Meu Eu Dual

5 Sangue Inocente nas Mãos


Notas iniciais
Olá, mais um capítulo pra vocês! Espero que gostem e que o feedback desse seja melhor que o anterior, que foi bem fraquinho :( Vamos descobrir mais um pouquinho das coisas que KB fez antes de conhecer o Rick, e também como começou a amizade do menino escritor com os rapazes do 12th ^^ (é meio pesado, so...) — Dedicado a Denise Reis que começou a acompanhar e já comentou em todos os capítulos *-* muuuuuito obrigada, logo responderei você à altura! ps: amo suas fanfics ❤ beta: minha Jana ❤

*POV Kate*

Um barulho persistente e agudo entrou pelos meus ouvidos me fazendo despertar de um sono delicioso. Pela segunda vez, em menos de vinte e quatro horas, eu despertei numa cama macia após uma rodada de sexo quente com Richard Castle, o homem que eu deveria matar e que, incrivelmente, me via incapacitada de fazê-lo. Mas por quê? Essa pergunta insistia em se repetir em minha mente. Por que você não o mata logo de uma vez e evita todo o estresse que, com certeza, passará com Vulcan Simmons?

Eis aí a pergunta de um milhão de dólares… Eu não faço a porra da ideia do porquê de não conseguir acabar com a vida de Rick de uma vez por todas. Talvez fosse aquele mar azulado e profundo em formato de olhos que ele tem, ou aquele sorriso safado de canto de boca, sua voz envolvente, suas mãos fortes e firmes, e – devo confessar – muito experientes. Ou talvez seja o modo como me sinto quando estou com ele. Eu me sinto tão… normal. Apenas uma mulher comum ao lado do senhor Castle.

Rick... o quê diabos você fez comigo?, deixei um suspiro escapar com esse pensamento e olhei para o lado à procura do responsável pelos meus devaneios de mulher abobada, mas não o encontrei. Onde será que ele se meteu?, questionei-me antes de ouvir o barulho do chuveiro ligado indicando que ele estava no banho.

Um pensamento malicioso surgiu em minha mente ao imaginar Rick embaixo da ducha, mas me contive. Não podia agir como uma mulher apaixonada que não consegue manter as próprias mãos longe do namorado.

"Namorado… Deus, o que estou dizendo?", falei em um tom baixo e ri. Novamente eu dei risada. Esse ato estava ficando cada vez mais frequente desde que o senhor Castle resolveu se infiltrar em minha mente com aquele sorriso cafajeste que me faz perder a cabeça e me jogar em seus braços. Oh céus! Nunca pensei que eu ficaria à mercê de um sentimento dessa magnitude. Isso é assombroso.

Não é seguro para esse homem me ter em sua vida. Na verdade, não é seguro para pessoa alguma me ter presente em sua vida. Mas... por que eu não consigo afastá-lo de mim? Por que não consigo dar um basta nisso e parar de me render a esse homem?

Olhei para o lado e vi uma foto dele com uma garota ruiva, abraçados e sorridentes. Imaginei que fosse a filha dele. Engraçado, já estou aqui há um bom tempo e não vi sinal da ruiva. De repente, a possibilidade de me encontrar com a filha dele, ou com a mãe dele, me assustou. Céus! Eu, Katherine Beckett, assustada com a possibilidade de esbarrar com uma adolescente de… não sei… quinze, dezesseis anos?

Definitivamente, Richard Castle está me transformando em uma mulher comum e isso, por incrível que pareça, me deixa contente e aliviada. Eu quero ser uma mulher comum.

*POV off*

Beckett resolveu se levantar da cama e vestir suas roupas, não queria correr o risco de encontrar as duas mulheres que também moravam ali naquelas condições.

"Onde será que ele jogou minha blusa?", ela pensou andando pelo quarto apenas de calça e sutiã, até que a viu jogada em cima de um móvel ao canto do quarto. Pegou a peça e a vestiu, e notou que embaixo dela tinha um porta-retratos com a foto de um casal muito sorridente. Parecia ser um pouco antiga. Era de uma mulher ruiva e um homem com cabelos levemente grisalhos que lembrava muito Castle.

Kate sentiu um arrepio estranho lhe subir à espinha quando reparou bem no rosto do homem; sentia que o conhecia de algum lugar. Ela estava tão focada na foto que sequer notou quando Rick saiu do banheiro e se aproximou dela, parando bem atrás de seu corpo.

— São meus pais. – ele disse ao notar que ela encarava a foto com interesse.

A voz dele atrás de si a fez soltar um pequeno pulinho de surpresa. Kate se virou para encará-lo e sorriu ao encontrar seu mar azul particular.

— Eu te assustei? – ele perguntou inclinando o corpo e colando seus lábios aos dela com delicadeza.

— Não vi você se aproximar… – ela respondeu em um sussurro, deliciando-se com esse momento tão íntimo e novo para ela.

— Eu notei.

— Você disse que são seus pais?

— Sim. Essa é a última foto que tiramos de meu pai. Ele… ele faleceu há oitos anos.

Kate notou a tristeza na voz de Castle e sentiu seu coração se apertar. Conhecia muito bem a dor de perder um ente querido, porém com ela fora algo pior. Sua mãe havia sido arrancada brutalmente de sua vida sem motivo algum.

— Nunca consegui me conformar com a morte dele. – Castle confessou, não sabendo exatamente o porquê de ter falado aquilo a uma mulher que mal conhecia.

Kate o encarou meio confusa, tentando entender o que ele quis dizer com aquelas palavras. Talvez a morte do pai dele não tenha sido uma fatalidade do destino como pensou. Ela desviou seu olhar da face dele e voltou a encarar a fotografia. Aquele rosto não lhe era estranho, e não era só por lembrar muito o rosto de Castle, ela sabia que já havia visto aquele homem antes. Mas onde?

Tornou a encarar Castle e fez uma pergunta que sabia ser pessoal e dolorida demais, porém precisava saber.

— Como ele faleceu?

A pergunta o pegou de surpresa. Não imaginou que ela iria se interessar por isso, já que havia deixado claro que não gostava de falar de assuntos pessoais. Porém gostou da atitude dela, não entendia o motivo, mas sentia necessidade de se abrir com ela sobre aquilo.

— Se não quiser falar, tudo bem. Eu entendo. – ela se apressou em dizer ao notar que ele permanecia em silêncio apenas a encarando.

— Não, eu… eu quero dizer. – Rick esticou o braço para pegar o retrato em mãos, encarando-o com pesar.

O escritor virou as costas e andou a passos lentos até a cama, sentando-se na beirada e olhando para Kate de forma convidativa. Bateu a mão no espaço ao seu lado e ela compreendeu, aproximando-se dele e sentando-se ali.

Castle respirou fundo e limpou a garganta, voltando a falar.

— Eu estava com minha mãe em uma apresentação de Ballet de Alexis, minha filha – ele informou apontando com o rosto para a fotografia da garota ruiva que ela havia visto mais cedo –, quando recebemos a notícia. Acidente de carro, foi o que me disseram. No começo a polícia chegou a cogitar um homicídio, por causa da profissão dele e, também, porque toda a equipe de meu pai morreu naquele mesmo dia e da mesma forma.

— Em que ele trabalhava? – ela perguntou com um fio de voz, temendo pela resposta de Rick.

Aquilo não podia estar acontecendo, tinha que ser apenas uma coincidência.

— Meu pai era um agente da CIA. – ele respondeu sem sequer notar como ela ficara alterada com aquilo, e continuou seu relato.

"Com o passar do tempo, nenhuma prova de ter sido um homicídio foi encontrada e eles deram o caso por encerrado. A polícia deduziu que fora uma mera fatalidade do destino. Mas como poderia ser apenas uma fatalidade?! Toda a equipe morrer no mesmo dia e da mesma forma… não, eu não acho que tenha sido um acidente. Nunca acreditei que fosse".

Ele seguia falando e Kate ficava cada vez mais alarmada. Suas suspeitas se confirmaram e ela começava a se sentir sufocada no quarto com ele.

— No começo, o caso ficou sob responsabilidade da 12th DP – ele continuou narrando, ainda encarando a fotografia –, e eu me juntei a eles para descobrir a verdade. Tenho meus contatos e consegui permissão para seguir de perto as investigações. Até fiz amizade com dois detetives de lá… – ele comentou em um tom mais ameno, enfim, direcionando seu olhar para Kate.

A moça estava pálida e respirava com certa dificuldade. Tinha os olhos arregalados, como se estivesse assustada com o que acabara de ouvir. Castle se preocupou e colocou as mãos por cima das dela para buscar sua atenção total.

— Kate? O que aconteceu? Suas mãos estão geladas.

— Eu preciso ir. – a voz saiu alterada e ela se levantou rapidamente, afastando-se do contato dele.

— Eu não entendo. Foi algo que eu falei?

— Não, eu… eu apenas preciso ir embora daqui.

— Kate, explique-me o que aconteceu, por favor, ao menos dessa vez. – ele praticamente implorou, porém não obteve resultado.

Beckett ignorou seu apelo e saiu porta afora, andando a passos apressados para a sala, a fim de pegar sua bolsa e ir embora do loft.

"Não, Kate. Dessa vez eu não a deixarei fugir assim", Castle disse para si mesmo e se apressou em sair do quarto, encontrando-a já abrindo a porta da casa.

— Kate! – ele disse alto, correndo até ela e a agarrando pelo braço para impedi-la de sair.

— Senhor Castle, solte-me. – Kate pediu com firmeza, encarando-o de forma dura.

Castle estranhou o tratamento formal e fechou a porta com força, arrastando-a pelo braço para o centro da sala.

— Senhor Castle?! Por que resolveu me chamar assim de uma hora para a outra?

— Solte-me!

— Não.

Os olhos dos dois quase faiscavam de raiva. Ele irritado com o silêncio e mistério desnecessário dela, e ela com a insistência dele. Já não bastava a descoberta que ela acabara de fazer, ele ainda vinha com essa insistência por respostas que ela não podia dar.

— Tudo seria mais fácil se você simplesmente me deixasse ir. – ela soltou aquela frase com pesar – Isso aqui, senhor Castle, nós dois… juntos… isso nunca vai funcionar.

Ela declarou se soltando do aperto em seu braço. Afastou dois passos dele e manteve o olhar firme.

— Não se pode deixar ir algo que nunca foi seu…

— O que você achou, Rick? Que eu viria aqui te falar aquelas coisas e nós começaríamos a viver uma história de amor?! – uma risada irônica escapou por sua garganta e ela balançou a cabeça negativamente.

— Não sei o que pensei, mas, com certeza, não imaginei que você fugiria novamente me deixando com a cabeça ainda mais confusa.

— Faço isso para o seu próprio bem. Eu não sou mulher para você, senhor Castle.

— Como pode afirmar isso? – ele esticou o braço para tocar-lhe a face, tentando uma nova aproximação.

Não conseguia explicar aquela necessidade de ter essa mulher em sua vida. Nunca fora disso. Ficava com várias mulheres numa mesma semana e nunca se apegava a nenhuma, mas essa, em particular, havia bagunçado sua mente e seus sentimentos de uma forma que ele nunca imaginou ser possível.

A única coisa que sabia era que não poderia deixá-la escapar assim tão fácil. Não. Ele não desistiria de Kate assim. Não importa o quão complicada e misteriosa ela fosse, ele teria paciência e desvendaria aquela mulher, nem que isso durasse toda a vida.

Kate seria sua.

— Eu não me importo para o que você considera que seja a "mulher para mim", porque é você que eu quero, Kate.

— Por quê? Você me conhece há um dia. Como pode insistir tanto nisso?!

— Eu sei! – ele disse de forma exasperada – Eu sei que nos conhecemos há um dia, mas eu sinto algo forte aqui dentro.

Kate o encarou surpresa. Ela também sentia algo forte por ele, mesmo que não soubesse identificar o que era. E aquilo era surreal demais.

— Não. – ela tentou se afastar do toque em seu rosto, mas Castle a impediu, puxando-a mais para si.

Ele tornou a juntar seus corpos, mantendo-a presa a si ao colocar firmemente a mão em sua coluna. Beckett estremeceu com o toque, já sabendo que não conseguiria deixá-lo como pretendia. Mesmo que eles ainda não tivessem nada de fato, ela não queria perdê-lo.

"Como é possível eu querer tanto alguém que sequer é meu?! Deus, eu mal me reconheço", ela pensava enquanto se via perder naquela imensidão azulada e profunda diante de si.

— Kate, a gente precisa conversar. – ele disse de forma branda ao notar que ela começava a ceder.

— Tudo bem. – Beckett respirou profundamente e abaixou a cabeça, precisava de uma desculpa para poder sair dali – Mas não agora. Eu tenho assuntos importantes a resolver.

— Assuntos importantes…

— Castle!

— Tudo bem, entendi. Você me contará nada além disso. – ela apenas meneou com a cabeça em afirmação – Eu não insistirei, então. Mas… você volta?

— Sim.

— Promete?

A voz do escritor saiu levemente manhosa e Kate voltou a encará-lo, mordendo os lábios em seu clássico sinal de nervosismo. Não queria mentir novamente para ele, mas como poderia prometer algo que tinha quase certeza de que não cumpriria?!

Ela não podia voltar. Não depois de confirmar as suas suspeitas.

Kate apenas sorriu para ele e encostou seus lábios de forma suave, dando-lhe um beijo casto. Não pronunciou uma palavra sequer, deixou que o escritor interpretasse esse gesto da forma que quisesse.

Castle sorriu de volta e relaxou seus braços em torno de Beckett, permitindo que ela se soltasse e fosse embora como desejava.

E ela o fez.

Porém, antes de fechar a porta atrás de si, ela o ouviu chamá-la, e se virou para ele.

— Até logo, Kate.

— Senhor Castle. – ela disse em um tom de despedida e sorriu tristemente, fechando a porta e saindo apressadamente dali.

Sabia que não voltaria para Castle como ele desejava, porque, se retornasse ao loft, seria com um único propósito: finalizar essa história de uma vez por todas.

Já de volta ao seu quarto, Rick se pegou pensando no quão incoerente havia ficado desde que aquela mulher apareceu em sua frente. Ela lhe virou a vida de cabeça para baixo em um espaço de tempo tão curto que ele sequer conseguia acreditar, mas era verdade. Kate não saía de seus pensamentos e ele estava disposto a impedir que ela saísse de sua vida também. Por maior que fosse o esforço dela em, claramente, querer fazer isso.

Com um sorriso feliz no rosto, o escritor terminou de se arrumar e enviou uma mensagem no celular de Ryan, informando que logo chegaria à delegacia.

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— Olha só quem resolveu dar as caras. – Espo comentou ao ver Rick sair pelo elevador e seguir em direção a ele e seu parceiro, e Rayn comentou em seguida:

— Pensei que não viria mais. Já está no final do expediente.

— Sinceramente, não sei como conseguiram viver tantos anos sem mim. – Castle comentou com humor – Montgomery está?

— Saiu há poucos minutos. – o latino tornou a falar.

Os três comentaram amenidades por um tempo até que Rick resolveu iniciar o assunto que o havia levado ali. Kate.

— Lembram-se da minha ligação de mais cedo? – os dois assentiram – Kate foi ao loft hoje, me deu explicações vagas e depois de... bem, vocês sabem... nós conversamos sobre meu pai e ela se mostrou extremamente nervosa com a história e tornou a ir embora me deixando ainda mais confuso.

— Nervosa? Mas por que isso a deixaria nervosa se vocês nem se conhecem? – Ryan questionou pensativo.

— Eu não sei...

— Você conseguiu mais alguma informação dela que possa nos ajudar na busca de sua identidade? – Espo questionou.

Rick assentiu positivamente e começou a narrar tudo o que Kate lhe contara mais cedo em casa e, ainda que fossem informações vagas demais, eles se dispuseram a ajudar o escritor a encontrar a mulher misteriosa.

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Assim que conseguiu se livrar dos braços do escritor, Kate saiu "cantando pneus" em direção ao enorme prédio da Simmons Enterprise Holdings Inc., a empresa de tecnologia de Vulcan Simmons que fora construída para desviar o foco de sua trajetória repleta sujeira e crimes.

A parte responsável pela lavagem de dinheiro ficava em um dos setores do enorme prédio, bem aos fundos numa espécie de porão subterrâneo onde somente pessoas autorizadas tinham permissão para entrar. A maioria dos que ali trabalhavam sequer tinha conhecimento da existência desse setor. Kate tinha acesso por uma área que somente ela e Simmons conheciam, já que apenas quem trabalhava naquela parte da empresa sabia da existência da "arma secreta de Vulcan", como Beckett era chamada.

— Onde está o senhor Simmons? – Kate perguntou com seu habitual tom impaciente e autoritário, fazendo estremecer o segurança que ela encontrou pelo local.

— Ele precisou viajar para Miami para uma reunião com alguns executivos e depois viajará para o Oriente. O senhor Simmons deixou ordens para que avisássemos à senhorita, caso voltasse aqui, que ele somente retornará daqui a dois meses.

"Dois meses?! Isso é um tempo muito longo... bom, melhor assim, já que terei um bom tempo para tentar resolver essa situação", Kate pensou ao ouvir a informação e nem se deu ao trabalho de responder, virou as costas e rumou a passos decididos para a sala do chefe. Torcia para que os documentos estivessem todos lá.

A agente gastou cerca de quarenta minutos nessa busca, remexendo em uma papelada infinita de antigas vítimas que seu chefe lhe "encomendara", até conseguir encontrar o arquivo de Jackson Hunt. Uma mistura de alívio e angústia se apossou dela no momento em que começou a folhear o arquivo. Sim, suas suspeitas se confirmaram. Ela havia matado o pai de Richard Castle. Ela havia causado a maior dor que o escritor já sentira na vida.

"Eu preciso me afastar de Rick. Ele nunca me perdoará por isso. Nunca", ela disse em voz alta enquanto lia a ficha de Hunt.

Kate pegou tudo o que tinha ali referente ao pai de Castle e aos colegas de trabalho – os quais ela também fora responsável pelas mortes – e se apressou em sair do prédio. Queria analisar os documentos com paciência e de forma minuciosa, e só poderia fazer isso na segurança de seu lar.

Do outro lado da cidade, Rick voltava para casa bastante frustrado. Não tivera sucesso na busca pela identidade de Kate, era como se ela nem existisse. Não havia nenhum registro da mulher no sistema da polícia e aquilo apenas serviu para deixá-lo com ainda mais vontade de desvendar o mistério por trás daquela mulher fascinante que entrara como um furacão em sua vida.

Ao abrir a porta de casa, encontrou sua ruivinha estirada no sofá com o rosto enfiado em um enorme livro. Alexis olhou em direção a ele ao ouvir o barulho da porta e sorriu.

— Olá, abóbora.

— Oi, pai. Onde estava? Cheguei em casa e nem sinal de você ou da vovó. – ela comentou, deixando o livro de lado e sentando-se no sofá, deixando um espaço para que o escritor sentasse ao seu lado.

E, assim, ele o fez.

— Fui ao 12th ver os rapazes. – comentou sem conseguir esconder a expressão de insatisfação em sua face.

— E essa carinha de decepção é pelo quê? – Alexis o encarou por alguns segundos e completou, deduzindo o problema – Por acaso tem a ver com o seu encontro da noite passada?

— Sim. – Castle bufou contrariado – Kate me deixou uma bagunça...

— Kate? Então, esse é o nome dela. Pensei que teria que te sondar para descobrir.

— Sim, ela se chama Katherine. E acredito que seja a única coisa que eu possa afirmar sobre ela. Nem seu segundo nome eu sei.

Ele falou sem fazer a menor questão de disfarçar a indignação em sua voz.

— Ela ficou nervosa comigo pela manhã. – Castle tornou a falar, desabafando tudo com a filha – Confundi nossos celulares e acabei lendo uma mensagem que ela recebeu se referindo a mim. E, quando a confrontei a respeito, ela se enfureceu e me ameaçou... depois foi embora.

— Uau. – Alexis exclamou, demonstrando sua confusão com a atitude da moça.

— Sim... e, como se não bastasse a confusão de hoje mais cedo, Kate apareceu na porta do loft me dando explicações vagas para a sua atitude misteriosa. Achei que tínhamos nos resolvido, até ela ver uma foto de seu avô.

— Ela conheceu o vovô Hunt?

— Não sei, mas creio que sim. Ela agiu de uma forma muito estranha quando lhe contei o que houve com ele e... quando lhe falei de minhas suspeitas sobre o que realmente aconteceu naquele dia.

— Você disse a ela que não acredita na história do acidente, mas, sim, que o vovô e sua equipe foram mortos?

— Disse.

— E ela?

— Foi embora. Inventou uma desculpa qualquer e se mandou.

— Nossa. – a ruiva se encontrava sem palavras – Se até mesmo eu, que nem falei com ela, estou assim confusa... imagine você.

Castle torceu a boca meio entristecido e concordou com a cabeça. Kate era mesmo uma confusão.

— O que pretende fazer? – Alexis questionou após alguns segundos mudos entre eles.

— Afundar-me em uma enorme taça de sorvete.

— Pai... – ela o repreendeu, rolando os olhos para o homem – Estou me referindo a Kate e não ao seu estômago de cinquenta metros.

Castle suspirou resignado.

— Não sei, só me resta esperar que ela apareça. Eu fui à delegacia para ver se descobria algo, mas os rapazes não encontraram nenhum registro a respeito dela. Absolutamente nada. É como se Kate não existisse no mundo.

— Que estranho...

— Tell me more about it. – Rick comentou e se levantou em seguida, oferecendo a mão à garota – Quem quer me acompanhar numa rodada de sorvete com bastante calda e chantilly?

Alexis sorriu e pegou a mão dele, entendendo que aquele assunto estava encerrado. Ao menos naquele dia.

#

*POV Kate*

Assim que entrei em meu apartamento, tratei de jogar todos os documentos em cima da mesa e começar a ler minuciosamente cada folha contida ali. Precisava descobrir o que eu havia feito, precisava ter certeza de que eu havia realmente me transformado em um monstro e acabado com a vida de um pai de família.

Eu lia e relia os documentos e, a cada linha, eu me amaldiçoava pela monstruosidade que havia feito.

Eu sei muito bem que não sou nenhuma santa, eu sou uma assassina treinada, fria e calculista. Mas, pela primeira vez, eu tive contato com aqueles que ficaram; eu tive contato com o parente de uma de minhas vítimas. E isso me destruiu. Ver a dor nos olhos de Richard Castle me destruiu. Ele perdeu o pai de repente e sequer conseguiu trazer justiça para ele.

"O que você está falando, Kate? A justiça para o pai de Castle significa a sua prisão", meu subconsciente fez o grande favor de me alertar.

Sim. A minha prisão, porque eu sou a assassina de Jackson Hunt.

Ainda que eu seja apenas uma marionete de Vulcan Simmons, que simplesmente recebe um papel com o nome e as informações necessárias de cada vítima, sou eu quem puxa o gatilho, sou eu quem seduz e depois enfia uma lâmina afiada na garganta daquelas pessoas, sou eu a assassina.

Uma assassina infeliz que teve a má sorte de se encantar pelo familiar de uma de suas inúmeras vítimas.

— Rick, será que você teria a capacidade de me perdoar? – perguntei em voz alta enquanto encarava a foto daquele robusto senhor grisalho, o pai de Castle.

De repente, senti minhas bochechas ficarem úmidas e um gosto salgado surgiu em minha língua. Levei a mão até minha face e constatei algo que já não acontecia desde a morte de minha mãe: eu estava chorando.

Sentei-me no sofá e abracei meu próprio corpo, deixando que aquelas lágrimas escorressem livremente por meu rosto.

Lágrimas de remorso, lágrimas de dor, lágrimas de desespero, lágrimas de tristeza pela pessoa que eu havia me tornado. Lágrimas de amargura.

Não sei por quanto tempo fiquei naquela mesma posição, mas me fez bem. Senti-me renovada, como se aquele enorme nó que havia em meu peito tivesse sido desfeito e ido embora junto com aquelas lágrimas; como se minha alma tivesse sido lavada enquanto eu permitia meu pranto de acontecer.

Levantei decidida e fui até o banheiro dar um jeito em minha cara inchada e vermelha pelo choro.

— Chegou a hora de terminar com Rick Castle aquilo que nem ao menos tivemos a chance de começar.

Falei encarando-me de frente para o espelho, e depois parti rumo ao loft de meu doce escritor.

Notas finais
E então? Comentem, por favor :) Responderei a todos os comentários amanhã, amores!