Meu Passado E Meu Futuro
29 Consequências
Notas iniciais
CAPÍTULO XXIX – Consequências
Hinata não se olhava no espelho. Por mais que as mulheres que a ajudaram com as vestes, cabelo e se vislumbravam com sua beleza, ela não se animava, nem mesmo respondia. Sabia que usava um kimono formal branco com detalhes de pétalas de flores da cor rosa bem clara para demonstrar sua pureza, mais uma tradição de seu clã quando realizavam uma cerimônia daquelas. As mulheres utilizavam roupas brancas para mostrar sua pureza e dedicação ao marido, já os homens utilizavam vestes cinza para demonstrar sua bravura e dedicação à proteção da família.
“Mas me entreguei a Naruto-kun...” pensou Hinata com um pequeno sorriso. Ainda permanecia sentada em frente a penteadeira de uma sala.
- Onee-san, todos já esperam por você... – falou Hanabi entrando na sala. – Você está muito linda! – falou a garota um pouco animada.
- Obrigada... – Hinata não sorriu. Levantou-se e se encaminhou ao local onde iria ser realizada a cerimônia, era um pequeno templo ainda no território do clã.
- Boa sorte... – sussurrou Hanabi saindo de perto da irmã e indo tomar seu lugar.
Hinata respirou fundo colocando na cabeça que era seu destino, o mínimo que podia fazer era segui-lo.
***
- Se casando com outro não é? – sussurrou Naruto. Estava deitado no sofá de sua sala. A camisa manchada de sangue estava jogada pelo cômodo, muitas roupas e restos de comida estavam jogados no chão, fazendo produzir um desagradável mau cheiro, mas Sakura não se abalava com aquilo, Naruto estava ali deitado e se acabando e aquilo sim a abalava. – Ela superou rápido... – ele deu uma risada sarcástica.
- Naruto! Pare com isso! – gritou Sakura revoltada com o amigo que não saia de casa desde o término do relacionamento com Hinata. O quarto estava escuro, mas ela conseguia enxergá-lo.
- Sakura-chan... Se veio aqui tentar me consolar como Sasuke vem tentando, pode ir saindo. Não quero ser consolado. Não quero que ninguém venha mais aqui...
- Você é um grande idiota... Estão todos preocupados com você! Vai deixar que algo assim te corroa até não sobrar nada? – perguntou indignada.
- Só preciso de um tempo...
- Seu sonho em ser Hokage precisa de um tempo também?!
- Eu não me importo mais com isso...
- O quê... – ela quase não acreditou naquelas palavras ditas pela boca de Uzumaki Naruto – Como pode dizer uma coisa dessas?!
- Me deixe em paz... Será que é tão difícil... – Naruto permanecia com a voz sussurrada.
- Veja Hinata, ela conseguiu superar muito bem isso tudo. Por que você não se levanta daí e mostra para ela que você não precisa desse sofrimento que ela está te causando? – a Haruno queria jogar todos os argumentos que tinha para afetar Naruto.
- Ela nunca sentiu algo por mim... Estava só brincando comigo... – ele falou como se não tivesse ouvido o que Sakura acabara de falar.
- Então não deixe que as consequências do final dessa brincadeira te afetem assim, tão mortalmente... Coloque na cabeça que Hinata está se casando com outro homem e não tem ideia do que você está passando agora! – aquelas palavras inquietaram Naruto. Realmente era muito difícil de acreditar e pensar em Hinata nos braços de outro. Era como cutucar seu coração com uma espada.
“Ela é minha...” ele pensou quase em voz alta.
“Era minha...” se sentou no sofá e encarou a Haruno.
- Tentarei o meu melhor... Obrigado. – ele falou, mas não sorriu.
- Espero que isso seja uma promessa...
- Não. Não é uma promessa... – sussurrou Naruto sem que Sakura o ouvisse.
- Tsunade-sama quer falar com você. Diz que é uma missão que apenas você pode concluí-la. – falou Sakura antes de sair daquele apartamento.
Naruto se levantou e ajeitou seus suprimentos ninjas dentro de sua bolsa, em seguida, se encaminhou a sala da Hokage, que lhe aguardava com uma missão específica para seu caminho como Sexto Hokage. Aquilo o alegrava, mas não tão brandamente como antes.
***
- Sasuke-kun? – Sakura adentrou a mansão principal do clã Uchiha a procura de seu namorado.
- Estou aqui. – ele falou da sala de jantar.
Sasuke estava sentado em uma cadeira lendo atentamente um pergaminho e havia vários outros pergaminhos espalhados sobre a vasta mesa. Sakura o viu e percebeu que ele parecia ser incrivelmente mais galante com aquele olhar concentrado. Ela aproximou-se por trás e enlaçou seus braços em volta do pescoço do Uchiha e apoiou seu peso naqueles ombros largos e firmes.
- Falou com ele? – ele perguntou sem tirar os olhos do pergaminho que segurava.
- Falei... Espero que faça diferença dessa vez... Estou tão preocupada... – ela suspirou e aspirou aquele aroma que provinha dos cabelos negros.
- Isso é passageiro. Naruto voltará ao que era antes. Ele só precisa de nós nesse momento. – disse Sasuke que virou o rosto e beijou delicadamente o canto da boca da Haruno. – Mas me diga... – falou e fez o mesmo gesto – Você passará a noite aqui hoje? – beijou-lhe novamente e colocou-se de lado, deslizando a mão pela coluna de Sakura.
- Talvez... – ela sorriu maliciosamente – Sasuke-kun! – corou levemente ao sentir a mão de Sasuke apertar firmemente suas nádegas – Você é bem direto não é? – falou e deu um tapa na mão do Uchiha que a recolheu.
- Ás vezes... – ele se levantou e, puxando o corpo de Sakura, a beijou calorosamente.
***
Aquela noite parecia ser mais fria do que qualquer outra. Hinata, deitada em sua nova cama no seu novo quarto, se encolhia ali. Estava com medo. Aquela noite, além de achar ser a mais fria, achava que era a mais assustadora.
Ouviu passos se aproximando dela e sua única reação foi se encolher assim que viu a sombra de um corpo se inclinando sobre o seu, mas logo se recolheu.
- Desculpe Hinata-sama... – ouviu a voz grave de Ryoko, mas ela não se virou para encará-lo. – Não queria assustá-la. Vim apenas pegar um travesseiro. – ele a via tremendo e ficou com dó daquele ser tão vulnerável e amedrontado – Não se preocupe... Não tenho a intenção de ter uma noite de núpcias com você... Não a amo. E assim como você, já tenho alguém a quem amar, mas que foi tirada de meus braços. – Hinata, surpresa com o que ouviu, virou-se para Ryoko, que mantinha um olhar baixo. – Estava disposto a lutar com quem quer que fosse... Esse meu ato egoísta custou a vida de minha amada... – seus olhos tremeram.
- A mataram? Não pode ser... – Hinata balbuciou com um nó na garganta.
- Bem diante de meus olhos... Um ninja médico como eu não é páreo para ninjas de combate...
- Sinto muito... – foi tudo o que conseguiu dizer, mas seu coração se viu apertado ao ver o olhar de mágoa que Ryoko carregava. – A culpa não foi sua...
- Não precisa me consolar Hinata-sama... – falou o Hyuuga levantando o olhar – Você não tem essa obrigação. Boa noite. – ele se virou para sair do quarto com o travesseiro em mãos.
- Aonde vai? – perguntou Hinata fazendo-o virar-se para ela novamente.
- Dormirei em outro aposento... A mansão principal tem vários... Buscarei algum para mim. Fique aí sem receio Hinata-sama.
- Já é noite? – perguntou ela surpresa.
- Sim... – Ryoko sorriu – Você ficou o dia todo aqui...
- Tenho que falar com minha irmã. – Hinata se sentou e se levantou, mas quando apoiou os pés no chão, viu tudo em sua volta rodar rapidamente. Ela sentou-se na cama colocando uma mão na cabeça, tremia, empalideceu e parecia que sua pele iria congelar.
- Hinata-sama... Você está bem? – perguntou Ryoko se aproximando de Hinata.
- T-Tudo bem... – ela estendeu a mão em sinal para que ele não se aproximasse. – Eu estou bem. – falou tomando fôlego.
- Mas não parece bem. – ele obedecera ao gesto.
- Estou bem. – repetiu e se levantou novamente apoiando-se no criado mudo ao lado da cama. – Só quero falar com minha irmã. Não a vi depois da cerimônia.
- Vocês parecem ser muito próximas – falou o Hyuuga.
- Sim... Eu a amo muito. – respondeu Hinata com um sorriso.
- Cuide de você, Hinata-sama. Parece estar anêmica. Não abuse muito do desjejum. Mais uma vez, boa noite. – advertiu Ryoko e logo se retirou do quarto.
Ela sabia daquilo, mas seu estômago girava constantemente a ponto de não conseguir colocar algo na boca. Depois de toda aquela pressão, toda aquela tortura de ter que se afastar de Naruto, ter que ser rude com as palavras ao falar com ele, ter que fazê-lo achar que não o quer mais, aquilo tudo estava fazendo mal ao seu espírito e ao seu corpo. Era inevitável e Hinata não tinha como impedir aquelas desastrosas consequências.
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