Meu Namorado É Um Gato!
5 De noite, Humano. De dia, Gato
Notas iniciais
Meu namorado é um Gato!
Não sei bem quando tudo parou, sei apenas que no dia seguinte acordei um pouco antes do despertador de Angelica tocar. Meus olhos se abriram tão rápido como quando tive um pesadelo, não sei bem o que me deu para acordar, mas lá estava eu, faltando meia hora ainda para o despertador tocar. Eu não costumava acordar cedo, era algo que sinceramente odiava, mas sempre fui obrigada por causa da escola.
Olhei na direção da janela, identificando-a aberta, e então um arrepio percorreu meu corpo. Olhei para mim e lá estava, sem camisa, sem sutiã, cheia de pequenas marcas que se destacavam em minha pele clara. Por um instante me surpreende, não compreendia o que acontecia até que um murmuro se ouviu ao meu lado. E lá estava ele, abraçando-me de maneira possessiva, o rosto, agora, escondido em meu peito parecendo bem cômodo. Meu rosto enrubesceu, mas um singelo sorriso se delineou em meus lábios, lembrando-me da noite, madrugada, que passamos, quando descobri que o pequeno gato na verdade era ele.
Ainda não compreendia como, mas um pouco de magia sempre vinha bem, principalmente sendo o que mais desejava desde pequena. Ri comigo mesma, em silencio, ao lembrar os detalhes, da minha vergonha, da intensidade de nossos desejos. Tão rápido, tão breve, e tão bom pra mim. Todos os medos em meu coração sumiram, como ele sempre fazia acontecer.
“O clima esquentava, ele já havia tirado minha blusa, lambia e chupava meu pescoço com desespero, enquanto eu bagunçava seus cabeços, arranhando-o nas costas de um modo que pensava provocá-lo. Tive que morder a boca para impedir qualquer som, além dos gemidos da cama que sempre ocorriam quando faziam algum movimento. Raios, eu não tinha o mínimo de controle sobre meu corpo e cada vez sentia que o deixaria passar para o que bem queríamos.
Meu sutiã foi ao chão e ele tomou meus seios na boca. Oh! Raios, assim mesmo não poderia me controlar e ele bem sabia disso. Calafrios percorreram meu corpo enquanto ele deslizava uma das mãos por minha cintura e tocava meu quadril, puxando de leve a barra da minha calça para baixo. Todavia acho que eu só o impedi pelo susto de, ao levantar o joelho, sentir que algo lhe faltava. Roupas, simplesmente ele não estava usando nada!
- Brenndo. – meu rosto ardeu, mencionar aquele pequeno detalhe era constrangedor, e ouvir minha voz rouca e fraca não ajudava. Ele soltou um leve “hum”, sem deixar de fazer o que fazia. Com cuidado, logo depois de um longo suspiro, o empurrei de leve, obrigando-o a se ajoelhar na cama, ainda se mantendo sobre mim, enquanto eu me sentava. Frente a frente agora, ele afastado e me encarando diretamente nos olhos, confuso por ter parado algo que ambos estavam gostando. – Suas roupas...
- Digamos que... Minha forma de gato não faz as roupas mudarem também. – respondeu, enquanto eu via um pequeno rubor aparecendo em seu rosto. Seu tamanho, bem superior ao meu, me deixava em um estado mais constrangido ainda, com ele tendo que me encarar desde cima, obrigando-me a tampar a parte exposta de meu corpo. E pra que?! Meu pai, ele já tinha visto mesmo!
- E você se transforma em humano toda noite? – questionei, uma suposição meio plausível que diria, e ele assentiu confirmando isso. Suspirei, pensando nas várias hipóteses constrangedoras que poderia ter ocorrido. Ainda com o rosto ardendo o abracei tentando segurar os risos que queria escapar de minha boca. – Já imaginou se eu tivesse saído da escola no horário de costume? Você teria se transformado lá e desse jeito!
- Ainda bem que você veio pra casa então... – murmurou ele, acariciando meus curtos cabelos. Eu os havia cortado novamente mais recentemente, e não creio que ele havia desagradado muito com o fato, já que da primeira vez que disse que o faria ele quase me matou pelo computador, dizendo para não cortar. Era bom, todavia, senti-lo tão perto. Se quisesse me matar por algo besta que costumava falar ele faria pessoalmente e não pelo computador. Sorri pra mim mesma, gostava tanto daquele garoto.
- E como você virou um gato? E veio parar aqui? Em Minas?! – questionei, erguendo a cabeça para encará-lo. Meu coração bateu acelerado, mesmo no escuro conseguia ver aquele rosto perfeitamente, rosto o qual eu só via por uma tela no computador. Raios, tão tentador era ficar só beijando-o.
- Não sei. Estava em casa pronto pra ir dormir quando de repente... Nada, apaguei eu creio. E quando acordei estava te encarando naquela rua cheia de neblina em forma de gato. Falando nisso, seu rostinho de sono é muito fofo. – ele mordeu o lombo de minha orelha obrigando-me a soltar um suspiro. Ele passou a beijar meu pescoço novamente e que droga, eu queria aquilo. Desde que voltei com ele, desde que começara a perceber que ainda estava apaixonada por ele eu desejava esse carinho, carinho que apenas ele podia me dar, uma carência que apenas ele podia saciar. Esperar foi difícil, mas aqui estava ele...
- Brenndo... A Angelica esta dormindo ali do lado. – murmurei, tentando segurar o gemido que queria escapar de minha boca logo que senti ele descendo a boca para onde se encontrava antes. Meus braços se mexerem quase que sozinhos, abraçando sua cabeça, querendo mantê-lo perto. Ele ia me deitando novamente na cama, obrigando-nos a voltar o que eu tinha parado.
— Eu disse, lembra? Se só estivesse ela por perto agiria como se não houvesse ninguém. – sua mão desceu, tocando a parte interna de minha coxa. O raios, eu sabia bem o que ele queria, e sabia bem que eu também queria. Mas perder o controle ali não seria o mais adequado. Se Angelica acordasse... Meu rosto ardeu só de pensar. Por mais que quisesse não queria ninguém vendo.
O joguei na cama encarando-o diretamente nos olhos. Meu corpo ardia em fogo, em desejo de provocá-lo também, de mostrar que poderia lhe passar o mesmo que ele estava me passando. Eu tremia e certas partes de meu corpo já começavam a acordar, se é que me entendem, e a desgraça era que eu queria realmente matar essa vontade que me azucrinava desde que voltamos, desde que não fiquei dessa maneira com mais nenhum garoto, por causa dele, porque queria ele. Mas aqui não era o lugar, nem o momento... Suspirei e acariciei seu rosto.
— Sei o que quer e eu também quero, não vou negar. – droga de sinceridade que não me deixa. Eu dizia tudo, era um livro aberto. Só mentia quando achava extremamente necessário e a desgraça era que era boa nisso também. Mas com ele eu queria ser sincera, como estava sendo agora. Seria realmente bom ser tão sincera? – Mas se Angelica acordar não quero nem imaginar a cena. Espere mais um pouco, vamos fazê-lo, te garanto, mas agora não.
Ele suspirou, assentiu indignado e se acomodou na cama, puxando-me para baixo e deitando-se sobre meu peito, completamente descoberto. O calor de seu corpo esquentou rapidamente o meu, o vento que passava pela janela aberta não me incomodava mais. Era tão bom... Matar essa vontade de ter quem queria dormindo a seu lado...”
Sorri, a lembrança era mais como um sonho para mim do que tudo. Sentei-me na cama sentindo o braço dele ainda me apertar. Suspirei, por milagre tinha acordado bem essa manhã, talvez porque ele estivesse ao meu lado. O encarei novamente, sorrindo, algo que sabia que não deixaria de acontecer durante esses dias que ele estivesse ao meu lado. Dei-lhe um beijo no rosto, vendo como sorria e então me largava aos poucos, permitindo levantar.
Fui ao banheiro, dava tempo de um banho, um rápido banho para ir a escola. Quando sai, Angelica já estava de pé, com o rosto de sono que sempre tinha em todas as manhãs. Vesti rapidamente meu uniforme, ainda vendo como Brenndo se encontrava dormido em sua forma humana, com a calda comodamente colocada sobre o corpo e as orelhas no topo de sua cabeça relaxadas. As cobertas o tampavam, mas só de pensar no que tinha por baixo fazia meu rosto arder.
Claro que de uns dias pra cá eu estava mais extrovertida, falava bobagens e tudo, mas não significava que não tinha vergonha. Respirei fundo e me concentrei em me arrumar para sair a escola, passei o perfume, penteei o cabelo, arrumei-me como costumava fazer, tentando ficar com a melhor aparência possível, que, raios, sempre era um lixo. Meu rosto sempre cansado não me ajudava a ter uma boa aparência. Entrei novamente no quarto, e lá estava ele, com os olhos abertos, a encarar-me como um verdadeiro gato.
Sorri, ele retribuiu o sorriso, e quando já ia abrir a boca, pude ver a claridade entrando pela janela. Já deviam ser umas seis e pouco da manhã, o horário que o sol passava a aparecer. Foi a primeira vez que testemunhei a “transformação” de Brenndo. Foi, na melhor das minhas opiniões, estranho. Seu corpo ficou completamente reluzente, como se fosse feito de luz e então, foi diminuindo, se compactando, mudando de forma como se realmente não passasse de uma luz mutável. E quando tudo acabou, lá estava o pequeno gatinho que me seguia o tempo todo pela escola, encarando-me como o garoto que a pouco se encontrava ali fazia.
- Luly, vamos? – Angelica apareceu na porta de repente, tirando minha atenção do pequeno gato. Não sei o quanto ela viu, não sei se viu o garoto na minha cama quando acordou. Dei de ombros, ela não deu alarme, não se espantou e talvez nem deva ter prestado atenção, peguei minha bolsa e encarei o pequeno gato que ainda me olhava.
— Quer vir comigo? – perguntei, apenas por perguntar mesmo. Ele me olhou com cada de “você ainda pergunta” e disparou na minha frente, fazendo-me rir ligeiramente. Gostava de dizer que o conhecia, pelo menos já tínhamos achado muitas coisas parecidas entre nós, e se eu realmente o conhecesse como pensava não precisaria de palavras para saber o que ele queria ou precisava.
E mais um dia normal na escola, apesar que agora meu namorado, que não passava de um simples gato, rondava toda a escola ao meu lado. Eu tinha que resolver os problemas com relação a roupas. Não tinha dinheiro para comprá-las, talvez devesse pedir emprestado dos meninos... Mas o que diria? “Olha, meu namorado sofreu um feitiço, veio parar aqui em Minas Gerais, na forma de um gato e toda vez que chega a noite ele volta a ser um garoto, só que completamente sem roupas, será que poderia me emprestar um pouco, para que não tenha um acidente no meio da rua?”, poxa, seria uma ótima explicação!
Suspirei, seria mais difícil cuidar do pequeno gato do que imaginava. Mas... O encarei em meu colo, bem no meio de minha aula de Olericultura e sorri. Creio que valeria a pena tudo que teria que passar se fosse pra tê-lo ao meu lado. O medo que tinha, de que a chama de paixão que tínhamos um pelo outro se apagasse quando matássemos a vontade de nos encontrar se apagasse foi completamente embora. Tinha ficado extasiada com o que ocorrera de madrugada, e queria repetir, queria tê-lo dormindo ao meu lado todos os dias. O ajudaria a se livrar desse pequeno problema de ser um gato.
- Ei Luly. – olhei para o lado, vendo Bruna me encarando com um enorme sorriso no rosto. – É amanhã, lembra? Espero que esteja com as malas prontas, porque Congonhas aí vamos nós!
Oh! Raios. Tinha me esquecido completamente do campeonato de Xadrez em Congonhas... Agora com o problema de Brenndo não poderia simplesmente deixá-lo para trás. Mas como o levaria junto? Seria impossível pedir isso aos responsáveis de tudo. Droga, teria que pensar, talvez o pudesse esconder ou algo do tipo, não sei. Dependendo do horário da viagem poderia esconde-lo em minha bolsa como gato, mas se fosse como humano... droga, droga... Ta certo, um problema de cada vez, eu pensaria em um jeito, com certeza pensaria. Creio que Brenndo não aceitaria ficar aqui enquanto eu viajava por dias para outra cidade.
Primeiro, logo depois das aulas, fui até a casa dos meninos e procurei convencer um deles a me emprestar algumas mudas de roupas. Foi complicado, meu rosto ardeu de vergonha, principalmente porque de preferência teria que ser o Adilson, que era mais alto e talvez suas roupas coubessem em Brenndo. O sol já estava desaparecendo, Brenndo já se encontrava na pensão apenas me esperando, para não dar o pequeno problema dele se transformar na frente de todos e completamente pelado. A imagem em minha mente me fez corar e rir. Seria realmente constrangedor.
Depois de alguns minutos conversando consegui convencê-lo a me entregar pelo menos duas mudas de roupa. Agradeci e corri até a pensão. Não queria fazer isso nunca mais, meu rosto ainda ardia, meu coração parecia saltar pra fora e eu pensava que nenhum dos dois voltaria ao normal. Eu passava tantas coisas pelos outros que as vezes pensava que um dia chegaria a morrer por um.
Entrei na pensão rápido, deslizando por uma pequena brecha no portão, abrindo a porta o mais de leve que consegui e então subindo as escadas, adentrando na porta aberta de meu quarto. Havia dado a chave a ele, obviamente quando ele voltasse a ser humano poderia abrir a porta. E foi a conta de entrar jogar a mochila em um canto e logo senti algo me puxando, deitando-me na cama em um golpe surdo e então fechando a porta, trancando-a. Tudo tão rápido, que quando abri meus olhos e encarei o garoto a minha frente ele já me tinha completamente dominada.
- Agora podemos brinca. – meu rosto ardeu. Ele realmente tinha conseguido...
Notas finais
Bom, bjão
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