Meu Melhor Amigo

1 Brincadeiras de criança


“Pai, nós podemos ir agora?”

“pela ultima vez, temos que ficar ate o final”

“Mas pai...”

“Já chega! Vamos ficar ate o final!” -Falou Roberto, o pai de Joao Guilherme.

Simplesmente não conseguia entender o que havia de errado com o filho. Toda a vez que saiam de casa era a mesma coisa! Sempre essa ansiedade para voltar para casa com urgência.

Eles estavam na casa de Paulo, um dos colegas de classe de Joao.

Roberto estava paquerando a mãe de Paulo, pela a primeira vez desdá morte de sua esposa comunicava-se com o sexo oposto e estava gostando muito do rumo que a conversa estava levando.

“Desculpe por isso. Sobre o que estávamos falando mesmo?”

“Você estava falando sobre seu emprego.”- A mulher disse inclinando-se um pouco mais para frente. Agora Roberto podia ver claramente seu decote. Ele sorriu.

“Bem...esse lugar esta meio agitado, não acha?”

“é uma festa de criança, o que você esperava?”- ela virou a cabeça para trás terminando de beber o resto de vinho de sua taca.

Ele se surpreendeu com tal resposta, afinal, passou a noite inteira dando em cima da mulher por nada? Talvez ela tenha criado consciência de que é uma mulher casada.

“A desculpe minha resposta rude...é o vinho falando...O seu filho esta bem?”- A mulher perguntou indo de um belo sorriso embriagado e sugestivo para uma face de estranhamento.

Roberto olhou para trás e viu o filho parado no corredor, em volta dele varias crianças correndo e brincando, o pai do menino não entendeu o problema de cara. Ele encarou a criança por alguns segundos ate perceber que seu filho falava sozinho...De novo não! Ele se voltou lentamente para a mulher que se encontrava a sua frente e deu um sorriso que misturava raiva e vergonha.

“é que ele tem um amigo imaginário. Que criança não tem né?”-ele deu uma risada sem graça.

“acho que isso é normal na idade dele, afinal ele só tem 8 anos. Mas eu notei que ele é uma criança quieta. Ele é agitado em casa? “ – ela disse servindo-se de outra taca de vinho.

“ele era antes da mãe falecer...”- ele foi bruscamente interrompido por um grito infantil.

Uma criança loira atravessou a sala correndo e chorando.

“Mae”- chorou a criança enquanto pulava no colo da mulher em sua frente. Ele segurava o pulso com uma mão enquanto a outra ficava para cima. Sua mão estava inchada, vermelha , com bolha e havia traços de sangue.


“Meu Deus! O que aconteceu com sua mão?!”-A mãe berrou enquanto olhava horrorizada a mão do filho.

“Ele..Ele me queimou mãe! tá doendo muito mãe!”-chorava o menino no meio de soluços .

“Ele quem meu filho?!”-O seu tom mudara de horror para ódio.

“O..o...oo Joao mãe “- a criança disse no meio de gaguejos de dor.

Roberto observava perplexo a cena, tentando ainda entender o que teria acontecido com a mão de Paulo.

Ele ouviu um estalo seguido de uma queimação em sua bochecha esquerda. O tapa o fez despertar e assimilar que seu filho que tinha causado aquele ferimento.

“Para fora da minha casa agora! E leva esse moleque com você!”- a mulher berrou apontando para a porta de sua cozinha, onde Joao estava parado de pé. Em sua voz não havia mais traços do carinho que antes demonstrava muito menos de sua embriagues.

Roberto, com medo de uma atitude mais violenta e com vergonha dos outros pais (obviamente a festa toda estava olhando pera eles), deu três passos longos ate seu filho e o agarrou pelo braço. Agora ele via toda a cozinha e não pode deixar de notar que a chama do fogão estava acesa, com horror ele entendeu o que havia acontecido. O filho havia queimado a mão do colega de classe.

Sem tempo para esboçar qualquer reação ele apressadamente marchou para fora da casa ate o seu carro do outro lado da rua. Seu filho não mostrou nenhuma resistência e ao olhar para sua face pode perceber que também não havia nenhuma emoção.

O pai do menino abriu a porta traseira do carro e empurrou o para dentro, logo em seguida batendo violentamente a porta, ele deu a volta no carro e abriu a porta do motorista mas antes de entrar olhou para a porta da casa e avistou um homem estranhamente alto e magro com um sobretudo preto e..molhado? Sim ,seu casaco estava molhado. Roberto tentou reconhecer sua face, mas ele olhava para baixo. O homem na porta não parecia com nenhum pai que conhecia. Gotas caiam de sua cabeça enquanto lentamente a levantava, quanto Roberto achou que finalmente fosse ver o rosto do desconhecido, o pai da criança piscou e como em um pesadelo o homem desapareceu. Ele entrou no carro.

Tentando controlar sua respiração o pai perguntou ao filho:

“O que aconteceu lá dentro?”

“Estávamos só brincando”- Joao falou para o pai enquanto olhava para a porta da casa pela janela do carro. Roberto estava com medo de seguir o olhar do filho e ver aquele homem de novo, então, ele apenas continuou olhando para frente e observou o rosto do filho pelo retrovisor.

“De que?”

“Sacrifício”- Respondeu a criança desviando o olhar da porta e olhando para o espelho retrovisor. Ele sorriu do mesmo jeito que fazia antes de sua mãe morrer. O coração de Roberto apertou e ele olhou para baixo tentando controlar suas emoções.

“Como se brinca de sacrifício?”- Perguntou, já prevendo a resposta do filho.

“é bem fácil , mas nunca encontro alguém para brincar comigo” –falou tristemente o menino.

“Bem! Primeiro você faz um circulo com seus amigos , aí todos dão a mão e prometemos ao Fred que vamos seguir a regra que ele falar. Dessa vez eu achei alguém para brincar. O Fred disse que o Pedro tinha que ser purificado com fogo...’’

“Que tipo de brincadeira é essa?!”- o pai berrou e observou seu filho se encolher no banco de trás. Ele respirou e tentou controlar sua raiva.

“Filho, quem é Fred?”

“Pai, eu já te falei um milhão de vezes Fred é o meu melhor amigo sabe? Ele mora com a gente.”

“Eu nunca vi ele” – o pai falou na esperança que o filho comentasse mais desse “amigo”.

“Mas ele já te viu. Ele não gosta de você.”

Ficou mais difícil de respirar depois dessa fala de seu filho. Chega. Ele não queria ouvir mais nada. Ligou carro e arrancou.

Joao deu um grito como se alguém estivesse tentando machucar ele.

Roberto parou o carro e olhou para trás.

“O que foi?”-falou assuntado.

“estamos deixando o Fred para trás”- chorou a criança.

O pai foi tomado por um medo repentino e acelerou enquanto Joao esperneava para voltarem e pegarem Fred. O menino chorou todo o caminho ate em casa . Foi um alivio para Roberto quando eles entraram na garagem e Joao parou de chorar. Cansado, ele olhou ara o filho pelo retrovisor mas para sua surpresa e total choque viu o mesmo homem estranho que estava na frente da casa de Paulo. Ele piscou, e como da ultima vez, e o homem desapareceu. Roberto desceu do carro e seu filho também.

“Ei, Joao”- Chamou o pai e o menino se virou.

“Sinto muito por ter deixado Fred lá”- Roberto falou e o menino sorriu.

“A papai ele não se preocupe ele conseguiu alcançar a gente. Vamos passar a noite brincando!”- Disse o menino sorrindo que logo em seguida saiu correndo em direção a casa.

Notas finais
1 fick entao pode meter o pau