Meu Gêmeo Favorito (Versão 1.0)
11 Duncan, Eu Sou Seu Pai
Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS INICIAIS, MUITO IMPORTANTE!
Capítulo 11 – Duncan, Eu Sou Seu Pai
Quíron puxou Duncan para minha mãe poder enxergá-lo. Ela levou a mão a boca, vi uma lágrima escorrer e por fim disse num fio de voz:
– Você deveria estar morto.
– O-o que? Eu mo-morto? – gaguejou Duncan – E quem é você? – perguntou parando com a gagueira.
– Ah, Duncan querido... Eu sou sua mãe.
– O que? – indaguei confuso – M-mas... Como?
– Senhora Jackson, — disse Quíron – poderia esclarecer a situação aos cavalheiros?
– Bem, só para confirmar, você foi adotado, não foi Duncan? – Começou minha mãe e o garoto confirmou. – Eu não acredito que você está vivo, Poseidon tinha dito... – balançou a cabeça e continuou – Ok, vamos voltar quando descobri que estava grávida para vocês compreenderem.
“Fui um dia ao médico porque não estava me sentindo bem, ele fez alguns exames e descobri que estava grávida. Fiquei super feliz e logo Poseidon ficou sabendo da notícia, eu acho que ele ficou mais bobo que eu. Uma semana depois fui fazer o primeiro ultrassom e descobri que estava grávida de gêmeos! Quando descobri que estava esperando dois meninos, foi a hora de escolher os nomes. Poseidon deu a idéia de colocar o nome de algum herói grego bem sucedido. Escolhi Perseu. Mas também queria um nome mais normal, mais comum dentre os mortais, então escolhi Duncan.”
Minha mãe já estava em prantos nesse momento.
“Quando vocês nasceram, a enfermeira os levou direto para fazer os testes, nem pude ao menos vê-los e tocá-los. Apolo estava por lá, para cuidar do parto e tudo o mais, afinal eram dois semideuses, monstros podiam atacar a qualquer momento. Em um momento, Apolo chamou Poseidon para mostrar algo. Poseidon voltou chorando ao quarto. Ele me contou que o pequeno Duncan foi capturado por um monstro e provavelmente aquela altura, já estaria morto. Poseidon ainda tentou rastrear onde Duncan estava, mas em vão. Ele decidiu então ficar forte por Percy.”
– E desde aquele dia, eu achei que você estava morto, mas você está bem aí. Está tão grande, nem parece que só tem 17 anos. Espero que se de bem com seu irmão Percy, o mesmo pra você Duncan. Estarei aí no Acampamento amanhã.
– Será sempre bem-vinda Sra. Jackson. – Disse Quíron terminando a Mensagem de Íris.
Estava em estado de choque e pelo visto Duncan também.
Como por esse tempo todo eu tinha um irmão e nem sabia? E por que minha mãe nunca me contou essa história?
Preciso programar minha mente para não pirar como quando descobri que Tyson era meu meio-irmão. Meio-irmão. Meio. Se eu pirei por um meio, imagina por um irmão inteiro, parte de pai e de mãe.
Saí de minha paranóia quando Annabeth disse em meu ouvido:
– Vai lá falar com ele. Sei que você está confuso, mas ele está bem mais. Ele acabou de descobrir que é um semideus e conhecer a mãe biológica. Vai lá.
– Hã? O que? M-mas... Como...?
– Deixa de ser lerdo. – disse Annabeth
Respirei fundo e fui andando devagar na direção de Duncan. Parei em sua frente e estendi a mão. Depois de alguns segundos ele a apertou. Uma corrente elétrica passou pelo meu corpo.
– Sou Percy – disse.
– Duncan – respondeu.
Soltamos as mãos e ficamos nos encarando. Podia ouvir as batidas do meu coração, cada vez mais rápidas. Para tentar quebrar a tensão perguntei:
– Por acaso você tem Jackson no nome? Tipo, você é Duncan...
– Por acaso eu tenho. – tirou um cartão do bolso – Meu nome completo é Duncan Jackson Martins Moretto. O Martins e o Moretto por parte de meus pais adotivos, o Jackson, agora eu sei, por parte da sua mãe. – sua. Ele não vai acostumar tão cedo que agora têm outra mãe.
– Mas você tinha se apresentado como Duncan Martins Moretto, sem o Jackson. – Indagou Reyna. Nem tinha percebido que Reyna e Jason ainda estavam ali.
– Digamos que eu sempre usei os nomes de meus pais adotivos pra não ficar estranho. O Jackson normalmente eu uso já que sou menor de idade, pra fazer algumas coisas... – Eu estava tentando ser simpático, mas já não gostei dessa atitude de fazer coisas.
É, a paranóia começou.
Comecei a questionar se ele era realmente confiável com todos aqueles pierings na cara.
“Isso é preconceito Percy, não é porque ele tem a cara furada que ele é mau.”
Eu sei. Mas já conheci caras que são assim e não eram confiáveis.
Vou ficar de olho nesse cara. Mesmo sendo ele meu irmão, ficarei de olho nele.
– Mas pra sermos gêmeos não teríamos que ser mais parecidos? – perguntei – Tipo, da mesma altura, mesma cor dos olhos?
– Na verdade não... – começou Annabeth
– ...Nem todos os gêmeos são iguais. – continuou Duncan – Depende da combinação dos genes dos pais, que podem ser diferentes de irmãos para irmãos.
Além de ter a cara furada ele era uma enciclopédia? Qual é... Eu só preciso de uma enciclopédia ambulante, que é a Annie, não duas.
– Isso mesmo. – surpreendeu-se Annabeth – Pelo menos um dos filhos de Poseidon não é tão lento assim.
– Como é que é? – perguntei com irritação na voz.
– Que tal irmos para a Caça a Bandeira? Antes que fique muito tarde. – disse Quíron tentando aliviar a tensão – Jason e Reyna, se quiserem participar fiquem à vontade. Ou podem ir direto para seus quartos na Casa Grande. Poderão falar com os campistas depois, todos estão envolvidos com o Caça Bandeira.
– Certo Quíron, mas nós passamos. Precisamos descansar um pouco. – Jason respondeu.
– Obrigada. – disse Reyna. Quando passou por Duncan ela disse um “boa sorte” e deu um beijo estalado em sua bochecha. Depois entrou na Casa Grande. O que? Ele estava se pegando com Reyna? Mas ele mal chegou... PQP!
– Em que time eu fico? – perguntou Duncan.
Annabeth olhou para mim com expectativa. Ficamos o que pareceram milênios em silêncio, com Duncan alternando o olhar entre Annie e eu. Até que Annabeth ergue uma sobrancelha e estala os dedos em frente a meus olhos.
– Francamente Perseu! – brigou ela – Sei que está confuso, mas podia pelo menos dizer que ficaria na sua equipe, ele é seu irmão.
– M-mas ele nem foi reclamado, c-como vou ter certez-za... – gaguejei.
– Mas nada Percy, — disse irritada – agora ele está na minha equipe. E outra coisa, ele NÃO precisa ser reclamado, ele é IGUAL a você, não precisa de mais nada. Vou avisar a mudança a Quíron. E trate de mudar sua atitude depois do jogo.
E ao término da bronca, Annabeth sai furiosa pegando Duncan pela mão e o puxando até a estante de armaduras e espadas.
Agora Annabeth está brava comigo. Culpa de quem? Do meu novo e querido irmão.
Pov. Duncan
A menina loira me puxou pela mão e saímos perto de Percy.
Percy... De acordo com Jason ele seria um pouco mais receptivo e... Caloroso. Não importa, vou fazê-lo gostar de mim. Sempre quis um irmão. E agora ganhei. Irei me esforçar.
– Desculpe por isso. Ele normalmente não é assim. Só está muito apavorado. – falou a menina – Quase me esqueci. Sou Annabeth.
– Bem Annabeth, — respondi – não é só ele que está apavorado.
– Com o tempo vocês acostumam. – após varrer meu corpo com olhar continuou – Vamos ver se temos alguma armadura do seu tamanho.
Enquanto vestia a armadura, Annabeth me explicou como funciona o Caça a Bandeira.
– Vamos colocar a bandeira na margem do rio. Então você vai protegê-la.
– E-eu? Mas eu acabei de chegar, vou ser derrotado facilmente.
– Não vai. – ela sorriu – Como eu disse, a bandeira vai ficar perto do rio, e você como filho de Poseidon vai tirar vantagem disso.
– Annabeth, larga o mané do seu namorado e vem pra organizar o time. – berrou uma menina atrás de mim.
Virei-me e ela começou a se aproximar. Espera... Eu a conhecia de algum lugar. Já sei. Aquela vez que fui participar de um campeonato de judô em Nova Iorque e ela estava lá para competir. Acabei fazendo uma amizade com ela naquele dia.
– Clarisse? – perguntei quando ela estava parada a minha frente.
– Não, é sua avó. Poupe-me Jackson.
– Clarisse, ele não é o Percy – disse Annabeth explicando tudo que havia acontecido.
– Agora faz sentido. O Jackson é mais fracote. – riu ela.
– Não se lembra de mim Clarisse? – perguntei e ela negou. – Campeonato de judô em Nova York, que tal?
– Pelas barbas de Netuno! É você. Nem percebi.
– Mas quando encontrou com ele não o confundiu com o Percy? – indagou Annabeth.
– Não. Por isso não te reconheci agora. Aquele dia você estava de barba. E o pequeno Jackson não tem barba. – respondeu Clarisse. – Cara, você detonou todo mundo que estava lá. Eu acho que depois daquela a maioria dos caras preferiria ter suas bolas arrancadas a lutar com você.
– A barba eu gosto, mas naquele dia eu exagerei um pouco. Estava bem comprida. Para assustar os moleques. – Clarisse riu e a acompanhei. – Não exagera no lance das bolas.
– De bolas eu não entendo, mas que tal focarmos agora em detonar as do outro time? – sugeriu Annabeth.
– É uma boa idéia. – disse Clarisse – Mas onde está a sua espada Duncan?
– Não vou dar uma espada para ele, — respondeu Annabeth – além dele estar perto de água, a vantagem física vai ajudar. Pode desarmar qualquer um facilmente.
– Boa ideia. – concordou Clarisse – Vamos detonar alguns manés!
~//~
Fui até o ponto onde deveria ficar.
Fiquei andando de um lado para o outro na margem do rio, sempre perto da bandeira, até que ouço um farfalhar de folhas.
Aproximo-me devagar e a pessoa que estava escondida sai. Era Percy.
– Ah! Não acredito que Annabeth foi burra o suficiente pra deixar um novato guardar a bandeira. – disse ele – Só me entrega a bandeira e eu não te machuco.
– Eu acho que vai ter que passar por cima de mim primeiro. – falei.
– Você que pediu irmão – impressão minha ou ele não ia com a minha cara?
Percy tirou do bolso uma caneta. Em primeiro momento pensei: Sério que a arma dele é uma caneta? O que ele vai fazer? Me rabiscar até a morte?
Mas mudei de ideia assim que ele tirou a tampa. A caneta se transformou em uma espada, que podia não só me rabiscar, mas também me fatiar até a morte.
Dei alguns passos para trás, até entrar no lago.
– Entrar na água não vai adiantar, esqueceu que eu também sou descendente de Poseidon? – disse Percy.
– Então venha. – provoquei.
Como eu pensei, ele é do tipo que age sem pensar e veio correndo direto em minha direção.
Quando ele estava prestes a dar o golpe com a espada, me abaixei e lhe dei uma rasteira. Ele caiu com a fuça na água.
Não tive tempo de dar outro golpe, pois uma onda me atingiu e voei para fora do lago.
Levantei a tempo de evitar outro golpe de Percy e logo em seguida deu um chute em sua mão, desarmando-o. Agora era corpo a corpo.
Avancei em sua direção e acertei um soco em seu maxilar, o que o fez cair dentro do lago. Antes que ele tentasse usar seus poderes, joguei-o para fora da água. Imobilizei-o.
– Novato é? – provoquei – Machucar né?
Percy nada disse. Ao invés disso ele começou a gritar.
Senti a água começar a ficar rebelde.
Olhei pra trás e só pude ver a água me engolindo.
Não acredito! Ele quase esvaziou o lago. Nesse momento a água já estava voltando para sua origem e eu estava caído ao lado de Percy.
Mal tive tempo para respirar quando Percy montou em mim e socou meu rosto. Inverti as posições, agora estava em cima dele. E assim começamos a rolar pela grama brigando. Até que Percy me empurra para dentro do lago e vai a passos lentos até a bandeira.
Eu não podia deixá-lo a capturar.
Levantei-me e gritei com todas as forças. Senti um repuxo no estômago e toda a água foi pra cima do Percy. Ele caiu com o impacto e gritei mais ainda. Não estava no controle de meus poderes. Vi como se fossem... Fantasmas? Isso. Pareciam fantasmas de água. Wow! Eu tinha essa habilidade e nem sabia. Será que Percy podia fazer a mesma coisa?
Pelo visto não, pois quando ele se virou e viu os fantasmas, ele se assustou e correu em busca de sua espada. Mas eu não deixei. Invoquei mais fantasmas de água, que seguraram Percy. Não queria machucá-lo, somente conte-lo.
Mas Percy era resistente, conseguiu se livrar de alguns fantasmas e começar a correr para sua espada.
Invoquei ainda mais fantasmas e os mandei na direção de Percy. Em seguida criei um pequeno tsunami e o enviei para ele. Ouvi a concha, o que significava que o jogo tinha acabado e a nossa equipe tinha ganhado. Mas não estava mais no controle de meu corpo. Continuei a mandar jatos fortes de água.
Uma multidão tinha se reunido ao redor e muitas gritavam: “Já acabou, parem de brigar.”
Parei quando cheguei ao limite. Quando toda a água e os fantasmas se dissolveram, caí de joelhos no chão, ofegante. Exausto é pouco para descrever o meu estado.
Percy se levantou e começou a me encarar, irritado. Até que fitou um ponto acima de minha cabeça. Percebi que todos começaram a fazer o mesmo.
Olhei para cima e tinha dois símbolos estranhos acima de minha cabeça. Havia um tridente e um elmo.
– Mas o quê? – perguntou Clarisse.
– Poseidon e... – começou Percy
– ...Hades? – completou Annabeth.
– Não é possível. – disse desacreditado Quíron.
– O que há de errado? – perguntei.
Antes de o centauro começar a esboçar uma resposta, o chão começou a tremer. Duas figuras apareceram a minha frente. Um estava encarando o outro. O à minha direita tinha a pele bronzeada e usava uma roupa de praia, camisa havaiana, bermuda e chinelo de dedos. O à minha esquerda tinha a pele pálida e suas roupas eram inteiras pretas.
– Hades, o que andou aprontando? Duncan é MEU filho! – vociferou o cara da direita.
– Eu que pergunto Poseidon, esse filho é MEU! – bradou Hades.
– Hãã... Poderiam por favor, explicar que merda está acontecendo? – supliquei.
– Duncan, eu sou seu pai. – disseram Hades e Poseidon ao mesmo tempo.
Fale com o autor