. Como eu já morei aqui, conheço alguns orfanatos e ONGs que trabalham com crianças que sofreram algum tipo de violência, e como eu já ajudava essas instituições agora eles iram me ajudar. – OKAY agora estou boquiaberta com esse cara, que pela primeira impressão parece um ogro pelo seu tamanho e que tem um coração tão doce e mole, eu estava impressionada? Não agora eu estou realmente impressionada.
– Nossa Cato desculpe eu fiquei sem palavras que trabalho lindo você faz, tanto para quanto com essas crianças. – vejo os olhos de Cato brilharem assim que termino de falar.
– Obrigada Katniss, mas eu não acho grande coisa o que faço. – ele diz com um sorriso tímido.
– Claro que é. E como você começou a trabalhar com isso? – acho que fui muito evasiva na minha pergunta, pois Cato coça a cabeça e respira fundo, penso em me desculpar, mas logo ele rompe o silencio que se instalou entre nós.
– É uma longa história. – ele diz apenas, e seu olhar fica distante, de repente ele não está mais ali comigo. Parece-me que não é uma lembrança muito boa o motivo pelo qual ele passou a fazer este tipo de trabalho.
– Desculpe Cato. Não quis ser intrometida, é que realmente acho significativo pessoas que fazem esses trabalhos sociais, sempre pensei em fazer algo do tipo, mas... – percebo que Cato esta longe, pensativo – Mas eu falo demais, desculpe... – lanço um sorriso amarelo para ele, que retribui me dando a entender que ele estava ouvindo cada palavra que eu falava.
– Não precisa se desculpar e você não é intrometida, acho que eu agucei sua curiosidade. – ele diz com um sorriso fraco e fica calado por um tempo, decido não puxar assunto, e caminhamos em silencio por algum tempo. – Katniss, nós podemos tomar um café, ou suco? – me assusto com a proposta tão inesperada, depois do silencio, percebendo minha reação ele me lança seu sorriso perfeito – Se você aceitar te conto como comecei a trabalhar com orfanatos e ONGs. – Eu sou curiosa? Sim, quero saber o porque o drama todo pra ele falar sobre isso? Também, é errado eu sair pra tomar um café com um amigo, que meu marido não conhece? Não, bom eu acho que não...
– Ok vamos. – digo rápido pra não pensar mais nos pros e contras.
– Você é bem curiosa. – ele diz pegando no meu pé.
– Você ainda não viu nada. – digo rindo enquanto caminhamos até o Starbucks mais próximo.
Peço um frappuccino com muito chocolate enquanto Cato pede um cappuccino tradicional e nos sentamos.
– Pelo visto você gosta de Starbucks... E chocolate. – ele conclui já que nem perguntei se ele queria vir a esta cafeteria simplesmente tomei o caminho e ele me acompanhou.
– Sim, um vicio, ou melhor, dois... – digo, e decido ser direta, afinal vim aqui para ouvir sua historia. – Mas então você já pode começar. – ele ri e ergue os braços se rendendo a curiosidade.
– Tudo bem, mas antes quero que saiba que é a primeira a saber dessa historia, pelo menos de mim. – sinto um nó se formar em minha garganta impedindo-me de continuar a tomar minha bebida, pensando que historia seria esta pra ele não querer contar e ficar tão incomodado, e pior porque ele quer me contar se nunca contou a ninguém sendo que mal nos conhecemos. Assinto com a cabeça não sabendo o que dizer e se deveria dizer algo e ele prossegue.
– Eu nasci em uma cidade pequena e meus pais, digamos que tem posses. Eu era um menino mimado... – ele começa a contar meio hesitante, acredito que escolhendo suas palavras. – E eu me tornei um adolescente impulsivo, me achava dono de mim mesmo, superior aos outros, sempre me metia em confusão na escola e acabei sendo expulso de duas. – ele ria fraco ao falar. – Até que aos 16 anos vim passar as férias com meus avôs, que moram aqui na cidade, como já era de costume, e eu havia acabado de tirar a carta queria a todo custo dirigir e meu pai só me deixava dirigir quando ele estava junto, já meus avôs era outra historia chegaram a me dar um carro zero, então sai com alguns amigos para comemorar e foi ai que minha vida mudou, nos tínhamos bebido muito e eu estava meio bêbado mesmo assim quis pegar o carro, foi quando ela apareceu do nada e não consegui frear a tempo e acabei atropelando a garotinha de apenas 5 anos, ela atravessava a rua com um casal, mas quando seu bichinho de pelúcia caiu no chão ela voltou para buscar e eu a acertei. – ele falou com um olhar distante, imagino que lembrando da cena. Fiquei chocada com que ele falou, ele era o tipo de garoto que eu abominava quando tinha essa idade e abomino até hoje, que bom que ele mudou. Também fiquei ainda mais curiosa pra saber o que aconteceu a garotinha, será que ela... Essa agonia esta me matando, será que ele não sabe que não pode deixar uma grávida curiosa.
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