Meu Eu Dual

3 Ainda Existe Um Coração


Notas iniciais
Oieeeeeeeee, amores. Vocês realmente me surpreendem, ein haha 30 comentários já e uma recomendação logo no segundo capítulo, WOW Então, como forma de agradecimento, aqui já vai o capítulo 03 ^^ Espero que gostem, e esse aqui é um pouco mais leve pra compensar a maldade do capítulo anterior haha — Dedicado a linda da Gabriela Lima que fez a primeira recomendação da fic ❤ muito obrigada, foi um enorme incentivo para mim as suas palavras. Sinta-se beijada e abraçada por mim haha obrigada de novo. Esse aqui é pra você! Prometo que responderei aos comentários do cap2 ainda hoje ;) muuuuuuuito obrigada mesmo por esse feedback lindo que vocês estão me dando, de coração! Well, enjoy :3 Beta: my babe, Jana Costa ❤

*POV Kate*

Acordei num sobressalto, o pesadelo que me atormentava todas as noites se fez presente mais uma vez em meus sonhos. Quando essa porcaria toda iria acabar?! Aquelas imagens perturbadoras sempre povoavam minha mente, seja dormindo ou acordada, eu não conseguia simplesmente apagá-las.

Minha doce mãe jogada ao chão de um cômodo imundo e fedido, o corpo todo ensanguentado e perfurado por projéteis e, depois, o corpo dela sendo substituído pelo corpo sem vida de Will Sorenson. O sangue dele em minhas mãos, a adaga com o símbolo soviético brilhando vitoriosa por ter ceifado a vida de outro inocente e a voz de Jim Beckett ao fundo dizendo aquela frase que ainda me causava arrepios: "Isso é o que acontecerá a qualquer pessoa que você ousar amar, Katherine".

Não. Eu nunca mais ousaria amar novamente. Eu nunca mais ousaria deixar meu coração bater por outra pessoa novamente. Eu me proíbo de amar e de me importar com quem quer que seja. Nunca mais perderei outra pessoa que amo, porque eu desaprendi a amar. Porque eu nunca esqueceria aquelas cenas de meu passado, aquelas cenas que me ensinaram que o amor é perigoso demais.

Tentei mover meu corpo, mas algo pesado me prendia e me impedia de sair daquela posição. Meu coração bateu acelerado e um medo estranho se apossou de mim, até que me lembrei de onde estava e o que poderia ser aquilo que me impedia de mover. "Aquilo" não, quem. Richard Castle dormia tranquilamente agarrado a mim, mal sabendo ele que eu era a última pessoa no mundo com quem ele poderia dormir de forma tão tranquila.

Eu sou uma predadora e ele? Ele é apenas mais um cordeirinho indefeso que logo deixará de respirar ao perder a vida por minhas próprias mãos.

Retirei seu braço de cima de meu corpo e me movi, virando-me de frente para ele. A luz da lua iluminava sua face tão lindamente que chegava a ser poético. Um sorriso involuntário nasceu em meus lábios ao ver seu rosto tranquilo. Ele parecia um menino dormindo, a boca fazia um leve biquinho e ele ressonava baixo.

Deus, o quê eu estou pensando?! Mas que porcaria esse homem causou em mim?

Desde que meus olhos bateram em Richard Castle eu não me reconheço mais, até parece que aquela Kate antiga e cheia de sentimentos está querendo renascer. Mas eu não permitirei que isso aconteça. Não permitirei que Rick Castle entre em meu coração, porque logo ele não estará mais vivo, e isso será graças a mim.

— Kate? Já é de manhã? – Castle perguntou abrindo olhos.

Droga. Nem me dei conta de que ele havia acordado e, pior, me pegou olhando para ele.

— Não. Eu apenas acordei. – falei tentando controlar as batidas de meu coração.

Não conseguia reconhecer a mim mesma estando diante daquele homem. Eu não sou assim, eu não fraquejo assim, eu não fico sorrindo feito uma idiota para um homem como estava há poucos segundos.

— Tenho que ir. – tornei a falar.

Era melhor dar o fora daqui antes que as coisas tomassem um rumo ainda pior.

— Não. Já está tarde, durma comigo e de manhã você vai. – ele pediu me prendendo de volta a seu corpo.

— A gente nem se conhece, Rick.

— Eu sei. Não estou pedindo que seja minha, só... seja minha por essa noite.

— Não. – tentei soar decidida, mas a droga da minha voz saiu mais como um sussurro manhoso.

Eu estava detestando essa fraqueza repentina. É melhor me soltar, Richard Castle, antes que eu te mate por me fazer fraquejar assim. Estou agindo como uma mulherzinha frágil e indefesa que se rende nos braços do amado. Por Deus, isso é absurdo demais.

"Ele não é ninguém, Kate. É só mais um sorriso cafajeste que você precisa fazer sumir", eu repetia para mim mesma, tentando achar forças para sair dos braços de Castle.

— Pela manhã você vai, Kate. Eu juro que não tentarei te impedir.

— Por que está fazendo tanta questão de me manter aqui por essa noite?

Perguntei estreitando os olhos, quase o fuzilando apenas com meu olhar. O que ele pretendia com esse joguinho? Fazer com que eu me renda aos seus encantos?! Tive vontade de rir com esse pensamento, porém a resposta dele me pegou de surpresa.

Eu não esperava algo assim de um homem que nunca havia me visto até aquela noite.

— Só estou preocupado com você. – ele respondeu de forma mansa e tímida, e suas palavras pareceram acariciar meu coração.

Então, me lembrei de quem eu era e de tudo o que passava quando permitia que meu coração fosse "acariciado" por alguém. Dei uma curta risada de deboche e falei encarando-o.

— Posso te garantir que, lá fora, eu não temo. Eu sou temida.

Rick pareceu se assustar com o que eu disse ou talvez tenha sido com o tom de minha voz, pois seu corpo enrijeceu brevemente, mas logo ele tornou a relaxar e me deu aquele seu sorriso de canto que o deixava tão sexy.

— Então quer dizer que você é uma mulher perigosa, Kate?

— Pode-se dizer que sim.

— Bem, eu não tenho medo de você.

— Mas deveria. Você mal me conhece, Rick.

— Não acredito que irá me machucar.

Ele disse com sua voz grave e de maneira confiante demais. Eu estreitei meus olhos ante aquela afirmação e, de repente, uma súbita vontade de alertá-lo sobre o perigo que ele corria ao me manter presa em seus braços se apossou de mim.

Mas optei por permanecer calada. Não conseguia entender por que, de repente, a vida daquele homem parecia me importar.

"Não se apegue, Kate. Não cometa esse erro novamente", repeti para mim mesma e me afastei minimamente de seus braços, desgrudando nossos corpos. Isso estava indo longe demais. Mas, o pior de tudo, é que eu queria ficar, nem que fosse só por aquela noite.

E, bom, já que pela manhã eu o mataria, não faria mal dar-lhe essa pequena alegria em sua última noite, não é?!

— Ok, Rick. Você venceu. – eu disse e vi nascer um sorriso lindo em sua face – Vou ficar essa noite, mas, pela manhã, eu irei embora.

— Tudo bem.

Ele respondeu em um sussurro alegre e eu senti meu coração se apertar. Aquele pobre homem estava preocupado que eu saísse sozinha pela noite e eu estava ali com o propósito de acabar com sua vida. O quão irônico isso poderia ser?!

Rick me acomodou confortavelmente em seu peito e relaxou os braços em volta de mim, levando uma de suas mãos até meus cabelos e afagando-os carinhosamente. Aquilo estava tão bom que eu senti meu corpo todo relaxar e caí, quase que instantaneamente, em um sono profundo.

E, para minha grande surpresa, não tive pesadelos dessa vez. O corpo ensanguentado de minha mãe e a garganta mutilada de meu antigo namorado não me visitaram naquele resto de noite. Dessa vez, um belo par de olhos azuis e seu sorriso cafajeste me fizeram companhia no mundo dos sonhos.

*POV Rick*

À medida que meus dedos acariciavam seus cabelos sedosos, eu sentia o corpo de Kate relaxar e logo depois ela adormeceu.

Eu insisti para que ela não fosse embora e ela acabou cedendo, mas por quê? Por que aquela misteriosa mulher me fez quase implorar para que não partisse?

Não era a primeira vez que eu trazia uma mulher para este hotel e passava a noite com ela. Porém, dessa vez, as coisas foram diferentes. Kate me afetou de uma forma que nenhuma outra mulher havia feito. Seu corpo delicado, sua voz melodiosa, o cheiro tão delicioso e suave de sua pele. Ela era um pecado e eu estava doido para me perder nela novamente.

Eu senti seu coração bater descompassado algumas vezes nessa noite e posso jurar que vi um brilho diferente em seu olhar cada vez que nossos olhos se grudavam. Kate me fez perder a cabeça e eu mal posso esperar para que ela torne a fazer isso por mais outras vezes.

Eu a quero comigo desesperadamente.

Será que eu estou me apaixonando por essa mulher em nossa primeira – e espero que não seja a última – noite juntos? Minha mãe sempre me disse que levamos cerca de sete minutos para nos apaixonarmos por uma pessoa. Eu nunca acreditei nessa teoria de dona Martha Rodgers, mas, agora com Kate em meus braços, creio que ela possa mesmo ser verídica.

Eu me apaixonei por uma mulher misteriosa que, sequer, havia me informado seu sobrenome. Meu coração se rendeu a Kate e eu não pretendo repreendê-lo por isso. Sei que não a conheço, mas sei também que isso pode mudar.

Vou me esforçar para conquistar o coração de Kate.

Apertei novamente seu pequeno corpo junto ao meu e fechei meus olhos, pegando no sono junto a minha doce desconhecida.

*POV off*

Exatamente às seis horas da manhã, Kate despertou. Sentia seu corpo relaxado e disposto como nunca antes. Teve uma ótima noite de sono e se amaldiçoava por saber que isso era resultado do cuidado de Castle. Aquele pobre homem que tivera seu destino decidido por um bandido cruel e ambicioso.

"É a primeira vez desde a morte de Sorenson que eu hesito em matar alguém. Isso é tão confuso", Kate pensava encarando um Castle adormecido e grudado a seu corpo.

— O que você tem que causa esse efeito em mim, Richard Castle? – ela disse em um sussurro enquanto se permitia acariciar com delicadeza o maxilar do escritor.

Ele soltou um suspiro e um sorriso mínimo nasceu em seus lábios, como se, mesmo dormindo, ele soubesse que ela o estava acariciando. Kate abaixou os olhos e sentiu uma tristeza invadir seu peito. Ela havia gostado dele, do seu jeito meio cafajeste, do seu sorriso brincalhão e safado, dos seus lindos olhos azuis que a olhavam com intensidade; ela havia gostado de cada mínimo detalhe dele. Sem contar o sexo maravilhoso e os beijos quentes que trocaram por boa parte da noite.

— Talvez haja uma forma de poupar sua vida... – ela falava ainda baixo e sem desgrudar a mão da face dele – Deus! O que eu estou pensando? É claro que não há outra forma.

Ela suspirou profundamente e se levantou, indo até o banheiro para se arrumar e sair dali antes que ele acordasse e a enfeitiçasse novamente.

Pretendia concluir a missão de uma forma mais íntima, como costumava agir quando fazia parte da KGB, porém, os sentimentos – que ainda não sabia identificar quais eram – que ela tinha por Castle a impediriam de executá-lo utilizando-se desses métodos.

"Creio que precisarei utilizar o modo distante e impessoal que Vulcan Simmons tanto preza", ela pensou ao despir-se e entrar embaixo da ducha.

Alguns minutos depois, Castle despertou. Passou a mão pela cama e sentiu o vazio a seu lado, abriu os olhos e se certificou de que estava mesmo sozinho ali. Bufou olhando para o teto, imaginando que Kate havia ido embora, até que ouviu o som do chuveiro ligado.

"Ela está no banho. Não saiu sem se despedir", ele pensou com um sorriso nos lábios e, rapidamente, tratou de ligar para a recepção a fim de pedir um café da manhã caprichado para os dois.

Já ia se juntar a ela no banho quando um bip de celular indicando uma nova mensagem lhe chamou a atenção. Pensou ser o seu, já que o toque e o aparelho eram os mesmos, porém, ao segurar o celular e ler a mensagem na tela, percebeu que aquele era o celular de Kate. E o conteúdo o deixou totalmente em alerta.

V.S: Espero que seu sumiço e a demora para entrar em contato signifiquem que já tenha resolvido o problema com o escritor. Eu te avisei acerca da seriedade desse assunto. Não falhe!

— O que você pensa que está fazendo com meu celular? – a voz irritada dela lhe chamou a atenção.

Ele a encarou fixamente, incapaz de pronunciar uma palavra sequer. O conteúdo daquela mensagem repassando em sua cabeça. Que problema sério ela poderia ter para tratar com ele?! Isso não fazia o menor sentido, eles nem se conheciam.

Ou pelo menos era isso que ele achava até ler aquela mensagem.

— Quem é V.S., Kate?

— O quê?

— "V.S." te mandou uma mensagem falando algo sobre "o escritor" e, já que estamos juntos aqui por você ter ido até mim ontem, imagino que seja eu.

— Quem te deu o direito de mexer em meu celular? – ela resolveu ficar na defensiva, não sabia como responder àquela pergunta sem ter que acabar com a vida dele logo depois.

E, sinceramente, ela já havia desistido de matá-lo.

— Responda.

— Devolve meu celular. – ela falou firme, andando até ele com passos apressados e arrancando o aparelho das mãos dele – Eu avisei: você não me conhece, Richard Castle.

— Não. E, pelo visto, nem quero conhecer.

— Suponho que agora eu possa ir embora.

— Não sem antes me explicar essa mensagem.

Kate o olhou abismada. Nunca antes alguém havia tido a coragem de enfrentá-la dessa maneira. Nem mesmo os "irmãos" da célula a enfrentavam assim, não sem as ordens de Jim Beckett.

A frase que ela o havia falado no meio da madrugada veio à sua cabeça: "Posso te garantir que, lá fora, eu não temo. Eu sou temida". O que ela queria dizer? Precisava saber o que aquela mensagem significava, pois, se o que pensava era verdade, ele corria risco de vida. E, vendo que ela não iria dizer nada, ele continuou.

Quem é você?

— Eu não vou te dizer uma palavra sobre a minha vida.

— E eu não vou deixar você sair daqui até que me explique o que está havendo!

Castle disse com firmeza e ela fechou os olhos, respirando profundamente e tentando não se alterar. Não queria machucá-lo, mas que droga!

— Não me faça machucar você, Rick.

— Isso é uma ameaça? – ele disse em tom de deboche.

Não sabia explicar em que momento aquela situação o irritou tanto, mas não estava com vontade de fazer esse joguinho de gato e rato com ela. Ou Kate começava a falar logo de que se tratava tudo aquilo, ou ele perderia a cabeça de vez.

— Não! Eu não ameaço, Rick. – a voz saiu baixa, mas firme – E se você fosse um pouco esperto, me deixaria sair daqui agora mesmo e esqueceria essa história... antes que as coisas saiam do controle.

— Não, eu... – ele tentou rebater, mas ela o interrompeu.

— Eu não quero machucar você, mas irei se você não esquecer essa história.

O tom que Kate usou para falar aquela última frase foi diferente de todos os outros que ela usara durante o tempo que passaram juntos. E ele notou. A voz era fria, como se ela já fosse acostumada a machucar as pessoas.

Não podia ser... podia?

Bem, ele não tinha como duvidar ou concordar, sequer a conhecia. Poderia ter se deitado com uma psicopata e ter tido a sorte de não ser morto no meio da noite. Um frio lhe subiu a espinha quando esse pensamento passou por sua cabeça, e ele apenas a encarou sem saber o que dizer ou fazer.

Kate percebeu que ele havia recuado com o que ela disse e decidiu tomar proveito da situação. Pegou sua bolsa que estava jogada no canto do quarto, juntamente com seu casaco, e saiu, deixando um Rick Castle desnorteado para trás.

#

O barulho do salto ecoou por todo o local, o andar decidido e imponente bastante conhecido por todos ali causando temor naqueles que o ouviam. Aqueles que estavam em seu caminho iam se afastando, dando passagem a ela, e abaixando a cabeça como que se desculpassem por estarem em sua frente.

Kate seguia rapidamente para a sala de seu chefe, sequer olhando para os lados para repreender com seu olhar gélido cada um que atrasava sua chegada. Não iria admitir que Vulcan a tratasse como uma novata incompetente que precisava ficar mandando mensagens durante a noite. Quem ele pensava que era para se dirigir a ela daquela forma?

Ela abriu a porta com violência, quase a arrombando, e entrou na sala de seu chefe. A fúria presente em sua face.

— Ora, ora. Decidiu dar o ar da graça, Beckett?

— O que você tem na cabeça para me mandar uma mensagem daquelas?

— O que eu tenho na cabeça?! Eu mandei você acabar com a vida daquele escritorzinho e você faz o quê? Deita-se na cama dele como uma vadia carente de sexo.

— Olha aqui, seu velho desgraçado, eu não admito que use esse tom para falar comigo. – ela avançou nele e o segurou pelo colarinho – Você sabe muito bem quem eu sou e de onde eu vim. Não tenho que te explicar os métodos que uso.

— Que fúria repentina é essa, Katherine? – ele questionou sem se amedrontar com a atitude dela.

Já estava acostumado com aquele gênio forte e com a frieza de sua "pequena menina". Sabia que ela gostava de executar seus trabalhos de uma forma mais pessoal, isso era típico de onde ela veio. Mas não podia correr o risco de perder sua arma mais poderosa para um simples escritor que havia metido o nariz no lugar errado.

— Por acaso a noite de sexo que teve te fez fraquejar?

— Como sabe o que fiz durante a noite? Você está me vigiando, Simmons?

— Apenas estava me certificando de que concluiria o trabalho.

Se antes ela já estava uma fera, ao ouvir aquilo, ela apenas piorou. Imprensou o chefe contra a parede e falou em um tom de ameaça.

— Da próxima vez que colocar seus filhotinhos para me vigiarem, eu acabo não só o meu serviço, mas, também, acabo com eles.

— Solte-me e vamos conversar civilizadamente.

— Civilizadamente? – ela riu em deboche – Você quer dizer como dois assassinos?

A raiva ainda a dominava e ela não sabia se por ter sido tratada como uma incompetente ou se por Castle ter visto a mensagem e tê-la confrontado. Desde que seus olhos bateram no escritor, ela deixou de agir racionalmente.

Porém decidiu soltar Vulcan e conversar, quem sabe conseguiria outra maneira de tirar Castle do caminho dele sem precisar matá-lo.

— Por que essa pressa toda em ter Richard Castle morto? – ela perguntou já com a voz controlada, e sentou-se na cadeira à frente do chefe.

— Assuntos do passado.

— Ou me explica melhor essa porcaria toda, ou arruma outro para fazer o serviço.

— Às vezes eu me esqueço de que não exerço em você o mesmo poder que exerço nos demais aqui.

Ela o olhou com tédio e cruzou os braços abaixo dos seios, esperando que ele lhe contasse o que queria saber.

— Richard Castle conhece uma pessoa do meu passado que quase descobriu sobre tudo isso aqui. – ele resolveu falar, sabia que ela não descansaria até descobrir seus motivos – E esse novo livro que ele resolveu fazer, e que você já deve ter pesquisado, o levará a descobrir toda a verdade.

— Então tem medo que ele descubra sobre seus negócios?

— Ele tem potencial suficiente para isso.

— Por conhecer essa tal pessoa de seu passado. – concluiu, entendendo onde o chefe queria chegar – E não há outra forma de resolver?

— Desde quando você tenta encontrar outra forma de resolver algo?

Ela bufou, revirando os olhos. Nem ela mesma sabia a resposta para aquela pergunta. Não sabia o porquê de se importar com a vida do escritor, apenas... se importava.

— Richard Castle é público demais, uma morte assim levantaria suspeitas. O perfil dele é totalmente diferente de todos aqueles que já matei.

— Encontre um jeito, quero esse homem morto!

— Tudo bem. Mas farei as coisas do meu jeito e no meu tempo.

Dito isto, ela se levantou para se retirar da sala e, antes de sair dali, virou-se para o chefe e o alertou.

— Espero não encontrar nenhum vira-lata seu me seguindo.

Falou firme e bateu a porta, indo embora dali.

Precisaria voltar para casa e encontrar uma forma de tirar Richard Castle do caminho de Vulcan Simmons sem utilizar-se dos métodos que seu chefe queria. Era a primeira vez que sentia necessidade de poupar a vida de alguém e não podia simplesmente ignorar isso.

Sempre se amaldiçoara por ter se tornado o monstro que Jim Beckett tanto quis que ela fosse e, agora que tinha a chance de deixar de ser essa pessoa fria e cruel que a fizeram, ela agarraria a oportunidade com tudo o que tinha. Lutaria contra si mesma e contra essa resistência que havia nascido em volta de seu coração. Queria a antiga Kate Beckett de volta, mas, para que isso acontecesse, precisaria acabar com o pai antes.

E, também, poupar a vida de Richard Castle.

Notas finais
E então? Comentemmmmm ;) Mudei a capa da fanfic, achei mais a cara da história. Vocês gostaram? ^^ p.s.: o próximo cap de FASL sai esse final de semana, juro haha