Meu Primeiro Amor ?!
36 Capítulo 36
Notas iniciais
Achei engraçadinho Peeta achar que minha mãe estava com ciúmes do nome que escolhemos para nossa filhinha, mal sabe ele da verdadeira preocupação da minha mãe, na verdade acho que ele achara engraçado, e com certeza dirá que tenho a quem puxar pelo drama.
Sorrio sozinha pensando em nossa princesa, e em como Peeta estava certo quanto a teoria dela ser ciumenta igual a mim, porque é só clima esquenta entre meu marido e eu que minha pequena chuta, cortando o clima e nos rendendo boas risadas. Apesar que com clima ou sem clima, sempre que podemos nos amamos, pois a cada dia fica mais difícil. O desconforto só aumenta, nossa princesa adora se acomodar nas costelas da mamãe e adora brincar durante a noite, chutando a mamãe sempre que pode.
– Eai mamãe como esta? – Cato chega de surpresa afastando uma mecha de meus cabelos que estava caindo em meus olhos, enquanto estava curvada colorindo um desenho com as crianças.
– Oi tio Cato. – o chamei assim como as crianças o chamam, e ele exibe seu sorriso perfeito.
– Você esta diferente... Sei lá, um brilho diferente nos olhos. – ele diz me encarando e semicerrando os olhos. É engraçado, mas o pouco tempo que nos conhecemos, Cato consegue decifrar alguns de meus gestos, sorrisos e olhares. E isso é estranho também.
– É talvez... Minha princesa não me deixa dormir. Então sim tenho um brilho diferente nos olhos... Os das olheiras! – digo o encarando também e ele sorri com minha revelação, nem havia percebido que ainda não tinha contado a ele que esperava uma menina.
– Wol é uma menina. Parabéns tia Kat. – Cato me pegou desprevenida e abraçou-me, fazendo-me sentir sua pele macia recém barbeada, e seu perfume masculino que mexeu com meus hormônios. Opa espera ai, como assim mexeu com meus hormônios? Eu sou casada, e muito bem casada. E estou grávida, muito grávida! Minha pequena lembrou-me disso chutando-me. “Calma filhinha, esse será nosso segredo, nada de contar ao papai, ok”, digo mentalmente.
– Obrigada tio Cato. – tentei parecer natural ao afastá-lo um pouco, ele entendeu perfeitamente o que fiz, e me lançou uma piscadela. Ah esse Cato esta ficando abusado!
– Que tal um café? As crianças logo iram para a “soneca” da tarde, teremos um tempinho livre. – pensei em dizer não, pois Cato mantinha um sorriso malicioso nos lábios, mas também se dissesse não, sinto que ele pensaria que mexe comigo mais do que eu gostaria que pensasse, um dilema.
– Prefiro um chocolate quente tio Cato. – digo arrancando outro sorrido dele.
– A senhora que manda! – ele diz, e assim que as crianças são chamadas para soneca saímos. Fomos a uma cafeteria ao lado do orfanato e logo peço um chocolate quente e um muffin de parmesão.
– E então dona Katniss conte– me como sempre moramos tão perto e tão longe ao mesmo tempo. – ele pergunta assim que nosso pedido chega à mesa.
– Pois é ótima pergunta, principalmente porque estudei com sua irmã. – tentei não usar um tom de desdém, mas não fui muito feliz e ele percebeu, então tentei emendar o assunto. – Talvez conheça meu pai, ele é dono do bar no centro, e minha mãe é enfermeira. – Cato foi gentil e não tocou no assunto de meu desdém com sua irmã.
– Ah sim, seu pai eu conheço bem. Acho que ele deve lembrar de mim, já dei algum trabalho a ele. – ele sorri sem jeito. – principalmente com relação a Johanna, logo quando ela começou a trabalhar no bar, digamos que eu me interessei por ela.
– Ual sério? Que revelação. – eu realmente estava curiosa, meu pai deve odiá-lo. – Mas eu também trabalhei um bom tempo no bar. Realmente estranho nunca termos nos visto.
– Talvez você não tivesse olhos para outro. – ele disse me encarando. – E eu estivesse ocupado demais, sendo idiota. – terminou de dizer quebrando o clima que ele mesmo iniciou, para meu alivio.
– Com certeza estava ocupado demais sendo um idiota! – declaro e caímos na risada. – Mas me conte sobre essa sua “paixão” por Johanna, meu pai deve ter ficado uma fera com você. Ele nega, mas estava de olho na Joh desde que ela começou a trabalhar no bar. – admito.
– Então éramos dois. – ele ri – A Johanna é linda, e aquele jeito brava dela sempre me encantou. E na época eu tinha um certo fraco por mulheres mais velhas, então uni o útil ao agradável, mas ela nunca me deu bola. – ele finge estar decepcionado.
– Sim a Joh é uma figura e tanto. Não gostava dela no inicio mas depois nos identificamos. – digo dando de ombros.
– Ela tem um jeito durona, mas parece ser divertida. – ele diz enquanto toma mais um gole de seu café. – Bom meus pais você conhece, o Sr. Haymitch sarcástico e dona Effie avoadinha. – ele limitou-se a dizer e então percebi que havia muito mais sobre seus pais que ele não queria dizer. – E você e minha irmã pelo que pude perceber não eram amigas. – disse e eu o encarei exasperada, não esperava que ele tocasse no assunto.
– É... Não! – esperava que ele aceitasse isso como uma resposta, mas mesmo que não aceitasse, não diria nada além disso.
– Acho que sei o porque. – ele disse sem nenhum humor, estávamos trilhando um assunto perigoso.
Ambos mudamos de assunto, não estava a fim de me indispor com Cato o que traria problemas também ao meu casamento. Voltamos a rir, contando situações engraçadas que ambos vivemos e continuamos a conversar assim que voltamos ao orfanato.
Assim que cheguei em casa tive uma surpresa, Peeta já havia chego e preparado o jantar para nós.
– Oi amor, esta tudo bem? Você essa hora em casa. – digo enquanto ele vem até a porta para me receber.
– Sim minha esposa, esta tudo ótimo, fui dispensado mais cedo hoje. – ele diz enquanto me ajuda a retirar o casaco, levanta meus cabelos e deposita um beijo na minha nuca.
– Hum estou sentindo segundas intenções em seus gestos, senhor meu marido. – digo enquanto sou abraçada por trás, sentindo o delicioso perfume de meu marido e o toque firme de suas mãos, que acariciam minha barriga, e nossa Lolo chuta exatamente onde sua mão parou.
– Calma filhinha, papai também te ama. – ela chuta novamente e nos rimos. – Vem vamos tomar um banho primeiro. – ele me guia até nosso quarto.
Peeta ajuda-me a retirar cada peça de minhas roupas e eu faço o mesmo com ele. Ele já havia deixado tudo preparado, a banheira estava com água quente e alguns sais de banho, ele entrou primeiro e eu logo após recostando-me nele. Era relaxante estar ali com ele, sentir água quentinha relaxar cada parte do meu corpo, o cheiro doce que emanava dos sais, os braços fortes de Peeta envolta de mim me tocando da forma que somente ele sabe, falando besteiras e coisas engraçadas ao pé do meu ouvido, declarando seu amor por mim e por nossa filha. Ah se eu não estivesse com esse barrigão.
– Peeta Peeta, o que você está querendo hein? — pergunto delirante com sua voz rouca.
– Só o melhor para as mulheres da minha vida.
– Uhum sei...
Saímos do banho pois a Lorena já reclamava o longo tempo sem se alimentar, vestimos somente nossos roupões e fomos jantar. E não é possível ele vai jogar uma bomba em cima de mim só pode, pois preparou meu prato favorito, e uma de minhas tortas doce favorita também. Saboreio tudo como se fosse minha ultima refeição.
– Tudo bem amor, estou alimentada e relaxada, pode soltar a bomba. – digo encarando-o e ele parece se surpreender.
– Como assim? Preciso de motivos para fazer algo especial pra você? – ele pergunta sarcástico e eu arqueio uma sobrancelha. – Ok tenho uma novidade... O Haymitch me efetivou, e quer que eu comece a acompanhá-lo durante o dia, para as compras do restaurante, visitar algumas filiais, novas receitas, e disse que pensara em uma sociedade quando eu me formar. – Peeta dizia animado, seus olhos brilhando, eu estava feliz por ele, mas confesso que não tão feliz quanto eu esperava e queria estar. Tudo que eu pensava era em como isso afetaria nossa já corrida rotina, isso tomaria mais tempo dele e como ficaríamos Lorena e eu?
– Nossa amor, estou sem palavras. Isso é maravilhoso. – as palavras demoraram a sair de meus lábios, mas surtiram o efeito desejado, não queria que ele percebesse meu desconforto com algo que ele desejava tanto. Ele levantou-se veio até mim, ajoelhou-se me encarando, suas mãos em minha barriga.
– Isso é pra vocês e por vocês, eu quero dar tudo que tive e que não tive também para as garotas da minha vida. Te amo Lorena. – ele beijava minha barriga. – Te amo Katniss. – ele selou nossos lábios. E não pude evitar as lagrimas que já forçavam caminho.
Eu o entendo, eu mesma quero o melhor para nossa filha e quero que ele realize seus sonhos, mas também o quero aqui perto de mim, perto de nos.
– Também te amo meu amor. – digo contendo as lagrimas.
Foi uma noite péssima, não consegui pregar os olhos um minuto sequer, minha mente pregava-me peças quando eu conseguia pegar no sono, sonhava com Peeta ausente, e aquilo era doloroso demais então acordava e evitava dormir para não ter que sonhar com isso novamente.
Levantei-me para tomar um chá, precisava sair da cama senão acordaria Peeta e principalmente Lorena que incrivelmente dormia, a primeira noite que minha princesa dorme em dias e eu não consigo dormir. Sento-me na poltrona encarando a televisão desligada, com meu chá e mil pensamentos.
– Amor, a Lolo não te deixa dormir? – Peeta apareceu na sala dez minutos depois, apenas sorri para ele.
– Volte a dormir amor, logo logo estará de pé. – digo, e ele me puxa fazendo-me ficar em pé.
– Não consigo dormir sem você. – ele diz manhoso.
– Então vamos senhor manhoso. – voltamos para cama, ele deita e eu fico sentada para terminar meu chá.
– Minha gatinha deixa a mamãe dormir um pouquinho, deixa? – ele fala com nossa filha abraçando minha barriga e permanecendo ali, enquanto eu acaricio seus cabelos até que ele pegue no sono.
No dia seguinte seguimos nossa rotina, Peeta não queria que eu fosse para o orfanato por eu não ter dormido nada, porém eu o convenci de que se ficasse muito cansada voltaria para casa, só então ele concordou que eu fosse ao orfanato. Eu estava cansada, só o “pozinho do kisuco“, mas ficar em casa seria pior, teria que lidar com a noite mal dormida e eu não estava muito a fim de revive-la e pensar besteira.
– Boa tarde tio Cato. – Cato passa por mim como um furacão, algo atípico dele, pois sempre que chega cumprimenta a todos, principalmente a mim.
– Ah oi Katniss. – ele diz apenas e continua andando sem me dar muita atenção.
– Oi né tio Cato. – Scarlet a menininha mais espevitada do orfanato diz, e isso porque ela só tem seis anos, imagine quando estiver maior.
Geralmente Cato se derrete todo por ela, mas hoje ele parece estar alheio a tudo e a todos, parece estar bravo e totalmente sem paciência.
– Oi Scar. – ele responde igualmente seco.
– O que aconteceu com ele, tia Kat? – ela pergunta sentando-se em meu colo.
– Eu não sei Scar, mas vou descobrir. – digo levantando-a e seguindo Cato, que parou na cozinha e tomava uma imensa xícara de café.
– Você esta bem Cato? Parece nervoso. Aconteceu alguma coisa? – pergunto preocupada.
– Não eu não estou bem, só passei aqui porque tinha que resolver algumas coisas, mas já estou de saída. – ele disse impaciente.
– Qual é Cato, me diz o que houve. Pode confiar em mim. – digo, pois pelo estado em que ele esta, sinto que pode fazer alguma besteira a qualquer instante.
– Você quer mesmo saber o que houve Katniss. – ele usou um tom duro na voz. – Peeta Mellark é o nome do meu problema. Desde criança ele é o nome do meu problema, porque eu não sou tão perfeito quanto ele, tão responsável quanto ele, tão bom filho quanto ele. Porque você não cozinha como Peeta, Cato? Porque você não cuida da sua irmãzinha como Peeta, Cato? Porque você não cuida da família como Peeta cuida, Cato? Porque você não é respeitador como ele? Ah se meu pai soubesse da metade das coisas que ele fez com minha irmã, e das coisas que ela fez por ele, com certeza não encheria a boca para falar como eu deveria ser parecido com ele. E minha irmã então uma iludida, sempre sonhou casar com ele, e ele sempre alimentou o sonho dela, o maior desejo da vida dela era que quando eles se casassem ter uma filha e colocar o nome da mãe do Peeta. – Não a minha Lorena não, tudo aquilo era demais pra mim, Cato estava fora de si, mas eu sentia que ele falava a verdade, ele não falava para mim mas para si mesmo. – Você sabe o que é ser comparado a alguém? Pior... Comparado a alguém que não é nada daquilo que aparenta ser. E agora meu pai quer tê-lo como sócio? E minha irmã fica toda animada com a noticia. Aquele cara tirou a virgindade dela e depois a jogou fora como se ela fosse uma qualquer. – ele gritava atraindo a atenção de outros voluntários e de Dona Mags que apareceu na porta pedindo que ele se acalma-se, eu não tinha lagrimas e respirava com dificuldade, precisava sair dali, precisava respirar, precisava sumir.
Comecei a andar a passos largos, quase correr o que minha barriga e meu fôlego não permitia, ouvi algumas vozes me chamando inclusive a de Cato, o que me fez andar mais rápido. Logo estava no carro, dirigindo para algum lugar, parei na praia, sentei-me na areia encarando o mar, pensei em Cato e quanto ele devia sofrer por ser comparado a alguém, pensei na dor da ausência de Peeta por trabalhar demais, pensei em minha Lorena tendo Glimmer como mãe e Peeta como pai. Será que nossas vidas estariam sempre interligadas? Será que eu teria que suportá-la para o resto da minha vida? Sei que Peeta não tem culpa pelo os erros de Haymitch e Effie por usá-lo como referencia para seu filho, mas e quanto a Glimmer? Eles namoraram, ele deu esperanças a ela, esperança de um futuro de uma família, ou será uma armadilha de Cato, mas o que ele ganharia com isso? Destruir Peeta? Talvez.
Liguei para Madge e para Annie, porém elas estavam em prova e não podiam me dar atenção, liguei para minha mãe mas ela estava ocupada auxiliando em uma cirurgia, pensei em ligar para meu pai, mas ele mataria Peeta se eu contasse metade do que ouvi, senti-me sozinha como nunca havia sentido em minha vida.
O cansaço me alcançou, voltei pra casa e dormi, para meu alivio um sono sem sonhos, acho que estava cansada até mesmo para sonhar. Acordei com um buraco imenso no estomago, peguei meu celular e vi que já eram onze horas da noite, a casa estava na maior penumbra e silencio, comecei a acender as luzes pelo caminho até a cozinha.
– Desculpe filhinha, a mamãe teve um dia e tanto. Me perdoe por não ter te alimentado direito e nem dado atenção. – acaricio minha barriga, conversando com minha filha enquanto preparo algo para jantar.
Enquanto como confiro o celular procurando por algum sinal de vida de Peeta e não encontro nada, apenas mensagens de Annie, Mad, Finnick, Prim e mamãe. Tomei um banho rápido, vesti um moletom e voltei para a cama, encarava o celular e cada minuto parecia horas.
Recebi uma ligação de Peeta a meia noite e meia, porém não quis atende-lo. Ele chegou meia hora depois, andando na pontinha dos pés, enquanto eu fingia que dormia.
Fale com o autor