Meu Gêmeo Favorito (Versão 1.0)
35 O Fugitivo
Notas iniciais
Capítulo 35 — O Fugitivo
Pov. Duncan
Estava no Central Park, deitado na grama. O carro estava amassado em algum lugar por aí, mas quem liga? Estava com um corte na testa, mas quem liga? Quem liga quando pessoas que você ama podiam ter morrido por uma simples bobagem de uma estúpida filha de Atena? Quem ela pensa que é? Que raiva!
Estava xingando mentalmente de olhos fechados Annabeth quando uma sombra pairou em mim.
– Quem é e o que quer? – perguntei de mal humor.
– É assim que você trata quem te ama? – indagou.
– Se for a Annabeth sim. – respondi ainda de olhos fechados.
– Sente-se – ordenou.
– O que exatamente você quer, Malena?
– Como sabe que sou eu?
– Reconheço sua voz a quilômetros de distância. – respondi abrindo os olhos – E você? Como sabia que eu estava aqui?
– Eu conheço você e, sei que o seu lugar preferido em Nova York é o Central Park. – explicou sorrindo – Vamos sentar aí, limpar esse sangue na sua testa enquanto você me explica o que aconteceu.
Então eu disse que enquanto estava dirigindo furei algumas preferenciais e sinais vermelhos e, em uma dessas vezes, um caminhão atingiu o carro, viajei nas sombras na hora, mas o vidro estourou e ainda sim um caco conseguiu atingir minha testa.
De repente, comecei a ser estapeado pela loira a minha frente.
– Seu, seu... Idiota – disse em meio aos tapas – Você podia ter morrido, sabia? Idiota, idiota, idiota, idiota...
– Já entendi, okay? – falei segurando seus pulsos – Desculpa te assustar.
– Só desculpo se você for falar com a Annie.
– Ah não. Isso eu não faço. Você podia ter morrido. Eu me preocupo muito contigo, se eu perdesse você não sei o que eu iria fazer.
– Aaaaawwnn gente! Alguém está filmando isso? – brincou ela e me deu um selinho – Mas você sabe né... Temos que voltar logo pro apartamento, podem aparecer mais monstros.
– Você está certa, mas... Como vamos voltar? O carro foi destruído.
– Viagem nas sombras? – sugeriu.
– Nope, estou meio tonto, é capaz de pararmos na Índia. – falei – Hmmm... Já sei.
– Já sabe o que?
– Vamos voar!
– Como? Você é filho de Zeus também por acaso? – perguntou.
– Não. Mas eu tenho um plano. Pode nos causar problemas, mas tudo bem. – respondi – Vou estourar todos os encanamentos pelo caminho e nos impulsionar com jatos d’água.
– Eu não acho...
– Acha nada. – a cortei – Vem!
Puxei Malena pela mão e fomos a um beco. Paramos bem em cima do bueiro do esgoto.
– Esgoto Duncan? – resmungou ela – Francamente...
Mas ela não teve tempo de terminar a frase. Estourei a tampa do esgoto e peguei Malena em meu colo, logo em seguida estourei o encanamento do quarteirão inteiro, criei uma espécie de caminho de água flutuante, fiz da tampa de bueiro uma prancha e impulsionei-nos para frente.
– Seu louco! – gritou Malena.
– Pode admitir, você está gostando. – falei e ela apenas riu e gritou mais.
Estávamos a um quarteirão do apartamento quando ouvi sirenes de polícia.
– Ops! – Exclamei.
– Eu falei que não era uma boa ideia. – gritou Malena
Aumentei a velocidade e fui tentando ao máximo desviar dos policiais, mas em vão.
– O que eles têm contra voar? – indaguei – Recalque?
– Também – respondeu Malena – Mas provavelmente eles tem muita coisa contra estourar encanamentos.
– Pelo menos a gente vai aparecer na televisão, olha – falei apontando para a equipe jornalística que estava por ali – Meu cabelo está bom?
– Mais concentração em fugir e menos cabelo por favor.
– Sim senhora!
Virei a esquina e encontrei mais policiais. Sobrevoei-os rapidamente e já podia avistar o apartamento.
– Quase lá – murmurei
Quando estava a 50 metros do prédio senti algo gelado, metálico e pequeno penetrar em minhas costas e atravessar meu abdômen. Senti uma dor aguda e gritei.
Só me lembro de criar uma bolha protetora para Malena e deixá-la segura antes de cair.
Pov. Percy
Mais ou menos uma hora depois de Malena ter saído atrás de Duncan, minha mãe veio correndo na sala e parecia desesperada.
– Liguem a TV, agora! – exclamou ela.
Peguei o controle rapidamente e liguei a televisão. Estava passando uma espécie de perseguição policial no jornal.
– Ah meu Zeus! – gritou Annabeth – É o Duncan ali?
– Puta merda! É. – falei – “Helicóptero taca o terror”. Pelo menos a Névoa está ajudando.
“A polícia neste momento está tentando conter os terroristas.” – Disse o jornalista. – “Acabei de receber a informação que a polícia atingiu os terroristas e o helicóptero está caindo no momento. Não a nada mais que se preocupar. A ameaça não existe mais. Voltamos com mais notícias após os comerciais.”
– Ele foi atingido! – exclamou minha mãe – Ah meu Deus.
– O que foi que eu fiz? – murmurou Annie – Eu sou a pior pessoa do mundo.
– Vamos ser as piores pessoas do mundo se continuarmos aqui e não formos ajudar. – falei – Ele está aqui perto.
Então eu, Annabeth e minha mãe saímos correndo quase imediatamente para fora do apartamento. Havia uma grande confusão na quadra logo ao lado, polícia por todos os lados e curiosos tentando ver o que acontecia. A rua estava encharcada. E no centro da confusão estava meu irmão, caído, com um furo na barriga. Por algum acaso a multidão estava longe, parecia que havia uma barreira o protegendo. Ainda bem, a última coisa que quero são policiais em volta de Duncan. Malena que estava ao lado dele nos avistou e veio correndo até nós.
Annabeth deu um passo a frente e a abraçou com força.
– Não foi sua culpa. – pude ouvir Malena dizer à ela.
– Melhor ajudarmos ele. – disse Annabeth.
– Vamos chamar o samu. – falou Malena.
– Boa ideia – apoiou minha mãe.
– M-mas... Ele é um – falei, porém fui cortado por Annabeth
– Duncan foi baleado por uma arma mortal, melhor os médicos mortais resolverem isso.
– Já estão vindo. – disse minha mãe após desligar o telefone.
Após tirarem Duncan do chão pude ver o quanto de sangue ele perdeu. Espero que ele fique bem. Eu e Annabeth fomos ao carro, com minha mãe dirigindo até o hospital. Malena resolveu ir como acompanhante na ambulância, então já deveria estar chegando lá.
~//~
A bala perfurou o intestino de Duncan, então ele teve que ser levado para cirurgia. É rapaz! Bala de sniper não é brincadeira. A polícia estava armada mesmo. Pelo menos essa confusão já foi resolvida. Valeu Névoa!
– A cirurgia acabou e ocorreu tudo bem, Duncan está no quarto, podem entrar já.- disse o médico depois de cinco horas de cirurgia.
– Como ele está? – perguntei
– Bem, ainda está dopado por causa da anestesia, em breve acordará. Quarto 314.
Malena foi a primeira a levantar e sair correndo. Eu ia falar que era um hospital e que não deveria correr, mas fiz o mesmo, arrastando minha mãe e Annabeth junto.
Entramos no quarto e Malena estava agarrada em Duncan.
– Vai com calma! – falei – Ele acabou de passar por uma cirurgia, não vai querer passar por outra.
– Quem vai ter que passar por uma cirurgia vai ser você Pequena Sereia. – rosnou ela
– Ui, ela morde! – exclamei
– Ela morde e arranca pedaço inclusive. – retrucou
~//~
Pov. Duncan
Acordei e estava em um hospital. Primeiro pensei o que diabos eu estou fazendo internado num hospital? Aí lembrei que havia levado um tiro. Caralho, o tiro!
Passei a mão na minha barriga e encontrei ataduras.
O relógio marcava quatro da manhã.
Malena dormia no sofá. Coitada, devia estar ali à noite toda.
Sentei-me na cama e arranquei as agulhas enfiadas em meu corpo.
Pulei da cama e dei um beijo na testa de Malena cuidando para não acordá-la. Vi roupas dobradas em cima de uma cadeira.
“Roupas pro Duncan, beijos Sally”
Que fofo, Sally trazendo roupas pra mim. Estava precisando, sair com camisola do hospital não dá muito certo. A não ser que você queira que outros te achem louco que acabou de sair do hospício.
Fui ao banheiro e tirei as ataduras. Uou! Estrago legal. Havia uma fileira de pontos gigante. Já posso ser o Frankenstein. Tentei me dobrar um pouco e tive que morder meu braço pra não soltar um grito de dor.
– Esses pontos vão sair já. – sussurrei pra mim mesmo – É hora do lado Duncan psicopata louco entrar em ação.
Uma garrafa me chamou atenção na prateleira.
“Caso haja dor.
Do deus do Sol mais bonito.”
Era o que dizia no bilhete grudado na garrafa.
Vai haver dor. Ô se vai.
Voltei ao quarto e arranquei a agulha do fio do soro.
Alguma coisa afiada: Ok.
Tirei a camisola do hospital e coloquei calças. Em seguida enfiei a camisola em minha boca.
Alguma coisa pra abafar os gritos: OK.
Tranquei a porta do banheiro e me preparei para a retirada dos pontos.
Estourei a emenda do primeiro e puxei. Mordi a camisola com força. Droga. Se o primeiro doeu assim, imagina os outros.
Resolvi ser radical. Estourei todos os pontos e os deixei a formar somente um fio contínuo, formando uma reta.
Se for pra doer, que doa de uma vez.
Segurei na pontinha do fio e puxei com tudo até o fio sair completamente de minha pele.
Isso mesmo Duncan. Honre o pinto que você tem.
Não sei como a camisola não rasgou ainda. Lágrimas de dor escorriam de meus olhos. Abri rapidamente a garrafa e despejei o líquido em minha barriga. Alívio imediato. Meu abdômen amorteceu e tentei me mexer. Sem dor. Ótimo.
Obrigado Apolo, quem sabe um dia eu faça um haicai pra você.
Joguei todas as “evidências do crime” fora e vesti minha camiseta.
– Desculpa, não me mate. – sussurrei e saí do quarto.
Quase seis da manhã. É bom ter uma loja de música aberta a essa hora.
LEIAM AS NOTAS FINAIS! VLW
Fale com o autor