Meu Passado E Meu Futuro
31 Incertezas
Notas iniciais
CAPÍTULO XXXI – Incertezas
- Vamos! Estou vigiando você! – ordenou Hanabi para Hinata que estava recostada na cabeceira da cama já com a barriga elevada com seus aproximados oito meses e Hanabi a patrulhava naquela manhã no seu desjejum.
Depois que a Hyuua mais nova soube que a irmã estava gestante, logo concluiu que aquele bebê não era de Ryoko, pois sabia da relação que ambos tinham, era apenas como irmãos mais velhos ao ver de Hanabi. Quando Hiashi soube, também desconfiou, mas nada falou, permanecia em seu silêncio.
- Hanabi... Eu não aguento mais comer... – falou Hinata com um pequeno sorriso. Ela já se apresentava mais saudável que antes, mas a tristeza em seus olhos permanecia.
- Não discuta, apenas mastigue! – Hanabi colocou mais uma garfada, contendo um pequeno pedaço de bolo doce, na boca da irmã. – Esse pestinha aqui tem muita fome. – ela inclinou-se e sussurrou apenas para Hinata ouvir. – Você sabe como é o pai dele...
- Hanabi... Você sabe que eu não gosto dessa brincadeira... – falou Hinata baixando o olhar.
- Onee-san... Desculpa! Não foi minha intenção! Apenas saiu... Eu... Desculpa! – a garota já estava com lágrimas enchendo seus olhos.
- Tudo bem... – disse Hinata, mas continuou sem rir. Sabia como era a inconveniência de sua irmã mais nova, mas não gostava quando se referia aquele assunto. – Tenho que cuidar de umas coisas agora... Devo ir ao escritório. – ela levantou com um pouco de dificuldade por conta do peso a mais que possuía e andou lentamente para seu escritório.
- Sou mesmo uma idiota... – ela resmungou pegando os pratos em cima da cama e saindo para a cozinha.
Hinata sentou-se na cadeira e respirou fundo antes de pegar os pergaminhos empilhados ao lado. Eram instruções de como selar uma criança da Bouke. Por mais que ela não queira fazer e muito menos aprender algo do tipo, era algo que tinha obrigação e não podia se opor aquilo. Aquele selo era característico do clã Hyuuga.
- Hinata-sama... – Ryoko apareceu na sala batendo levemente na porta.
- Ryoko-san... Bom dia... – ela falou com um sorriso.
- Chegou uma carta do país da Chuva para você. – ele entrega o retangular envelope branco para a líder do clã que a recebe.
Ela verificou o selo, era realmente do país da Chuva, então a abre para saber do que se tratava. Hinata passou os olhos nas linhas contidas na carta, passando alguns minutos em silêncio, que logo fora quebrado por sua voz.
- Senhor feudal Hatori... Quer minha presença em uma reunião com os outros senhores para tratar de uma possível aliança com o clã Hyuuga... – falou ela encarando Ryoko.
- Aliança com o clã Hyuuga com os Senhores Feudais do país da Chuva? Qual o propósito disso? – perguntou o Hyuuga um tanto desconfiado.
- Não revelaram por medo dessa carta cair em mãos erradas... – Hinata encarou as letras da carta.
- Não confio muito nisso... Logo o país da Chuva onde os ninjas são assassinos... – ele falou com os olhos cerrados.
- O que faço então? Se mandar outra carta como resposta seria rude de minha parte e os Senhores Feudais não podem se deslocar para cá... Irei com uma escolta, estarei segura. – disse Hinata.
- Irei com você...
- Não pode. Você deve ficar e organizar o clã em minha ausência.
- Hiashi-sama fará isso. Não posso deixá-la sozinha nessas condições... – falou Ryoko olhando para o elevado ventre de Hinata. – Posso não saber a respeito sobre atendimentos a gestantes, mas como um ninja médico... Não posso deixar de ficar preocupado. – ele deu uma pausa e a encarou nos olhos – Você deveria consultar um médico para a saúde do bebê...
- Não posso Ryoko-san... Se descobrirem tudo... – Hinata estremeceu – Sinto que está bem... – ela pousou uma mão em sua barriga – Ele... – apresentou um sorriso – ...Ou ela... Está bem. Agita-se muito durante a noite.
- Verdade? – Ryoko sorriu. – Deve não gostar muito de tranquilidade.
- Meu bebê está bem Ryoko-san, não se preocupe...
- Irei Hinata-sama. Falarei com Hiashi-sama para partirmos amanhã cedo e organizarei uma escolta. Fique tranquila.
- Mas... – ela não conseguiu completar a frase, pois Ryoko já havia saído do escritório.
***
Hanabi não aguentava ficar em casa por muito tempo. Desde que a irmã tornou-se líder não tinha mais tempo para treinar com ela ou conversarem como faziam antes. Foi para o prédio da Hokage para saber ao menos se havia uma missão de rank D para ela realizar.
Quando estava a caminho do prédio onde ficava a sala de Tsunade, no caminho, viu Konohamaru de mão dada com outra garota que ela não reconheceu. Estavam na frente da floricultura Yamanaka, conversavam e riam.
- Idiota... – resmungou ela virando o rosto. Sentiu uma súbita raiva daquele Sarutobi e daquela cena ridícula, mas sem perceber já estava olhando novamente e cerrou os olhos quando Konohamaru falou algo ao ouvido da garota. Hanabi bufou e andou com passos apressados até lá, agarrou com firmeza o pulso do garoto, que se assustou ao vê-la, e retomou seu caminho com os mesmos passos apressados.
- Ei! O que tá fazendo? – gritou Konohamaru confuso enquanto era arrastado.
- O mundo com problemas, várias missões para fazer e você com moleza! – vociferou Hanabi sem parar de andar.
- O quê? A gente acabou de voltar de uma missão! — ele berrou.
- Não interessa!
- Espera! – Konohamaru pôs os pés firmes no chão e conseguiu parar.
- Vamos logo! – disse Hanabi tentando puxá-lo novamente para entrar no prédio, já que estavam bem em frente.
- Não temos missões agora Hanabi. – ele falou com frieza e aquilo machucou o interior da Hyuuga como se aquelas palavras lhe espetassem. – O que você quer?
- Eu... – a Hyuuga se sentiu intimidada com aquele olhar indiferente.
- O que você quer? – ele perguntou novamente em um tom mais alto.
- Não grite comigo! – ela reagiu. Não queria mostrar vulnerabilidade.
- Vou indo embora... Ficar aqui é perda de tempo. – Konohamaru virou-se, mas Hanabi agarrou sua mão e ele a sentiu tremer.
- Não... – ela sussurrou.
O Sarutobi a puxou pela cintura e a Hyuuga, automaticamente, ergueu os braços e os envolveu na nuca do rapaz. Sentiu o nariz dele deslizar por sua bochecha, fazendo-a corar levemente e ficar com a respiração acelerada, estava já ansiando em beijá-lo. Sim, sentia a falta dele, muita falta, mas não tinha coragem de falar tais sentimentos. Konohamaru a olhou nos olhos longamente e ergueu os lábios em um sorriso ao vê-la daquela maneira tão necessitada por ele.
- Diga que me quer... – ele falou.
- Não seja ridículo... – ela falou em uma voz rouca e avançou a cabeça para seus lábios se chocarem, mas o Sarutobi a segurou pelos cabelos da nuca a impedindo de se aproximar.
- Diga... – insistiu. – Diga o que sente por mim.
- Não... – Hanabi sussurrou. Ainda apresentava a respiração acelerada por conta daquela aproximação
- Você é incrível... – Konohamaru sussurrou e se afastou, começando a andar no sentido contrário ao da Hyuuga.
Ela apenas ficou ali, parada e sem entender, confusa demais para falar algo. O queria, tudo nela o queria, clamava e implorava por ele, mas não conseguia achar coragem para falar aquilo. Viu-se perdida com o afastamento abrupto de Konohamaru. Sentia que o perdia a cada dia que se passava. E naquele momento sentiu que aquela perda se intensificava cada vez mais. Perguntava-se o motivo de ser tão dura consigo mesma. Desejava quebrar aquela espessa carcaça que a envolvia, mas não sabia como fazer.
“Ele nunca foi o idiota... Eu sempre fui...” ela pensou enquanto adentrava o prédio da Godaime Hokage.
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