Meu Destino

1 Eu tenho meu mais estranho primeiro dia de aula


Notas iniciais
- Espero que gostem!- Deixem rewis!- Se acharem algum erro --de português ou alguma outra cosia --por favor, avisem-me.

Acordei com o som do despertador. Sete horas da manhã. Isso aí, as férias acabaram. Não tenho condições psicológicas de sair da cama (estou com medo de nas horas seguintes morrer de tédio), então fico olhando o teto e pensando no que os professores devem ter planejado para..
BAM!
Alguma coisa bateu na minha janela, levanto em sobressalto e corro para ver. Antes de chegar lá vejo um vulto, mas quando olho através da vidraça vejo apenas a minha sempre calma e entediante rua. Abro a janela devagar e coloco a cabeça para fora, na esperança de, sei lá, encontrar alguma coisa, quando minha mãe entra escandalosamente no meu quarto:

–-Rebecca! –diz ela –minha filha, você vai chegar atrasada! Vamos, vamos, se apresse!

Eu olho para o relógio e depois para a minha mãe e digo, tentando não soar irritada:

–-Mãe, são sete horas e cinco, CINCO, minutos. Ainda.Tem.Muito.Tempo.

–-Ás vezes acho que você não parece ser a primeira aluna da classe.

–-Eu não gosto da escola. Além do mais, é sorte. O assunto entra direitinho aqui. –disse tocando na minha cabeça. –Agora a senhora pode me dar licença? Tenho que me arrumar. Ah, sem falar que quem garante que eu seria a primeira dessa escola também?

Ela suspirou, revirou os olhos e deixou o quarto. Arrumei-me e desci para tomar café da manhã.

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Minha mãe me acompanhou até a Direção, não sabia se eu ficava envergonhada pelo fato de que eu, uma calouro do 1º ano, está sendo levada pela mãe, ou se ficava contente por não ter que ir sozinha.

A Diretora nos recebeu bem, entregou o horário e falou um bocado –até então não tinha achado que morreria de tédio antes de ver primeira aula –e quando foi me acompanhar até a sala ainda teve a audácia de nos pedir desculpas por não ter tido tempo para conversar mais!

De qualquer forma, ela abriu a porta da sala de aula –que por sinal, era segunda, perdi a primeira por causa do seu falatório – e entrou comigo. Do lado de fora a minha mãe nos observava, parecia exausta e quando a vi assim, jurei para mim mesmo que me comportaria melhor, só dessa vez.

Podia ver todos olhando para mim enquanto a Diretora falava. Não me surpreendi. Também olharia para uma novato que chegou no meio do ano, principalmente se a Diretora estivesse falando que ela era uma retardada que não durava muito numa escola e que tinha TDAH.

Quando ela parou de falar –pela segunda vez na vida fiquei feliz com o silêncio –pediu que eu dissesse algo sobre mim. Resmunguei algo sobre ela já ter dito tudo. Ela sorriu –um sorriso estranho, tinha um quê de diabólico, como que guardasse um segredo. E eu a encarei, incrédula, enquanto ela deixava sala.

–-Hã? Srat. Waters? –disse a professora –Poderia se sentar, por favor. Gostaria de poder continuar a aula. –todos riram.

–-Ah –eu respondi distraidamente, sentindo meu rosto corar. –Claro. Desculpe. –e então fui andando até a banca vazia mais distante da sala, não antes de ver um último olhar da minha mãe...

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Solto a minha bandeja na mesa mais afastada do refeitório. Sento-me sozinha. Cutuco com o garfo o pedaço de carne suspeita que me serviram, enquanto penso nas primeiras aulas que tive. Não foram tão ruins quanto os olhares de todos os alunos. Detesto ser novata. Todos lhe olham, como se procurassem seus defeitos, ou então um apelido pra zoar com sua cara. Graças a Deus que nunca fizeram isso. Teria quebrado a cara deles mesmo. Além do mais, dessa vez é diferente, é algo necessário, não dava para simplesmente...

–-Posso sentar aqui? –um garoto loiro, de olhos claros, e forte me interrompe.

–-Tudo bem. –digo dando os ombros, apesar de preferir ficar sozinha.

–-Porque você faz isso? –disse ele, depois de um tempo, apontando para mim com o garfo.

–-Isso o quê? –digo –Cutucar uma comida suspeita com o garfo?

–-Não. –ele fala me encarando –Ficar mexendo nesse colar. É uma coruja, certo?

–-Colar... –falo distraidamente –Ah... Sim... É uma coruja.

–-Mas por que você fica mexendo?

FLASHBACK ON:

Já era noite. Estávamos, meu pai e eu, sozinhos no carro. Do nada ele para numa praça.

–-Pai? O que foi? –perguntei, intrigada –Vamos chegar atrasados.

–-Espere só um pouquinho. –diz misteriosamente e sorrindo, enquanto mexia no porta-luvas –Já, já você vai ver.

–-Não estou entendendo! A gente não ia... –fui interrompida pela música que ele colocou.

Era a nossa música. Mamãe não gostava dela. Meus irmãos também não. Nunca entendi o porquê. Ela é perfeita. Linda, doce de ouvir... Mas para dizer a verdade, eu ficava feliz por não gostarem. Era algo meu e do meu pai. Algo só nosso.

E então ele sorriu:

–-A jovem dama poderia me conceder a honra de me acompanhar num dueto?–disse piscando, fazendo-me revirar os olhos.

–-Se este cavalheiro fizer o favor de aumentar a música...

E começamos a cantar. Parecia mágico –apesar de desafinarmos aqui ou ali. Cantávamos uniformemente, sem parar, junto com a música. Então chegou essa parte:

“Look at the stars

Look how they shine for you”

Meu pai pegou uma caixinha do seu bolso, pediu que eu fechasse os olhos. Colocou um colar em mim e sussurrou:

–-Seu presente de aniversário. Adiantado. Espero que goste. Eu te amo, filha.

“And all the things that you do”

FLASHBACK OFF

–-Não sei. Mania. –minto, parando de mexer e dando uma garfada sem muito gosto.

–-Hum... Legal...

Seguiu-se alguns minutos constrangedores de silêncio, mas pelo visto não era muito o forte dele ficar calado.

–-Eu soube que você tem TDAH... –eu já dizer pra ele não se meter na minha vida quando ele completou: --eu também. E dislexia.

–-Só tenho TDAH –como se não bastasse –Adoro ler. Não sei o que faria se tivesse dislexia. –continuo, tentando não parecer muito chata.

Ele me olha intrigado. Pensei que ele ia dizer mais alguma coisa quando ouço gritos. Levantamos-nos rapidamente e olhamos em volta. Todos no refeitório estão correndo para as portas, que estão fechadas, esmurrando-as, empurrando uns aos outros. Procuro o que causou todo esse pânico, quando, do meio do refeitório, vem um grito –não um terror, mas de prazer.

Ali, está, bem no meio do salão:

A Diretora –só do tronco pra cima. Onde deveria estar suas pernas... havia uma... uma espécie de cauda dupla e escamosa.

Notas finais
~_ Espero que tenham gostado!! :D