Meu Passado E Meu Futuro
54 Pânico e esperanças
Notas iniciais
CAPÍTULO XLVI – Pânico e esperanças
– Uau! Nunca tinha visto Hinata-sama de perto... – falou um dos ninjas Hyuuga da escolta da líder do clã.
– Ela tem dois filhos gêmeos... – falou outro – E me falaram que está grávida... Deve ser muito empolgante engravidar essa mulher...
– Como assim?
– Bem... Ter que se deitar com ela sabe... – respondeu o Hyuuga – Ela possui um belo corpo e é realmente lind...
– Não ouse continuar a falar... – uma voz rosnada surgiu por trás dos dois ninjas.
– E quem é você? – resmungou o Hyuuga que estava falando mais ousadamente e olhou para o companheiro que o cutucou na costela.
– É Uzumaki Naruto. – sussurrou.
– U-Uzumaki-san! – o ninja se curvou com respeito – D-Desculpe!
– Quero menos conversa e mais trabalho. – disse Naruto seriamente e antes de se retirar, encarou bem no fundo dos olhos perolados – Se eu pegar vocês falando de minha mulher novamente... – estralou os dedos para soar mais ameaçador – Não medirei meus atos... – e saiu sentindo-se satisfeito com o estado assustado que deixou os Hyuugas. Sabia que não retornariam a falar de Hinata.
Ia a cada instante verificar como ela estava, parecia bem, apesar de atordoada por conta do chacoalhar da carruagem, mas parecia bem. Nada a se preocupar. E apesar da rígida vigilância que Naruto planejou para a viagem, nada acontecera. Mesmo assim não deixou a guarda baixa em nenhum momento.
– O que está acontecendo? – perguntou Naruto quando viu que a carruagem de Hinata havia parado.
– Ordens de Hinata-sama. – falou um dos ninjas Hyuuga.
Ele viu Hinata descer apressadamente e entrar no bosque ainda com passos apressados. Correu até ela e arregalou os olhos quando a encontrou vomitando. Apressou-se em segurar seus longos fios de cabelos para trás, para não sufoca-la.
– O que houve? – perguntou preocupado quando percebeu que Hinata respirava mais regularmente.
– Apenas enjoo... – ela sussurrou e sorriu com o rosto pálido.
– Pegue... – ele rasgou a manga de sua roupa e entregou a Hinata – Tente não se esforçar muito... Por favor... – a olhou ternamente, querendo muito abraça-la para conforta-la, mas não faria aquilo na frente de todos aqueles ninjas. Hinata era líder do clã e não podia fazer algo do tipo na frente de seus membros.
– Obrigada – falou passando o pedaço de tecido na boca.
– Vamos continuar. É perigoso ficarmos aqui parados por muito tempo.
– Irei andando Naruto-kun...
– O quê? Nem pensar! – protestou – É uma longa caminhada, perigoso e você está grávida.
– Preciso respirar um pouco... Não aguento mais ficar lá dentro, por favor. – ela o encarou com olhos suplicantes, aqueles mesmos olhos que Naruto não resistia.
– Tudo bem... – ele respondeu em rendição – Mas fique perto de mim.
E retomaram a caminha com Hinata logo atrás de Naruto, que estava quase tendo um colapso de nervos.
***
– Não vá para muito longe, está bem? – falou a avó de Isao antes do garoto sair correndo para seus amigos.
– Eu irei contar junto com Miho-chan. – falou Raiden para a irmã.
– Eu sei que Isao-kun irá ganhar... – falou a pequena Nara.
– Pois eu acho que Aki-onii-chan irá ganhar. – disse Raiden sorrindo.
– Vamos começar. – falou Isao aparecendo entre eles.
E os dois correram por entre as árvores a fim de ganhar a competição que fizeram.
– Shikamaru? Que novidade estar aqui... – falou Konohamaru vendo o Nara sentado em um banco bocejando.
– E que novidade ver você sozinho... – ele o olhou desconfiado.
– Ah... Não... – o Sarutobi riu – Hanabi está vindo. É que os gêmeos queriam vir logo. E você?
– Bem... – ele coçou o couro cabeludo preguiçosamente – Miho queria vir... Mas Temari estava cansada por Ryo ter ficado acordado a madrugada inteira... Minha mãe viajou com meu pai... E sobrou tudo para mim... – suspirou com cansaço.
– Ryo é um pouco mais velho que a Uchiha mais nova, não é? – perguntou Konohamaru.
– Acho que sim... – Shikamaru bocejou novamente e deu mais uma olhada em sua filha que estava com Raiden perto de uma árvore – Naruto está escoltando Hinata, certo?
– Sim... Ficou eu e Hanabi cuidando desses pestinhas. Mas eles vão voltar rápido. – Konohamaru olhou ao redor procurando por Hanabi, mas não a viu. Percebeu que ela estava demorando mais do que deveria. Bem... Essa era sua garota, muito imprevisível.
Aki resolvera adentrar no bosque para Raiden ou Miho não a encontrarem. Sabia que não podia adentrar muito, para não se distanciar da praça, mas tinha que ganhar aquele jogo, Isao não podia ganhar de jeito nenhum. Com certeza não a encontrariam, já que Raiden era um medroso e Miho o dobro, nunca se aventurariam pelo bosque. E também os dois sempre obedeciam a ordem de não se afastarem.
Aki sorriu já sentindo a vitória, iria ganhar com certeza.
Ela ouviu o barulho de galhos sendo pisoteados e se assustou, ficou em alerta. Não podia ser... Não poderia ser Raiden e muito menos Mino...
– O que faz aqui? – perguntou ao reconhecer os arrepiados cabelos negros e as roupas com o símbolo do clã Uchiha.
– Que susto... – Isao falou virando-se para ela.
– Vai para lá! – ela apontou para a direção da praça.
– Vai você!
– Está roubando minha irdeia! – Aki avançou no garoto que a segurou pelos ombros e ambos caíram no chão.
– Ouviu isso? – perguntou Isao a empurrando e se levantando devagar.
– O quê? – Aki estremeceu e ficou atrás do pequeno Uchiha.
– Está com medo? – perguntou a provocando.
– Não mesmo. – Aki tomou a frente, ficando ao lado dele e ouviram passos se aproximando, folhas e galhos secos sendo pisados.
– Vamos nos esconder. Pode ser Raiden e Miho. – falou Isao pegando na mão de Aki e virando-se para correr, mas uma barreira o impediu, onde ele deu de cara com pernas altas.
– Os pimpolhos estão aqui. – falou um homem desconhecido. Alto, realmente alto. Aki levantou o rosto para poder olhar o rosto dele, mas não o reconheceu.
– Oh... São menores do que pensei! – falou outro homem surgindo por entre as árvores.
– Aki... – Isao a chamou com a voz trêmula.
A garota apenas estendeu o braço, como uma barreira para Isao e andou para trás. Olhando fixamente para os dois homens em sua frente. Imediatamente, sentiu seu Byakugan ser ativado. Era um grande gasto de energia para ela e não sabia exatamente como utiliza-lo, mas o ativou para tentar causar intimidação.
– Que esperta... Ela já sabe usar sua linhagem. – falou o homem menos alto.
– O outro fedelho... Iremos utiliza-lo? – perguntou o mais alto.
– Não, pode mata-lo. Aproveite o tempo que ainda nos resta. – o homem sorriu quando viu o companheiro pegar kunais de seu bolso e jogar na direção de Isao, passando de raspão no rosto de Aki, causando um pequeno corte e perfurando o tronco da árvore atrás deles.
– Errei. – rosnou o homem que jogou a kunai, já pegando outras quatro, mirando e jogando novamente.
– Hakkeshou Gutten! – Hanabi pulou na frente das crianças e aplicou seu jutsu de defesa, jogando as kunais para longe.
– Daiendan! – Konohamaru pulou a frente de Hanabi e cospiu uma enorme quantidade de fogo nos oponentes.
– Aki-onii-chan! – Raiden veio correndo e abraçou a irmã, que ainda via tudo a sua frente sem saber o que fazer.
– Raiden, eu disse para voltar! – gritou Hanabi olhando para o garoto.
– Eles não estão mais aqui... – falou Konohamaru olhando para todos os lados.
– Não consigo ver... – disse Hanabi com seu Byakugan ativado.
– Leve as crianças, vou procurar por eles. – Konohamaru.
– Certo. – Hanabi assentiu e virou-se para pegar os meninos, mas franziu o cenho quando viu que havia duas Aki. Alguma ilusão?
Não deu tempo de pensar, sentiu o ar escapando de seus pulmões por uma pressão aplicada em seu estômago.
– Hanabi! – o Sarutobi correu até ela e a ergueu, pois ela havia flexionado os joelhos e quase caiu no chão.
– As crianças... – ela sussurrou tentando recuperar o fôlego.
– Onde está Raiden?! – gritou Konohamaru quando não viu o garoto.
– Raiden! – gritou Aki quando não o viu ao seu lado.
– Levaram ele... – sussurrou Isao.
– Como é? – perguntou Hanabi segurando-o pelos ombros e o sacudindo querendo logo as respostas.
– Raiden fez um jutsu de transformação e se transformou em Aki. E levaram ele logo depois. – respondeu Isao.
– Kami-sama... – Hanabi se levantou e vasculhou ao redor, procurando algo, mas nada via. E não conseguia entender como algo conseguia escapar do Byakugan.
– Eles não devem estar muito longe... – disse Konohamaru – Hanabi, leve as crianças e fale com Tsunade-sama. Ficarei aqui e procurarei por alguma pista.
– Tenha cuidado. – a Hyuuga beijou o Sarutobi nos lábios, pegou Aki em um braço e Isao em outro braço e saiu rumo à mansão Uchiha.
***
– Isao, vá para casa e fique perto de sua mãe ou de seu pai. Entendeu? – falou Hanabi antes de sair da vista do pequeno Isao, que correu para obedecer a ordem.
Não viu sua mãe na cozinha, então correu para o quarto de Naomi, mas também ela não estava lá.
– Oka-san? – ele a chamou, andando pela casa e abriu lentamente a porta do quarto de seus pais – Oka-san? – chamou-a novamente e abriu a porta totalmente após ouvir um gemido.
Sakura, quando ouviu o ranger da porta ser aberta, viu-se sem chão, muito mais ainda quando viu que se tratava de seu próprio filho, pois percebeu o pequeno vulto e sabia que era Isao. Sua visão estava enevoada e tudo o que sentia era dor em seu ventre. Não sabia nem se tinha forças para falar.
– Isao... Saia daqui... – ela falou em um gemido de dor.
– Oka-san! – o garoto paralisou-se quando viu uma vermelhidão em toda a extensão da cama. O que era aquilo? Sangue? E por que tudo isso? Sua mãe estava ferida ou algo assim? Viu-se paralisado, a pele fria e não conseguia mover um músculo se quer... Apenas ficava olhando sua mãe se retorcendo na cama.
– Isao... Chame seu pai... – Sakura tentava se levantar, mas... Seu corpo... Aquela dor...
O menino continuava paralisado, apenas observando. Estava em estado de choque, estático.
– Sasuke-kun... – tentou gritar, mas sua voz morria a cada segundo, juntamente com sua consciência. Não queria que Isao visse aquilo, mas ele não a obedecia dessa vez.
Isao sentiu uma mão firme o empurrando para trás e um muro tomou sua visão. Não... Seu pai tomou sua visão.
– Isao, vá para seu quarto. – falou Sasuke rigidamente, tirando o garoto do transe, que apenas andou para o quarto e fechou a porta.
Ele estava amedrontado com tudo aquilo e nunca sentira tanto medo...
***
– O acampamento está pronto. Chegaremos na cidade amanhã. – disse Naruto para Hinata que estava sentada em um tronco inclinado – Hinata? – ele acenou para tentar chamar a atenção dela – Ei... – tocou em seu braço – Você... Está muito fria.
– Naruto-kun... – Hinata virou-se para Naruto com os olhos encharcados de lágrimas.
– O que foi? – ele perguntou com preocupação já retirando seu casado e a envolvendo – O que aconteceu?
– Eu não sei... – ela respondeu esfregando as costas das mãos nos olhos – Estou sentindo algo... Estranho... Desagradável.
– O quê? Como assim? – ele não entendeu a uma palavra que ela falara, mas apenas a abraçou, não se importando com a presença de outras pessoas ali – Tudo bem... – assim que a tocou, sentiu um calafrio, que fez todos os pêlos de seus braços se eriçarem – Vai ficar tudo bem... – falou beijando os cabelos de Hinata, mas também preocupado com o que acabara de sentir.
– Raiden... Aki-chan... – ela sussurrou e ergueu a cabeça – Aconteceu alguma coisa.
– Hinata, calma.
– Meus filhos... Eu tenho que... – Naruto a segurou firmemente pelos ombros, prendendo-a no lugar.
– Hinata, já estamos aqui. Não podemos voltar. – disse com a expressão séria – Você é líder do clã Hyuuga, não pode ter esse tipo de comportamento. Tem que ficar tranquila, está bem? – acariciou o contorno de sua bochecha com o dedo indicador – Aki-chan e Raiden estão em Konoha aos cuidados de Hanabi e Konohamaru. Se acontecer algo com certeza eles vão cuidar de tudo. Hanabi pode ser uma pirralha mimada, mas eu confio minha vida a ela. Meus dois filhos. Então fique calma e se prepare para a reunião que terá em breve... Deixe tudo nas mãos de Hanabi.
– T-Tem razão... – falou Hinata depois de um tempo enterrando seu rosto no peito de Naruto para tentar se acalmar, mas ainda aquela sensação a incomodava imensamente e seu coração. E só torcia que tudo estivesse bem realmente.
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