Meu Lugar Seguro
12 Capítulo 12
Notas iniciais
POV EDWARD
Uma semana.
Era esse o tempo que eu havia dado a mim mesmo para acreditar que as coisas começariam a se encaixar.
Mais uma semana desde que eu tinha contratado J. Jenks para procurar Nathan. Uma semana desde que eu havia decidido que não bastava esperar que o homem simplesmente desaparecesse da vida de Bella.
Eu queria respostas.
Queria saber onde ele estava.
Queria saber o que pretendia.
E, principalmente, queria ter certeza de que Bella estaria segura.
O problema era que segurança e controle eram coisas diferentes.
Eu sabia disso.
Talvez soubesse melhor do que gostaria.
Meu celular vibrou sobre a mesa do escritório, interrompendo uma reunião que eu sequer estava prestando atenção.
Olhei para a tela.
J. Jenks.
Dispensei os outros com um gesto e esperei a porta se fechar antes de atender.
— Jenks.
— Senhor Cullen.
— Você encontrou alguma coisa?
Houve um breve silêncio do outro lado.
— Encontrei uma pista.
Meu corpo ficou imediatamente mais atento.
— Que tipo de pista?
— Um dos meus contatos conseguiu identificar um nome que apareceu ligado a Nathan há alguns dias. Não é o nome dele, obviamente. É alguém que já trabalhou para ele no passado.
— E onde essa pessoa está?
— Esse é o problema. Ainda não sabemos.
Franzi a testa.
— Então o que exatamente você descobriu?
— Esse homem fez uma movimentação financeira usando uma conta que não estava associada a ele. O valor era pequeno, mas o local chamou minha atenção.
— Onde?
— Oklahoma.
Fiquei em silêncio por alguns segundos.
— Tem certeza?
— Não o suficiente para mandar alguém bater na porta, mas o suficiente para investigar.
Levantei-me da cadeira.
— E Nathan?
— Ainda não temos uma confirmação de que ele esteja lá.
— Mas você acha que está?
— Acho que é a primeira pista realmente útil que conseguimos desde que começamos a procurá-lo.
Passei a mão pelo maxilar.
— Quanto tempo para descobrir?
— Não posso te dar uma data. Preciso confirmar quem fez a movimentação, descobrir com quem essa pessoa esteve em contato e, principalmente, descobrir se Nathan está por trás disso. E se essa identidade é realmente dele.
— Faça.
— Já estou fazendo.
— Jenks.
— Sim?
— Eu preciso saber onde ele está.
— Eu sei.
A resposta veio firme.
— E dessa vez, senhor Cullen, acredito que estamos mais perto do que estivemos antes.
— Espero que esteja certo.
— Eu também. Acredito que em algumas semanas já consigo desvendar isso. Não está fácil como esperei.
Fechei os olhos por um instante.
Algumas semanas.
Eu não gostava da resposta.
— Você disse que não seria impossível.
— E não é.
— Mas vai demorar.
— Mais do que eu previa.
Soltei o ar pelo nariz.
— Continue.
— Há outra possibilidade.
Meu corpo ficou tenso.
— Qual?
— A vítima.
Meu maxilar travou. E o escutei continuar.
— Se ela estiver disposta a fazer uma denúncia formal, podemos conseguir informações que facilitariam bastante a busca. Um depoimento pode abrir portas que, no momento, estão fechadas.
Olhei para a minha própria imagem refletida no vidro.
— Ela não precisa fazer isso agora.
— Não estou dizendo que precisa.
— Parece que está.
— Estou dizendo que pode ajudar.
Fiquei em silêncio.
Eu sabia disso.
Também sabia que Bella tinha passado por coisas suficientes para que eu não tivesse o direito de pressioná-la a reviver qualquer uma delas apenas porque eu queria respostas.
— Eu vou conversar com ela — falei finalmente.
— Com cuidado.
— Eu sei.
— E, senhor Cullen...
— Sim?
— Não faça parecer que uma denúncia é uma obrigação.
Meu olhar endureceu.
— Eu não faria isso.
— Eu sei. Só achei importante reforçar.
Desliguei.
Por alguns segundos, fiquei parado diante da janela. Eu deveria estar pensando no desgraçado do Nathan.
Na investigação.
Nos homens de Jenks que estavam procurando por ele.
Mas, contra a minha vontade, minha cabeça foi para outro lugar.
Bella.
Eu vinha pensando nela mais do que deveria.
Muito mais.
E esse era um problema que eu ainda não sabia como resolver.
Naquela noite, desci para beber água.
Era tarde.
A casa estava silenciosa, com apenas algumas luzes acesas no andar inferior. Entrei na cozinha e parei.
Bella estava ali.
Descalça.
Usando uma camiseta larga e um short curto, o cabelo preso de qualquer maneira, como se tivesse simplesmente saído do quarto para beber água e não tivesse a menor intenção de encontrar ninguém.
Principalmente a mim.
Ela estava de costas.
Abriu a geladeira e pegou a garrafa.
Foi quando percebeu minha presença.
Virou o rosto.
— Você.
Uma única palavra.
E, ainda assim, pareceu carregada de alguma coisa que eu não consegui definir.
— Eu.
Ela fechou a geladeira.
— Não sabia que você acordava durante a noite. Está tarde.
— Não sabia que precisava avisar. — Eu disse.
Um sorriso apareceu no canto da boca dela.
— Não precisa.
Bella colocou água no copo.
Eu deveria ter olhado para outra coisa.
Qualquer coisa.
A bancada.
A janela.
O relógio.
Mas meus olhos desceram para o corpo delicioso dela.
Foi automático.
E eu me odiei um pouco por isso.
A camiseta não escondia completamente o contorno do corpo dela quando ela se movia. Estava sem sutiã. O short deixava as pernas expostas. Nada demais.
Nada que eu não tivesse visto antes.
O problema era que agora eu estava olhando diferente.
E Bella percebeu.
Claro que percebeu.
Ela sempre percebia.
Levantou os olhos devagar.
— Está tudo bem?
— Está.
— Tem certeza?
— Absoluta.
Ela tomou um gole de água.
— Você está me encarando.
Merda.
— Não estou.
O sorriso dela cresceu.
— Está, sim.
— Talvez você esteja se sentindo observada porque está olhando para mim também.
Ela apoiou o copo sobre a bancada.
— Eu estava olhando para saber por que você estava olhando.
— E descobriu?
— Ainda estou analisando.
Soltei uma risada curta.
— Você gosta de provocar.
— Talvez.
— Talvez?
— Depende.
— Do quê?
Ela deu de ombros.
— Da pessoa.
Aquilo foi baixo.
E ela sabia.
Fiquei alguns segundos olhando para ela.
— Você faz isso de propósito.
— Faço o quê?
— Isso.
— Isso o quê, Edward?
A maneira como ela disse meu nome fez alguma coisa se contrair no meu peito. E o meu pau.
— Me provoca.
Ela deu um passo na minha direção.
Pequeno.
Quase insignificante.
Mas eu percebi.
— Eu acho divertido deixar você sem reação.
— Então está brincando com algo que talvez não queira começar.
O sorriso dela diminuiu.
Por um instante, a provocação desapareceu. Só que ela sorriu. Um sorriso desgraçado que mexeu comigo.
Ela não disse nada. Só sorriu.
Ela é linda.
Talvez linda seria eufemismo.
Ela é insuportavelmente linda demais. Linda demais para eu manter meu autocontrole.
E gostosa demais para minha sanidade.
Meu corpo inteiro ficou atento.
Bella sustentou meu olhar.
Nenhum de nós disse nada.
Foi um daqueles silêncios que não eram vazios.
Eram cheios demais.
Cheios de perguntas que nenhum dos dois parecia disposto a fazer.
Desviei os olhos primeiro.
— Você deveria voltar para o quarto.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Está me expulsando da cozinha?
— Estou tentando ser responsável.
— Que pena.
Olhei novamente para ela.
— Bella...
— Boa noite, Edward.
Ela passou por mim.
Perto demais.
O perfume dela chegou antes que ela desaparecesse pelo corredor.
Fiquei parado.
Sozinho.
E com a desagradável certeza de que meu autocontrole estava começando a se tornar uma questão de força de vontade.
E eu não tinha certeza de quanto tempo ela ainda conseguiria me provocar antes que eu deixasse de fingir que aquilo não estava acontecendo.
Eu tenho certeza de duas coisas.
Uma que eu preciso transar para tirar essa garota da cabeça.
Outra que Isabella Swan vai acabar comigo e eu preciso sair logo da casa dos meus pais.
Eu não posso ter esse tipo de pensamento sobre ela.
Eu só preciso protege-la.
O domingo chegou com a casa dos meus pais cheia. Era uma das poucas ocasiões em que ninguém conseguia inventar uma desculpa convincente para escapar do almoço.
Alice estava animada demais.
Jasper parecia acostumado e Rosalie também.
Emmett, como sempre, parecia ter nascido para infernizar a vida dos outros.
Eu deveria ter previsto que seria uma questão de tempo.
Estávamos todos à mesa quando ele resolveu começar.
— Então...
Continuei comendo.
— Então o quê? — perguntei.
Emmett me encarou com um sorriso que eu conhecia bem demais.
— Você não tem ido ao flat.
Levantei os olhos.
— E?
— E que isso é estranho.
— Por quê?
Ele olhou para Jasper.
Jasper imediatamente desviou o olhar, escondendo um sorriso.
— Porque aquele lugar praticamente virou sua segunda casa — Emmett continuou.
— Exagero.
— Não é.
Alice franziu a testa.
— O que tem no flat que vocês sempre falam?
— Nada que você precise saber — falei.
— Agora eu quero saber.
— Alice.
Emmett riu.
— É o flat do nosso irmão que costuma levar mulheres quando quer privacidade.
— Emmett!
Alice virou os olhos como se soubesse.
Eu fechei os olhos por um segundo.
— Obrigado pela discrição.
— Disponha.
Bella estava sentada alguns lugares adiante.
Ela não disse nada, mas eu vi o sorriso pequeno que apareceu em seu rosto.
— Você ainda vai para lá? — ela perguntou.
Meu olhar encontrou o dela.
— Sempre.
Mentira.
Uma mentira tão fácil que quase me convenceu.
Quase.
Porque fazia três meses que eu não colocava os pés naquele lugar.
Três meses.
Três meses desde que ela chegou a Nova York.
Eu sabia exatamente disso porque, durante a semana, tinha pensado que precisava voltar.
Precisava recuperar alguma normalidade.
Precisava parar de agir como se uma única mulher tivesse conseguido alterar hábitos que eu mantinha havia anos.
— Sempre? — Bella repetiu.
— Sempre.
Ela inclinou a cabeça.
— Interessante.
— O que é interessante?
— Nada.
— Isabella.
— Só estou pensando.
— Péssimo hábito.
— E você deveria tentar fazer isso mais vezes.
Emmett soltou uma gargalhada.
— Por isso eu gosto dela.
— Comovente — respondi.
Bella sorriu.
E aquele sorriso me atingiu de um jeito irritantemente eficaz.
— E você? — ela perguntou. — Ainda recebe mulheres lá?
O garfo parou na minha mão.
— Você está curiosa?
— Não.
— Então por que perguntou?
— Educação.
— Desde quando você é educada, garota ?
— Desde que comecei a conviver com algumas pessoas .
Alice riu.
— Vocês dois são impossíveis.
— Ela começou — falei.
— Ele começou — Bella respondeu no mesmo instante.
Nos olhamos.
Emmett balançou a cabeça.
— Vocês têm noção de que parecem um casal brigando?
— Não — respondemos juntos.
Mais risadas.
Eu tentei ignorar.
Não consegui.
Pouco depois, o assunto mudou.
— Minha casa fica pronta em três dias — anunciei.
Bella virou o rosto para mim.
— Então você vai embora daqui?
— Essa é a ideia.
Ela ficou em silêncio por um segundo.
— Você está animado?
— Muito.
— Por quê?
— Privacidade.
— E o flat?
Ninguém se segura nas risadas. Meu pais, meus irmãos e cunhados
Explodem na gargalhada.
E provocadorazinha sorri satisfeita.
— Bella, você é a melhor, mas o meu irmãozinho não leva mulheres para sua mansão, só para o flat se é que você me entende. — meu irmão diz gargalhando.
Bella me olha e fica calada por um tempo.
— Eu gosto da minha paz.
— Espero que eu não esteja atrapalhando-a.
— Não está.
— Edward...
— Sim.
— Não fica bravo. Só estou brincando com você.
— Não estou bravo.
Ela assente.
E o assunto muda completamente.
Naquela noite, depois que todos foram embora, fiquei algum tempo sozinho no escritório.
Três dias.
Minha casa estaria pronta.
Eu teria meu próprio espaço novamente.
Meu próprio silêncio.
Minha própria rotina.
Era exatamente o que eu precisava.
Então por que a ideia de deixar Bella naquela casa me incomodava?
Levantei-me.
Talvez porque, pela primeira vez em muito tempo, eu estivesse começando a perceber que o problema não era ela ocupar espaço demais na minha vida.
Era o fato de eu estar deixando que ela ocupasse.
E, pior ainda...
Eu não tinha certeza se queria impedir.
Na segunda-feira, eu já tinha decidido que não comentaria sobre a conversa com Jenks com ninguém.
Não porque fosse um segredo.
Mas porque, quanto menos pessoas soubessem dos detalhes, melhor.
Quando tivesse mais avançado a investigação eu contaria para Emmet, Carlisle e Jasper.
Bella também não precisava saber ainda. Ela já carregava coisas demais.
Eu não queria acrescentar mais uma preocupação aos ombros dela.
Estava na minha sala quando Emmett e Jasper entraram.
Emmett se jogou na poltrona em frente à minha mesa sem sequer perguntar se podia.
Jasper foi mais discreto e ocupou a outra.
— Vocês não trabalham? — perguntei, sem tirar os olhos dos documentos.
— Estamos trabalhando — Emmett respondeu.
— Na minha sala?
— Ambiente colaborativo.
Levantei os olhos.
— Saia.
Ele riu.
— Está de mau humor.
— Estou ocupado.
— Você está sempre ocupado.
Jasper observava a troca com um sorriso discreto.
— Como está a mudança? — perguntou.
— Em três dias.
— Finalmente.
— Finalmente o quê?
Emmett se adiantou.
— Finalmente você vai sair da casa dos nossos pais.
— Eu já tenho a minha casa. Vocês sabem disso.
— Tem o flat também.
— Eu sempre vou lá.
— Claro.
Ignorei.
Emmett estava prestes a dizer alguma coisa quando o celular dele vibrou.
Ele olhou para a tela.
— James.
Atendeu.
— Fala, idiota.
A voz de James veio do outro lado, acompanhada de uma risada.
— Também senti sua falta.
— Onde você está?
— Ainda fora. Mas não por muito tempo.
Emmett ativou o vídeo.
A imagem apareceu na tela.
James estava sentado no que parecia ser um quarto de hotel. O cabelo estava um pouco mais comprido do que quando tinha partido e havia um ar cansado em seu rosto, mas o sorriso continuava o mesmo.
— Finalmente — Emmett disse. — Resolveu aparecer.
— Eu avisei que não demoraria.
— Você disse isso há quase um mês.
— Detalhes.
Jasper se aproximou um pouco da mesa para aparecer na câmera.
— Como estão as coisas?
— Bem mais complicadas do que eu esperava, mas estou quase terminando.
James olhou para a tela.
— E você, Edward?
Olhei para o celular.
— Trabalhando.
— Continua simpático.
— Você também não mudou.
Emmett riu.
— Vocês dois são inacreditáveis.
James sorriu.
Havia alguma coisa naquela troca que parecia casual para quem observasse de fora.
Mas não era.
Não completamente.
James e eu nos conhecíamos desde muito novos. Temos a mesma idade. Ele é o sobrinho adorável da minha mãe. Passamos muito tempo juntos.
E, desde muito novos, existia aquela competição silenciosa entre nós.
Nada que tivesse chegado a se transformar em uma briga de verdade.
Nada que alguém pudesse apontar e dizer que havia rivalidade.
Mas ela estava ali.
Nos desafios.
Nas provocações.
Naquela necessidade quase automática de nenhum dos dois demonstrar que o outro tinha vantagem.
Nós nos respeitávamos.
Gostávamos um do outro, de certa forma, apesar de eu não confiar nele como todos da minha família.
Mas nunca fomos próximos.
Nunca como ele era de Emmett ou Jasper.
— E vocês? — James perguntou. — Alguma novidade?
— Nada demais — Emmett respondeu.
James estreitou os olhos.
— Esse "nada demais" parece suspeito.
— Não é.
— E a amiga da Alice, é Bella não é?
Meu olhar foi imediatamente para Emmett.
Ele percebeu.
Jasper também.
James não.
— O que tem a Bella? — Emmett perguntou.
— Da última vez que conversamos, vocês mencionaram que tinha acontecido alguma coisa. Fiquei preocupado.
A expressão de James mudou.
O sorriso desapareceu.
— Ela está bem?
— Está — Emmett respondeu.
— O que aconteceu?
Houve um breve silêncio.
Eu pretendia deixar que Emmett respondesse de maneira vaga.
Mas ele não fez isso.
— Ela passou por uma situação de violência.
James ficou imóvel.
— Violência?
— Sim — Jasper confirmou.
A preocupação no rosto dele foi imediata.
— Ela está segura?
— Está — falei.
James olhou diretamente para mim através da tela.
— Tem certeza?
— Tenho.
— Foi alguém conhecido?
Minha mandíbula se contraiu.
— James...
— Estou perguntando porque fiquei preocupado.
O tom dele não era invasivo.
Era genuinamente preocupado.
E isso tornou ainda mais difícil justificar a irritação que começou a surgir dentro de mim.
— Estamos cuidando disso — respondi.
James assentiu lentamente.
— Se precisarem de alguma coisa, me avisem.
— Pode deixar — Emmett respondeu.
James ficou alguns segundos em silêncio.
Então sorriu de leve.
— Eu gostaria de conhecê-la. Sei que ela é a melhor amiga da Alice, nunca nos encontramos na mansão.
Não gostei.
A reação veio tão rápido que quase me irritou.
— Conhecer a Bella? — Emmett perguntou.
— Sim.
Ele deu de ombros.
— Vocês sempre falam dela. Parece que ela já faz parte da família.
— De certa forma, faz — Jasper comentou.
James assentiu.
— Então quero conhecê-la quando voltar.
Eu permaneci em silêncio.
— Espero que ela esteja melhor quando eu chegar — James acrescentou.
— Ela está — respondi.
Ele me encarou por mais um instante.
— Você parece muito preocupado com ela.
Meu olhar encontrou o dele.
— Qualquer um ficaria.
Um pequeno sorriso surgiu no canto da boca de James.
— Claro. Ela deve ser linda.
Não gostei daquele sorriso.
Talvez porque eu soubesse exatamente o que ele significava.
Ou talvez porque estivesse procurando significado onde não havia.
— Isso não tem a ver com a aparência dela.
— Claro que não. Só foi um comentário infeliz.
Eu travei a mandíbula.
Emmett pareceu perceber a mudança no clima.
— Quando você volta?
— Provavelmente em no máximo dois meses.
— Ótimo. Vamos comemorar.
— Fechado.
James olhou novamente para nós.
— Avisem se precisarem de alguma coisa.
— Pode deixar — Emmett respondeu.
A chamada terminou.
A tela ficou preta.
Por alguns segundos, ninguém falou.
Então Emmett sorriu.
— Interessante.
— Nem começa.
— Eu não falei nada.
— Mas vai.
Jasper cruzou os braços.
— Você ficou incomodado.
Olhei para ele.
— Com o quê?
— Com James querendo conhecer a Bella.
— Não fiquei.
Emmett soltou uma risada.
— Ficou.
— Ele é da família. É normal querer conhecê-la.
— Exatamente — Jasper respondeu. — Então por que você está agindo como se ele tivesse anunciado que vai casar com ela?
— Eu não estou agindo de maneira nenhuma.
Emmett me encarou.
— Edward...
— O quê?
— Está rolando alguma coisa entre você e a Bella?
A resposta veio imediatamente.
— Não.
Jasper arqueou uma sobrancelha.
Emmett sorriu.
— Respondeu rápido.
— Porque é uma pergunta absurda.
— Então não tem nada?
— Não.
— Nem um interesse?
Olhei para ele.
— Não.
Mentira.
A pior parte era que eu sabia disso.
E eles provavelmente também.
Jasper ficou em silêncio por alguns segundos antes de perguntar:
— Então por que você não gostou quando James disse que queria conhecê-la?
— Porque conheço James.
Emmett sorriu.
— Desde criança.
— Exatamente.
— E?
— E nada.
Mas havia alguma coisa.
Uma sensação incômoda de que James sempre aparecia quando eu menos precisava.
E talvez eu estivesse transferindo para ele algo que não tinha relação nenhuma com ele.
Porque o problema não era James querer conhecer Bella.
O problema era eu não gostar da ideia.
Naquela noite, encontrei Bella na sala. Cheguei mais tarde.
Ela estava sentada no sofá, lendo.
A casa estava silenciosa.
Parei por alguns segundos antes de entrar.
Ela ergueu os olhos.
— Você está me encarando.
— Talvez.
Ela fechou o livro.
— Isso é novo.
— O quê?
— Você admitir.
Aproximei-me. Ela estava com um short curto. Pernas expostas. Deliciosas pernas a propósito.
— Estou cansado de negar coisas óbvias.
Ela ficou me observando.
— E o que exatamente é óbvio?
Parei diante do sofá.
— Você sabe.
— Talvez eu queira saber.
— Você gosta de me colocar contra a parede.
Ela sorriu.
— Não parece estar reclamando.
— Não estou.
Ela se levantou.
Ficamos frente a frente. Meus olhos desceram descaradamente por seu corpo.
— Você vai mudar em três dias mesmo?
— Sim.
— Você vai gostar de ficar sozinho.
— Provavelmente.
— Provavelmente?
— A menos que alguém resolva aparecer.
Ela inclinou a cabeça.
— Você receberia visitas?
— Algumas.
— Mulheres?
O tom era casual. Casual demais.
— Está com ciúmes?
Bella soltou uma pequena risada.
— Não.
— Então por que perguntou?
— Curiosidade.
— Claro.
Ela passou por mim. Ou tentou.
Segurei seu pulso de maneira leve.
Bella parou.
Olhou para minha mão.
Depois para mim.
Eu a soltei imediatamente.
— Desculpa.
Ela não foi embora.
— Você sempre pede desculpas quando quer fazer alguma coisa?
Meu coração bateu mais forte.
— Nem sempre.
— Então o que você quer fazer agora?
Não havia mais brincadeira na voz dela.
A distância entre nós parecia pequena demais.
Olhei para os olhos dela.
Depois para sua boca.
Ela percebeu.
E não desviou.
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