Notas iniciais
Vamos fingir que eu não dei uma leve desaparecida e vamos focar nesse capítulo cheio de açúcar, pode ser? Boa leitura ♥

— Mesmo que você nunca tenha tido um bichinho de estimação doméstico, você sabe exatamente como dar um banho em um.

Assim, do seu jeito torto, porém já sabendo que eu o entenderia, Jeonghan me agradeceu de verdade por ter dito aquilo que ele precisava ouvir.

Por acreditar nele.

E, naquele momento, mesmo com a sua personalidade mutável e com os seus fetiches bizarros, eu passei a detestá-lo um pouco menos.

Depois de atender ao pedido nada convencional de Jeonghan e de ter lavado e secado com cuidado o seu cabelo, eu pude flagrá-lo passando a mão prazerosamente pelos fios macios com um sorriso contente no rosto, o que deixava nítido o fato de que ele estava satisfeito com o resultado. Ou seja, se no fim das contas tudo der errado e eu acabar perdendo o meu emprego e a minha (já pouca) credibilidade na praça, pelo menos sei que posso recorrer a, no mínimo, um trabalho de meio período em algum salão de cabelereiro. Talvez eu já devesse começar a distribuir alguns currículos, quem sabe.

O que deveria ser uma ideia cômica de tão surreal, se não fosse a mais pura e desesperadora verdade de alguém que está, atualmente, caminhando sobre a corda bamba do pet play.

Trágico.

— Sabe, eu gostei do seu shampoo... — Jeonghan comentou tranquilamente enquanto voltava a se jogar no sofá da minha sala, dessa vez parecendo muito mais relaxado do que da primeira. Aparentemente, ele era um daqueles pets que se acostumavam rápido a novos ambientes, talvez rápido até demais. — Deixarei para lavar meu cabelo nos dias que for passar a noite aqui, assim você poderá lavá-lo para mim e deixá-lo sempre macio assim.

— Ou... — eu comecei a sugerir, me aproximando. — Você pode simplesmente comprar um shampoo igual e lavar seu cabelo quando bem quiser, na sua própria casa. Não é mais prático?

Parecendo pensativo, ele levou uma mão ao queixo imitando a pose daquela escultura de bronze daquele moço que está questionando a vida há mais de um século — não me julguem por não me lembrar do nome correto dele, eu já tenho coisas demais na minha mente congestionada. Em seguida, balançou a cabeça negativamente.

— Até seria mesmo mais prático, mas eu não vejo graça nenhuma nisso. — respondeu, dando de ombros.

E por que diabos lavar o cabelo deveria ser algo engraçado? Divertido, talvez, se você for do tipo da pessoa com tempo e disposição suficientes para montar uma lista animada de músicas para cantar no chuveiro enquanto emplasta o próprio couro cabeludo de shampoo, mas engraçado? Somente na cabeça desvairada do Yoon.

Sinceramente, Yoon Jeonghan, você não tem um único parafuso apertado corretamente nessa sua...

— Espera. — interrompi meu próprio pensamento, finalmente me dando conta de algo que o Yoon tinha falado algumas frases atrás. — Você por acaso disse “nos dias que for passar a noite aqui”? — perguntei dando a devida ênfase nas palavras mais chocantes e, em resposta, Jeonghan apenas balançou a cabeça num sinal positivo. Arregalei os olhos. — Então você planeja passar a noite aqui na minha casa? Dormir aqui e tudo mais?

— Claro, oras. — ele respondeu sem um pingo de hesitação ou sequer de vergonha na cara, o que já lhe faltava naturalmente, mas, mesmo assim, ainda conseguia me pegar de surpresa de vez em quando. — Olha só a hora, são quase meia-noite! Como eu posso voltar para casa sozinho tão tarde da noite?

Primeiro de tudo, ainda nem era tão tarde da noite assim, pois eu mesma já estava cansada de chegar em casa do trabalho a essa hora ou até mesmo mais tarde... E tudo isso por causa de quem mesmo?

Exatamente.

Cruzei os braços, encarando-o acusadoramente. A verdade era que, enquanto Yoon Jeonghan estivesse debaixo do meu teto e usando o meu shampoo para amaciar o seu precioso cabelo, eu tinha total direito de rebater a sua sonsice. Eu tinha que admitir que a Shin Minyoung, secretária aplicada e sempre obediente, ainda estava com os dois pés atrás diante daquela ideia de enfrentar seu chefe e apavorada com o que podia acontecer com um Jeonghan contrariado, mas a outra Shin Minyoung, aquela que é dona do seu próprio nariz e também do seu próprio teto, tinha o direito de se impor uma vez ou outra na vida. Afinal de contas, era o próprio Yoon que tinha deixado claro que, naquele momento, nós não éramos patrão e empregada, certo?

Eu era a sua dona.

— Mas você, supostamente, não deveria ser um gato? — perguntei. — Gatos são animais noturnos e estão acostumados a lidarem com os perigos da noite. Ainda tem aquele negócio das sete vidas e tudo mais, não é mesmo?

E, sinceramente, eu não sei onde mora o perigo para um homem solteiro, bonito e rico andando no seu carro de luxo pelas ruas de Seul, uma das capitais mais seguras do mundo, no meio da noite. A coisa mais perigosa que poderia lhe acontecer seria, no máximo, ser atacado por uma legião de solteironas que buscam constantemente um ricaço para si na vida noturna de Seul, mas tenho certeza de que Jeonghan saberia e muito bem como lidar com elas.

E por falar no Yoon, o mesmo se levantou do sofá ao ouvir a minha provocação e, com uma sobrancelha erguida, se inclinou diretamente na minha direção. Aquele gesto automaticamente ativou o meu alerta cerebral de proximidade perigosa e excessiva para com o meu chefe, o que fez com que eu me inclinasse para trás instintivamente e me deixou parecendo um bambu envergado.

— E quem lhe disse que eu deveria ser um gato? — indagou num tom um tanto sugestivo.

Pisquei algumas vezes, sem entender aonde ele queria chegar com aquela pergunta.

— Você estava com uma fantasia de gato naquele dia que nos encontramos no clube. — respondi, séria.

Jeonghan avançou mais um centímetro e eu, consequentemente, enverguei a exata mesma distância para trás.

— Isso é porque eu era obrigado a usar uma fantasia lá, então eu apenas escolhia a mais fofa e agradável. — explicou. — E eu não preciso disso com você, Min Min, então digamos que eu sou apenas um bichinho de estimação único de uma espécie rara e uma raça especial.

E é assim que se afugenta para as colinas a Shin Minyoung dona do seu próprio nariz.

Novamente trágico, porém é a mais vergonhosa verdade.

Na verdade, minha coluna acabou não aguentando toda aquela pressão e, assim como o bambu que nunca quebra, resolveu que já estava na hora de voltar para a sua posição original e relativamente ereta, então eu dei alguns bons passos para trás e me endireitei. Passei a mão pelo meu pijama, ajeitando-o nervosamente, e encarei um ponto qualquer da sala que não fosse o sorriso vitorioso que eu sabia que estava malditamente estampado no rosto de Jeonghan.

Adeus ShinMinyoung empoderada, vejo você depois do ralo pelo qual acabou de descer.

— Então você vai ter que dormir no sofá. — eu disse tentando usar de um tom imponente, o que obviamente não deu nem um pouco certo.

Dito isso, Jeonghan também se endireitou e olhou de escanteio para o sofá, em seguida enfeitando seu rosto com uma expressão não muito feliz.

— Mas ele nem é tão confortável assim... — resmungou. Voltou-se novamente para mim, agora com um olhar pidão. — Que tal a cama?

— Que cama? — indaguei confusa.

A sua. — ele respondeu simples e sem pensar duas vezes, quase me fazendo engasgar com a minha própria saliva. — É normal que bichinhos de estimação durmam com os seus donos, não é?

Ele não estava mesmo sugerindo que nós devêssemos dormir na mesma cama, estava? Não, Yoon Jeonghan não podia ser tão louco assim. Bem, na verdade, ele já tinha me dado provas suficientes de que podia sim. Respirei fundo e tentei preservar o resto miserável de sanidade mental que eu ainda tinha, o pouco que o Yoon ainda não tinha conseguido destruir.

— Não sei, eu nunca dormi com nenhuma das minhas vacas. — respondi tentando mudar o foco do assunto.

Ele riu.

— Mas eu também não sou uma vaca. — rebateu.

Maldição, eu conhecia o meu chefe bem o suficiente para já ter gravado na ponta da minha língua os seus dois traços mais conhecidos como o homem de negócios que ele, querendo ou não, era: contra argumentação rápida e persistência nos seus objetivos. Todos sabiam que era impossível dizer não a um projeto apresentado pelo menos ou, ainda, encontrar um defeito ou problema válido em alguma de suas ideias — ou seja, traduzindo, eu não duraria mais muito tempo na minha posição firme e infelizmente eu já sabia disso.

Mesmo assim, eu não cairia tão fácil; pelo menos não sem tentar mais um pouco.

— Vou buscar alguns lençóis e um travesseiro para você, espere aqui. — foi o que eu consegui dizer antes de subir correndo para o quarto, largando um Yoon revoltado e resmungando sozinho no andar debaixo.

Resista, ShinMinyoung!

Ultimamente, as madrugadas em Seul vinham sendo um pouco mais frias do que o normal, então eu apanhei do fundo do meu armário um edredom mais fofinho e bem quente que, felizmente, não estava com o cheiro de guardado que eu esperava. Tive que pegar um travesseiro emprestado do quarto da minha irmã — que, antes que vocês me questionem, não, eu não pretendo abri-lo para meu chefe exótico poder dormir nele, pois o cômodo não me pertence de fato e seria um tipo de invasão da privacidade da minha irmã fazer isso — e, bem, aquilo deveria ser o suficiente para Jeonghan sobreviver àquela madrugada. Tudo bem que estava há milhares de quilômetros de distância do conforto com o qual ele deveria estar acostumado, mas era o que tinha para hoje e o Yoon que se desse por satisfeito com isso.

Desci as escadas e encontrei meu chefe parado exatamente no mesmo lugar no qual eu o havia deixado, ainda com a mesma cara amarrada. Entreguei o edredom dobrado e o travesseiro para o mesmo, que se recusou a segurá-los.

— Eu não quero dormir aqui. — murmurou. — É pequeno, desconfortável e eu vou me sentir sozinho.

— E por um acaso você dorme acompanhado na sua própria casa? — rebati, o que o fez recuar por um momento nitidamente sentindo aquilo como um ataque pessoal.

Finalmente uma vitória. Depois dessa, eu mereço uma boa e longa noite de sono.

— Não, mas eu...

— Boa noite. — eu o interrompi, já me dirigindo de volta para a escada. Parei no primeiro degrau e, sem virar para trás para encará-lo, pensei na minha frase perfeita para finalizar a noite. Respirei fundo. — Bons sonhos, Hannie.

Talvez eu estivesse enlouquecendo de vez, mas criar coragem suficiente para dizer aquilo me fez rir sozinha. Subi correndo as escadas novamente, dessa vez para só descer no dia seguinte, e felizmente não consegui ouvir a resposta de Jeonghan caso ele tivesse conseguido formular uma.

Talvez eu tivesse cutucado o vespeiro com um pedaço de bambu curto demais, mas sabe de uma coisa? A Shin Minyoung empoderada tem todo o direito de fazer isso.

***

Antes de mais nada, eu devo começar explicando uma coisa básica sobre mim mesma: na grande maioria das vezes, grande mesmo, quem toma o controle do meu corpo é a Shin Minyoung robô. Pois bem, deixe-me esclarecer melhor isso. A partir do momento no qual eu me levanto de manhã, automaticamente já sei o que fazer e não preciso sequer abrir meus olhos para começar minhas tarefas diárias. Trata-se de uma rotina básica com a qual o meu corpo já está mais do que habituado: levanto e instintivamente desço da cama pelo lado esquerdo da mesma — o qual fica mais perto da porta — dou exatos doze passos até o banheiro, entro, tiro toda a minha roupa, me banho, dou os mesmos doze passos de volta até o quarto, me troco e desço as escadas para, se tiver tempo, comer algo de café da manhã. Volto para o segundo andar, escovo os meus dentes, pego a minha bolsa e saio para trabalhar; e é somente que eu realmente acordo, vulgo abro os meus olhos para encarar dolorosamente a luz de mais um dia de trabalho. Ou seja, tudo que eu faço dentro de casa no período da manhã é comandando pelo meu subconsciente, pois um misto de cansaço e sono infinitos simplesmente me impede de abrir meus olhos para que eu possa, de fato, prestar a devida atenção no que estou fazendo.

Dito isso, vamos ao porquê de eu ter dado toda essa explicação.

Pois bem, aquele dia em específico não foi diferente, ou pelo menos não deveria ter sido. O alarme do celular despertou estridente às seis horas da manhã em ponto e eu, já iniciando meu modo automático, apenas estiquei meu braço para alcançar a tela do aparelho, tocando qualquer canto da mesma para dar fim àquele som estridente. Assim que eu o fiz, sentei-me na cama e esfreguei meus olhos, ainda que não tivesse a intenção de abri-los nem tão cedo. Coloquei-me de pé, alonguei minha coluna e me virei para o lado esquerdo da cama, já pronta para sentir o chão frio sob meus pés a um único palmo abaixo de onde eu estava — minha cama seguia aqueles modelos orientais antigos e, por isso, era tão baixa ao ponto de que mal se percebia que havia algo separando o velho colchão de casal do piso escuro, mesmo que houvesse um estrado de madeira.

E lá estava eu, a robótica e já cansada Shin Minyoung, dando início às suas tarefas matinais enquanto ainda descansava seus olhinhos asiáticos, quando a desgraça aconteceu.

O primeiro passo no chão foi normal, o piso estava frio e áspero como de costume. O segundo também, mas no terceiro a coisa desandou num nível o qual eu simplesmente não consegui acompanhar: havia algo no meio do caminho, mais especificamente jogado no chão, e o fato de isso não fazer parte da minha rotina quase sonâmbula resultou em um belo de um tombo. Isso mesmo que você leu, um tombo. Se aquele fosse um obstáculo rotineiro, eu teria simplesmente pulado por cima do mesmo, mas não foi bem isso que aconteceu; na verdade, eu tropecei nessa coisa, que aparentemente era grande e um tanto rígida, e só não fui terminei com a cara colada diretamente no chão porque, felizmente, ainda me restavam alguns reflexos rápidos o suficiente para erguerem minhas mãos e impedirem uma queda pior, o que só piorou as coisas. Senti o impacto atingir em cheio o meu pulso direito, o primeiro a encontrar o chão, e a dor imediata me fez soltar um resmungo alto de dor.

E foi então que, capotada, eu finalmente abri meus olhos. Assim, caída no chão, que eu me deparei com um Jeonghan aparentemente tão perdido quanto eu, enrolado no cobertor fofo que eu havia lhe dado ontem. Ele estava numa posição esquisita e quase inexplicável, metade do corpo sentado e a outra metade ainda deitado com a cabeça sobre o travesseiro jogado no chão, o que sinceramente me fez querer berrar de ódio com aquela sua cara confusa. Ele se sentou num pulo e, quando me viu segurar meu pulso dolorido e fitá-lo como se eu realmente pudesse fuzilá-lo apenas com um olhar, Jeonghan se esticou na minha direção com uma expressão preocupada. Nós estávamos os dois jogados no chão, ambos bagunçados e recém-acordados, e ele segurou meu braço com delicadeza — ou, talvez, com medo de que pudesse terminar de quebrá-lo.

— Você está bem? — indagou aflito.

— Sim, ótima! — eu exclamei irônica e no ápice da minha revolta, o que o fez recuar acanhado. — O que diabos você está fazendo no chão do meu quarto?

Eu estava praticamente gritando, mas a dor em meu pulso não me deixou perceber isso no momento propriamente dito, então eu apenas continuei questionando meu chefe aos berros.

Sim, o perfeito retrato do abuso de sorte.

— Eu dormi aqui. — ele respondeu um tanto sem jeito, nitidamente ainda ponderando se deveria me ajudar ou sair correndo logo dali.

— O que? — perguntei. — Você dormiu no chão do meu quarto? Céus, como diabos você entrou aqui?!

— Pela porta, oras. — o Yoon rebateu, parecendo chateado por estar sendo acusado. Ora essa, eu quem deveria estar chateada e completamente assustada ali, afinal, tinha um louco jogado no chão do meu quarto. — Eu disse que ia me sentir muito sozinho lá embaixo.

— Então você achou melhor e mais confortável dormir no chão frio? E se você pegasse um resfriado ou alguma coisa do tipo? Não está dolorido?

Espera um minuto aí... Então quer dizer que a pessoa que tinha se estatelado no chão e possivelmente torcido um pulso estava ali, claramente preocupada e ansiosa, por causa da outra pessoa que foi o motivo de sua queda?

Então é isso que significa quando as pessoas dizem que o poste está fazendo xixi no cachorro?

Pigarrei, me recompondo, mas já era tarde demais; Jeonghan já tinha notado a minha preocupação já praticamente instintiva para com ele, afinal, aquilo ainda fazia parte do meu trabalho. Sorriu travesso e escorreu pelo piso para um pouco mais perto de mim.

— Então você está preocupada por eu ter dormido no chão? — indagou, erguendo uma sobrancelha. — Isso significa que vai me deixar dormir na cama na próxima vez?

— Significa que eu vou passar a dormir com a porta do meu quarto trancada, isso sim! — rebati e, mais uma vez, vi o sorriso brincalhão sumir de seu rosto. — Escuta aqui, seu...

Resumindo, eu tinha inventado de erguer meu indicador na direção do Yoon para parecer mais firme e o tal do carma veio atrás de mim instantaneamente. Senti a dor em meu pulso aumentar depois de levantá-lo e, por isso, automaticamente o puxei de volta para perto do meu corpo, envolvendo a área dolorida com a minha outra mão livre. Fitei a área que, como um passe de mágica, já começava a adquirir uma cor um pouco mais escura.

Céus, era só o que me faltava.

— Isso está ficando feio. — ele disse sério, fitando meu pulso machucado. Aproximou-se com cuidado e, devagar, tirou minha mão de cima da pequena mancha colorida para que pudesse vê-la melhor. — Acho melhor irmos ao hospital dar uma olhada nisso.

— Não precisa, está tudo bem. — eu automaticamente discordei. — Eu só preciso passar uma pomada e...

— Shin Minyoung. — Jeonghan me interrompeu e, pela primeira vez desde que tínhamos nos conhecido, eu o ouvi dizer meu nome daquele modo mais firme. Aquele era o tom de voz o qual o Yoon costumava usar quando não estava disposto a dar o braço a torcer, o que significava que ele não escutaria nenhuma palavra do que quer que eu dissesse. — Você vai trocar de roupa ou prefere ir ao hospital usando esse pijama fofinho?

Eu o fitei, erguendo uma sobrancelha surpresa na sua direção. A verdade era que, de fato, eu estava acostumada a ser aquela que sempre largava tudo o que estava fazendo para atender às necessidades do outros — era eu quem cuidava, prestava atenção nos detalhes e sempre me preocupava não só com Jeonghan, mas também com aqueles que naturalmente viviam ao meu redor — então ter alguém fazendo aquilo por mim era uma absoluta novidade. Intercalei meu olhar entre meu pulso e os longos e magros dedos do Yoon que seguravam com delicadeza meu outro braço.

Eu tinha que admitir que aquela era uma boa sensação.

— Bem... — eu murmurei um tanto sem graça com a sua proximidade, mas, ainda assim, consegui reunir coragem para fitá-lo diretamente. Aquele não era o Jeonghan imponente e requintado com o qual eu estava acostumada a lidar, contudo, de algum modo, ele conseguia ser igualmente intimidador. Pelo menos para mim, no caso. — Eu posso mesmo ir de pijama?

Eu não estava falando sério, mas acabou que aquilo foi a única coisa que me veio à cabeça como um tipo de tentativa um tanto estúpida de descontrair o clima que nos rodeava.

Bem, talvez nem tão estúpida assim, dada a risada leve que Jeonghan emitiu ao ouvir a minha pergunta.

— Você pode ir como bem quiser, Min Min.

Notas finais
E então, o que acharam? Nos vemos em breve!