Meu CEO de estimação
22 O trabalho do CEO
Notas iniciais
— Desculpe, Jeonghan-ssi, mas eu não pude deixar de notar o seu medo, então achei que essa era a melhor abordagem. — o médico explicou enquanto, descaradamente, terminava de injetar o conteúdo da vacina no braço de Jeonghan.
De repente, o rosto do Yoon foi perdendo a cor até passar a se parecer exatamente com uma folha de papel.
— Isso é uma... a...gu...
Jeonghan não conseguiu sequer terminar a frase, pois sua voz desapareceu gradativamente conforme os seus sentidos também o deixavam. Eu senti o aperto em volta do meu corpo afrouxar e, em seguida, o mais novo acontecimento catastrófico daquele dia era YoonJeonghan caindo desmaiado diretamente no meu colo.
— Que vexame. — eu ouvi Jeonghan resmungar pela vigésima sétima vez, porque sim, eu estava fazendo aquela contagem, enquanto precisava se escorar no corredor devido ao pé enfaixado. — Justamente em um momento tão importante... Que vexame...
Mesmo sem estar o fitando diretamente, eu podia imaginar com toda a nitidez do mundo a expressão insatisfeita acompanhada de um biquinho frustrado que ele certamente estava fazendo naquele momento, o que me fez rir.
— Eu achei engraçado. — comentei, o que o fez bufar. — Na verdade, agora eu acho toda a cena engraçada, mas no momento em si eu realmente achei que você tinha morrido, Yoon Jeonghan.
Dito isso, eu digitei a senha do painel de segurança que abria a porta da frente — porque, apesar de aquele apartamento não ser nem de longe meu, eu já tinha os seis dígitos decorados de cor e salteado, podendo entrar sem precisar mais perguntar aquilo ao verdadeiro dono da moradia — enquanto me lembrava do pânico que me consumiu quando Jeonghan simplesmente desmaiou nos meus braços ao se deparar com uma agulha espetada no seu braço. Eu o chamava insistentemente e cheguei a sacudi-lo, porém, o próprio médico que havia o furado se prontificou a dizer que ele estava bem e que aquele choque todo logo passaria. O doutor parecia calmo até demais e, no calor do momento, eu cheguei a achar que o homem estava fazendo pouco caso do estado do Yoon, mas depois logo me ocorreu que ele deveria presenciar cenas como aquela, no mínimo, diversas vezes por dia trabalhando na emergência de um hospital.
Ele me pediu para que eu deitasse Jeonghan na maca e, assim que eu o fiz, o Yoon recobrou os sentidos literalmente um par de minutos depois. A cor de um ser humano vivo e saudável foi gradativamente retornando para as suas bochechas e, quando ele abriu os olhos, a primeira coisa que fez foi dar um pulo da maca e checar se a agulha ainda estava presa ao seu braço.
Para o bem da preservação da paz mundial, o objeto felizmente não estava mais lá.
— Morrer e deixar você sozinha por aí? Jamais! — Jeonghan afirmou sério e, por cima do ombro, eu o vi cruzar os braços de forma determinada.
Virei-me na sua direção por um momento.
— Você tem certeza de que sou eu quem não pode ser deixada sozinha? — rebati e, com um movimento de cabeça, apontei para o seu pé coberto de faixas brancas e suspenso no ar.
Diante da alfinetada, Jeonghan automaticamente encolheu os ombros que tinha acabado de estufar.
— Você é má. — voltou a resmungar, o que, consequentemente, voltou a me fazer rir.
Céus, eu estava com os meus quatro pneus tão arreados por aquele homem que eu nem tinha mais como negar. Era arriscado conferir o estepe e, surpresa, até o próprio também estar todo destruído por furos.
Caminhei até o Yoon e, sem nenhuma cerimônia, me estiquei na sua direção o suficiente para que os nossos lábios se encontrassem em um selinho rápido e leve. Como ele estava com a cabeça baixa, não viu a minha aproximação repentina e, muito menos, estava esperando por aquele selinho, o que o fez arregalar os olhos de primeiro — mas que, em seguida, colocou um sorriso largo e satisfeito nos seus lábios rosados.
— Vamos entrar. — eu disse e segurei o seu braço.
— Mas agora? — questionei e, rapidamente, eu entendi sobre o que ele falava.
Ergui uma sobrancelha um tanto sugestiva na sua direção.
— Você quer mesmo que os seus vizinhos vejam o que geralmente vem depois de um selinho? — sussurrei, o que instantaneamente o fez arregalar os olhos.
Rapidamente, o Yoon ajeitou o par de muletas que o próprio hospital que o atendeu havia lhe dado para auxiliar na sua locomoção e, amparado por mim, começou a caminhar com pressa e igualmente desengonçado na direção da porta já aberta do seu apartamento.
— Vamos, depressa. — disse me apressando, o que me fez gargalhar alto, já que nem machucado e debilitado Jeonghan deixava de lado aquela mente travessa e cheia de segundas intenções dele.
Devido ao ferimento do Yoon, a nossa volta para Seul tinha sido adiantada; por mim, no caso, porque pelo próprio e, principalmente, pelo restante da minha família, ele tinha ficado lá para ser mimado por uma semana inteira como se não tivesse nenhuma preocupação na vida. Entre protestos da minha mãe, resmungos da minha irmã por não ter conseguido passar mais tempo com o cunhadinho — essas foram as exatas palavras daquela pestinha — e reclamações do meu pai, que alegou ter sido trocado pela própria família por um CEO bem mais jovem, bonito e rico, eu juntei alguns pertences, arrastei Jeonghan para dentro do seu carro e dirigi todo o caminho de volta para a capital coreana enquanto o ouvia reclamar do seu próprio desmaio. Antes de partir, porém, obriguei Songyoung a me prometer que passaria todo o seu breve recesso escolar na fazenda ajudando os nossos pais e, de quebra, ainda fiz Seokmin jurar que iria ajudá-los no que precisasse, o que não foi muito difícil de conseguir.
Eu poderia ter sido um tanto exigente com todo mundo, porém, era humanamente impossível para mim cuidar de tudo sozinha. Assim, eu deleguei algumas funções para a minha querida irmãzinha mais nova, passei a mão naquele me dava o maior trabalho de todos e o trouxe em segurança de volta para casa. Era melhor que Jeonghan passasse aquele período de recuperação no seu próprio apartamento, onde poderia ficar mais à vontade e, obviamente, que era o ambiente com o qual ele estava mais familiarizado nessa vida, mas não foi muito fácil de convencê-lo daquilo. Depois de passar vários minutos reclamando por eu não o ter deixado ficar na fazenda, ele cismou com a ideia de que, então, eu deveria levá-lo para minha casa.
Céus, imaginem o desastre que seria!
Felizmente, eu consegui pensar em argumentos bons o suficiente para convencê-lo a desistir daquela ideia maluca, como o fato de a minha casa ter escadas que impossibilitariam a sua locomoção por todos os cômodos e que, por ser antiga, as aberturas das portas eram estreitas demais para ele conseguir passar com as muletas. No fim das contas, eu suei e gastei todo o meu potencial de debate para convencê-lo — o que foi justamente o meu maior erro, porque, quando o Yoon veio com a sua segunda ideia mirabolante, eu já não tinha mais nenhum poder de contra argumentação disponível no meu corpo.
E é por isso que, nesse exato momento, eu estou depositando uma bolsa cheia de roupas e dos meus pertences pessoais na mesinha de canto ao lado do enorme e bem acolchoado sofá de Jeonghan. De acordo com ele, se Maomé não vai até a montanha, a montanha vai até Maomé; nesse caso, eu deduzo que eu seja a montanha, mas não tenho cem por centro de certeza disso não. De um jeito ou de outro, o Yoon acabou me convencendo de que seria muito difícil para ele ficar sozinho, até mesmo perigoso. O médico tinha deixado bem claro que ele precisava evitar a todo custo de andar, o que significa que, se ele tiver alguém ao seu lado para ajudá-lo, praticamente não precisará levantar ao longo do dia.
E eu, como boa secretária que sou, automaticamente já assumo a posição desse alguém.
— Você pode colocar isso lá no quarto. — Jeonghan disse e apontou para a minha bolsa.
Eu já tinha o ajudado a se sentar no sofá e, naquele momento, ele já estava com o pé enfaixado devidamente posicionado sobre um punhado de almofadas.
— Qual quarto? — perguntei distraída, já que aquele apartamento tinha um total de três outros quartos além da suíte de Jeonghan.
Ah, eu mencionei que se trata de uma cobertura? Pois é. Inclusive, o apartamento do Yoon era o completo oposto da minha casa: bem amplo, com poucas paredes, uma decoração da última estação completamente requintada e uma vista no mínimo impressionante do bairro com o metro quadrado mais caro de toda Seul.
— O meu, oras. — Jeonghan respondeu, simples.
Automaticamente, eu me virei na sua direção com os olhos arregalados, o que, por algum motivo, o fez cair na gargalhada. Com o orgulho levemente ferido, eu levei ambas as minhas mãos até a cintura e esperei que ele se explicasse.
— Nós já dormimos juntos na sua casa e na casa dos seus pais, então, qual é o problema em dormimos no mesmo quarto aqui no meu apartamento? — indagou ainda rindo, o que me fez pender a cabeça para o lado, pensativa. — Além disso, eu posso precisar de alguma coisa de madrugada, não? Eu não posso ficar sozinho, Min Min-ah.
Bem, apesar do charme manhoso e desnecessário que o Yoon estava fazendo naquele momento, ele não deixava de ter razão. E se ele precisasse ir ao banheiro, por exemplo? Óbvio que eu não iria acompanhá-lo durante todo o processo, mas eu poderia, ao menos, ajudá-lo a se levantar e apoiá-lo até lá, certo?
— Droga. — eu resmunguei em um sussurro ranzinza. — Como você pode estar com a língua tão afiada hoje?
A minha intenção era, no caso, expressar a minha indignação com o fato de Jeonghan ter vencido praticamente todos os nossos debates daquele dia, mas o sorriso que ele estava me direcionando naquele momento indicava que não era exatamente aquilo que ele tinha interpretado.
Ou escolhido interpretar, no caso.
— Como você sabe tanto sobre a minha língua, Min Min-ah? — indagou com um sorriso de canto capaz de desestabilizar até mesmo o mais forte dos santos.
Ainda bem que, felizmente, eu estava bem longe de ser canonizada.
— Yoon Jeonghan. — eu o adverti com o melhor dos meus tons ameaçadores, o que, ao contrário do que eu esperava, não pareceu surtir muito efeito.
O salafrário, de algum modo, estava começando a ficar imune às minhas ameaças e repreensões, o que o fez abrir um enorme sorriso abobado ao ouvir o seu nome completo. De repente, Jeonghan abriu os braços e os esticou na minha direção, mais parecendo um enorme bebê prestes a convencer alguém a pegá-lo no colo pela décima vez no dia.
— O que foi? — eu perguntei enquanto cruzava os braços.
Jeonghan abriu e fechou a mão um par de vezes, como se estivesse tentando alcançar alguma coisa.
— Cafuné. — disse, apenas, e alargou ainda mais o seu sorriso.
— Yoon Jeonghan. — eu repeti, mas, assim como da última vez, falhei miseravelmente na minha missão de parecer assustadora. Bufei. — Droga.
Assim, me dando por vencida, eu caminhei até o sofá onde o Yoon estava e me prestei a fazer a única coisa que ainda me restava naquele dia de derrotas consecutivas: cafuné nos cabelos macios e descoloridos de Jeonghan.
***
Sabe aquela história de que lençóis de infinitos fios egípcios e travesseiros de penas de animais alheios são tão bons que chegam a melhorar a qualidade do sono das pessoas? Pois bem, essa história, infelizmente, não é apenas uma invenção burguesa para fazer os pobres mortais desgostarem ainda mais de quem tem acesso liberado a esse tipo de coisa.
A tal história não poderia, de fato, ser mais real.
Aquela tinha sido uma das melhores noites da minha vida em questão de um longo e bem dormido sono e, bem, aquilo tinha uma explicação lógica e caríssima. A cama de Jeonghan, além de ser capaz de abrigar a minha família inteira tamanha era a dimensão do móvel, era acompanhada por um colchão extremamente macio e que parecia abraçar o exato formato da pessoa que nele deitava. Além disso, estavam presentes também os tais lençóis egípcios e os travesseiros de pena, o que funcionava como a perfeita cereja do bolo. Quero dizer, quem em sã consciência não dormiria bem deitado em cima de tanto dinheiro?
Ah, eu quis dizer conforto, claro.
De um jeito ou de outro, na manhã seguinte, eu não poderia ter acordado mais bem disposta do que o esperado. Apesar de toda a aventura extremamente cansativa do dia anterior e de ter caído praticamente moribunda na cama de Jeonghan, a primeira coisa que eu pude sentir naquela manhã foi a leveza de um corpo realmente relaxado. Céus, como era bom ser rica por associação! Sem pressa e apenas fazendo bom proveito daquela preguiça matinal, eu abri os meus olhos e a primeira imagem com a qual me deparei foi de uma surpresa de muito bom gosto: YoonJeonghan.
Deitado ao meu lado e com a cabeça relaxada sobre as costas de uma de suas mãos, ele imediatamente sorriu quando me viu despertar.
— Bom dia, Bela Adormecida. — disse e, com a mão livre, fez um rápido e igualmente singelo carinho nos meus cabelos.
— Bom dia. — eu respondi e, inevitavelmente, acompanhei o seu sorriso. — Que horas são agora?
Jeonghan pareceu pensativo.
— Bem, da última vez que eu olhei eram nove e meia, mas isso já faz um bom tempo. — afirmou despreocupadamente, dando de ombros.
De imediato, meus olhos se arregalaram e eu ergui me corpo num movimento brusco e apressado, o que pegou Jeonghan de surpresa.
— Meu Deus, eu já até ultrapassei os limites de atrasada! — exclamei, perplexa. — Por que você não me acordou, Jeonghan-ah?
— E por que diabos eu faria isso? — rebateu. — Você não está pensando em ir para a Price, está?
— E para aonde mais eu iria? — eu fiz mais um questionamento naquela conversa de perguntas óbvias e sem fim. — Desde a última vez que eu chequei, eu ainda tinha um contrato de trabalho com a empresa. Se eu ficar faltando assim, vou acabar indo parar no olho da rua.
— E quem vai demitir você? — retrucou e, por fim, se sentou na cama para me acompanhar. — Pense comigo, Minyoung: você não trabalha para a Price, mas sim para mim. Se eu não trabalho, você não trabalha. Se eu tiro uma semana de folga, você tira uma semana de folga. Simples.
— E quem raios cuida do resto, Yoon Jeonghan? — perguntei, séria. — As ligações, as reuniões, os chefes dos outros setores que sempre correm até mim quando precisam de algo vindo de você...
— As ligações podem ser facilmente redirecionadas para o seu celular. As reuniões seriam canceladas de qualquer jeito, já que eu não posso comparecer ao trabalho por causa do meu pé. E quanto aos chefes dos outros setores, bem, eles que esperem. — respondeu e se inclinou na minha direção. Em seguida, diminuiu o tom de voz e exibiu um sorriso travesso. — Só eu posso correr atrás de você.
Ao ouvir aquilo, eu não sabia se balançava a cabeça em repreensão ou se, na pior das hipóteses, sorria feito uma idiota. Eu o encarei durante alguns segundos, ainda ponderando se deveria mesmo ficar afastada por toda uma semana do trabalho, ainda mais naquela época.
— Eu fico, mas com uma condição. — eu respondi, por fim, e ele rapidamente balançou a cabeça em uma resposta positiva. — Que nós vamos realmente trabalhar de casa. Nada de usar o seu pé machucado como uma desculpa para me manter aqui procrastinando durante uma semana inteira.
Diante da minha proposta, Jeonghan fez uma careta azeda e contrariada.
— Bem, já que não tem outro jeito... — resmungou. — Tudo bem, eu aceito a sua condição. Agora volta aqui e fica mais um pouquinho na cama, que tal? A gente pode ficar bem abraçadinho e...
O Yoon já estava esgueirando as suas mãos por cima do edredom para alcançar as minhas quando, de repente, foi surpreendido ao levar um tapa estalado nas mesmas.
— Nós estamos em horário de trabalho, mocinho. Então, o que nós vamos fazer a partir de agora é trabalhar. — eu afirmei e, antes que ele pudesse protestar, continuei a minha fala. — Vamos, eu ajudo você a levantar para que a gente possa tomar café da manhã e, assim, já começar a discutir um assunto de extrema importância: a eleição para presidente.
Um resmungo alto e contrariado foi ouvido, porém, eu estava ocupada demais tentando encontrar o caminho para fora daquela cama gigantesca para prestar atenção no protesto.
— Você é muito má, Shin Minyoung! Não tem pena de um pobre homem debilitado? — tentou apelar, porém, eu estava decidida a não me deixar ser vencida naquele dia, não de novo. — Não adianta, eu não vou levantar daqui nem erguido por um guindaste.
Eu fui obrigada a parar de pé no meio do quarto de paredes cinzas e móveis negros para, diante de tamanha audácia, erguer uma sobrancelha na direção de toda aquela convicção de Jeonghan.
— Ah, é mesmo? — questionei e, em resposta, o Yoon apenas cruzou os braços e permaneceu exatamente onde estava.
Mas isso não ia ficar assim, não mesmo.
Igualmente decidida, eu dei a volta na cama e parei ao lado de Jeonghan. Permaneci ali durante um par de segundos planejando cuidadosamente os meus movimentos, já que o meu objetivo era fazê-lo pagar pela sua língua, porém, ao mesmo tempo, não piorar ainda mais o machucado do seu pé. Em seguida, eu me inclinei na sua direção calmamente e, enquanto o Yoon esperava uma cena romântica devido à minha aproximação, eu o segurei pelas laterais dos seus braços e, com toda a minha força, o puxei até que ele estivesse quase fora da cama. Diante daquela cena, Jeonghan se surpreendeu com toda a minha vontade e tentou escapar das minhas mãos, o que não adiantou nada devido à sua posição desfavorável.
— Está bem, está bem, eu me rendo! — repetiu até que eu finalmente o soltasse. Eu estava ofegante por conta de toda a força que tinha feito, ainda mais de estômago vazio, mas Jeonghan não parecia muito diferente de mim. — Céus, para aonde foi o clichê dos doramas onde a mocinha cai em cima do protagonista na cama e eles se olham daquele jeito intenso e romântico?
— Para fora do nosso horário de trabalho. — eu respondi, firme.
Jeonghan comprimiu os lábios num bico contrariado, o que automaticamente me fez rir. Ele já estava sentado com as pernas para fora da cama quando, de repente, eu me inclinei na sua direção e repeti a cena do dia anterior, dando-lhe um selinho surpresa. Aquilo era simplesmente bom demais para que eu reprimisse aquele impulso e, aparentemente, o Yoon não parecia discordar de mim — porém, também não aparentava querer só aquilo. Ele exibia um meio-sorriso quando, de repente, abraçou a região acima da minha cintura e me puxou para mais perto de si. Suas mãos foram rápidas em me prender naquela posição e, quando uma delas alcançou a minha nuca, eu automaticamente já soube o que viria a seguir. Jeonghan selou os nossos lábios com certa impaciência, como se estivesse querendo fazer aquilo há muito tempo, mas nunca deixando de ser calmo e carinhoso. Tomou seu tempo naquele beijo e, sinceramente, eu não tinha a menor intenção de apressá-lo. Na verdade, nós parecíamos tão conectados que nem mesmo o próprio tempo tinha vontade de nos interromper.
Mas os nossos pulmões tinham, infelizmente.
Nós nos afastamos um do outro praticamente ao mesmo tempo, mas apenas o suficiente para separar nossos lábios, já que Jeonghan ainda conseguia me prender em seus braços e acariciar os meus cabelos sem precisar se esticar muito de onde estava. Seus olhos foram da minha boca diretamente na direção dos meus olhos e, quando ambos se encontraram, ele abriu um sorriso que eu jurava ser capaz de pintar aquelas paredes escuras do seu quarto do branco mais iluminado possível.
— Se essa for a minha recompensa, eu posso fazer até hora extra hoje. — disse, insolente.
Como a perfeita boba apaixonada que eu tinha me tornado, um sorriso automaticamente brotou nos meus lábios ao ouvir aquilo.
— Então mãos à obra, Diretor Yoon.
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