Meu Melhor Amigo
6 Seis — Ele voltou!
Notas iniciais
Matt
Como qualquer um que chega ás 6:30 da manhã no colégio, os corredores permaneciam vazios. Muitos não haviam chegado, e se não fosse por mim, Daniel, Alex e Edu conversando sobre o filme polêmico que havia passado ontem pela madrugada, a escola estaria um perfeito deserto. Hoje eu não tive problemas com horário, meu despertador não ficou debaixo da cama como da última vez. Eu queria tanto souber onde Felipe estava que nem percebi que havia vestido a mesma meia de ontem. Eu fui ás pressas para escola. Acho que este está sendo o único dia que não tenho que me justificar para o porteiro o meu atraso.
Entre um comentário ou outro, eu olhava para a escada principal esperando que Felipe surgisse do nada por ela. “Eu estou muito decepcionado com você, cara”, foi a última coisa que ele ouviu de mim dentre essas 24 horas e meia. Passei a mão sobre a testa um pouco suada. Eu não devia ter dito desta forma. Com todos seus problemas, falar aquilo para ele nesse exato momento era como pisar numa faca que se encontra fixada no peito de alguém.
Um rapaz do segundo ao A que estava no meu lado, me cutucou no ombro chamando minha atenção, mas logo voltou a conversar com seus outros amigos que estavam, assim como eu, sentados no último degrau do topo da escada levando até a boca garrafas de água. Tinha visto eu um caminhado familiar na sombra que o sol fazia lá embaixo. Era ele! Pedi licença aos garotos que me fizeram um sinal de positivo com o polegar e fui descendo as escadas lentamente me apoiando no corrimão verde. Logo eu estaria frente a frente com Felipe, e mesmo sendo quase 60 degraus para pisar, eu sentia que não tinha tempo o suficiente para pensar no que dizer depois de ontem.
Um colega dele do time de futebol surgiu atrás de mim levantando a mão para que ele batesse, eles sorriram um para o outro, Felipe ergueu a calça um tanto frouxa e enfim decidiu falar comigo.
— Oi Matt. — Felipe aparentava raiva na voz.
— Oi Felipe. — Cocei o cotovelo — Como você esta? — Mesmo estando um degrau de escada “mais alto” que ele, percebi na minha própria voz meu nervosismo.
— Bem... Porque motivo eu não estaria bem? — Ele subiu para onde eu estava; Felipe detestava se sentir mais baixo que eu — Aliás, por que ta perguntando? Não era você que “não liga mais pra mim e queria que eu morresse”? — Ele fez uma expressão de deboche mais patética que eu já tinha visto na vida e foi subindo pela escada, ignorando-me.
— Há, há. Eu não disse assim. — falei o acompanhando logo atrás. Pus-me em sua frente subindo a escada de costas. — Eu só estava preocupado com você
— Não se preocupa. — Ele passa por mim — Eu to bem.
— Tá vendo tudo isso? — Tínhamos chegado ao topo da escada onde ficavam exibidos os troféus ganhos nas competições da escola numa grande mesa com panos azuis. Acima havia um mural protegido por uma placa de vidro com diversas fotos do time, nas quais Felipe se encontrava em todas. Todos os dias quando chegávamos parávamos ali e Felipe olhava de longe e sorria feito bobo como se estivesse em um show, e eu sempre o acompanhava. Aquilo era meio que um ritual. Ele ficou sério — Eu sozinho salvei o time no verão passado. Eu sozinho classifiquei a gente para as nacionais. Eu sozinho fiz esta escola de merda ganhar todo o seu privilégio do prefeito da cidade por conta de todos estes troféus deformados — Ele olha pra mim — Acha justo o que acontece comigo?
— Grandes conquistas... — comentei, rindo. Ele juntou as sobrancelhas, deu de ombros e pegou com a mão esquerda um retrato de 2011, quando ganhara a competição com o colégio Costa Oeste. Felipe ainda parecia estar chateado comigo. Eu via no seu rosto um sorriso querendo sair como em todas às vezes, mas orgulhoso não deixava-o soltar.
— Olha Matt, não seja chato desse jeito de novo. — disse colocando a mão em minhas costas, e finalmente sorrindo. Eu estava com saudade daquilo.
— Eu não sou chato. — fiz um bico com os lábios enquanto caminhávamos em direção ao corredor B. O sorriso de Felipe deixou claro que tudo estava bem entre a gente. — Afinal, onde você estava ontem?
— Eu? Ah, eu não estava mais a fim de assistir as aulas e então fui pra casa do meu tio assistir TV. — Ele retirava os livros um a um e guardava dentro do armário normalmente.
— Só por isso? — cruzei os braços — Você cabula a aula por que queria assistir TV? — Felipe gira os olhos, descruzo os braços com vergonha. — Tá, eu sei. Tô sendo chato de novo.
— Tá sim. — Felipe começa mastigar um chiclete, poe o livro de ciências debaixo do braço e sai andando.
— Mas é que as provas já estão chegando de novo e...
— O quê? — Felipe vira a cabeça numa velocidade inacreditável e com uma feição espantosa. — O q-que você disse?
Felipe havia voltado.
O saboroso cheiro do bolo de baunilha com cobertura de chocolate e morango entrava no meu quarto implorando que eu o seguisse flutuando como nos desenhos animados. Minha mãe e eu tínhamos acabados de jantar, mas mesmo assim ela fazia questão de preparar algo para eu e Felipe comermos. Felipe quando vem me visitar passa nas 14 lanchonetes do bairro. Tentava convencer minha mãe que não era necessário, mas mesmo assim ela disse que ele comeria nem que tivesse força-lo.
Eu varria o chão do meu quarto e dava pequenas pausas para descansar os braços e ver no relógio vermelho do meu pulso quantos minutos faltavam para que enfim Felipe chegasse. Já era noite, e ele tinha me pedido uma “mãozinha” com os assuntos. Depois de ter me balançado de um lado para o outro me forçando a dizer que não era verídico que as provas viriam logo e se ajoelhado me implorando socorro igual uma criança de 8 anos, eu me sentiria mal se não o convidasse para passar a noite estudando comigo aqui em casa.
Fui retirando algumas almofadas que estavam espalhadas no chão da sala e pondo sobre a cama. Aproveitei e arrumei o carpete branco de formato circular que ficava no centro do meu quarto onde eu costumava ficar estudando. Já eram 7h40min e Felipe já estava vindo — trocamos torpedos minutos antes.
— Filho! — minha mãe me chama — Felipe chegou.
Antes de ir até a porta, conferi mais uma vez se tudo estava em perfeita ordem. Olhei ao redor e me bato de frente com o espelho. Eu estava horrível, com uma aparência totalmente desgastada e que deixava claro que eu tinha ficado á tarde inteira concentrado na organização da casa, e a ultima coisa que queria era que Felipe pensasse que eu tinha me sacrificado por ele. “Arrume seu quarto, ou nada de visitas”, minha mãe sempre dizia a mesma coisa.
Eu precisava de um banho antes, coloquei uma toalha no ombro, e fui caminhando até a entrada da casa onde na porta minha mãe e Felipe conversavam coisas que não fazia ideia.
— Mãe, vou ao banheiro rapidinho. Mande-o entrar e avise que já volto. — apenas disse e me virei antes que Felipe me visse daquele jeito.
— Ah! Oi Matt. — tarde demais.
— Oi Felipe — sai dali como um raio e bati a porta do quarto com força. — Já volto. — Deslizando sobre a porta, pude ouvir risadinhas dos dois ecoando na minha mente.
A água do chuveiro escorria pelo meu corpo lentamente me causando calafrios. Aqui na cidade nunca esteve tão frio desde setembro do ano passado, mas eu gostava, não há nada melhor do que dormir agarrado no travesseiro — mesmo aparentando ser a pessoa mais solitária do mundo fazendo isso. Por um momento tinha me esquecido que Felipe estava na sala de estar — supostamente esparramado — me esperando sair do banho.
— Querido — Minha mãe bate na porta — Você não vai sair dai?
— Estou indo! — grito do lado de dentro. Tinha pegado minha toalha, já pronto pra sair, mas minha mãe precisava me constranger, claro.
Vesti-me rapidamente, nós não podíamos perder muito tempo. Faltavam sete dias para as avaliações e Felipe precisava muito da minha ajuda. Chamei pelo seu nome dentro do quarto e em questão de segundos a maçaneta da porta gira em câmera lenta, e em seguida, substituída por uma velocidade de 40X mais, Felipe como um raio corre e pula sobre minha cama.
— Ahh! Finalmente! O que fazia no banheiro? Puxa, que saudade dessa sua cama quente. — Ele deitado dava giros e rolava enquanto passava o rosto sobre meu travesseiro azul.
Se eu estivesse em uma série de animê eu estaria agora visivelmente com uma gota na minha cabeça. Felipe era tão estranho e infantil.
— Tá, já deu! — Fui onde ele e tentava tirá-lo da minha cama o puxando pela perna — Saia daí.
— Ah! Não. Só mais um pouquinho — ele choramingava — Eu fiquei ali fora esse tempo todo, me dá só mais alguns minutos. Eu to muito cansado.
— Tá — Revirei os olhos — mas só quatro minutos.
Fui pegar algumas canetas na mesinha na frente da TV da sala pra me livrar daquela cena constrangedora e amarrar o short que quando Felipe surgiu no meu quarto não tive tempo.
Quando começamos a estudar após diversos tapas e socos que dei no Felipe para que ele enfim conseguisse se concentrar no caderno verde que trouxe com alguns exercícios para ajudá-lo, pareciam que as coisas andavam bem. Ele finalmente havia conseguido “aprender” a tabuada do nove rapidamente. Essa ilusão ficou até eu perceber que no corpo do lápis com que escrevia incansavelmente as respostas lhe dava os resultados. Eu nunca quebrei um lápis com tanta fúria.
Brincadeiras á parte, ele estava mesmo melhorando. Estava mais esforçado e até com uma aparência mais nerd. Se continuasse assim, aquela prova de Matemática seria “moleza” — como ele costuma falar.
De cinco á cinco minutos, ele dizia frases como “não consigo mais” enquanto batia repetitivamente a cabeça sobre o livro e ia até a cadeira giratória onde ficava meu computador e rodava pelo quarto inteiro. Até que finalmente conseguiu sentar-se no chão do meu lado, colocou o livro sobre as pernas e riscava suas primeiras contas no caderno.
— E então... Tá conseguindo?
— Uhum — Ele parou de escrever — Isso é muito difícil Matt! — Ele abaixa a cabeça e começa a reclamar.
— Mas você tem que aprender logo — Ele me olha — Já ta ficando tarde e você precisa ir pra casa... E claro, minha mãe não vai deixá-lo ir embora sem ter comido ao menos uma fatia do bolo que ela fez só pra você.
— Bolo? — Ele levanta o rosto rapidamente, abre o livro e responde uma página numa velocidade inacreditável. Falar que tem comida esperando-o foi uma tática que sempre deu certo.
Felipe soltava a caneta e sacudia a mão que já estava cansada. O ponteiro que marcava a hora já tinha dado duas voltas no relógio. Decidi que já tinha sido o suficiente, então resolvi darmos uma pequena pausa.
— Eu vou pegar algo pra comermos. — Avisei-o, retirando alguns livros do meu colo e levantando do tapete no chão — prefere suco ou refrigerante?
Felipe não respondeu, ele estava bem concentrado; apagava, escrevia, apaga de novo e tentava de novo. Na cozinha colocando os pratos em uma bandeja, eu pensava no quanto uma boa nota seria bom pra ele. As pessoas enfim veriam que ele sabe fazer alguma coisa além de jogar futebol e beijar bem as garotas. Felipe era amigo de todos, sempre educado e gentil, e mesmo com aquele rosto e jeito de garoto problemático, sua alma era tão pura como uma criança de 7 anos — era o que seus olhos claros me transmitiam. Eu fico feliz por ter alguém do meu lado como ele. Conhecemos-nos desde pequenos, desde quando na terceira série eu, atrasado, corria desesperadamente pelo corredor B e em um descuido acabei caindo e deixando cair todos os livros que eu segurava sobre o peito. E de repente ele surge para... Chutá-los. Eu tentava pegá-los, mas Felipe rindo incontrolavelmente os jogava de um lado para o outro, do outro para um. Eu fiquei com tanta raiva naquele dia, soquei sua cabeça; depois daí nunca mais nos separamos.
No quarto eu levava devagar pequenos pedaços do bolo envolvidos em um garfo de plástico para minha boca enquanto analisava se estavam corretas as contas que Felipe havia resolvido. Minha mãe sempre achou perigosos objetos pontudos e pensava que poderíamos nos machucar com qualquer coisa parecida. Isso me deixava constrangido, ainda mais quando Felipe ria — o cara que se machuca com o próprio dedo no olho rindo de mim.
Eu estava sentado no chão, e minha cama, fazia companhia para Felipe que estava esparramado sobre ela.
— Cuidado pra não derramar algo aí encima, viu?! Não quero ter que trocar todos os lenços. — Alerteio-o, que ficou calado.
— Matt... — Olho para ele — O que você fez quando eu não estava na escola? — ele pergunta, eu largo o livro no chão para poder falar.
— Bom, eu... eu voltei sozinho pra casa — Ele fez uma expressão de pena — Mas eu encontrei uma pessoa super legal no caminho. — Antes que ele perguntasse quem, eu continuei — Luiza. Ela mora a uma quadra daqui, sempre a vejo quando estou indo a escola. Foi muito legal.
— É aquela estranha? — Felipe se afastava para próximo de mim.
— Não fala assim, eu gosto dela, ela foi supergentil. Se não fosse ela eu voltaria sozinho para casa. — Felipe abaixa a cabeça. Eu fui tão grosso de novo?
— Eu...
— Aliás, eu acho que to meio que... hã... gostando dela. — Eu menti nessa frase, eu queria apenas provocá-lo. Queria deixá-lo mal de propósito por ter me deixado preocupado essa semana desnecessariamente.
— O quê? — Felipe vira a cabeça rápida, e logo em seguida leva o canudo até a boca, provavelmente para disfarçar sua agitação.
— Foi isso mesmo... — Eu continuava mentindo. Nunca disse tantas mentiras desde quando as amigas da minha mãe fizeram uma visita e me perguntaram se eu ainda as conhecia. Felipe olhava para os lados e nunca me olhava diretamente. Fingia não estar focado na conversa; eu não o conheço de ontem — Não posso querer uma garota?
— Não. — Ele disse sussurrando o mais baixo possível, e mesmo com a voz calma eu pude notar uma ira entristecida vindo até meus ouvidos. Assim que percebeu o que falou, ele foi tentar corrigir, mas felizmente eu já tinha escutado.
— Ah, é? Se você não tivesse me deixado sozinho talvez eu não a tivesse encontrado.
— Sendo assim, vai estudar com ela então! — Ele foi direto. Essa foi a frase mais alta e forte que ele tinha falado naquela noite inteira. Eu não conseguia mais ver aquele cara doce e bacana que apenas eu sabia que eu existia ali dentro daquele garoto durão, modesto e zangado. Felipe foi direto, estava furioso; eu só conseguia ver o seu exterior, a sua carcaça.
Depois de alguns segundos o clima entre nós havia ficado pesado. Sentado no chão eu esfregava os braços, mesmo não sentido frio. Eu olhava pro lado e para o outro e não achava nada para ficar admirando até Felipe se pronunciar. Eu escutava apenas o barulho do suco de melancia que ele tomava passando as últimas gotas pelo canudo. Já estava acabando. Ele tinha que dizer alguma coisa.
Encostado na cama e ainda sobre o chão eu vi que se não falasse algo a conversa acabaria ali, e ele acabaria indo pra casa e faltar por uma semana na escola. Felipe um dia nem saiu de casa por quase um mês porque eu tinha quebrado o carrinho preferido dele e não pedi desculpas; isso foi quando tínhamos 8 anos, então acho que dessa vez não seria tão diferente. Encostei minha cabeça na cama e olhei de cabeça para baixo o seu rosto concentrado no celular — na tela de bloqueio? .
— Felipe... — Eu o chamei. Ele tirou alguns fios do cabelo que estava no seu rosto calmamente para me ver — Não é uma garota que vai separar a gente. — Ele olhou para baixo, mas rapidamente olhou para mim.
— Eu já pedi desculpas... — Ele engoliu o seco.
— Pelo quê?
— Por ter... deixado você perdido... — Felipe sempre foi tão bobo tentado se explicar e formar uma frase. Eu via através de suas palavras o quanto ele estava nervoso naquela hora. Eu não sei o porquê de eu ter feito aquilo, mas calmamente eu ia me aproximando cada vez mais perto do seu rosto, os seus olhos ficaram bem próximos dos meus, a sua expiração leve e hesitante se dissolvia na ponta do meu nariz. Eu fechei os olhos e continuava a sentir sua temperatura corporal, e então em um momento de hesitação eu o toquei no seu pescoço, abri os olhos e respirei fundo.
— Felipe, você fez tanta coisa em todos esses anos, mas se não notou, eu sempre acabo te perdoando — eu dei uma risadinha de leve — Sabe o motivo? Porque você é o meu melhor amigo. — Os olhos de Felipe pareciam estar mais úmidos que o habitual — Tudo bem que aquele dia que você esqueceu-se de levar o nosso projeto no dia de entrega na escola ou no dia que você colocou de propósito sal no meu café quando você veio dormir aqui pela primeira vez foi repugnante e que me deu uma baita duma vontade de quebrar o seu pescoço ao meio, mas... eu... gosto bastante de você, Felipe. — Felipe ria balançando os ombros e colocou uma mão sobre o rosto tentando não fazer muito barulho.
— É... se você quis me deixar melhor... conseguiu! — Ele enxugava as lágrimas causadas de suas gargalhadas com o polegar — Mas não quebre meu pescoço, senhor Matheus. — Nós riamos passando a mão em nossas barrigas jogando travesseiros um nos outros. Fazia algum tempo que não tínhamos mais momentos assim. Aquilo era único. Eu sentia falta.
— Há. Há. Então tente agir menos como um otário, certo? — Eu fixei um sorriso nos lábios e os olhos aos deles enquanto apanhava os travesseiros e alguns livros do chão. — E não se esqueça de que pude esquecer-me das suas malandragens, mas da Matemática ainda não. — Joguei um dos livros nele. — Vamos voltar á estudar.
— Ah não!
— “Ah sim”! Vou pegar outros cadernos pra gente lá na sala. Já volto!
— Que? Matt volta aqui!
— Larga minha perna. — Felipe me balança e juntos ouvimos algo se romper sobre o chão.
— Que barulho foi esse? — Minha mãe grita da cozinha. Felipe havia quebrado mais uma vez um dos copos de vidros. Ele voltou!
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