Meu Destino
2 Confundindo ainda mais o meu dia.
Notas iniciais
O.K. Supernormal. A minha diretora tem uma cauda escamosa, tipo uma cobra. Nem sei por que me surpreendi. Mas o que realmente estranhei foi o que o garoto ao lado disse:
–-Ah! Ótimo! –falou irritado –Um monstro no primeiro dia de aula! Eu devia saber!
–-Hã... –digo confusa –Você costuma se encontrar com monstros por aí?
Antes que ele pudesse me responder, a Diretora –ou seja lá o que ela ou aquilo for –se virou e me olhou bem nos olhos:
–-Rebecca Waters! –ela parecia sentir prazer, como se eu fosse seu prato preferido e que ela mal pode esperar para comer. Algo que eu realmente espero que eu não seja. –Esperei tanto tempo por isso!
–-Como assim? –indaguei curiosa.
–-Rebecca! –disse o garoto.que.sabia.o.meu.nome.e.eu.não.sabia.o.dele. –Ela é um monstro! Não lhe dê atenção!
–-Não ligue para o que esse filho de Apolo insignificante lhe disser –silibou a Diretora –Você teve sorte, as parcas finalmente nos permitiram chegar até você!
–-Chegar até mim? –indaguei enquanto ela deslizava em minha direção.
–-Sim! –ela berrou –meu senhor Cronos me colocou nessa escola. Ele acha que talvez você tenha alguma serventia para ele.
–-Cronos?! –olhei em volta esperando que alguém falasse algumas coisa, pois tinha certeza que esse era o cara dos mitos gregos que devorou seus filhos, um tal de senhor do tempo que governou o mundo antes dos deuses mitológicos ou algo assim. Mas ninguém disse nada. Ou tavam esmurrando as portas ou se encolhendo de medo no chão. Nem mesmo o garoto-sem-nome estava por perto.
–-Sim! Até mesmo o Traidor precisa de aliados. –agora eu andava para trás para que ela não chegasse até mim.
–-Mas ele não é aquele carinha que controla o tempo e que devorou os próprios filhos? –perguntei, era melhor deixá-la falando do que lhe dá tempo pra fazer sei lá o quê que veio fazer comigo.
–-Sim, menina. Você deveria demonstrar um pouco mais de respeito com ele, em breve você o servirá! –se ela desse mais uns cinco passos (com aquelas caudas ela dá algum passo?) chegaria até mim, e eu não tinha para onde ir. Já havia encostado na parede.
–-Por que ele quer que eu o sirva? –falei tentando ganhar algum tempo pra pensar em alguma coisa. Não há muito o que fazer, considerando que não tenho nenhuma arma. Será que uma cadeira serviria?... –E por que eu o serviria? –disfarçadamente coloquei a mão sobre a cadeira da mesa mais próxima.
–-Você é a candidata perfeita. Quando descobrir o que você é ficará com tanta raiva... indignação... falta de fé... E ele o ajudará. –ela estava tão perto que podia sentir seu hálito fétido.
–-Quando eu descobrir o que sou... –sussurrei comigo mesma, soltando a cadeira.
O que sou? Uma garota de 14 anos com TDAH, sem pai, que desde então vem trocando de escolas? Ou... Ou será que sou algo mais?
Ela é um monstro! Não lhe dê atenção!, pensei no que o garoto dissera. O garoto... Onde ele está?
Foi então que eu o vi. Ele estava logo atrás do monstro, e segurava uma espada?
–-Se você sabe tanto assim, o que sou? –disse, percebendo o que ele queria fazer.
O monstro riu.
–-Você é apenas mais uma insignificante... –seu rosto se contorceu de dor. Uma ponta dourada atravessou sua barriga e ela virou pó.
–-Ótimo trabalho distraindo-a, Becca. –o-garoto-sem-nome segurava uma espada de bronze para duas mãos e sorriu (um sorriso lindo, por sinal).
–-Não é todo dia que uma diretora se transforma em um monstro e depois se esvai em pó dourado –comentei distraída.
–-Não, realmente não. –ele sorriu mais ainda –Agora vamos. Tenho que falar com alguém e acho que isso vai interessar a você.
Ele me pegou pela mão e me arrastou pelas portas do refeitório que só agora reparei que tinham se aberto e liberado as pessoas para fugirem loucamente. Acho que foi quando a criatura virou pó.
–-Hã... Pra onde você está me levando?! –pergunto.
–-Pra algum lugar para eu fazer um arco-íris.
–-O.K...–meu dia está cada vez mais esquisito. Agora eu tô seguindo um garoto que tá a fim de fazer um arco-íris. Tudo bem. Porque não?
Saímos de dentro do prédio da escola. Podia ver alguns alunos fugindo. O garoto me levou até um lugar mais afastado e disse:
–-Aqui. –disse ele parando –Está perfeito. Agora só falta... –ele começou a revirar os bolsos –tenho que ter uma...
–-Hã... Porque você quer fazer um arco-íris, mesmo? –perguntei torcendo que ele respondesse algo que não tivesse a ver com potes de ouro ou unicórnios.
–-Você vai ver. –disse ele, tirando um chaveiro e uma moeda dourada estranha do bolso.
Ele segurou uma chave e ficou mexendo-a até encontrar uma posição que desse para fazer um arco-íris e disse:
–-ò, deusa, aceite nossa oferenda! –ele jogou a moeda estranha no chão e completou: --Mostre-me Quíron, Colina Meio-Sangue.
A moeda desapareceu no asfalto. Dei um passo para trás, abismada demais para falar alguma coisa. Foi então que uma imagem surgiu. Bem ali, na minha frente havia, como numa TV em HD, uma imagem de um senhor de cadeira de rodas e um homem de camisa espalhafatosa, jogando baralho –e o mais estranho do jogo era que tinham duas mãos de cartas flutuantes.
–-Ganhei mais uma vez, Sr.D –disse o cadeirante, colocando suas cartas na mesa e sorrindo.
–-Charam! –o garoto-que-ainda-não-perguntei-o-nome coçou a garganta e continuou: --Quíron. Sr. D.
–-Ah... Desculpe-nos, Colin. Não o vi. –disse o vencedor.
–-Ah, sim. Esses pestinhas mal saem do Acampamento e já fica mandando MI... –resmungou o outro cara. –Acho que vou dar comida a Seymour. Melhor do que ficar aqui. –e aí o cara desapareceu e eu cheguei a conclusão de que nada mais me surpreenderia hoje.
–-Quirón, estamos com um problema. –o garoto, que descobri se chamar Colin, apontou para mim.
–-Hum... Uma meio-sangue? –Quíron arqueou as sobrancelhas.
–-Sim. Um monstro a atacou. –Colin disse.
–-E o que você acha disso... –Quíron falou.
–-Rebecca... –falei baixinho, tentando não pirar completamente.
–-Sim, jovem criança, o que aconteceu? –podia ver que Colin alternava o olhar entre Quíron e eu.
Alguma coisa dentro de mim fez com que eu confiasse nele. Colin confiava, e ele tinha acabado de me salvar da Diretora demoníaca, então acho que devia isso a ele. Então contei tudo para Quíron, tudo o que aconteceu no refeitório. Ele era um bom ouvinte, não me interrompeu em nenhum minuto –diferentemente de Colin, que sempre acrescentava um detalhe. E Quíron não pareceu nenhum pouco surpreso com tudo o que eu disse.
–-Bem, Colin, você poderia trazê-la para cá? –ele falou depois de uma longa pausa –Você sabe que estamos com um déficit de protetores nas escolas.
–-Claro, Quíron. Aproveitarei que tenho umas pendências para resolver com os Stolls... –respondeu Colin.
–-Ótimo. Mandarei uma carona para vocês em breve. Até mais tarde! –antes que pudéssemos perguntar mais alguma coisa, Quíron deslizou a mão na sua frente, como se apagasse algo, e a imagem se desfez.
–-Duas perguntas: o que ele quis dizer com me levar para o Acampamento e que tipo de carona vamos ter? –falei, esperando que alguém me esclarecesse alguma coisa.
–-Bem, Quíron precisa lhe contar uma coisa que, bem, não é fácil de explicar. O acampamento é o melhor lugar para isso. –falou Colin –E quanto a segunda pergunta, é melhor irmos esperar no pátio. Você vai ver. Vamos?
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Já estávamos esperando a cerca de dez minutos, quando uma sombra passou pelas nossas cabeças.
–-A nossa carona chegou! –disse Colin, sorrindo.
Olhei para o alto e vi.
Em cima da minha cabeça sobrevoava um lindo pégaso negro.
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