Meu Passado E Meu Futuro
55 Arrepios gélidos
Notas iniciais
CAPÍTULO XLVII – Arrepios gélidos
Sakura abriu os olhos lentamente. Parecia que suas pálpebras tinham vontade própria e insistiam em permanecer fechadas, mas ela colocou força para abri-las. Também sua cabeça latejava, como se martelassem seu cérebro.
Sentiu uma pressão em sua mão e quando olhou para o lado, viu Sasuke agarrando sua pequena e delicada mão com as suas, encostadas em sua testa e de cabeça baixa.
– S-Sasuke-kun... – ela se surpreendeu com sua própria voz. Estava rouca e quase perdeu todo o ar de seus pulmões. Estava fraca demais. O ar faltou novamente quando o Uchiha levantou o rosto. Seus olhos estavam vermelhos pelas noites mal dormidas ou por ter chorado por horas... Seu rosto tinha um aspecto cansado e tensão ao mesmo tempo.
– Sakura... – ele falou ternamente e com a voz trêmula, levando uma mão a bochecha da esposa e a acariciando – Graças a Kami...
– O que...
– Desculpe. – ele a interrompeu serrando os olhos e ela enxergou uma grande culpa em toda aquela cor ônix – Desculpe, meu amor... Desculpe... – ele abaixou a cabeça e estava... Chorando?
Sim, Sasuke estava chorando. Um pranto com um pesar em sua voz e soluços.
– Eu fiz você se machucar... – ele falou ainda de cabeça baixa – Por minha causa... Você quase morreu... Por minha causa perdemos... Perdemos... – ele rugiu de frustração e seu pranto se intensificou.
Sakura levou a sua mão livre para a boca, afim de abafar seu suspiro, mas as lágrimas foram automáticas. Quentes lágrimas deslizavam por seu rosto.
– Se eu tivesse sido cuidadoso... – continuou o Uchiha – Se eu tivesse resistido... Se eu tivesse pensado mais em seu bem-estar... Você quase morreu... – disse com amargura – Você quase morreu... – repetiu em um sussurro – Por favor... Perdoe-me... Sakura perdoe-me...
– Sasuke-kun... – Sakura o chamou, não aguentava mais ouvir tudo aquilo.
Sasuke levantou o rosto e viu os mesmo sentimentos dele no rosto dela. E percebeu... Ficar se julgando não ajudaria Sakura e muito menos a consolaria. Agora tinham que dar forças um ao outro.
Ele a abraçou cuidadosamente e carinhosamente, tentando dar-lhe conforto, acariciando seus cabelos.
– Vai ficar tudo bem... – ele sussurrou.
– Perdi nosso filho... – ela falou no mesmo tom de voz – Desculpe-me... Eu...
– Não... – ele a encarou com seu rosto entre suas mãos – A culpa não é sua. Não vamos falar sobre isso...
– Isao e Naomi... Onde estão? – perguntou assustada.
– Com sua mãe... Estão bem, não se preocupe. – deitou-se na cama do hospital ao lado de Sakura para abraça-la novamente.
Uma batida na porta foi ecoada e logo Shizune entrou no quarto, estava tensa e agitada.
– Uchiha-san... Tsunade-sama está ordenando sua presença em sua sala. – falou ela.
– Não posso ir agora. – ele respondeu friamente.
– Sakura-san já está bem...
– Shizune, agora não é um bom momento... – Sakura falou tentando fazê-la entender.
– Raiden-kun foi sequestrado... O filho de Naruto-kun. – falou Shizune com firmeza.
– O quê? Quando? Como? – Sakura perguntou rapidamente.
– Tente se acalmar... – Sasuke a afagou para fazê-la deitar-se novamente.
– Hoje de manhã... Konohamaru tentou achar alguma pista, mas tudo o que encontrou foi uma pegada e ainda não sabemos se é de algum dos sequestradores... Ninjas rastreadores já foram mandados para o local, mas... – Shizune encarou o Uchiha – Sasuke-san, precisam de sua ajuda.
– Não posso agora. – Sasuke respondeu.
– Sasuke-kun, você deve ir – Sakura o repreendeu – Vou ficar bem, não se preocupe.
– Acabamos de sofrer uma perda, não estamos em condições para isso.
– E você irá deixar outra perda acontecer? – falou Sakura, mas não obteve resposta – É o filho de Naruto... Nosso amigo... Ele com certeza nos ajudaria se algo acontecesse com Isao ou Naomi!
Sasuke passou as mãos pelo rosto e se levantou encarando Shizune. Tinha que fazer de tudo para salvar Raiden, o filho de uma das pessoas mais importantes de sua vida, afinal, Naruto nunca desistiu de trazê-lo de volta e ainda o ajudou a admiti-lo na vila. Devia muito a ele.
– Naruto e Hinata sabem sobre isso? – perguntou.
– Tsunade-sama já mandou um pássaro-correio – Shizune respondeu – Creio que não irá demorar a alcançá-los.
– Estou indo. – Sasuke beijou a cabeça de Sakura e foi com Shizune para a sala de Tsunade.
***
– Seus idiotas! – gritou o homem extremamente zangado – Trouxeram o Hyuuga errado! Era para ser a garota!
– Como iríamos saber?! – respondeu o outro, chamado Shiori, tinha os cabelos negros e olhos avermelhados.
– Ele estava usando o jutso de transformação e estávamos com pressa. De alguma maneira nos descobriram. – falou o outro ninja, chamado Jiro, tinha cabelos alaranjados e o mais alto e musculoso dos três – Mas acho que não tem problema em usá-lo, Izumi.
– Talvez... – Izumi, que possuía cabelos longos e negros, um olhar maléfico, juntamente com seu sorriso – Que bom que chegaram rápido... Podemos começar o processo... Jiro, vigie as redondezas, Shiori, pegue os demônios... – ele riu e virou-se para uma porta onde havia escadas para o andar de baixo – Irei pegar os recipientes... – depois que ouviu a confirmação dos outros dois, desceu as escadas e andou até as grades de uma cela.
– Calma Raiden-kun... – falou o ruivo que tinha a mesma idade de Raiden. Havia se colocado na frente do pequeno Hyuuga quando ouviu passos.
– Pode não parecer... Mas o pequeno Hyuuga é mais forte que você... – disse Izumi para intimidá-lo – O filho do jinchuuriki da Kyuubi e o filho do jinchuuriki do Shukako...
– Meu pai vai matar você! – rosnou Kingo, o filho mais velho de Gaara.
– Que medo... – Izumi gargalhou – E você... – apontou para Raiden, que ainda tremia encostando a parede de pedras úmidas – Você pagará pelo que fez...
– Izumi, vamos nos apressar! – Shiori gritou e correu até o outro – O clã Inuzuka vive em Konoha... E ainda há aquele tal de Kakashi... Poderia ser tudo mais tranquilo se aquela Hyuuga não tivesse nos percebido... Temos que ir logo e ir embora sem deixar rastros.
– Pegue o ruivinho... Pegarei o Hyuuga. – ordenou enquanto abria a sela.
***
– Deu certo? Como foi? – disse Naruto aliviado quando viu Hinata saindo da mansão do Daimyo de Konoha.
– Até agora tudo bem. – ela respondeu com um sorriso satisfeito – Mas só posso falar depois de uma reunião com Tsunade-sama... Sinto muito Naruto-kun...
– Não tem problema! Eu entendo. – ele falou sorrindo – Primeiramente sua segurança. Acompanharei você até o quarto que o Daimyo ofereceu para você...
– Mas... Eu pensei que iríamos logo para casa...
– Não. Você tem que descansar. Foi uma viagem cansativa. Por favor, Hinata, descanse um pouco.
– Tudo bem... Irei para o quarto... – Hinata o seguiu. Havia apenas cedido por não querer preocupar Naruto, já que ele era exageradamente preocupado, principalmente por conta de sua gravidez. E também ele tinha razão... Tinha que pensar no filho que estava esperando. Não podia exagerar muito.
– Bem... Se precisar de alguma coisa, é só me chamar. Vou estar por perto. – Naruto virou-se, mas foi segurado pela mão.
– N-Não quero ficar sozinha...
Ele suspirou e entrou com Hinata, que estava levemente ruborizada pelo pedido que fizera. Devia ainda não estar se sentindo bem, ainda com a sensação ruim.
– Esse quarto é aconchegante, mas... Prefiro o nosso... – falou Naruto verificando o cômodo.
– Eu também... – ela respondeu acariciando o ventre já um pouco elevado, sentou-se na cama para se deitar, mas paralisou pelo olhar que Naruto ofereceu a ela... Ardente...
– Você fica linda com esse kimono branco... – ele falou se jogando na cama depois de ter retirado a vestes de cima – Mais ainda sem ele... – a beijou logo em seguida – Mas vou me controlar. – a acomodou em seu peito.
Hinata riu apesar do constrangimento.
– Naruto-kun... Tenho um presente para você... – ela disse acariciando os braços dele.
– Oba, o que é? – perguntou animadamente – Mais que droga... – Naruto resmungou quando ouviu as batidas na porta.
– Hinata-sama! – um homem gritou enquanto batia na porta.
Hinata se levantou rapidamente, mas parou quando Naruto a segurou pela mão.
– Espere, eu vou. – ele vestiu a camisa rapidamente e ficou com uma kunai em mãos.
– Hinata-sama! Uma carta de Tsunade-sama!
Naruto abriu a porta e se espantou com o ninja Hyuuga, que estava ofegante e de olhos arregalados.
– Hyuuga Raiden, filho de Hinata-sama, foi sequestrado hoje de manhã.
– O quê? – Naruto engoliu em seco.
– R-Raiden... – Hinata sentiu um arrepio gélido percorrer por todo o seu corpo.
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