Meu CEO de estimação
24 A mudança do CEO
Notas iniciais
— YoonJeonghan, eu aceito ser a sua namorada, dona, ou o que mais você quiser me nomear.
— Obrigado. — ele sussurrou no meu ouvido e eu pude sentir o seu peito subindo e descendo contra a minha cabeça, além das batidas aceleradas do seu coração.
Sem mais delongas, Jeonghan se afastou de mim apenas o suficiente para unir nossos lábios.
E assim, o que começou em um beijo, continuou noite afora entre um casal de namorados.
Aquela semana tinha passado tão rápido quanto um carro de Fórmula 1 passa quase que levantando voo diante dos olhos apreensivos da plateia que assiste a uma dessas corridas, mais rápido até mesmo do que eu esperava — o que foi um tanto frustrante, eu devo admitir. Assim, alguns dias depois da nossa reunião improvisada no seu apartamento, na qual nós felizmente decidimos levar o projeto do comercial adiante, eu já estava acompanhando Jeonghan até o hospital para que um médico checasse a sua ferida e, se tudo estivesse em ordem e perfeitamente curado, retirasse os seus pontos definitivamente.
E, como essa é uma comédia romântica de onde todo mundo sai feliz, o pé do Yoon obviamente já se revelou pronto para a sua próxima arte quando as faixas foram retiradas. Tudo certo, Jeonghan com a sua alta hospitalar em mãos, hora de partir de volta para o aconchego do meu lar... Contudo, se esse era o caso, por que diabos eu parecia estar presa em um maldito loop de dobrar a mesma peça fuleira de roupa meia dúzia de vezes antes de colocá-la na bolsa? Por que já tinha se passado meia hora desde que eu me propusera e arrumar as minhas coisas e, até então, tudo o que eu tinha empacotado fora um pijama, um par de chinelos e duas blusas?
— Você precisa de ajuda com alguma coisa? — a voz do Yoon de repente se fez presente no seu próprio quarto, me assustando. Mas isso somente porque eu estava extremamente focada em arrumar a minha mala, claro, não porque eu pudesse estar divagando pelos meus próprios pensamentos nem nada do tipo.
Era domingo de manhã e, por isso, Jeonghan usava apenas uma camisa de manga curta sem nenhuma estampa e uma calça de moletom, como se sequer tivesse levantado da cama ainda. Eu tinha feito café da manhã para nós dois, uma mesa tão farta quanto as dos outros dias — eu tinha que aproveitar a quantidade absurda de coisas que parecia caber naquela geladeira duplex de inox, afinal, não era todo dia que eu tinha a honra de ver uma daquelas fisicamente — e, em seguida, disse que iria até o seu quarto para arrumar as minhas coisas. Sem dizer muito, Jeonghan apenas afirmou que me levaria em casa quando eu estivesse pronta, já que ele estava liberado para voltar a dirigir.
E isso tudo tinha sido há mais de meia hora, como eu mesma já tive a cara de pau de citar.
— Acho que não. — respondi e dei de ombros enquanto fitava a bolsa nem metade arrumada. — Eu não trouxe muita coisa.
E realmente não tinha trazido, de fato. As poucas peças de roupa que ainda imploravam para serem dobradas estavam jogadas sobre aquela cama de casal imensa, formando uma pequena pilha um tanto desencorajadora, e fora aquilo faltava apenas a minha escova de dentes e mais alguns itens. Se eu não estivesse inconscientemente enrolando tanto, já estaria no meu caminho de casa naquele momento.
Em silêncio, Jeonghan se sentou na beirada da cama, mais especificamente ao lado da minha bolsa. Como eu estava de pé, acabei o fitando de cima.
— Você não pode, talvez, quem sabe... — iniciou um tanto sem jeito e, em seguida, coçou a nuca. — Ficar?
— Ficar? — eu repeti, franzindo o cenho. Com toda a minha experiência na arte de enrolar, aquilo foi o suficiente para já me fazer parar de dobrar a calça que estava em minhas mãos. — Até o final do dia, você quis dizer?
— Até quando você quiser. — respondeu e deu de ombros, fingindo estar dizendo aquilo apenas por acaso. — Uma semana, um mês, até o restante dos moradores do prédio começarem a chamá-la apenas pelo primeiro nome nas reuniões de condomínio, até nós termos o nosso próprio animalzinho de estimação... Você quem decide quanto tempo mais quer ficar, sabe?
Espera aí um minuto.
Eu estava mesmo ouvindo o que eu, talvez inocentemente, achava que estava ouvindo?
— Yoon Jeonghan. — eu o chamei enquanto ainda tentava decidir se deveria permanecer séria ou se seria melhor deixar toda a minha descrença transparecer no meu semblante. Virei-me para ele, optando pela descrença. — Você está me pedindo para ficar? Ficar mesmo, do tipo não ir mais embora e...
— Para sempre. Sim, é exatamente isso o que eu estou lhe pedindo. — Jeonghan me interrompeu parecendo ter finalmente conseguido criar coragem suficiente para dizer aquilo. Eu arregalei os meus olhos quase que automaticamente e, percebendo aquilo, ele respirou fundo até se acalmar. Em seguida, alcançou ambas as minhas mãos e as segurou. — Desculpe, eu não quis assustar você sendo tão direto. É só que eu realmente não queria que você fosse embora, por mais egoísta da minha parte que eu sei que isso possa soar.
Seria muito estranho, aleatório e talvez um tanto apaixonado demais da minha parte se eu dissesse que, nesse exato momento e enquanto dizia todas aquelas coisas, Yoon Jeonghan parecia ser a criatura mais fofa que já respirou o ar desse universo?
Bem, eu acho que sim, então me deixe reformular a frase.
Enquanto me confessava aquilo, Jeonghan tinha os ombros caídos e os seus lábios formavam um bico um tanto frustrado, o que era adorável independente do contexto — melhorou, não foi? Eu não poderia evitar sorrir nem mesmo se não quisesse o fazer, então, eu apenas permiti que os cantos dos meus lábios se erguessem alegremente e me aproximei um pouco mais do Yoon, que me encarava bastante cabisbaixo.
— Na verdade, eu não achei o pedido egoísta da sua parte, mas... — pausei, o que inevitavelmente o deixou apreensivo. — Você não acha que nós já não nos vemos o suficiente no trabalho e no nosso dia a dia no geral? Eu quero dizer que, muito provavelmente, nós iríamos acabar enjoando da cara um do outro se decidíssemos morar juntos... Você não acha?
Ele franziu o cenho ao ouvir a minha pergunta e, por um momento, pareceu realmente ofendido.
— Você teria mesmo coragem de enjoar desse rostinho bonito? — perguntou enquanto soltava uma das minhas mãos e, em seguida, ergueu a sua mão livre até que a mesma tocasse gentilmente a sua própria bochecha, como se ele já soubesse que tinha o poder de ser o homem mais fofo desse mundo. Riu, o que acabou me fazendo rir também, e desistiu de segurar as minhas mãos apenas para me abraçar pela cintura, terminando com a curta distância que ainda havia entre nós. — Shin Minyoung, eu jamais enjoaria de nada relacionado a você, mas entendo perfeitamente a sua hesitação.
Então, foi a minha vez de voltar a franzir o cenho, confusa.
— Entende? — questionei. — Fácil assim?
— Você está insinuando que eu não sou uma pessoa extremamente compreensiva? — indagou, o que automaticamente me fez erguer uma sobrancelha acusadora na sua direção. Eu e os meus três anos trabalhando como secretária daquele homem sabíamos muito bem o quão compreensível ele era. No fim das contas, o Yoon optou por apenas dar de ombros e ignorar a minha reclamação silenciosa. — Bem, de qualquer maneira, eu entendo que esse seja um passo muito grande e novo para você, o que o faz parecer um tanto assustador. Você mora na antiga casa dos seus avós já há algum tempo, acabou se acostumando a viver sozinha e eu não acho que tenha nada de errado em não querer mudar isso tão repentinamente. Eu só perguntei se você não gostaria de ficar porque, bem... eu vou sentir a sua falta como um louco depois que você sair por aquela porta.
Fazia mais ou menos o que, pouco mais de duas semanas que nós tínhamos esclarecido os nossos sentimentos um para o outro? Menos do que isso, talvez. E nós estávamos namorando oficialmente há alguns dias, certo? Talvez as coisas nem estivessem tão esclarecidas assim ainda, considerando esse período de tempo relativamente curto.
Mas, então, por que diabos eu estou olhando para Yoon Jeonghan agora enquanto o meu coração bate como se eu tivesse problemas de arritmia cardíaca? E, também, por mais apavorada que eu pudesse estar com aquela ideia de largar toda a minha vida para me juntar a alguém daquele jeito... Eu estava, simplesmente...
Cogitando aceitar a sua proposta?
— Eu... — murmurei, mas não soube ao certo o que queria falar.
— Sendo sincero, eu prefiro a sua casa ao meu apartamento. — ele apenas comentou, ainda abraçado à minha cintura e aparentemente sem perceber que eu estava lutando comigo mesma para falar alguma coisa.
Pisquei algumas vezes, incrédula.
— O que você disse? — perguntei. — Que prefere uma casa construída na época da guerra entre as Coreias a essa cobertura luxuosa no centro de Gangnam?
— Sim, foi exatamente isso o que eu disse. — respondeu, rindo. — Eu não sei porque, mas eu me sinto mais em casa na sua casa do que aqui, no meu próprio apartamento. Tudo é mais aconchegante, mais familiar... Eu prefiro esse tipo de conforto a todo esse luxo daqui, de verdade.
— Então por que você não vem morar comigo?
A pergunta tinha deixado a minha boca de forma tão automática e inconsciente que, sendo sincera, até eu mesma acabei me assustando com o que disse. Eu e Jeonghan arregalamos os nossos olhos ao mesmo tempo e, de tão pasmo com a espontaneidade com a qual eu havia lhe perguntado aquilo, ele chegou a afrouxar o seu abraço na minha cintura.
— Bem, não é exatamente isso que eu quis dizer. — eu tentei consertar, sem jeito. Eu podia sentir as minhas bochechas queimando naquele momento e, sinceramente, eu odiava ser denunciada por aquele par de tomates. — Você pode só passar alguns dias ou...
— Você está falando sério? — ele se apressou em perguntar, desviando de todas aquelas minhas desculpas esfarrapadas.
Havia um inocente e animado brilho surgindo nos seus olhos amendoados e, naquele exato momento, eu soube exatamente o porquê de ter enrolado tanto até então para arrumar as minhas coisas e voltar para casa: eu não queria deixá-lo. Não era por causa do apartamento luxuoso, da enorme cama de casal ou da geladeira duplex de inox... era apenas sobre Yoon Jeonghan, simples e puramente. Porque, se eu fosse parar para pensar melhor sobre isso, nós não estávamos juntos há apenas uma semana.
Tratavam-se de três anos.
Respirei fundo e o encarei.
— Sim, eu estou. — respondi e, inevitavelmente, lhe direcionei o melhor dos meus sorrisos. — Você pode vir morar comigo se quiser, Yoon Jeonghan. E se, um dia, você sentir falta de todo esse luxo do seu apartamento, você pode voltar a...
— Sem devoluções, Min Min! — exclamou enquanto se colocava de pé em um único pulo, o que me pegou de surpresa. Se ele não continuasse me segurando, eu provavelmente teria caído para trás naquele momento. — Se for para me adotar, você não pode me devolver.
Céus, quando foi que eu fiquei tão apaixonada assim? Eu tenho certeza de que se a minha família me visse assim, todos eles implicariam comigo até na hora do meu enterro.
De qualquer jeito, eu apenas pude alargar o meu sorriso diante daquela versão de Yoon Jeonghan — e minha também, no caso.
— Está bem, então. — eu concordei, por fim. — Você está oficialmente adotado e sem direito à devolução, Hannie.
***
O mais engraçado — ou trágico, no caso — das segundas-feiras é que esse é o único dia da semana que parece fazer questão de jogar na cara do proletariado que ele é, bem, o proletariado. Depois de um final de semana no mínimo incrível, ser obrigada a acordar praticamente junto do nascer do sol no dia seguinte para voltar à minha rotina normal de trabalho, isso tudo depois de mais de uma semana sem colocar sequer um pé na empresa, era um tanto frustrante. Eu já me sentia exausta apenas pela viagem de ônibus até a Price, um trajeto que não passava muito de meia hora, e aquilo fez com que eu me questionasse se eu não estava passando tempo até demais com Yoon Jeonghan. Talvez eu estivesse começando a me acostumar com todo aquele conforto que ele vinha fazendo questão de me oferecer ultimamente ou, para piorar, estivesse me tornando mais parecida com o Yoon — uma verdadeira preguiçosa, no caso.
Na verdade, sendo justa com Jeonghan, não é que ele fosse realmente um preguiçoso, mas sim que o seu dia a dia o condicionava àquilo: ar condicionado disponível em todos os lugares que ele ia, um carro da estação para levá-lo aonde ele bem quisesse e pessoas dispostas a servi-lo praticamente em tempo integral. Bem, se eu pudesse viver assim, seria o maior bicho preguiça da floresta com muito orgulho, mas a cegonha preferiu me largar em uma fazenda ao invés de um berço de ouro, o que deu no que deu.
De um jeito ou de outro, a partir de agora seria praticamente impossível não me acostumar ou, no caso, ficar ainda mais parecida com Jeonghan, já que nós passaríamos praticamente todos os nossos dias, o dia inteiro, juntos. E não, para os curiosos de plantão, ele ainda não tinha se mudado para a minha casa; mesmo já tendo tentado uma meia dúzia de vezes apenas no dia de ontem. O Yoon insistiu que só precisava pegar algumas roupas e logo estaria instalado na minha casa, porém, eu sabia que ele só estava sendo um belo de um ansioso apressado. Para quem tinha vivido naquele apartamento por tantos anos, ele deveria ficar mais um pouco e pensar com calma a cautela no que deveria levar consigo, então foi exatamente isso o que eu o obriguei a fazer. Arrumei as minhas coisas e, depois de uma longa batalha de insistências, consegui convencê-lo a me levar para casa naquele mesmo dia. Ele ficaria e arrumaria as suas coisas sem pressa ao longo da semana para, só então, se mudar de vez no final de semana que ainda estava por vir — e só assim eu teria tempo para arrumar a minha própria casa também, no caso.
Então, como eu sei que sempre existem por aí aqueles leitores iguais às segundas-feiras, que adoram jogar as coisas na nossa cara, eu respondo a muito provável pergunta “Mas oras, não era você mesma quem não queria mais ficar longe do Diretor Yoon?” no próximo parágrafo, meus caros.
Sim, eu não queria, mas também não posso permitir que ele dê um passo tão importante na sua própria vida de modo tão desleixado. Havia uma série de complicações que me faziam ficar com ambos os meus pés atrás quanto a me mudar para o apartamento de Jeonghan, o que não era nem um pouco diferente para ele. O Yoon estava prestes a mudar todo o seu estilo de vida apenas para se mudar para a minha casa, o que precisava ser muito bem pensado e planejado — afinal, se ele acabasse se arrependendo de algo depois, eu acabaria me sentindo tão mal quanto ele e aquilo poderia, até mesmo, abalar a nossa relação.
Sim, eu sei que sou um exemplo de maturidade. Muito obrigada pelo elogio.
Prosseguimos, então, com aquela semana na qual eu estava de volta a ser a boa e velha Secretária Shin, a faz-tudo. Não havia mais descansos, caronas de Jeonghan ou mimos no café da manhã, mas sim apenas a minha rotina puxada de sempre — o que também não era de todo um mal, na verdade. Ah, como eu senti falta desse aroma de trabalho quase escravo!
— Bom dia, Secretária Shin. — o recepcionista do grandioso prédio da Price Entertainment me cumprimentou, sorrindo. — Que bom que a senhorita está de volta!
Diz Jeonghan que o Sr. Boo, o simpático senhor de meia idade que tinha a função de controlar a entrada e saída de pessoas daquele prédio, estava ali há mais tempo do que ele próprio poderia dizer. Ele também sabia de cor e salteado os nomes de todos os funcionários da Price, desde aqueles do menor escalão até os membros da diretoria, e sempre notava a ausência de alguém, nem que fosse por um único dia. Era bastante revigorante encontrar primeiro naquele dia toda aquela simpatia e força de vontade para trabalhar logo em uma manhã de segunda-feira, o que me fez parar por um breve minuto para dar a atenção que aquele homem realmente merecia.
Ao lado das catracas onde nós batíamos o nosso ponto, eu parei e sorri de volta para o Sr. Boo.
— Pois nem eu, que sou conhecida como a secretária de ferro, consegui sobreviver sem ao menos uma semaninha de descanso. — brinquei num sussurro, o que o fez rir. — Mas eu precisava voltar, caso contrário, morreria de saudades do bom dia do senhor.
— Só do meu? — o homem cochichou de volta e, com um aceno de cabeça, apontou para a entrada toda envidraçada do prédio.
Por ela entrava, naquele exato momento, ninguém mais e ninguém menos do que o meu mais novo bichinho de estimação, o próprio Yoon Jeonghan. Usando um terno vinho e com os cabelos loiros perfeitamente penteados, ele emanava uma energia como se estivesse chegando acompanhado de um batalhão inteiro de soldados, apesar de caminhar sozinho pelo salão da recepção. Era inevitável que todos os olhares presentes, fossem esses curiosos, admirados ou, até mesmo, um tanto intimidados, não se voltassem para ele e a sua presença tão pontual.
O meu namorado.
Jeonghan seguiu o seu caminho até a máquina de ponto, onde o Sr. Boo sempre liberava a sua entrada — afinal, fazia parte do regulamento interno da empresa uma regra um tanto besta de que nenhum dos diretores precisava ter um crachá para bater ponto como nós, meros mortais empregados. Porém, ao invés de simplesmente passar pela roleta, ele antes cumprimentou o Sr. Boo como tinha o costume de fazer e, então, os seus olhos caíram estreitos sobre mim.
— Bom dia, Secretária Shin. — cumprimentou-me com um sorriso discreto no rosto. — Assim que subir, você já pode ir direto para a sala de reuniões.
Com um aceno discreto de cabeça, eu apenas concordei com a ordem que me fora dada e, assim, Jeonghan seguiu caminho até os elevadores — mas não sem antes me lançar um sorrisinho de lado dos mais baratos possíveis.
Aquele tinha sido o nosso combinado, no fim das contas. Não havia nenhum motivo específico para que nós expuséssemos o nosso relacionamento para que todos da Price ficassem sabendo, especialmente naquele início de namoro, então nós optamos por apenas continuar agindo como o de costume; com algumas pequenas e carinhosas alterações aqui e outras ali, claro. Nós não precisávamos entrar no prédio de mãos dadas e trocando olhares apaixonados como um perfeito casal de adolescentes faria, por exemplo, mas nada nos impedia também de sairmos para almoçar juntos ou algo do tipo. Em lugares mais reservados, o Yoon podia me chamar de quantos apelidos bobos quisesse e nada daquilo interferiria no nosso trabalho no fim do dia, especialmente naquele momento tão importante de pré-eleição à presidência da empresa.
Com a ponta do cotovelo, o Sr. Boo me deu uma leve e marota cutucada.
— O seu chefe vai se candidatar à presidência esse ano de novo, não vai? — sussurrou com um sorriso sincero estampado em seu rosto. Eu fiz que sim com a cabeça, o que pareceu animá-lo. — Que bom, pois eu acho que o Jovem Mestre seria um ótimo presidente. Estarei torcendo por ele e, se precisarem de alguma coisa, não deixem de me avisar e de contar comigo, por favor!
O Sr. Boo era um maravilhoso entusiasta da candidatura de Jeonghan, a quem ele sempre se referia como Jovem Mestre. Na verdade, ele já trabalhava na Price na época que o pai de Jeonghan era o presidente, tendo sido contratado pelo próprio — o seu primeiro Mestre, como ele costumava dizer. Se eu não me engano, ele é, atualmente, o único funcionário de toda empresa a ter realmente vivido essa época e o único que sabe toda a verdade sobre os rumores de que aqueles tinham sido os melhores anos de vida da Price. Por isso, tê-lo apoiando Jeonghan daquele jeito era, no mínimo, um tanto encorajador.
— Pode deixar, Sr. Boo. — eu concordei, animada. — Muito obrigada.
Em seguida, depois de finalmente me despedir do mais velho, eu segui em direção aos elevadores, por onde Jeonghan já havia subido há algum tempo. Apertei o botão do décimo primeiro andar, onde ficava a sala de reuniões e onde, também, nós estávamos prestes a nos encontrar com os artistas selecionados para o nosso comercial para ajeitarmos os últimos detalhes. Se tudo corresse como o planejado, de tarde mesmo nós já poderíamos começar as gravações.
Aproveitei que estava sozinha no elevador e respirei fundo, confiante.
Ah, como aquele dia tinha tudo para dar certo!
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