Meu Lugar Seguro

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Olá meninas. Obrigada pelos comentários que estão gostando. Tenham paciência de ler, pois esse capitulo ficou longo, não foi intencional. Boa leitura.

POV BELLA

— O que você quer fazer agora?

A pergunta saiu da minha boca antes que eu pudesse pensar melhor.

Edward continuou me olhando.

Por alguns segundos, nenhum de nós se mexeu.

Eu conseguia ouvir meu próprio coração batendo rápido demais e, pela primeira vez desde que tinha começado a provocá-lo, não tinha certeza se estava brincando.

Os olhos dele desceram novamente para a minha boca.

Meu corpo inteiro ficou alerta. Ele deu um pequeno passo na minha direção e eu não recuei.

A distância entre nós diminuiu mais um pouco ele inclinou o rosto.

E eu tive certeza de que ele iria me beijar.

Fechei os olhos por um instante, mas o beijo não aconteceu.

Senti apenas a respiração dele próxima demais do meu rosto antes de ele se afastar.

Abri os olhos.

Edward estava me olhando como se estivesse lutando contra alguma coisa dentro dele.

— Não.

Franzi a testa.

— Não?

Ele passou a mão pelos cabelos e soltou o ar devagar.

— Não desse jeito.

— Que jeito?

— Assim.

— Você vai precisar ser mais específico.

Ele soltou uma risada curta, sem humor.

— Você sabe exatamente do que estou falando.

— Não sei.

— Sabe, sim.

Ele deu mais um passo para trás e aquilo me deixou estranhamente frustrada. Eu não deveria estar frustrada, mas talvez fosse melhor assim.

Talvez fosse exatamente o que eu precisava, mas uma parte de mim queria que ele tivesse continuado.

— Eu não quero que você pense que estou fazendo isso porque você está aqui, porque estamos sozinhos ou porque você está me provocando — ele disse.

Fiquei em silêncio.

— Então por quê?

Edward sustentou meu olhar.

— Porque, se um dia eu beijar você, quero ter certeza de que você vai querer o beijo tanto quanto eu. E não quero confundir sua cabeça. Você já passou por coisas demais.

Meu coração apertou e eu não soube o que responder.

Ele pareceu perceber minha confusão e deu um pequeno sorriso.

— Boa noite, Bella.

E foi embora.

Fiquei parada no meio da sala sozinha e com uma sensação completamente nova.

Eu queria que ele tivesse me beijado.

E aquilo me assustou.

Três dias depois, a casa estava uma confusão. Ele estava se mudando.

Caixas, malas, funcionários entrando e saindo. Alice reclamava que ele tinha muita coisa do trabalho no escritório do pai e por isso a bagunça na mudança.

Emmett fazia questão de atrapalhar e Jasper tentava ajudar.

E eu estava sentada no sofá, observando tudo.

Edward tinha acabado de descer as escadas com uma caixa nas mãos quando nossos olhares se encontraram.

Ele sorriu.

— Está se divertindo?

— Muito.

— Mentira.

— Um pouco.

Ele colocou a caixa no chão.

— Minha casa finalmente ficou pronta.

— Você parece feliz.

— Estou.

Sorri.

— Vai ser estranho não ver você todos os dias.

As palavras escaparam e ele ficou me olhando por um segundo a mais.

— Você vai sentir minha falta?

Meu sorriso aumentou.


Depois daquele quase beijo que não aconteceu, o clima entre nós pareceu normal, ninguém tocou no assunto, apesar de eu não ter esquecido.

— Talvez.

— Talvez?

— Depende.

— De quê?

— Da pessoa.

Ele balançou a cabeça, rindo.

— Você sempre fala isso.

— Você já sabia disso.

Ele pegou a caixa novamente.

— Preciso terminar isso.

— Vai lá.

Ele começou a andar, mas parou antes de chegar à porta.

— Ah.

— O quê?

— Quando eu estiver em casa, vou ficar com o celular. Se precisar de alguma coisa, me liga.

— Eu tenho o número da Alice.

— Não foi isso que eu disse.

Olhei para ele.

— Você está me dando seu número?

— Estou dizendo que pode me ligar.

— Nós não temos o número um do outro.

Edward ficou em silêncio.

— Verdade.

Ele tirou o celular do bolso.

— Então resolvemos isso agora.

Peguei meu celular e trocamos os números.

Quando o contato dele apareceu na minha tela, fiquei alguns segundos olhando.

Edward Cullen.

Era apenas um nome.

Um número.

Nada demais.

Mas meu coração insistia em tratar aquilo como alguma coisa muito maior.

— Pronto — ele disse.

— Pronto.

Ele guardou o celular.

— E não hesite em me avisar se conseguir alguma entrevista de emprego.

— Eu aviso.

— Promete?

— Prometo.

Ele assentiu.

— Boa garota.

Revirei os olhos.

— Não começa.

Ele sorriu.

— Até mais, Isabella.

— Até.

Observei enquanto ele saía e pela primeira vez desde que tinha chegado àquela casa, senti verdadeiramente que alguma coisa estava mudando.

Edward não estaria mais no quarto em frente ao meu, não estaria na cozinha, não apareceria no corredor, não estaria ali para me provocar e, por algum motivo, isso me deixou muito mais ansiosa do que deveria.

Uma semana.

Foi quanto tempo levei para perceber que eu realmente não tinha visto Edward.

Ele não apareceu para o jantar, não apareceu durante os treinos que me levava, não ficou na mansão até tarde e, embora eu soubesse que ele tinha a própria casa agora, não conseguia evitar procurar por ele quando entrava em algum cômodo.

Era ridículo e eu precisava parar.

A boa notícia era que eu estava conseguindo outras coisas.

Tinha conseguido algumas entrevistas online de emprego.

Duas naquela semana e depois mais uma. Uma empresa maior havia respondido ao meu currículo e eu estava começando a sentir que talvez conseguisse reconstruir minha vida sem depender de ninguém e sem precisar que Alice e agora Edward resolvessem tudo por mim.

Naquela noite, eu estava sentada na cama olhando para o celular, tinha uma entrevista marcada para o dia seguinte. Uma entrevista de verdade presencial em uma empresa. Eu deveria estar nervosa, mas estava feliz.

Digitei uma mensagem para Edward antes de pensar demais.

Bella: Amanhã tenho uma entrevista de emprego.

A resposta chegou poucos segundos depois.

Edward: Isso é ótimo.

Sorri.

Bella: É.

Demorou alguns segundos.

Edward: Quer companhia?

Meu coração acelerou.

Bella: Você se ofereceu ou está me perguntando se preciso de ajuda?

Edward: Os dois.

Sorri.

Bella: Então eu aceito.

Edward: Passo para te buscar.

Bella: Combinado.

Fiquei olhando para a tela. Era apenas uma carona. Nada mais, mas eu estava sorrindo como uma adolescente.

— Ridícula — murmurei para mim mesma.

Deitei na cama e dormi pensando no dia seguinte.


— Nervosa?

Olhei para Edward enquanto ele dirigia.

— Um pouco.

— Você vai se sair bem.

— Como sabe?

— Porque você é inteligente demais e ama o que faz.

Sorri.

— Obrigada pelo elogio.

— Não se acostume.

— Tarde demais.

Ele riu e aquele som fez alguma coisa dentro de mim. Eu tinha sentido falta dele. A constatação veio tão rápida que quase me fez desviar o olhar.

— Obrigada por me trazer.

— Eu disse que faria.

— Mesmo assim.

Ele me olhou rapidamente.

— Você está feliz?

Olhei pela janela.

— Muito.

— Por causa da entrevista?

— Também.

Respirei fundo.

— Acho que finalmente estou começando a recuperar algumas partes da minha vida.

Edward ficou em silêncio.

— Isso é importante.

— É.

Sorri.

— Quero voltar a ser independente.

— Você nunca deixou de ser.

Olhei para ele.

— Deixei, sim.

— Não.

A voz dele saiu firme.

— Você só passou por algo que fez você acreditar que não conseguia mais.

Engoli em seco.

Ele voltou os olhos para a estrada.

— Agora está descobrindo que consegue.

Sorri.

— Talvez.

— Não é talvez.

A entrevista foi melhor do que eu esperava. Quando saí do prédio, encontrei Edward encostado no carro.

Ele abriu um sorriso quando me viu.

— E então?

— Acho que fui bem.

— Eu sabia.

— Você sempre fala isso.

— Porque geralmente estou certo.

Revirei os olhos.

— Convencido.

— Venha.

— Para onde?

— Quero te mostrar uma coisa.

— O quê?

— A empresa da minha família.

Parei.

— Sua empresa?

— Você já esteve lá.

— Quando eu tinha uns treze anos. Fui com a Alice.

— Exatamente.

— Eu não lembro de quase nada.

— Então está na hora de conhecer de novo.

Eu fiquei impressionada, muito mais do que esperava. O prédio era enorme e moderno.

Tudo parecia funcionar em um ritmo próprio.

Funcionários caminhavam pelos corredores, reuniões aconteciam atrás de portas de vidro e, apesar de toda aquela movimentação, existia uma organização impressionante.

— Você construiu tudo isso?

Edward olhou para mim.

— Não sozinho.

— Mas é mérito seu. Você é o CEO agora.

— É.

Sorri.

— É incrível.

Ele sorriu.

— Venha.

Subimos até o andar dele. A sala era exatamente como eu imaginava, grande e elegante e organizada demais.

— Você tem cara de quem escolheria uma sala assim.

— E isso significa o quê?

— Que você é sério demais.

— Você me conhece há quanto tempo?

— Tempo suficiente.

Ele sorriu.

— Sente-se.

Sentei no sofá enquanto ele foi até a mesa. Eu olhava tudo com curiosidade quando ouvi vozes no corredor.

A porta abriu.

— Eu sabia!

Emmett entrou.

Jasper veio logo atrás.

— Sabia o quê? — perguntei.

Emmett abriu um sorriso enorme.

— Que você estava aqui.

— Como?

— Porque eu conheço meu irmão.

Jasper riu.

— Ele estava curioso.

— Eu não estava.

— Estava — Jasper respondeu.

— Vocês dois são terríveis.

Emmett sentou ao meu lado.

— Então, Bella, como está sendo?

— O quê?

— A vida sem meu irmão enchendo sua paciência vinte e quatro horas por dia.

Olhei para Edward.

— Estranhamente silenciosa.

Emmett gargalhou.

Edward revirou os olhos.

— Muito engraçado.

Jasper sentou na poltrona.

— E a entrevista?

Contei como tinha sido e eles fizeram perguntas e me deram conselhos.

Emmett contou histórias absurdas da infância de Edward.

Edward ameaçou expulsá-lo da sala umas três vezes.

E, pela primeira vez em muito tempo, eu me senti simplesmente...

Normal e feliz.

Quando saímos da empresa, eu estava sorrindo.

— Gostou? — Edward perguntou.

— Muito.

— Então valeu a pena.

Olhei para ele.

— Valeu.

Uma semana depois, a mansão estava cheia novamente.

Era domingo. Piscina, churrasco e música. Alice tinha transformado o jardim em um verdadeiro evento.

Rosalie estava perto da piscina. Emmett e Jasper discutiam alguma coisa, Carlisle e Esme conversavam.

Eu estava sentada na espreguiçadeira quando senti um olhar sobre mim.

Edward.

Olhei para ele, mas ele desviou. Alguns minutos depois, olhei novamente e ele estava olhando. Aliás me secando e dessa vez, não desviou.

Sorri.

Alice apareceu ao meu lado.

— Você percebeu, né?

— O quê?

Rosalie se aproximou.

— Não se faça de sonsa.

— Eu não estou fazendo nada.

Alice olhou para Edward e depois para mim.

— Ele não tira os olhos de você.

— Vocês estão imaginando.

Rosalie soltou uma risada.

— Bella, por favor.

— O quê?

— Você está gostando.

Meu rosto esquentou.

— Não.

Alice arregalou os olhos.

— Está.

— Alice...

— Você está!

Respirei fundo e olhei para Edward novamente.

Ele conversava com Jasper, mas os olhos dele vieram para mim mais uma vez.

Baixei a cabeça.

— Talvez.

Alice segurou meu braço.

— Eu sabia!

— Não faz escândalo.

Rosalie sorriu.

— Você está atraída por ele.

Fiquei em silêncio, mas depois respirei fundo.

— Estou.

As duas ficaram quietas.

— Eu não queria estar.— continuei.

Alice apertou minha mão.

— Por quê?

Olhei para a piscina.

— Porque eu achei que nunca mais sentiria isso.

Minha voz saiu mais baixa.

— Depois de tudo que aconteceu... eu achei que alguma coisa dentro de mim tinha quebrado.

Rosalie perdeu o sorriso.

— Bella...

— Eu não estou triste.

Olhei para elas.

— É justamente o contrário.

Sorri.

— Eu estou feliz.

Alice sorriu também.

— Então talvez você esteja começando a se recuperar.

Olhei novamente para Edward.

— Talvez.

Naquela noite, todos acabaram dormindo na mansão. A casa estava cheia.

Eu tinha acabado de descer quando ouvi vozes vindas da sala.

Parei.

Era Emmett.

— Então, Edward...

Jasper riu.

— Lá vem.

— Você está querendo pegar a Bella?

Meu coração parou.

Fiquei imóvel.

Silêncio.

Depois ouvi Edward.

— Não.

Meu peito apertou.

— Qual é, cara — Emmett insistiu. — Não precisa mentir.

— Não estou mentindo.

— Então o que está acontecendo?

Houve uma pausa.

— Ela é só a melhor amiga da minha irmã.

Aquelas palavras doeram mais do que deveriam.

— E o que tem isso?

— Não tem isso e não tem nada.

Jasper perguntou:

— Só isso?

Edward demorou.

— Antes quando ela era só uma menina não conheci ela bem, mas comecei a gostar dela agora.

Meu coração disparou.

Mas ele continuou.

— Ela é inteligente, engraçada, forte e tem uma personalidade que consegue irritar qualquer pessoa em cinco minutos.

Emmett riu.

— Então você gosta dela.

— Eu disse que comecei a gostar dela.

— E?

— E ela é dez anos mais nova do que eu.

Meu estômago se revirou.

— Você tem interesse nela?

— Já disse que não.

Fechei os olhos.

— Não desse jeito que vocês estão pensando. Ela se tornou uma amiga, apenas isso.

Mais algumas palavras foram trocadas, mas eu não consegui continuar ouvindo.

Voltei para o quarto antes que alguém percebesse minha presença.

Fechei a porta e encostei as costas nela. E respirei fundo.

Não sei por que aquilo tinha me incomodado tanto. Ele tinha sido claro.

Eu era apenas a melhor amiga da irmã dele.

Uma garota dez anos mais nova.

Sem interesse.

Sorri sem humor.

— Ótimo, Bella.

Era exatamente isso que eu precisava ouvir.

Na manhã seguinte, todos se despediram. Alice me abraçou, Rosalie também, Emmett fez alguma piada e Jasper sorriu.

Quando Edward veio até mim, fiquei mais fria.

— Até mais, Isabella.

— Até.

Ele me observou.

— Está tudo bem?

— Claro.

— Tem certeza?

— Tenho.

Ele franziu a testa.

— Você está estranha.

— Acho que só estou cansada.

— Se precisar de alguma coisa...

— Eu sei.

Ele assentiu.

— Então, até.

— Até, Edward.

Entrei em casa antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa.

Alguns dias depois, Alice apareceu na mansão e assim que ela entrou, percebeu.

— O que aconteceu?

— Nada.

— Bella.

Suspirei.

— Eu ouvi Edward conversando naquela noite com Emmett e Jasper.

— A noite que dormimos aqui?

— Sim.

— O quê ouviu?

Contei tudo que escutei.

Alice ficou indignada.

— Ele disse isso?

— Disse.

— Que idiota.

— Alice...

— Não. Ele é um idiota.

Eu ri.

— Não me importo. Sempre foi assim. Ele nunca me olhou além de uma garota.

— Comece a provocar aquele troglodita, faça ele comer na palma da sua mão.

— Não.

— Bella!

— Não vou fazer isso.

Cruzei os braços.

— Se ele realmente não tem interesse, eu não vou ficar tentando provar o contrário e fazendo joguinhos.

Alice me observou.

— E se ele chegar em você? A tensão sexual entre vocês dois é inevitável de não notar.

Pensei por alguns segundos.

— Aí eu vou devolver.

Ela sorriu.

— Devolver o quê?

Olhei para ela.

— A indiferença.

Alice abriu um sorriso enorme.

— Gostei.

— E sabe de uma coisa?

— O quê?

— Se um dia ele chegar em mim, vou lembrar daquele beijo que ele não me deu quando eu tinha quinze anos.

Alice começou a rir.

— Você não presta!

— Ele que começou.

— Bella...

— O quê?

— Edward está caidinho por você.

Revirei os olhos.

— Não está.

— Está.

— Ele literalmente disse que não tem interesse.

— E você acreditou?

Fiquei em silêncio.

Alice sorriu.

— Eu conheço meu irmão. E você não vai resistir se ele chegar em você. Eu acho que não vai demorar, eu conheço o meu irmão, ele não vai se segurar mais.

Não disse nada.

Os dias começaram a passar.

E, de alguma forma, minha vida estava acontecendo. Eu continuava procurando emprego, fazia entrevistas, saía com Alice e Rosalie.

Conversava com Esme e carlisle.

Começava a criar pequenas rotinas que eram apenas minhas.

Eu estava seguindo em frente e isso me deixava feliz.

Muito feliz, mas havia um problema.

Edward.

Eu pensava nele.

Muito mais do que deveria.

Pensava no jeito como ele olhava para mim.

Naquela noite na sala.

Na maneira como tinha segurado meu pulso e imediatamente pedido desculpas.

Na forma como quase tinha me beijado.

E, principalmente, no fato de que ele tinha escolhido não fazer isso.

Talvez fosse melhor.

Talvez eu precisasse daquele espaço.

Talvez ele realmente não sentisse nada.

Mas, quando meu celular vibrou certa noite, meu coração acelerou antes mesmo de eu olhar a tela.

Edward: Quer voltar a fazer a luta?

Sorri sem querer.

Digitei:

Bella: Acho que vou dar um tempo.

A resposta veio rápido.

Edward: Tudo bem?

Fiquei olhando para a pergunta.

Bella: Sim.

Edward: Tem certeza?

Bella: Absoluta.

Demorou alguns segundos.

Edward: Se mudar de ideia, me avise.

Bella: Aviso.

Coloquei o celular sobre a cama e respirei fundo.

Era melhor assim. Eu precisava de distância.

E, nos dias seguintes, comecei a fazer exatamente isso.

Evitei Edward.

Quando ele aparecia na casa dos pais à noite, eu encontrava uma desculpa para ficar no quarto.

Quando ele chegava e eu estava na sala, levantava.

Quando ouvia sua voz, meu coração acelerava.

E isso me irritava, porque eu estava conseguindo reconstruir minha vida.

Estava recuperando minha independência.

Estava começando a acreditar novamente em mim.

Eu não precisava de um homem para me sentir inteira.

Muito menos de Edward Cullen.

Mas, mesmo tentando convencer a mim mesma disso...

Eu ainda pensava nele.

Todas as noites.

E, talvez, a pior parte fosse perceber que, quanto mais eu tentava me afastar...

Mais eu queria saber por que ele continuava aparecendo.

Quase todas as noites na mansão.

Mesmo depois de ter dito que não tinha interesse em mim.

Mesmo depois de ter dito que eu era apenas a melhor amiga da irmã dele.

E talvez fosse justamente isso que mais me confundisse.

Porque, se Edward realmente não queria nada comigo, por que continuava procurando maneiras de estar perto?

Eu não sabia, mas uma coisa eu sabia.

Eu não iria atrás dele.

Nos dias seguintes, comecei a perceber um padrão.

Edward aparecia quase sempre à noite.

Às vezes chegava para conversar com Carlisle.

Outras vezes dizia que precisava falar com Esme.

Algumas vezes eu sequer sabia o motivo.

Mas ele aparecia.

E eu fugia.

No começo, achei que ele não perceberia.

Afinal, a casa era grande o suficiente para duas pessoas se evitarem, mas Edward não era exatamente distraído.

Na primeira vez em que me levantei da sala quando ele chegou, percebi seu olhar acompanhando cada movimento meu.

Na segunda, ele perguntou:

— Você vai dormir?

— Estou cansada.

— São oito horas.

— Estou cansada cedo.

Ele franziu a testa.

— Está tudo bem?

— Sim.

Sempre a mesma resposta.

Sim.

Eu estava bem.

Ou pelo menos era isso que eu repetia para mim mesma.

Uma noite, eu estava na cozinha pegando água quando ouvi a porta da frente abrir.

Meu coração reconheceu o som antes mesmo de minha cabeça entender.

Edward.

Respirei fundo.

Talvez eu pudesse simplesmente ficar ali.

Não precisava fugir.

Eu era adulta.

Não tinha feito nada errado.

Então ouvi os passos se aproximando.

— Isabella?

Fechei os olhos por um instante.

— Aqui.

Ele apareceu na porta da cozinha.

— Oi.

— Oi.

Ficamos em silêncio.

Ele me observou. Seus olhos percorreram meu corpo. Foi rápido, mas eu percebi.

Eu bebi um gole de água apenas para fazer alguma coisa.

— Você está me evitando?

Quase engasguei.

— Não.

— Está.

— Não estou.

— Bella.

— Edward.

Ele cruzou os braços.

— Você mal olha para mim.

— Isso é impressão sua.

— Não é.

Olhei para ele finalmente.

— Talvez eu esteja ocupada.

— Fazendo o quê?

— Vivendo.

Ele ficou quieto.

A resposta pareceu pegá-lo desprevenido.

— Isso é bom.

— É.

— Fico feliz.

— Ótimo.

Peguei meu copo e passei por ele.

— Boa noite.

— Bella.

Parei.

— O quê?

Ele parecia querer dizer alguma coisa.

Mas desistiu.

— Nada.

Assenti.

— Boa noite.

Subi as escadas e quando entrei no quarto, encostei a porta e soltei o ar que nem sabia que estava prendendo.

Por que era tão difícil ficar perto dele?

Eu sabia a resposta.

Porque eu gostava dele.

E admitir aquilo para mim mesma era muito mais assustador do que admitir para Alice.

No dia seguinte, acordei decidida.

Eu não fugiria mais.

Se Edward aparecesse, eu ficaria.

Se ele falasse comigo, eu responderia.

Se ele perguntasse alguma coisa, eu seria educada.

Só isso, nada de jogos, nada de provocações e nada de tentar chamar sua atenção.

Eu precisava mostrar a mim mesma que conseguia estar perto dele sem perder o controle.

Foi exatamente isso que tentei fazer naquela noite.

Eu estava na sala com Esme quando Edward chegou.

— Boa noite — ele disse.

— Boa noite.

Continuei olhando para a televisão.

Esme sorriu.

— Edward, venha sentar.

Ele se sentou na poltrona.

Eu permaneci no sofá.

Por alguns minutos, tudo ficou normal, até eu sentir seu olhar.

Não precisei olhar para saber, mas olhei.

Ele estava me encarando.

Desviei os olhos.

Alguns segundos depois, olhei novamente ele ainda estava me encarando.

— Algum problema? — perguntei.

— Não.

— Então pare de olhar para mim.

Esme olhou de um para o outro.

Edward sorriu de lado.

— Você está se incomodando?

— Um pouco.

— Por quê?

— Porque é estranho.

— O que é estranho?

— Você ficar me encarando.

Ele inclinou a cabeça.

— Talvez eu esteja tentando entender por que você está diferente.

Meu coração acelerou.

— Não estou diferente.

— Está.

— Você está imaginando coisas.

Ele sorriu.

— Talvez.

Esme levantou-se.

— Vou preparar um chá.

Assim que ela saiu, ficamos sozinhos na sala.

Edward continuou olhando para mim.

— Você realmente está bem?

Suspirei.

— Estou.

— Tem certeza?

— Tenho.

— Então por que parece que está com raiva de mim?

A pergunta me pegou. Eu não estava com raiva, eu estava magoada.

E havia uma diferença enorme entre as duas coisas.

— Não estou com raiva.

— Então?

Olhei para ele.

Por um segundo, pensei em contar.

Pensei em dizer que tinha ouvido tudo.

Que aquelas palavras tinham me incomodado.

Que eu não entendia por que ele dizia não ter interesse em mim enquanto continuava aparecendo todas as noites, mas não disse.

E na verdade ele não tem obrigação de sentir interesse em mim. Eu estava sendo imatura.

— Acho que só estou tentando me acostumar com as mudanças.

Edward assentiu lentamente.

— Entendo.

— Você deveria aproveitar sua casa nova.

Ele soltou uma pequena risada.

— Eu aproveito.

— Então por que está sempre aqui?

Silêncio.

Dessa vez, fui eu quem o deixou sem resposta.

Edward desviou o olhar.

— Sinto falta dessa casa.

— Mas você se mudou.

— Eu sei.

— Então...

Ele voltou a me olhar.

— Eu gosto de estar aqui.

Meu coração bateu forte.

— Por causa da sua família?

— Também.

A palavra ficou suspensa entre nós.

Também.

Eu não sabia se estava interpretando demais.

Provavelmente estava.

— Boa noite, Edward.

Levantei.

— Boa noite, Bella.

Subi as escadas antes que ele pudesse perceber o sorriso involuntário no meu rosto.

Naquela noite, fiquei muito tempo olhando para o teto.

Eu estava tentando entender o que estava acontecendo.

Edward tinha dito que não tinha interesse em mim.

Eu tinha ouvido.

Ele mesmo tinha deixado claro, mas então por que me olhava daquele jeito?

Por que se preocupava tanto comigo?

Por que tinha ido me buscar para uma entrevista?

Por que queria saber se eu estava bem?

E por que continuava aparecendo naquela casa?

Talvez Alice estivesse certa.

Talvez ele estivesse escondendo alguma coisa.

Mas eu não queria criar expectativas.

Já tinha aprendido da pior maneira possível o quanto era perigoso colocar minha felicidade nas mãos de outra pessoa, apesar de eu confiar muito nele.

Eu queria construir minha vida.

Queria um emprego.

Queria minha própria casa.

Queria voltar a ser a Bella que existia antes de tudo aquilo em Oklahoma.

E estava conseguindo.

Pouco a pouco.

Um passo de cada vez.

Só não sabia como encaixar Edward nessa nova versão da minha vida.

Talvez ele nem precisasse estar nela.

Talvez fosse melhor assim.

Mas, quando fechei os olhos, a primeira coisa que veio à minha mente foi o rosto dele.

O olhar dele.

Aquela noite na sala.

A aproximação.

A respiração dele tão perto da minha.

E a frase que ainda conseguia fazer meu coração disparar:

Se um dia eu beijar você, quero ter certeza de que você vai querer o beijo tanto quanto eu.

Abri os olhos.

— Droga.

Eu estava perdida.

Porque eu queria.

E talvez essa fosse a única coisa que eu não conseguia mais negar.

Eu queria aquele beijo.

Só não pretendia ser eu a pedir.

Talvez o mais estranho de tudo fosse que eu estava feliz.

De verdade.

Não aquela felicidade que eu fingia sentir para tranquilizar Alice e a família Cullen.

Era diferente.

Eu estava começando a sentir a minha própria vida novamente.

Durante dois meses , eu tinha funcionado no automático.

Acordar.

Fazer o que precisava ser feito.

Evitar problemas.

Evitar pessoas.

Evitar qualquer coisa que pudesse despertar uma reação que ele não gostasse.

Eu tinha esquecido como era acordar pensando no que eu queria fazer naquele dia.

Agora eu pensava em entrevistas.

Em roupas que poderia usar para trabalhar.

Em lugares onde poderia morar.

Em coisas que queria comprar com meu próprio dinheiro.

Até mesmo em coisas pequenas.

Um café em uma cafeteria.

Uma caminhada.

Um livro novo.

Uma tarde sem precisar explicar onde eu estava.

Parecia pouco, mas para mim, era enorme.

Eu estava viva.

A constatação veio de repente enquanto eu me arrumava para mais uma entrevista.

Eu me olhei no espelho.

Por muito tempo, eu tinha olhado para aquela garota e enxergado apenas alguém que precisava sobreviver.

Agora eu conseguia enxergar uma mulher tentando viver.

E havia uma diferença enorme entre as duas coisas.

Sorri para o meu reflexo.

— Você está voltando.

A entrevista daquela manhã foi boa.

Não sabia se conseguiria o emprego, mas saí do prédio com um sorriso no rosto.

Peguei o celular.

Tinha uma mensagem de Alice.

Alice: Como foi?

Bella: Acho que fui bem.

Alice: EU SABIA!

Ri sozinha na calçada.

Poucos minutos depois, outra mensagem apareceu.

Alice: Edward perguntou de você.

Meu sorriso desapareceu.

Meu coração, entretanto, resolveu acelerar.

Bella: Por quê?

Alice: Porque ele é curioso.

Bella: Só isso?

Alice demorou alguns segundos.

Alice: Bella...

Bella: O quê?

Alice: Você sabe.

Revirei os olhos.

Guardei o celular.

Eu não queria pensar nisso, mas pensar em Edward estava se tornando inevitável.

Naquela tarde, fui caminhar, sozinha, sem Alice, sem Edward e sem ninguém. Coloquei os fones e saí pelas ruas.

O vento batia no meu rosto e, pela primeira vez, não senti vontade de voltar correndo para algum lugar seguro.

Eu estava segura comigo mesma.

Talvez esse fosse o maior avanço de todos. Parei em uma cafeteria e pedi alguma coisa para beber.

Sentei perto da janela. Observei as pessoas passando.

Casais, famílias, pessoas indo trabalhar,outras simplesmente vivendo suas vidas e eu fazia parte daquilo.

Não estava escondida.

Não estava esperando alguém decidir meu próximo passo eu estava escolhendo.

Peguei meu celular e comecei a pesquisar apartamentos pequenos para alugar, nada luxuosos, mas meus.

A ideia fez meu peito aquecer.

Eu queria um lugar que tivesse a minha cara.

Uma cozinha pequena, uma sala confortável, talvez uma varanda e um quarto aconchegante.

Sorri.

Eu queria aquilo. Queria tanto que quase conseguia sentir o cheiro daquele lugar.

E percebi que fazia meses que eu não fazia planos para o futuro.

Agora fazia.

E isso me dava uma sensação maravilhosa.

Eu estava voltando a sonhar.

Quando cheguei na mansão , encontrei Alice sentada na sala.

— Você saiu sozinha?

— Saí.

Ela me olhou como se eu tivesse anunciado que tinha comprado uma casa.

— E?

— Foi bom.

— Só isso?

— Muito bom.

Sentei ao lado dela.

— Alice, eu acho que estou começando a ficar bem.

O sorriso dela desapareceu lentamente, dando lugar a uma expressão carinhosa.

— Eu sei.

— Não.

Balancei a cabeça.

— Acho que você não entende.

Segurei as mãos dela.

— Eu me sinto viva.

Alice ficou em silêncio.

— É estranho explicar.

Respirei fundo.

— Durante muito tempo eu só queria que os dias passassem. Agora eu quero que eles aconteçam.

Os olhos dela ficaram marejados.

— Bella...

— Eu quero trabalhar, quero ter minha casa, quero sair, quero conhecer lugares, quero rir, quero...

Parei.

— Quero sentir.

Alice apertou minhas mãos.

— E você está sentindo.

Sorri.

— Estou.

E então pensei em Edward.

Porque, infelizmente, ele fazia parte dessa descoberta. Ele foi crucial na minha forma de aceitar viver minha vida de novo. Toda a família Cullen, mas em especial ele e Alice.

— Até coisas que eu achei que nunca mais sentiria.

Alice sorriu de lado.

— Ah.

— Não começa.

— Eu não falei nada.

— Mas pensou.

Ela riu.

— Talvez.

Naquela noite, eu estava no quarto quando ouvi um carro chegando.

Olhei pela janela. O carro de Edward.

Meu coração deu um salto.

— Não.

Eu precisava parar com aquilo. Ele entrou na casa alguns minutos depois.

Ouvi vozes no andar de baixo, mas fiquei no quarto.

Não porque estivesse fugindo.

Pelo menos era isso que dizia para mim mesma.

Eu só não queria complicar as coisas.

Depois de algum tempo, ouvi passos na escada.

Pararam diante da minha porta.

Duas batidas.

Meu coração acelerou.

— Bella?

Fiquei alguns segundos em silêncio.

— Pode entrar.

A porta abriu.

Edward colocou a cabeça para dentro.

— Posso?

— Pode.

Ele entrou.

— Como foi a entrevista?

Sorri.

— Boa.

— Só boa?

— Muito boa.

— Isso é ótimo.

— É.

Ele me observou.

— Você está feliz.

— Estou.

— Dá para perceber.

Senti meu peito aquecer.

— Acho que estou começando a me sentir eu mesma novamente.

Edward ficou sério.

— Fico feliz por você.

— Obrigada.

Ele permaneceu parado perto da porta.

— E...

— E?

— Eu queria saber se você está mesmo bem.

— Estou.

— Não precisa mentir para mim.

Olhei para ele.

— Eu não estou mentindo.

Ele assentiu.

— Certo.

Ficamos em silêncio.

Eu poderia ter encerrado a conversa.

Mas não queria.

— Edward?

— Sim?

— Por que você vem aqui quase todas as noites?

Ele ficou imóvel.

Meu coração bateu mais rápido.

— Você percebeu?

— É difícil não perceber.

Ele sorriu discretamente.

— Eu gosto de vir aqui.

— Eu sei.

— Meus pais estão aqui.

— Eu sei.

— E você também.

Meu coração simplesmente parou.

Edward pareceu perceber o que tinha acabado de dizer.

— Eu quis dizer...

— Eu sei o que você quis dizer.

Ele me encarou.

Eu não sabia o que estava acontecendo naquele momento.

Só sabia que não queria que acabasse.

— Boa noite, Bella.

— Boa noite.

Ele saiu, fechei a porta e encostei nela.

E sorri.

Um sorriso enorme.

Porque, pela primeira vez, eu não estava pensando no passado.

Não estava pensando em Nathan.

Não estava pensando no medo.

Estava pensando no futuro.

E em Edward.

Talvez fosse perigoso.

Talvez fosse complicado.

Talvez só uma aventura de querer ficar com alguém.

Mas era real.

E eu estava viva o suficiente para sentir tudo aquilo.


Na manhã seguinte, recebi um e-mail.

Abri com as mãos tremendo, era uma resposta de uma das empresas.

Queriam uma segunda entrevista.

Meu coração disparou.

— Meu Deus.

Levantei da cama. Comecei a andar pelo quarto.

Eu tinha conseguido, talvez não fosse o emprego ainda.

Mas era um começo.

Peguei o celular.

Meu primeiro impulso foi mandar mensagem para Alice.

O segundo foi mandar para Edward.

Fiquei olhando para o nome dele.

Pensei alguns segundos.

E mandei.

Bella: passei para segunda fase da entrevista daquela empresa enorme.

A resposta veio poucos minutos depois.

Edward: Eu sabia que conseguiria.

Sorri.

Bella: Você sempre fala isso.

Edward: Porque você sempre consegue.

Fiquei olhando para aquela frase.

Era simples, massignificava muito.

Bella: Obrigada por acreditar em mim.

Demorou um pouco.

Edward: Sempre.

Meu coração apertou. Coloquei o celular contra o peito.

E ri sozinha.

Eu estava feliz, assustada, ansiosa, confusa, tudo ao mesmo tempo, mas estava sentindo.

E talvez fosse exatamente isso que eu precisava.

Sentir.

Os dias seguintes passaram rapidamente e eu continuei fazendo entrevistas.

Alice me ajudava a escolher roupas, Esme fazia perguntas sobre cada empresa, Carlisle me encorajava.

E Edward...

Edward continuava aparecendo, as vezes conversávamos as vezes não.

Mas havia sempre aquele olhar.

Aquela tensão silenciosa.

A sensação de que alguma coisa estava sendo construída entre nós sem que nenhum dos dois tivesse coragem de admitir.

Eu não o provocava mais.

E ele também não fazia isso comigo.

Era quase pior.

Porque agora, quando nossos olhos se encontravam, não havia brincadeira para esconder aquilo.

Havia apenas nós dois.

E eu começava a entender que talvez o beijo que ele não tinha me dado não fosse o fim de alguma coisa.

Talvez fosse o começo.

Porque, se ele tivesse me beijado naquela noite, talvez eu tivesse confundido tudo.


A resposta chegou numa terça-feira de manhã.

Eu estava sentada à mesa do café, com uma xícara entre as mãos, tentando me convencer de que não precisava conferir o celular pela décima vez. Então ele vibrou.

Meu coração disparou.

Peguei o aparelho imediatamente.

Abri o e-mail, li uma vez, depois outra e uma terceira, porque meu cérebro parecia incapaz de acreditar no que estava escrito.

Eu tinha conseguido.

Eu tinha conseguido o emprego.

Por alguns segundos, fiquei completamente imóvel.

Então um sorriso surgiu no meu rosto.

Um sorriso tão grande que minhas bochechas começaram a doer.

— Eu consegui — sussurrei.

Esme, que estava do outro lado da mesa, levantou os olhos.

— O quê?

Olhei para ela.

— Eu consegui o emprego.

Ela levantou tão rápido que quase derrubou a cadeira.

— Bella!

Ela veio até mim e me abraçou.

Eu ri.

Ri de verdade.

Apertei ela com força e senti meus olhos se encherem de lágrimas.

Não eram lágrimas de tristeza.

Eram de alívio, de orgulho, de felicidade.

Eu tinha conseguido.

Depois de tudo.

Eu estava conseguindo reconstruir minha vida.

— Eu estou tão orgulhosa de você — Esme sussurrou.

Fechei os olhos.

— Eu também estou.

E aquilo era uma coisa que eu não dizia havia muito tempo.

Eu estava orgulhosa de mim.

Não porque alguém tinha me escolhido.

Não porque alguém tinha permitido.

Mas porque eu tinha ido atrás.

Eu tinha enviado currículos.

Tinha entrado em prédios desconhecidos.

Tinha respondido perguntas.

Tinha enfrentado o medo.

E agora tinha uma oportunidade.

Um emprego, uma rotina, um futuro.

Meu futuro.

Quando Esme finalmente me soltou, olhei para o celular novamente.

Meu primeiro pensamento foi Alice.

O segundo foi Edward.

E, antes que pudesse pensar demais, abri a conversa dele.

Fiquei alguns segundos olhando para o campo de mensagem.

Bella: Consegui.

Apaguei.

Escrevi novamente.

Bella: Eu consegui o emprego!

Enviei.

Meu coração começou a bater mais rápido.

A resposta chegou quase imediatamente.

Edward: Eu sabia.

Sorri.

Bella: Nem perguntou qual emprego.

Edward: Não preciso. Você conseguiu.

Mordi o lábio para conter o sorriso.

Bella: Começo na próxima segunda.

Edward: Isso é incrível, Bella. Parabéns.

Fiquei olhando para aquelas palavras.

Era estranho como uma mensagem tão simples conseguia me deixar tão feliz.

Bella: Obrigada.

Ele demorou alguns segundos.

Edward: Você está feliz?

Olhei ao redor.

Esme ainda sorria para mim.

A luz da manhã entrava pela janela.

Meu peito estava leve.

— Sim — murmurei.

Digitei:

Bella: Muito.

A resposta dele demorou um pouco mais dessa vez.

Edward: Então eu também estou.

Meu sorriso desapareceu por um segundo.

Não porque eu estivesse triste.

Muito pelo contrário.

Meu coração simplesmente não sabia o que fazer com aquilo.

Bella: Vou ter que comemorar.

Edward: Você merece.

Bella: Talvez eu compre alguma coisa.

Edward: Alguma coisa?

Bella: Uma roupa nova. Para o primeiro dia.

Edward: Posso te ajudar a escolher.

Arregalei os olhos.

Bella: Você?

Edward: Por que não?

Sorri.

Bella: Você não parece entender muito de roupas femininas.

Edward: Tenho Alice como irmã. Fui treinado contra a minha vontade.

Ri.

Bella: Isso explica muita coisa.

Edward: Então está combinado.

Bella: Está?

Edward: Sim. Vou te ajudar a escolher a roupa do seu primeiro dia.

Meu coração acelerou.

Não era um encontro.

Não deveria ser.

Era apenas Edward sendo gentil.

Mesmo assim, senti aquela velha sensação no peito.

Aquela sensação que eu tinha começado a reconhecer.

Expectativa.

Mais tarde, contei para Alice.

Ela apareceu na minha frente quase uma hora depois.

— EU SABIA!

— Você sabia que eu conseguiria?

— Também.

Ela me abraçou.

— Estou tão feliz por você!

— Eu também.

— E Edward?

Parei.

— O que tem ele?

— Você contou?

— Contei.

Alice sorriu.

— E?

— Ele ficou feliz.

— Só isso?

— Alice...

— Bella.

Revirei os olhos.

— Ele disse que está feliz porque eu estou feliz.

Ela colocou a mão no peito.

— Isso é tão fofo.

— Não começa.

— Eu nem comecei.

Sentei no sofá.

— Ele também disse que vai me ajudar a escolher uma roupa para o primeiro dia.

Alice ficou em silêncio.

— O quê?

— Nada.

— Alice.

Ela abriu um sorriso.

— Meu irmão está perdido.

— Ele só está sendo gentil.

— Claro.

— Está mesmo.

— Bella, você pode continuar tentando convencer a mim.

Ela se aproximou e segurou meu rosto.

— Mas não precisa tentar convencer você mesma.

Fiquei quieta, porque talvez ela tivesse razão.

Naquela noite, fiquei algum tempo no meu quarto pensando em tudo que tinha acontecido.

Meses atrás, eu não conseguia imaginar um futuro.

Agora eu tinha um emprego.

Tinha planos.

Tinha sonhos.

Tinha pessoas ao meu lado que me amavam.

E tinha aquela sensação estranha e maravilhosa de que minha vida estava finalmente começando novamente.

Eu estava viva.

Mais do que isso.

Eu estava ansiosa pela vida.

Ansiosa pelo meu primeiro dia de trabalho.

Ansiosa pela minha independência.

Ansiosa para descobrir quem eu seria daqui a alguns meses.

E, embora não quisesse admitir...

Também estava ansiosa para ver Edward.

Talvez porque ele tivesse se tornado parte daquele novo capítulo.

Não como alguém que salvaria minha vida.

Eu não precisava ser salva.

Mas como alguém que me fazia sentir coisas que eu acreditava ter perdido.

Quando pensei nisso, sorri.

Eu não sabia onde aquilo iria terminar.

Talvez não desse em nada.

Talvez Edward continuasse insistindo que eu era apenas a amiga da irmã dele.

Talvez ele nunca me beijasse.

Talvez aquele momento na sala tivesse sido apenas uma fraqueza.

Mas, pela primeira vez, eu não precisava saber.

Eu podia simplesmente viver.

E, depois de tudo que tinha passado, poder olhar para o futuro sem medo já era uma vitória enorme.

Peguei o celular.

Havia uma nova mensagem.

Edward: Boa noite, Bella. E parabéns novamente.

Sorri.

Bella: Boa noite, Edward. Obrigada por acreditar em mim.

A resposta apareceu quase imediatamente.

Edward: Sempre vou acreditar.

Coloquei o celular sobre o criado-mudo.

Deitei.

Fechei os olhos.

E, naquela noite, dormi sorrindo.

Porque amanhã ainda seria apenas mais um dia.

Mas, pela primeira vez em muito tempo, eu estava ansiosa para descobrir o que ele poderia trazer.

Meu celular vibrou no começo da tarde.

Olhei para a tela e sorri quando vi o nome de Edward.

Edward: Vai fazer alguma coisa hoje à noite?

Fiquei alguns segundos pensando no que responder.

Bella: Depende. Por quê?

A resposta veio quase imediatamente.

Edward: Quero te mostrar uma coisa.

Bella: O quê?

Edward: Minha academia.

Arregalei as sobrancelhas.

Bella: Tinha me esquecido dessa academia.

Edward: Imaginei.

Bella: E você quer me mostrar, então?

Edward: Isso que eu acabei de dizer.

Revirei os olhos.

Bella: E o que você quer que eu faça lá?

Edward: Lutar comigo.

Sorri.

Bella: Achei que você tinha desistido de me treinar.

Edward: Nunca disse isso. Você negou por uns dias. Está com medo, Swan?

Bella: Você está me desafiando?

Edward: Talvez.

Mordi o lábio, tentando esconder o sorriso.

Bella: Aceito.

A resposta demorou alguns segundos.

Edward: Ótimo. Traga roupa para treinar.

Depois veio outra mensagem.

Edward: E roupa para tomar banho.

Parei.

Meu coração deu um pequeno salto.

Antes que eu pudesse responder, outra mensagem apareceu.

Edward: Depois da luta podemos tomar um vinho. Comemorar seu emprego.

Sorri.

Bella: Você está me convidando para beber vinho na sua casa?

Edward: Estou.

Bella: Ta bom.

Edward: Aceita?

Bella: Sim.

Edward: Então está combinado. É bom que você conhece minha casa, que estava tão curiosa.

Bella: Obviamente, quero conhecer sua mansão misteriosa.

Edward: Combinado.

Joguei o celular na cama e fiquei olhando para o teto.

Eu estava empolgada.

Muito mais do que deveria.

Era apenas uma noite de treino.

Uma luta.

Um vinho.

Nada demais.

Pelo menos era isso que eu tentava convencer a mim mesma.

Edward ia me buscar, mas Carlisle me levou.

Quando cheguei à casa do Edward naquela noite, ele já estava esperando.

— Oi.

— Oi.

Ele abriu um sorriso.

— Você trouxe tudo?

— Tudo.

— Inclusive a roupa para depois?

Olhei para ele.

— Inclusive.

Ele sorriu de lado.

— Então venha.

Segui Edward pela casa até uma porta que eu ainda não tinha visto.

Quando ele abriu, fiquei surpresa.

— Meu Deus.

A academia era enorme. Imagine quando me mostrasse a casa toda.

Tinha tatames, sacos de pancada, aparelhos e espaço suficiente para uma pequena academia profissional.

— Você realmente não economizou.

— Eu gosto de treinar.

— Estou começando a perceber.

Ele caminhou até o centro.

— Então?

— Então o quê?

— Vai desistir?

Ri.

— Nem pensar.

Começamos devagar.

Alguns movimentos básicos.

Defesa.

Esquiva.

Ataque.

Eu já tinha aprendido bastante nas últimas semanas, mas lutar com Edward era diferente.

Ele era muito mais experiente.

— Está melhor — ele disse.

— Eu sei.

— Convencida.

— Você que me ensinou.

Ele sorriu.

Continuamos.

Em determinado momento, tentei acertá-lo.

Ele desviou.

Tentei novamente.

Ele segurou meu braço.

— Muito lenta.

— Ah, é?

Tentei me soltar.

Ele não deixou.

— Edward.

— O quê?

— Solta.

— Você precisa aprender a sair disso.

— Eu sei.

Usei o movimento que ele tinha me ensinado.

Dessa vez, consegui me soltar.

— Viu?

Ele sorriu.

— Muito melhor.

— Eu disse.

Dei um passo para trás.

— Agora eu vou bater em você.

Edward arqueou uma sobrancelha.

— Vai?

— Vou.

— Então tente.

Sorri.

Avancei.

Ele desviou.

Tentei novamente.

Ele bloqueou.

— Você está fazendo de propósito — reclamei.

— Faz parte do treino.

— Mentira.

Ri e avancei outra vez.

Dessa vez consegui acertá-lo de leve no ombro.

— Peguei!

Ele olhou para o próprio ombro.

Depois para mim.

— Você está morta.

— Por quê?

— Porque acabou de me acertar.

Comecei a rir.

— Foi você quem mandou.

— Agora aguente.

Ele avançou.

Eu tentei recuar, mas ele foi mais rápido.

Em poucos segundos, estava imobilizada.

Meu corpo caiu sobre o tatame e Edward ficou acima de mim, segurando meus braços com cuidado.

O sorriso desapareceu dos nossos rostos.

Ficamos imóveis.

Perto demais.

Meu coração começou a bater descontroladamente.

Edward me olhava.

Eu olhava para ele.

A respiração dele estava tão próxima que eu conseguia senti-la.

Nenhum de nós parecia lembrar que aquilo era apenas uma luta.

Os olhos dele desceram para minha boca e para o meu decote.

Meu coração acelerou ainda mais.

Ele afrouxou o aperto imediatamente.

— Tudo bem?

Minha voz saiu baixa.

— Sim.

Ele não se afastou de imediato.

Por um instante, achei que ele fosse fazer alguma coisa.

Mas Edward respirou fundo e se levantou.

Estendeu a mão para mim.

— Acho que chega por hoje.

Peguei sua mão.

— Você está fugindo?

Ele sorriu.

— Estou evitando problemas.

— Covarde.

Ele riu.

— Vá tomar banho.

— Você também.

— Eu sei.

Ele apontou para uma porta.

— Tem banheiro ali, mas se quiser, pode usar um dos quartos. Eu te espero lá embaixo.

Depois do banho, coloquei o vestido que tinha levado.

Era curto, mas simples.

Arrumei os cabelos rapidamente e desci.

Quando entrei na sala, Edward estava perto da mesa colocando duas taças de vinho.

Ele levantou os olhos e parou.

Fiquei alguns segundos parada.

— O quê?

— Nada.

Mas ele continuou olhando.

Sorri de canto.

— Você está olhando.

— Estou.

A resposta me pegou desprevenida.

— Por quê?

Edward desviou os olhos.

— Porque você está linda.

Meu coração disparou.

— Obrigada.

Ele puxou a cadeira para mim.

— Sente-se.

Sentei.

Ele serviu o vinho.

— Ao seu emprego.

Ergui minha taça.

— Ao meu emprego.

Bebemos.

Edward não havia terminado uma taça ainda, mas eu já estava na segunda.

— Você não gosta muito de vinho.

— Prefiro Whisky, mas sei que você gosta de vinho, então prefiro acompanha-la, mas não exagere.


Conversamos sobre coisas aleatórias.

Meu trabalho.

Alice.

Jasper.

Emmett.

A academia.

Até discutimos sobre quem tinha vencido a luta.

— Eu deixei você ganhar — Edward disse.

— Claro que deixou.

— Foi exatamente isso.

— Então eu posso contar para todo mundo que venci você?

— Não abuse.

Ri.

A noite estava leve.

Eu estava confortável.

Feliz.

E então me lembrei de uma coisa.

— Edward?

— Hm?

— Eu preciso resolver uma coisa.

Ele ficou atento.

— O quê?

— Nathan.

A expressão dele mudou.

— O que tem ele?

— Eu estava pensando em ir para Oklahoma.

— Para quê?

— Para denunciá-lo.

Edward ficou alguns segundos em silêncio.

— Você tem certeza disso? Não quero que se sinta pressionada.

— Tenho certeza. Já passou da hora.

— Mas você não precisa ir até Oklahoma para fazer isso.

Franzi a testa.

— Não?

— Não.

Ele colocou a taça sobre a mesa.

— Você pode fazer a denúncia daqui, em Nova York.

— Tem certeza?

— Tenho.

— Mas não seria melhor fazer pessoalmente?

— Bella, você não precisa voltar para o lugar de onde fugiu para provar que está enfrentando o que aconteceu.

Fiquei em silêncio.

— Se podemos resolver isso daqui, é melhor.

Pensei por alguns segundos.

Ele tinha razão.

Eu não queria voltar para Oklahoma.

Não se não fosse necessário.

Eu já detestava a ideia de rever Nathan.

— Acho que você está certo.

Edward sorriu levemente.

— Então fica em Nova York.

— Fico.

— E deixa a parte jurídica com quem entende disso.

— Está bem.

Respirei fundo.

Era como se um peso tivesse acabado de sair dos meus ombros.

— Obrigada.

— Pelo quê?

— Por me fazer perceber que eu não precisava ir até lá.

Ele me olhou.

— Eu só quero que você fique segura.

Meu coração acelerou.

O silêncio voltou.

— Você ainda não me mostrou a mansão.

Edward ergueu os olhos para mim.

— Achei que você estivesse satisfeita com o vinho.

— Estou, mas fiquei curiosa.

— Sobre a mansão?

— Sobre o que você está escondendo de mim.

Ele soltou uma risada baixa.

— Você sempre precisa transformar tudo em provocação?

— Só quando funciona.

Levantei-me.

Edward fez o mesmo.

E então ficamos frente a frente.

Perto demais.

O sorriso dele desapareceu aos poucos.

Seus olhos percorreram meu corpo sem pressa, demorando-se onde eu sabia que não deveriam.

Na minha boca.

Senti meu estômago se contrair.

— Nem pense nisso — murmurei.

Uma sobrancelha dele se ergueu.

— Pensar em quê?

— Você sabe.

— Não tenho tanta certeza.

— Edward.

O sorriso voltou.

Dessa vez, carregado de uma arrogância que me irritou quase tanto quanto me afetou.

— Está com medo de que eu faça alguma coisa? Quem bebeu duas taças de vinho foi você.

— Não.

— Então por que está tão nervosa?

— Porque eu não vou deixar você me beijar.

Ele ficou em silêncio por um segundo.

Então soltou uma risada baixa.

— Não vai?

— Não.

— Interessante.

— O que é tão interessante?

Ele deu um passo na minha direção.

— Você está dizendo isso como se fosse uma decisão sua.

— E é.

— Claro.

O tom de deboche me fez estreitar os olhos.

— Está rindo de mim?

— Um pouco.

— Você é insuportável.

— E você está mentindo.

Meu sorriso desapareceu.

— Não estou.

Edward se aproximou mais um pouco. Seus olhos pareciam famintos. Ele me olhava sem pudor.

— Está, sim.

— Sobre o quê?

Ele inclinou a cabeça.

— Sobre não querer que eu beije você.

Fiquei em silêncio.

— Você sabe o que quer, Bella — continuou ele, a voz mais baixa. — E eu sei exatamente o que quero.

— Tem muita certeza de si mesmo.

— Nesse caso?

Os olhos dele desceram novamente para minha boca.

— Tenho.

Meu coração acelerou.

— Você não pode simplesmente presumir que eu quero.

— Não estou presumindo.

Ele se aproximou até ficar a poucos centímetros de mim.

— Estou olhando para você.

Aquela resposta me deixou sem palavras.

Edward não me tocou.

Não ainda.

Apenas ficou ali, deixando que eu decidisse se queria diminuir aquela distância ou não.

E esse foi o problema.

Porque eu não me afastei.

Ele percebeu.

É claro que percebeu.

Um sorriso lento apareceu em seus lábios.

— Está vendo?

— Não diga nada.

— Eu nem disse.

— Mas está pensando.

— E você também.

Desviei o olhar por um segundo.

Foi o suficiente para que ele sorrisse.

— Você ainda está lembrando daquela vez?

Meu olhar voltou para o dele.

— Que vez?

— Da vez em que você me pediu um beijo.

Meu rosto esquentou.

— Você recusou.

— Recusei. Você era uma menina. Eu não olhava para você igual olho hoje.

— E como você me olha hoje?

— Você sabe.

— Posso ver.

— Mas acho curioso que você ainda esteja tentando me punir por isso.

Ele parecia me ler.

— Talvez eu esteja.

Ele inclinou o rosto, quase tocando o meu e sussurrou no meu ouvido.

— Então me puna.

Meu coração disparou.

— Como?

— Não me beije. Eu não vou tocar em você sem sua permissão. Se não quiser, vai ter que se afastar de mim.

O desafio ficou suspenso entre nós.

Eu poderia ter me afastado.

Não fiz isso.

Edward sorriu de leve.

— Foi o que pensei.

— Não fique tão convencido.

— Não estou convencido.

Sua mão finalmente tocou meu rosto.

Devagar.

Com cuidado.

— Só acho que nós dois sabemos o que você quer tanto quanto eu.

Minha respiração falhou.

— E o que eu quero?

Ele não respondeu.

Apenas deixou os olhos encontrarem os meus uma última vez.

Então tomou meus lábios.