Meu Passado E Meu Futuro
30 Mágoas
Notas iniciais
CAPÍTULO XXX – Mágoas
- Oh! Aquilo teve muita conotação sexual! – gritou Udon com empolgação enquanto caminhava junto com seus colegas de time: Hanabi e Konohamaru. Estavam voltando para a vila depois de uma missão de dois dias. Era a primeira missão deles sem o sensei e foi concluída com sucesso. Eram os mais novos chunins de Konoha.
- Juro que se você falar isso mais uma vez... Será considerado um cadáver... – rosnou Hanabi erguendo os punhos.
- Eu disse que ia acabar com aquele cara... – falou Konohamaru com as mãos atrás da cabeça, andava com um ar despreocupado.
- Muito legal a parte que você disse “Não deixarei que ninguém pegue a minha garota!” – gritou Udon para Konohamaru e forçando a voz do amigo ao repetir o que ele havia falado ao vilão na qual tinham derrotado. Esse vilão havia dito que Hanabi era muito bonita e não deveria ser uma ninja, ocasionando a ira ciumenta do Sarutobi.
- Francamente... Estou rodeada de idiotas... – falou Hanabi cruzando os braços.
- Ah... Hanabi-chan... Vamos divulgar nosso namoro logo! Tô muito ansioso! – falou Konohamaru com uma voz manhosa e passando o braço pela nuca da garota.
- Não me toque! – ela deu-lhe um soco no estômago.
- Uou! – gritou Udon. – E mais uma vez Konohamaru é nocauteado por sua namorada!
- Eu não sou namorada dele! – vociferou a Hyuuga extremamente irritada.
- Eu não entendo... Por que deixou eu te beijar naquela vez, ou aquela outra vez, ou aquela outra? Foram cinco vezes! – perguntou o Sarutobi se recompondo do soco.
- Confissões! – gritou Udon, mas tanto Hanabi quanto Konohamaru o ignoraram.
- Você tava tão necessitado que senti pena! Mas me arrependo agora de todas elas! – ela falou.
- Tava com pena de mim? – aquilo acertou em cheio o Sarutobi – Eu posso correr muito atrás de você Hanabi, mas tenho também meu orgulho... E você pisou nele... Vamos ver como você consegue lidar com o não idiota Sarutobi Konohamaru. – ele falou com frieza.
- Não me importo nem um pouco. – disse Hanabi demonstrando despreocupação, pois tinha plena certeza que ele apenas falava aquilo, mas não iria cumprir.
- Tudo bem. – Konohamaru recomeçou a andar mais rapidamente deixando seus companheiros para trás.
- E o desenrolar foi uma dramática separação! – gritou Udon.
- Quer calar a boca?! – Hanabi o esmurrou na cabeça. Aquela reação de Konohamaru a preocupou um pouco, pois ele sempre a acompanhava até os territórios do clã, mas naquele dia parece que não iria.
Hanabi deu de ombros, mandou Udon fazer o relatório sobre a missão para Hokage e se encaminhou para casa. Estava cansada e com saudade de seu aconchegante quarto. Queria um banho e deitar em sua cama. Ver como sua irmã estava, que ultimamente emagrecera muito por conta da sua falta de apetite. Sua aparência estava desgastada, como se tivesse envelhecido três anos ao invés de três meses desde seu casamento com Hyuuga Ryoko. E até antes, pois Hinata entrou em debilitação assim que se afastou a força de Naruto. Ela empalidecia repentinamente, ou desmaiava, aquilo preocupava Hanabi intensamente. Tinha medo da irmã chegar a falecer de desgosto. Só em pensar naquela hipótese causava-lhe um arrepio gélido.
Chegou em casa e se encaminhou a sala onde Hinata resolvia pequenos problemas do clã. Ela se trancava lá e saia apenas à noite para ir dormir. Abriu a porta e arregalou os olhos em pavor. Hinata estava caída no chão ao lado da mesa.
- Onee-san! – ela correu e se agachou balançando o ombro de Hinata. – Onee-san... – as lágrimas apareceram rapidamente em seus olhos.
- Hanabi-san! – Ryoko apareceu correndo. – O que houve?! – ele se agachou ao lado da Hyuuga desmaiada.
- Não sei... Eu cheguei e ela já estava assim... – falou Hanabi.
- Pegue água e leve ao quarto. Levarei ela para lá.
- Hai! – Hanabi saiu correndo.
Ryoko puxou Hinata para seu colo e ativou seu Byakugan para examiná-la antes de deslocá-la para outro local. Sentiu mãos macias, trêmulas e geladas em seus olhos, tapando sua visão antes que pudesse observar qualquer coisa.
- Não... – sussurrou Hinata ofegando e tentando abrir os olhos que pareciam pesar uma tonelada.
- Hinata-sama... Você precisa de atendimentos... – ele falou segurando o pulso dela e o abaixando ao lado de seu corpo.
- Não... Por favor... – ela falou com dificuldade.
- Como quiser. – Ryoko a pegou nos braços e a levou para o quarto, deitando-a na cama delicadamente. Ficou surpreso com a leveza daquele corpo. Aquela mulher estava sendo torturada a cada minuto que vivia.
***
- Naruto-onii-chan! – gritou Konohamaru ao ver o ninja que mais admirava na sala da Hokage.
- Konohamaru? Desde quando você cresceu tanto? – falou Naruto pegando na cabeça do rapaz que estava quase do seu tamanho.
- Desde quando você parou de crescer? – provocou o Sarutobi.
- Você nunca vai me alcançar! – gritou Naruto.
- Será Naruto-onii-chan? – ele riu com sarcasmo.
- Cala a boca moleque! Quer levar uma surra? – berrou o Uzumaki.
- CALEM A BOCA OS DOIS! – ordenou Tsunade com um olhar mortífero causando arrepios em todos os presentes da sala.
- O-O-O-O r-r-relatório H-Hokage-sama... – falou Udon estendendo a mão trêmula.
- Obrigada. – ela tomou bruscamente. – Agora saiam! – os três saíram com a cabeça baixa – Menos você, Naruto!
- S-Sim! – falou ele ainda arrepiado.
Naruto sentou-se na cadeira de frente a mesa de Tsunade que só profetizou a primeira palavra depois que Udon e Konohamaru saíram.
- Naruto, sabe muito bem do que irei tratar com você, não é? – a Hokage o encarou seriamente.
- Sim... – o Uzumaki baixou o olhar esperando a bronca que viria.
- Seu rendimento nessas missões está péssimo! Você tinha melhorado, mas de repente caiu novamente! Sei que está sendo difícil para você, mas seu relacionamento com Hyuuga Hinata já acabou há meses atrás! E essa tarefa é muito séria para levar para o lado pessoal. Ser Hokage não é uma brincadeira. Se você não está pronto diga de uma vez! – falou Tsunade.
Ela reparou que Naruto tremia, mas não era de pavor, era de irritação. Ele apertava as mãos e as encarava com os olhos arregalados.
- Nunca mais fale o nome dessa pessoa na minha frente... – ele rosnou sem levantar a cabeça.
- Naruto...
- Não fale... – ele a interrompeu.
- Acalme-se. Está dispensado por ora, mas está alertado.
Ele se levantou ainda com a mesma expressão e assim que se retirou da sala da Hokage, libertou o grito que estava preso em sua garganta e esmurrou a parede que rachou com o choque e a força.
- Droga de vida... – resmungou, colocou as mãos nos bolsos e saiu andando para seu pequeno, mas aconchegante apartamento.
Naruto tentava esquecer aquilo. Ás vezes parecia estar bem com a nova rotina de acordar ir a sala de Tsunade para ver se há alguma missão, já que no momento tudo voltara ao normal, mas de vez em quando dava uma recaída e lembrava de Hinata... De seu toque, de sua boca, de sua voz, de seu cheiro... Queria muito afastar aquilo tudo, queria muito odiá-la, mas não conseguia... Não sabia e nunca teve a noção de perceber, mas amava Hinata. Amava aquela Hyuuga com todas as forças. E ela ter lhe deixado daquela forma era uma dor imensa.
- Pare de pensar nessa garota de novo! – ordenou para si dando um tapa na própria cabeça – Acho que um ramen vai ajudar... – e caminhou para Ichirako Ramen afogar as mágoas com uma boa tigela grande de ramen.
***
Ryoko e Hanabi ficaram sentados ao lado da cama esperando Hinata dar algum sinal de consciência, mas ela nem sequer se mexia, continuava imóvel em uma dormência profunda. Hanabi suplicou para chamar um médico, mas Ryoko negou dizendo que não era o desejo de Hinata ser examinada.
A Hyuuga mais nova piscava longamente os olhos dando indícios de sono, no entanto, se forçava a permanecer ali sentada.
- Pode ir dormir Hanabi-san, ficarei aqui. – falou Ryoko.
- Não, eu não sairei.
- Mas você está muito cansada... Quando Hinata-sama acordar, prometo que irei acordá-la.
- Você promete?
- Sim... – respondeu ele com um sorriso paterno. Hanabi correspondeu aquele sorriso e se levantou para descansar um pouco em seu quarto que não era muito longe dali.
Ryoko permaneceu acordado esperando Hinata despertar como uma sentinela vigiando seu posto. Depois de uns minutos, a Hyuuga apertou as pálpebras e as abriu lentamente.
- Hinata-sama... Como se sente? – perguntou ao perceber que ela já se situava.
Hinata não respondeu. Levantou-se e se sentou na cama, tentou ficar em pé, mas estava fraca demais para fazer aquilo sozinha.
- Ajude-me... – ela pediu com uma fraca voz. Ryoko se levantou rapidamente e a segurou firmemente para ela poder andar. Hinata deu passos para banheiro e, se apoiando na pia, fechou a porta deixando aquele Hyuuga aflito. Se viu obrigado a arrombar a porta que acabara de ser fechada por ouvir algo caindo e gemidos de dor. Ryoko arregalou os olhos ao ver Hinata no chão sobre os joelhos e debruçada sobre o sanitário.
Hinata sentia o estômago girar, pular e vibrar com mais força, mas não tinha nada para por para fora, então ficou um forte enjoo na garganta.
- Hinata-sama... – Ryoko a segurou pelos ombros e a ergueu. A levou de volta para a cama e, segurando os pulsos de Hinata com uma só mão, os ergueu para cima da cabeça dela. – Perdoe-me, mas tenho que cuidar de você.
- Não... – sussurrou Hinata. Estava fraca demais para tentar se soltar.
O Hyuuga ativou seu Byakugan e segurando Hinata com uma mão, passou os olhos por seu corpo.
- Hinata-sama... – ele a encarou e desativou sua linhagem – Quanto tempo pensou que iria esconder isso? – ele perguntou com surpresa.
Hinata desatou a chorar. Soluçava intensamente e via-se perdida em um mundo sem luz onde ela não encontrava uma saída.
- Não fale ao Conselho... – ela murmurou entre um soluço e outro.
- Eu nunca faria isso. – respondeu Ryoko.
- Não sei o que fazer... – ela continuou com seu pranto desesperado.
- Acalme-se... Não esqueça que nos olhos do Conselho somos casados, a única hipótese que existe é que este ser que cresce em você é meu. – ele falou calmamente tentando acalmá-la também.
- Mas... Se não acreditarem... Se me obrigarem a...
- Não farão isso. – Ryoko a interrompeu – Confie em mim.
Hinata se viu um pouco mais calma, mas seu choro continuava na mesma intensidade. Sentiu os braços de Ryoko a envolver com cuidado e ficaram daquela forma até que a Hyuuga se acalmasse um pouco.
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