Meu CEO de estimação

23 O pedido do CEO


Notas iniciais
Demorei dessa vez? Horroooooores, mas juro que não era essa a intenção. Mas enfim, depois de uma montanha de coisas, esse capítulo finalmente saiu e veio pra vocês pra compensar pela minha demora (assim eu espero, pelo menos). Perdoem essa autora atrasada. Boa leitura!

Nós nos afastamos um do outro praticamente ao mesmo tempo, mas apenas o suficiente para separar nossos lábios, já que Jeonghan ainda conseguia me prender em seus braços e acariciar os meus cabelos sem precisar se esticar muito de onde estava. Seus olhos foram da minha boca diretamente na direção dos meus olhos e, quando ambos se encontraram, ele abriu um sorriso que eu jurava ser capaz de pintar aquelas paredes escuras do seu quarto do branco mais iluminado possível.

— Se essa for a minha recompensa, eu posso fazer até hora extra hoje. — disse, insolente.

Como a perfeita boba apaixonada que eu tinha me tornado, um sorriso automaticamente brotou nos meus lábios ao ouvir aquilo.

— Então mãos à obra, Diretor Yoon.

— Eu não achei que você estivesse falando tão sério. — o Yoon resmungou enquanto enfiava uma colherada generosa e birrenta de sopa de arroz na boca.

Para quem muito provavelmente esperava chamegos e descanso o dia inteiro, eu achava compreensível a frustração de Jeonghan, apesar de ser igualmente cômico. Eu tinha preparado uma mesa generosa e variada de café da manhã e servido tudo na mesinha de centro envidraçada que enfeitava a sala de estar dele e, em seguida, o ajudei a caminhar até o sofá, ajeitando tudo para que o Yoon pudesse se sentar confortavelmente ali. Por conta daquele meu gesto, Jeonghan acreditou que nós passaríamos o restante do dia daquele modo, comendo e conversando tranquilamente, mas em certo ponto eu fui obrigada a dar um trágico fim aos seus sonhos.

Achou errado, meu CEO de estimação.

Enquanto ele começava a comer e, aparentemente, achava tudo delicioso, eu me levantei e fui até o seu quarto buscar o que realmente interessava naquele momento. Jeonghan me observou caminhar, confuso, mas acabou me ignorando e me trocando pelos pãezinhos de mel recém assados. Quando conseguiu se esticar o suficiente para alcançar um deles — o maior e mais bem recheado, por sinal — eu retornei para a sala e lancei ao lado da comida um bolo considerável de folhas e pastas, o que o assustou.

— O que diabos é tudo isso? — perguntou enquanto enfiava o pão de mel inteiro na boca, passando a mastigar com as bochechas inflamadas como a de um esquilo.

Sentei-me no chão de frente para ele e, calmamente, o encarei.

— Trabalho.

Ao ouvir aquilo, o diretor quase se engasgou com toda aquela comida e, sendo sincera, eu precisarei me segurar para não rir descaradamente daquela cena.

— O que?! — exclamou, em choque e ainda lutando para engolir o pão. — Tudo isso?

— Exatamente. — afirmei e tomei um breve gole de café. — Você quer ser o próximo presidente da Price, não quer?

— Quero, mas...

— A eleição é daqui a quinze dias, Yoon Jeonghan. — eu o interrompi antes que ele pudesse continuar a sua reclamação. — Você passará essa semana inteira afastado do trabalho, por isso, nós precisamos organizar e adiantar tudo o que pudermos agora. Quando você retornar, só terá mais uma semana para se preparar para a eleição.

Bufou e deixou os ombros caírem contrariados.

— Eu sei disso, você está certa. — deu o braço a torcer, por fim. — Eu só não achei que você estivesse falando tão sério sobre colocar a mão na massa logo de manhã.

Inclinei-me para frente, na sua direção, e me apoiei no escasso espaço vazio sobre a mesinha de centro.

— Eu prometi que iria ajudá-lo em todo processo para que você vencesse a eleição desse ano, não foi? — questionei e ele balançou a cabeça positivamente. — Então é exatamente isso que eu pretendo fazer.

O conselho de acionistas majoritários da Price sempre se reunia a cada três anos com o objetivo de escolher um novo — ou manter o antigo, como tinha sido da última vez — presidente para a empresa, alguém em quem eles confiavam toda a administração do negócio enquanto se sentavam em seus confortáveis e luxuosos escritórios esperando pela chegada dos lucros. Na verdade, a minha contratação tinha sido assinada poucos dias depois de Jeonghan perder a última eleição, algo que eu demorei a descobrir. Naquela época, ele era extremamente diferente do Yoon Jeonghan que eu conheço hoje: sempre muito rígido, ele exigia demais dos outros funcionários e, principalmente, de si mesmo. Trabalhava horas sem fim e quase nunca sorria, o que sempre me deixava intrigada. Julgo eu que, naquele momento, ele estivesse atravessando uma espécie de luto por ter tido o seu maior sonho desmanchado bem diante de si e, por isso, demorou quase um ano completo para que o Yoon voltasse a ser quem eu imaginava que ele sempre tinha sido, o diretor que ele era até hoje.

Naquela época, no auge da minha prestatividade e inocência, eu entrei na sua sala um dia e prometi que faria de tudo o que estivesse ao meu alcance para torná-lo o próximo presidente da Price. Em resposta, ele riu e disse que se eu durasse até a próxima eleição, já seria lucro. No calor daquele momento, eu juro que pensei em agredi-lo com a primeira pasta ou livro que encontrasse disponível naquele escritório, porém, hoje, eu não guardo mais rancor — acho que nem se eu quisesse seria capaz, no caso. Aquilo, de certo modo, acabou me motivando, e agora eu estou prestes a jogar na cara do Jeonghan de uns dois anos atrás o quão errado ele estava sobre a sua genial secretária.

Está bem, talvez eu ainda guarde um pouquinho de rancor sim, mas eu juro que é algo puramente saudável.

— Então... — ele iniciou ainda tomando um gole do seu leite quente. — O que você tem para mim?

Ao fitar Jeonghan, eu percebi que ele parecia realmente interessado nas minhas ideias e no que eu tinha para lhe sugerir, o que acabou me motivando e me fazendo sentir ainda mais confiante. Pigarreei e assumi o meu fajuto tom de negócios.

— Bem, os acionistas costumam levar em consideração diversos pontos para decidirem em quem votarão, coisas como produtividade ao longo dos últimos três anos e afins, mas... — pausei apenas para fazer um suspense, o que o fez rir. — O que é apresentado no dia da votação também conta muito.

— Certo. — ele concordou, seguindo a minha linha de raciocínio. — Então você sugere focar na minha apresentação?

— Exatamente. — respondi. — Tanto você quanto o seu tio terão cerca de meia hora cada um para falar, o que é bastante tempo, se organizado bem. Você já é naturalmente bom em vender o seu peixe, porém, está um passo atrás se nós considerarmos que o seu tio já ocupa um cargo mais alto e, por isso, se apresentará no dia como o próprio presidente da empresa. Por isso, eu pensei em complementar a sua apresentação.

— Eu sou naturalmente bom? — o Yoon perguntou, se vangloriando, e logo recebeu um olhar repreensivo meu em resposta. Ele riu e pigarreou, logo voltando a falar sério. — Parece uma boa ideia, mas com o que exatamente eu poderia fazer essa complementação?

— Um comercial. — eu disse mais firmemente do que esperava. — Afinal de contas, a Price é uma empresa de entretenimento, certo?

Por um momento, Jeonghan apenas emitiu um único ruído pensativo, como quem estava começando a mexer os neurônios para trabalhar com aquela ideia. Depois de um tempo, ele balançou a cabeça para cima e depois para baixo, concordando.

— Ao invés de usar o comercial como um bônus, eu poderia construir a minha apresentação toda ao redor dele, o usando como uma base. — pensou em voz alta. — Não me lembro de ninguém ter feito isso antes, o que é ótimo.

— Ótima ideia! — tudo bem, agora eu estava empolgada demais. Quando notei o sorriso de Jeonghan sobre mim, logo tratei de me recompor. — E eu também tinha pensado, no caso, em usar no comercial atores gerenciados pela própria Price, o que seria mais prático e original. O que você acha?

— Perfeito. Na verdade, eu acho que o Park Bogum seria a escolha ideal. — comentou, animado, o que automaticamente produziu uma careta no meu rosto. — Verifique se a agenda dele está livre para a semana que vem e... Espera, que cara é essa? Você não achou uma boa ideia?

Droga, eu já tinha sido melhor em disfarçar o que estava pensando — ou, talvez, Jeonghan tenha se tornado mais atento quanto a isso. De um jeito ou de outro, eu não conseguia esconder que aquilo não era exatamente o que eu tinha em mente.

— Eu não tenho nada contra o Bogum, na verdade, acho ele um ótimo ator. — expliquei. — Só que, ao usar no comercial a imagem da estrela do momento, um dos rostos mais famosos de todo o país, eu acho que nós não iremos passar a imagem certa.

Ele franziu o cenho, confuso.

— Como assim?

— Bem, ao usar o Bogum nos seus comerciais, as marcas geralmente buscam passar a imagem de que são mais confiáveis porque são mais antigas no mercado, famosas e reconhecidas, assim como o ator que elas contrataram. Desse jeito, as marcas menores e mais novas, aquelas que não podem bancar um cachê tão alto de um ator tão famoso, perdem muita credibilidade, entende?

E, felizmente, o Yoon não demorou muito a entender e seguir a minha linha de raciocínio.

— Ao usar o Bogum, eu estaria dizendo ao conselho que o melhor é aquele com mais credibilidade, que, no caso, não sou eu. — ele completou corretamente. — Eu estaria os incentivando a votar no meu tio, teoricamente mais experiente e reconhecido. Céus, seria um verdadeiro tiro no pé...

— É mais ou menos isso. Eu posso estar exagerando, mas...

— Não é exagero, você está certa. — interrompeu-me e, em seguida, sorriu brincalhão na minha direção. — E mais uma vez, o dia foi salvo graças à secretária Shin Min Min.

Aquilo tinha sido tão bobo e repentino que, infelizmente, eu fui obrigada a desfazer a minha pose de secretária executiva para soltar uma gargalhada alta. Fitei-o, incrédula.

— Você não perde uma chance, não é mesmo? — perguntei, ainda rindo.

— Com você? Nenhuma. — respondeu com um flerte descarado. — Mas enfim, se o Bogum não é uma boa escolha, então quem você sugere para estrelar o comercial?

— Pois bem, a questão é justamente essa. — rebati. — Ao invés de usar um único ator ou atriz, por que não usar vários? A Price está repleta de atores recém-contratados, alguns que ainda nem fizeram a sua estreia na televisão. Se nós dermos uma oportunidade para eles e todos fizerem um bom trabalho, o conselho vai poder enxergar como pessoas novas também são uma boa e confiável opção. Pessoas como esses atores e...

— Como eu. — Jeonghan completou. — Shin Minyoung, você é uma gênia.

Aproveitando a deixa, eu puxei da pilha de papéis sobre a mesa uma grossa pasta azul-marinho e imitei o sorriso travesso de Jeonghan quando a ergui na sua direção.

— Eu pensei que você só fosse reconhecer isso depois que eu lhe entregasse essa relação completa com os nomes e contatos de todos os atores novatos da Price. — foi a minha vez de me vangloriar enquanto me sentia a própria eficiência em pessoa. Em seguida, fingi estar chateada. — Aish, você estragou os meus planos.

Jeonghan sorriu largamente e se esticou na minha direção para tentar alcançar a pasta, porém, não conseguiu devido à posição que estava no sofá.

— Você pode trazer aqui para mim? — pediu. Prontamente, eu me coloquei de pé e fui até ele, parando a alguns passos de distância e voltando a esticar meu braço com a pasta no ar; contudo, ele balançou a cabeça negativamente. — Mais perto. — disse e eu dei mais um par de passos para frente, o que não pareceu ser o suficiente. — Mais perto.

Já bufando, eu praticamente colei as minhas pernas ao sofá, o que finalmente pareceu satisfazer o Yoon. Ele sorriu de canto e, quando eu percebi quais eram as suas reais intenções, já era tarde demais para correr. Rapidamente, ele segurou a minha mão que carregava a tal pasta e, com a sua mão livre, me apoiou enquanto me puxava para si. Acabando por me desequilibrar, eu caí sentada no seu colo, o que parecia ser exatamente o que ele estava querendo desde o começo. Pela sua ousadia, eu estava prestes a lhe acertar um tapa no braço, porém, fui interrompida quando ele segurou a minha mão e, sorrateiramente, entrelaçou os nossos dedos.

— Eu tenho tanta sorte de ter a mulher mais inteligente desse mundo ao meu lado. — comentou num tom de voz baixo, como se estivesse apenas apreciando aquele momento. Sorriu. — E a mais linda também, claro.

— Certo, o que seria da sua vida sem mim, não é mesmo? — eu brinquei, já que não tinha como escapar dali.

— Eu seria apenas um gatinho abandonado e infeliz. — respondeu e, em seguida, me fitou de um modo mais sério. — Na verdade, eu acho que você não entendeu direito o que eu quis dizer quando perguntei se você aceitaria ser a minha dona, então, me deixe esclarecer melhor. — disse e, em seguida, soltou uma das minhas mãos para segurar o meu rosto. — Shin Minyoung, você quer namorar oficialmente comigo?

***

Em silêncio, eu alcancei o shampoo que já havia deixado separado ao lado da banheira, derramei uma quantidade generosa na palma da minha mão e, a esfregando na outra, produzi espuma suficiente para aplicar no cabelo — que não era o meu, no caso. Dentro do banheiro de Jeonghan deveriam caber uns três do meu, por isso, até a estrutura para que ele se sentasse no chão enquanto eu lavava a sua cabeça parecia mais bem planejada e confortável do que costumava ser na minha casa; o que caiu feito uma luva para aquele momento em específico. Havia toda uma arrumação de almofadas e toalhas montada por mim para que o Yoon conseguisse ficar com o pé machucado para cima durante todo o tempo e, além disso, o tamanho um tanto exagerado do banheiro nos permitia desfrutar de uma posição mais ampla e confortável.

Calmamente, eu comecei a massagear o seu couro cabeludo já úmido com a ponta dos meus dedos.

— Não é a mesma coisa. — ele comentou vagamente, atraindo a minha atenção. Suspirou. — Eu estou com saudades do seu shampoo.

Pigarreei.

— Bem, se você gosta tanto dele, eu posso comprar e deixar um pequeno estoque aqui. — eu disse enquanto focava apenas no que as minhas mãos estavam fazendo.

— Não adianta, não é só do shampoo que eu gosto. — rebateu e, em seguida, inclinou a cabeça para trás para conseguir me fitar melhor, ainda que de baixo para cima. — Por que você não me responde, Shin Minyoung?

O seu tom de voz manhoso e ressentido automaticamente paralisou o movimento dos meus dedos. Ainda sem fitá-lo diretamente, eu tive que respirar fundo antes de conseguir falar qualquer coisa.

— Não é tão simples assim, Jeonghan. — foi o que eu disse, ainda que aquilo não fosse nem de longe uma resposta decente.

Contrariado, Jeonghan ergueu o tronco e se virou na minha direção como pode, ainda sentado no chão do banheiro.

— Por que? — questionou, sério. — Você não gosta de mim o suficiente para aceitar ser a minha namorada?

— Não é isso. — eu fui rápida em responder e, só então, reparei como o seu cabelo molhado começava a encharcar o chão atrás de si. — Você vai molhar o seu banheiro todo se continuar assim.

— Que inunde o banheiro todo, então. — retrucou. Segundos depois, encolheu os ombros e desviou o olhar. — Desculpe, eu não quis ser grosseiro.

Dito isso, o Yoon voltou a se deitar com a cabeça posicionada sobre a borda da banheira e, em seguida, eu voltei a lavar os seus cabelos. Eu o ouvi suspirar outra vez, porém, dessa bem baixinho. Céus, como eu detestava vê-lo assim e, para piorar, sabendo que o motivo daquela sua tristeza era justamente eu.

Depois do seu pedido de namoro, eu fiz o que já era de se esperar da minha pessoa: congelei e acabei não respondendo nada. Jeonghan estava lá, cheio de expectativas e esperando um sim em alto e bom som, mas acabou recebendo um enorme nada. Sem graça, eu me levantei do sofá e enfiei toda a minha atenção em naquela papelada sem fim, como se já não tivesse revisado aquilo mais vezes do que fizera aniversário nessa vida. Em seguida, eu o entreguei tudo, pedi que olhasse por si só e comecei a realizar as tarefas domésticas feito uma louca. Consegui evitar o assunto durante o dia inteiro, o que teve como preço um silêncio absurdamente constrangedor pairando entre nós dois. Agora, já no fim da tarde, ele me pediu para que eu o ajudasse a lavar o seu cabelo e eu obviamente não tive como recusar; afinal, seria extremamente difícil para ele fazer aquilo sozinho com um pé enfaixado.

Foi quando ele não se conteve mais e teve que tocar no assunto.

Sendo sincera, eu entendia perfeitamente bem o lado de Jeonghan da história. Ele tinha sido deixado no escuro sem nenhuma explicação, apenas esperando ansiosamente que eu fosse aceitá-lo ou recusá-lo, durante um dia inteiro de silêncio. Apesar de eu ter os meus motivos para toda aquela hesitação, eu não havia lhe explicado nada, o que provavelmente tinha o afundado em frustração.

Respirei fundo, criando coragem.

— Eu não disse nada porque não tinha certeza de que você iria me entender. — comecei, o que atraiu a sua atenção de volta para mim. — E é compreensível que você não entenda, de verdade. Afinal, as coisas funcionam de modos diferentes para nós dois.

— Como assim? — ele perguntou em um sussurro, parecendo realmente confuso.

— Eu sei que você não me enxerga assim, mas, aos olhos das outras pessoas, eu ainda sou a sua secretária e só isso. A faz-tudo, a que vive correndo de um lado para o outro para conseguir acatar todas as suas ordens até o final do dia... — expliquei, sem jeito. — Você faz ideia do que vão falar quando descobrirem do nosso namoro? E não é só sobre mim, é... Isso vai acabar afetando a sua imagem, a qual você batalhou tanto para construir e manter durante todos esses anos.

Por um momento, Jeonghan apenas permaneceu em silêncio, como se estivesse se dando conta daquilo pela primeira vez. Eu já estava enxaguando os seus cabelos quando, de repente, ele voltou a se sentar e molhar todo o chão do banheiro com os fios encharcados.

Fitou-me, sério.

— Eu entendo a sua hesitação por causa de tudo que podem falar de você, de verdade. Sinceramente, eu não tinha pensado por esse lado e só de imaginar alguém fazendo mal a você, eu tenho vontade de voltar no tempo e retirar tudo o que eu disse. Mas... — pausou, como se estivesse escolhendo as melhores palavras para dizer aquilo. — Realmente não funciona assim para mim. Eu não me importo que me julguem ou falem pelas minhas costas, contanto que nós estejamos felizes juntos. E, sendo sincero, eu estou disposto a não me importar por nós dois.

— Mas isso é exatamente o que eu estou querendo dizer. — afirmei. — Você não vai sentir os efeitos dessa decisão, Jeonghan, mas isso não significa que eles não estarão lá. E mesmo que a gente mantenha o nosso relacionamento em segredo...

— Eu não quero esconder isso de ninguém. Eu não quero esconder você de ninguém, Shin Minyoung. — interrompeu e, automaticamente, alcançou as minhas mãos, as envolvendo com as suas. — Eu sei que você será a mais afetada por isso tudo e, acredite, isso também dói em mim. Mas doeria muito mais não ter você ao meu lado.

— Eu... — comecei a argumentar, porém, algo no seu olhar me fez recuar. — Desculpa, eu só não sei se estou pronta para tudo isso.

— Você não precisa se desculpar, não está pensando ou fazendo nada de errado. — ele disse e soltou uma das minhas mãos, levando assim a sua mão livre até o meu queixo. Gentilmente, ele o ergueu para que eu voltasse a fitá-lo. — Eu só estou pedindo para que você me deixe enfrentar isso com você. Já que eu não sentirei os efeitos dessa decisão, me deixe, ao menos, carregar o que lhe afetará junto com você. Se assumir a nossa relação publicamente trouxer um fardo, que nós possamos dividi-lo juntos.

Aquela era a primeira vez em toda a minha vida que eu estava escutando aquilo. Desde sempre, principalmente em casa, o que eu costumava ouvir eram coisas do tipo “você não precisa fazer isso se for muito pesado para você” ou “não insista nisso, você pode se machucar” — o que era um tipo de proteção carinhosa, eu entendia, mas acabou não me preparando do melhor jeito para um momento como aquele. O que Jeonghan estava me oferecendo era, ao contrário do que eu estava habituada, uma espécie de ombro amigo para enfrentar o que eu deveria enfrentar caso aceitasse oficializar o que tínhamos.

“Se é para sofrer, que nós soframos juntos, mas sem desistir um do outro por isso.”

Talvez aquele fosse o passo que faltava para eu ser considerada, oficialmente, uma adulta. Talvez eu estivesse me metendo em uma grande bagunça sem previsão de conserto, mas... eu jamais descobriria se não tentasse, certo?

Assim, com o peito inflado de coragem, eu voltei a fitar Jeonghan nos olhos e com determinação, mas algo acabou me chamando a atenção e me fez desviar dos meus planos.

— Você está chorando? — indaguei ao me deparar com os seus olhos vermelhos e cheios de lágrimas.

— Não é isso, é que... — iniciou, parecendo estar sofrendo. — Caiu shampoo no meu olho, Min Min-ah!

Ao ouvir aquele resmungo desesperado, eu arregalei os olhos de nervoso, sendo aquela a última coisa que eu esperava ouvir naquele momento. Toda a minha coragem se foi ralo abaixo e, em um instinto nervoso, tudo o que eu pensei em fazer foi quase afundar a cabeça de Jeonghan de volta na banheira para que eu pudesse enxaguar o seu rosto — quase o afogando no meio do processo, mas enfim, aquilo fazia parte.

— Melhorou? — um perguntei um tanto afobada.

— O shampoo no olho? Sim. Agora, quanto à água... Você queria me afogar só para não ter que me responder, Shin Minyoung? — questionou num resmungo, ainda que eu soubesse que ele só estava brincando para tentar aliviar o clima.

Respirei fundo.

— Eu aceito.

Automaticamente, ele pareceu se esquecer de toda a água que o encharcava do pescoço para cima e, ainda com a cabeça recostada na banheira, me fitou parecendo incrédulo.

— O que você disse? — perguntou.

— Eu disse que eu aceito. — repeti, firme. Instintivamente, um sorriso orgulhoso brotou nos meus lábios. — Yoon Jeonghan, eu aceito ser a sua namorada, dona, ou o que mais você quiser me nomear.

Ao ouvir aquilo, o Yoon deu um pulo da banheira, quase acertando a sua testa na minha, e rapidamente me puxou para um abraço protetor e apertado. Eu podia sentir a água que estava nele começando a escorrer pela minha roupa, porém, não liguei nem um pouco para aquilo.

Nada poderia estragar a felicidade daquele momento.

— Obrigado. — ele sussurrou no meu ouvido e eu pude sentir o seu peito subindo e descendo contra a minha cabeça, além das batidas aceleradas do seu coração.

Sem mais delongas, Jeonghan se afastou de mim apenas o suficiente para unir nossos lábios.

E assim, o que começou em um beijo, continuou noite afora entre um casal de namorados.

Notas finais
E então, o que acharam? Eu só sei que eu terminei esse capítulo me sentindo duas vezes mais solteira kkkkkkkkkkkk a autora também sofre, ok? Até breve ♥