Meu CEO de estimação
6 O silêncio do CEO
— Você vai trocar de roupa ou prefere ir ao hospital usando esse pijama fofinho?
— Bem... Eu posso mesmo ir de pijama?
Eu não estava falando sério, mas acabou que aquilo foi a única coisa que me veio à cabeça como um tipo de tentativa um tanto estúpida de descontrair o clima que nos rodeava.
Bem, talvez nem tão estúpida assim, dada a risada leve que Jeonghan emitiu ao ouvir a minha pergunta.
— Você pode ir como bem quiser, Min Min.
No fim das contas, eu gostaria de deixar bem claro que utilizei do resquício de sanidade mental que ainda me restava e não, não fui de pijama até o hospital. Digo, eu naturalmente não teria ido se aquele fosse apenas um pijama normal que adultos normais usam, imaginem então um cor-de-rosa berrante que foi estampado com unicórnios na década passada. Na verdade, o que eu fiz mesmo foi expulsar Jeonghan do meu quarto e afirmar que só sairia de casa depois de completar toda a minha rotina matinal, pois já poderia seguir direto para o trabalho depois da tal consulta. O Yoon esperneou e bateu o pé, insistindo que nós deveríamos ir logo já que se tratava de uma emergência — causada pelo próprio, detalhe esse que eu ressaltarei para o resto da minha vida.
Ora, pois o pulso é meu e quem decide se examiná-lo é uma emergência ou não, adivinhem só... também sou eu.
Por isso, para até mesmo a minha própria surpresa, eu consegui resistir firmemente à birra de Jeonghan e, ainda com o pulso dolorido, me aprontei no tempo certo para que desse para ir ao hospital e, mesmo assim, chegar pontualmente no meu horário na Price. Eu sei o que vocês devem estar pensando: então, o seu emprego é mais importante do que a sua saúde? Bem, dependendo da situação, a resposta é simples e puramente sim. Desde pequena, quando eu ainda morava na fazendo com os meus pais, minha irmã e não tinha nenhuma preocupação nessa vida, eu aprendi que os únicos dois motivos capazes de me fazerem correr de trabalho eram caso eu contraísse alguma doença extremamente contagiosa que pudesse acabar infectando alguém ou, infelizmente, morresse. Extremo, eu sei, mas com o tempo e depois de me mudar para a gigantesca Seul, eu descobri que é também como a grande maioria da massa trabalhadora sul-coreana pensa e age no seu dia a dia. No meu caso, o que vinha em primeiro lugar na minha vida e era mais importante do que qualquer outra coisa era, sem dúvidas, a minha família...
Contudo, se eu quisesse ajudar a mesma, o trabalho deveria ser o foco naquele e em todos os meus outros futuros momentos.
Assim, desci as escadas da minha casa naquela manhã mais do que pronta para iniciar o meu dia com tranquilidade, começando pela resolução do problema no pulso que, com sorte, não demoraria muito.
— Decidiu que já está na hora de colocar o seu pulso de volta no lugar? — escutei o Yoon perguntar e, seguindo a voz do mesmo, eu o encontrei sentado no meu sofá com as pernas e os braços cruzados, além de uma expressão emburrada.
Sinceramente, eu não sabia se ria daquela cena toda que ele fazia por causa de um pulso roxo ou se, na verdade, eu bufava com o fato de que aquilo estava acontecendo dentro da minha própria casa e por culpa de quem mesmo?
Exatamente.
— Eu já disse que não está quebrado, consigo mexer e tudo. — expliquei pela milésima vez só naquela manhã, erguendo meu pulso para que ele conseguisse me ver movê-lo de um lado para o outro, girando-o.
O que doeu um bocado, mas vamos ignorar essa parte.
Jeonghan se levantou num único pulo como se quisesse interromper o que eu estava fazendo e, bem, conseguiu, pois eu acabei sendo pega de surpresa pela ação. Ele usava a mesma roupa do dia anterior e, pelo o que eu tinha conseguido ver da janela do meu quarto, o sol que estava fazendo lá fora o faria passar uma quantidade de calor considerável. Por isso, eu automaticamente comecei a pensar no que poderia ser feito para dar um jeito naquilo — era o meu espírito de secretária falando mais alto, me perdoem por isso e saibam que não é nenhum motivo de orgulho para mim, mas acontece — mas logo fui interrompida novamente, agora pela figura do Yoon surgindo na minha frente e ocupando grande parte do meu campo de visão.
— Vamos antes que você decida ir trabalhar com essa coisa pendurada. — disse enquanto apontava para o pulso arroxeado que ainda pairava no ar entre nós dois.
Bufei.
— Quanto drama, até parece que foi você que se machucou... — murmurei para mim mesma, ajeitando em meu ombro a grande bolsa que eu carregava basicamente vinte e quatro horas por dia comigo. Tratava-se de uma daquelas bolsas de um ombro só que as pessoas normalmente utilizavam em academias, cinza e com pequenos detalhes em violeta, mas que eu usava no meu dia a dia para conseguir carregar todos os meus pertences e mais alguns de Jeonghan.
Sim, grande parte das coisas dele ficavam na minha bolsa. Na verdade, tudo o que não fosse a sua carteira e o seu celular — às vezes eu carregava até mesmo esses dois — estava sempre comigo: alguns artigos de higiene, como escova de dente e tudo mais, rolinho removedor de pelos das roupas, um par de gravatas coringas que poderiam combinar com qualquer terno em casos de emergência, spray e pente de cabelo... Enfim, em resumo, o homem me fazia carregar mais coisas para ele do que para mim mesma. Vez ou outra ficava nítido como ele era infinitas vezes mais vaidoso do que eu, mas eu já tinha aprendido a ignorar esse fato no intuito de proteger a minha autoestima, então tudo bem.
Sem dizer mais nada, Jeonghan saiu na minha frente, logo sumindo porta afora. Céus, ele realmente já estava se sentindo em casa... O Yoon deu partida no carro enquanto eu ainda plugava meu cinto de segurança no banco do passageiro e, cerca de dez minutos depois, nós já estávamos no saguão do hospital mais próximo que, pela primeira vez mesmo depois de quase cinco anos morando naquela casa, eu descobri que era realmente próximo de onde eu morava. Alguns bons resfriados poderiam ter sido tratados ali, além de pequenos cortes e queimaduras que geralmente acompanhavam a correria do meu dia a dia, mas eu não era muito uma pessoa de hospital e provavelmente não teria vindo mesmo se soubesse da existência do mesmo.
Pois bem, voltando ao assunto da bagunça no meu pulso, Jeonghan insistiu que eu apenas me sentasse na sala de espera do hospital e o esperasse ali, já que ele cuidaria de tudo. Por um momento, eu me senti agradecida mentalmente por ele ao menos se prestar a fazer aquilo, mas, como diz o ditado, alegria de pobre dura pouco. Dois minutos depois, ele voltou com uma prancheta em mãos e uma expressão de cachorro que caiu do caminhão de mudança estampada no rosto.
— Sabe o que é, Min... Secretária Shin. — ele se corrigiu imediatamente, provavelmente lembrando que estávamos em público. Sentou-se na cadeira ao meu lado, me entregando a tal prancheta. — A enfermeira na recepção disse que você teria que preencher um formulário com algumas informações pessoais antes de ser atendida, então eu trouxe para você já que não sabia algumas coisas...
Eu confesso que, quando peguei o papel, esperava que o Yoon não soubesse coisas extremamente pessoais sobre mim, como o nome completo dos meus pais e coisas do tipo, mas a coisa mudou de figura quando eu encarei a prancheta com um pouco mais de atenção — tirando o meu nome e meu número de telefone, Jeonghan não tinha preenchido mais nenhum dos cerca de quinze tópicos presentes na folha.
— Nem o meu endereço? — eu questionei sem pensar duas vezes. — Nós acabamos de vir da minha casa.
Ele encolheu os ombros.
— Quem faz esse trabalho é o GPS... — murmurou. — Além disso, quem diabos sabe esse tanto todo de informações sobre outra pessoa? Só faltaram perguntar o seu signo no zodíaco.
— Yoon Jeonghan, nascido no dia quatro de outubro de mil novecentos e noventa e cinco, tipo sanguíneo B, pesa 62kg e mede exatos 1,78m de altura. Nome dos pais: Yoon Go Ara e Yoon Baek Hyun. É alérgico a paracetamol e nozes. Signo de Libra. — pausei, voltando o meus olhos para a prancheta no meu colo. — Número de telefone e endereço é meio óbvio que eu saiba, mas eu posso citar se quiser.
Silêncio. Daqueles bem constrangedores, diga-se de passagem.
Eu tinha mesmo que ter dito tudo aquilo naquele tom de voz? Céus, parecia que eu estava simplesmente jogando na cara dele as coisas que eu sabia, igual aqueles alunos sabichões que o restante da sala de aula detesta da cabeça aos pés e torce para zerar alguma prova. Percebendo o que tinha feito, eu bufei mentalmente com a minha estupidez e logo tratei de arrumar um jeito de consertar aquilo.
— Não precisa fazer essa cara. — foi o que eu disse, encarando a sua expressão que misturava vergonha e orgulho ferido. Sorri, tentando demonstrar que estava brincando. — Faz parte do meu trabalho saber tudo sobre você, Diretor Yoon.
E aquilo não deixava de ser a mais pura verdade. Além de informações pessoais, eu sabia sobre todos os gostos e desgostos de Jeonghan porque, bem, aquilo sempre me ajudava a encontrar a melhorar maneira de executar o meu trabalho. Tudo bem, eu reconheço que sou do tipo de pessoa curiosa que gosta de conhecer até mesmo os pequenos detalhes daqueles que me cercam, mas muito provavelmente não saberia tudo isso sobre o Yoon se o mesmo não fosse o meu chefe.
Fazia parte do meu trabalho e apenas isso.
Contudo, aparentemente, Jeonghan não parecia pensar daquele modo e muito menos aparentava estar satisfeito com aquilo. Sem graça, ele esticou uma mão na minha direção, mantendo-a aberta como quem esperava alguma recompensa.
— A prancheta. — disse sem me fitar diretamente, o que me fez franzir o cenho em confusão. — Você não vai conseguir escrever com o pulso direito machucado, então deixa que eu faço isso. Digo, você é destra, não é?
Droga. E bem quando você está lá pensando que a coisa não pode piorar, a maldita vai lá e piora de propósito.
Eu era canhota.
— Sim. — sussurrei e lhe entreguei a prancheta, começando a ditar meus dados pessoais para que o mesmo preenchesse tudo para mim, ainda que aquilo não fosse nem um pouco necessário.
Mas eu arriscaria piorar ainda mais as coisas? Obviamente não. A verdade era que Jeonghan não tinha nenhuma obrigação de saber coisas sobre mim fora da nossa relação profissional, muito menos sendo o meu chefe. Era compreensível que ele não soubesse e, apesar da minha surpresa, aquilo não me chateava.
Contudo, se chateava YoonJeonghan e consequentemente ameaçava o meu emprego, deveria ser evitado a todo custo.
***
— Você tem certeza de que consegue trabalhar assim? Não quer tirar o dia de folga?
Aquela deveria ser, no mínimo e sem exageros, a vigésima vez que Jeonghan me perguntava aquilo. Ele tinha acabado de estacionar na garagem da empresa e aparentemente estava tentando sua última cartada, que consistia em me vencer pelo cansaço.
Como se aquilo fosse capaz de cansar Shin Minyoung.
— Tenho certeza de que posso trabalhar e de que não preciso de folga, Diretor Yoon. — respondi já automaticamente.
Fitei meu pulso que, atualmente abraçado por um daqueles imobilizadores pretos, descansava sem maiores problemas no meu colo. O médico tinha classificado o machucado como uma leve torção e, depois de três dias e alguns poucos analgésicos, eu poderia voltar ao hospital para um último exame e também para retirar aquele troço de espuma que limitava meus movimentos. Eu não costumava usar a minha mão direita para muita coisa, então as coisas estavam fluindo até que bem.
Jeonghan bufou e desceu do carro, o que eu também fiz logo em seguida. Olhei para o relógio em meu pulso — agora transferido para o esquerdo, devido ao imobilizador — que me dizia que eu estava chegando pontualmente no meu horário de trabalho na empresa.
Perfeito.
Eu caminhava, como de costume, a um passo atrás de Jeonghan e o segui pelo lobby do prédio até alcançarmos o elevador. Todos se curvavam para o Yoon quando o viam, afinal, ele não deixava de ser o herdeiro de todo aquele prédio e obviamente da empresa que ali funcionava, mas Jeonghan nunca ligava muito para aquilo e cumprimentava de volta os funcionários com gestos simples e rápidos. Esperamos o elevador chegar e entramos no mesmo, que milagrosamente estava vazio.
Milagrosamente uma ova.
Uma mão branca e apressada se colocou entre as portas que já estavam se fechando, impedindo que isso acontecesse. No segundo seguinte, Choi Seungcheol, diretor da equipe de marketing e melhor amigo de Jeonghan — o único amigo do qual eu tinha conhecimento, na verdade — passou pelas portas reabertas do elevador e apertou o botão dois andares abaixo do nosso, sorrindo ao notar a presença do Yoon.
— A que se deve o milagre de você ter chegado tão cedo na empresa? — zombou, rindo. Em seguida, apontou o indicador na minha direção. — Isso é obra sua, não é, Secretária Shin? Ninguém tira esse homem da cama antes das oito da manhã, no mínimo.
O Diretor Choi era um homem muito bonito e que dava, pelo menos na minha opinião, um verdadeiro banho nos quesitos simpatia e senso de humor em Jeonghan. Alto e dono de um porte físico aparentemente forte, ele tinha a pele bem pálida, cabelo preto e liso sempre parecendo hidratado e recém-penteado e, de bônus, um sorriso largo que estava sempre lá, mostrando grande parte de seus dentes perfeitamente alinhados e da sua gengiva superior. O que corria pelos corredores daquele prédio era o boato de que, depois de Yoon Jeonghan, Seungcheol era o homem mais cobiçado de toda a empresa, até mesmo mais do que alguns artistas gerenciados pela Price. As solteiras — e algumas comprometidas também, diga-se de passagem — queriam ou um ou outro, ou os dois ao mesmo tempo ou, na mais louca das hipóteses, os dois juntos.
Pois é, não subestimem o imaginário de uma mulher.
Ri sem jeito diante da pergunta do Choi, lembrando do fato de que, ao invés de tirar Jeonghan mais cedo da cama como ele imaginava, eu tinha o acordado tropeçando no mesmo, que por sua vez tinha dormido no chão do meu quarto. Achei melhor não explicar nada aquilo e permanecer em silêncio, exibindo o sorriso mais simpático que eu conseguia.
Contudo, Seungcheol pareceu notar algo que o fez arregalar os olhos e descer o indicador que apontava para mim até...
O meu pulso imobilizado.
— O que aconteceu com o seu pulso, Secretária Shin? Você está bem? — ele indagou aparentemente preocupado, porém, em resposta, recebeu uma alta e autoritária limpada de garganta de Jeonghan, o que o fez encarar o Yoon acusadoramente no mesmo segundo. — Foi você que fez isso com ela? Você fez essa pobre mulher trabalhar até quebrar um pulso, Yoon Jeonghan? Ah, eu sabia que um dia isso ainda iria acontecer...
Era óbvio que o Diretor Choi estava apenas fazendo uma brincadeira e eu sinceramente não via nada demais na mesma — na verdade, era normal que eu escutasse piadas sobre o modo incessante como eu estava sempre trabalhando, mas sabia que Seungcheol não tinha a intenção de me ofender e nem nada do tipo — mas Jeonghan não parecia estar se divertindo muito.
— Não está quebrado, é só uma torção. — o Yoon murmurou, emburrado e como se há menos de uma hora não estivesse dizendo por aí que eu estava andando com meu pulso pendurado, em seguida fitando o painel digital que nos dizia em qual andar estávamos. Ainda faltavam seis para o do Diretor Choi. — Esse elevador sempre subiu devagar assim?
Seungcheol riu, feliz por ter irritado o amigo.
— E ainda quebrou o pulso que ela menos usa, só para a pobre Secretária Shin ter que continuar trabalhando... — o homem comentou e, naquele instante, eu petrifiquei onde estava.
Esse maldito elevador sempre subiu devagar assim?
— O que você quer dizer com isso? — Jeonghan perguntou. — É o pulso direito que está machucado.
Oi gente, eu ainda estou aqui, sabiam?
— Diretor Yoon... — eu o chamei, mas fui duplamente ignorada.
— Exatamente. — o diretor de cabelos pretos concordou. — A Shin é canhota, não é?
Ele estava perguntando diretamente para mim, o que me fez engolir em seco. Eu não sabia o que responder porque, se negasse, Seungcheol automaticamente saberia que eu estava mentindo. O Choi era do tipo de pessoa que reparava em todos os funcionários e sabia muito sobre os mesmos; na verdade, nós já tínhamos trabalhado em alguns projetos juntos, então ele obviamente teria reparado que eu era canhota. Contudo, se eu confirmasse que não era destra, Jeonghan saberia que eu menti, o que também seria uma derrota para mim.
Diabos, o que eu faço agora?!
— Atenção, seu andar chegou.
Respirei aliviada, salva pela máquina dona de uma voz feminina robótica e que, felizmente, anunciava que finalmente estávamos parando no andar do Diretor Choi.
Muito obrigada, minha irmã de luta.
Seungcheol se despediu com um sorriso largo e um aceno de cabeça, deixando um clima tangível de tão desconfortável entre Jeonghan e eu.
Por favor, só mais dois andares.
— Então... — o Yoon iniciou e, mentalmente, eu já começava a preparar uma desculpa no mínimo esfarrapada para dar devido à minha mentira. Contudo, ao contrário do que eu esperava, meu chefe apenas bufou e sacudiu a cabeça, sem me fitar em momento algum. — Eu tenho uma reunião agora pela manhã, certo? Por favor, já deixe a sala de reuniões preparada, Secretária Shin.
E aqueles foram os dois andares mais rápidos da minha vida. Num piscar de olhos, o elevador parou no nosso andar, as portas se abriram e Jeonghan seguiu seu caminho sem dizer mais nenhuma outra palavra ou sequer olhar para trás. Digo, ele geralmente só andava na minha frente e costumava falar o necessário — ou o que lhe interessasse, no caso — e não estava fazendo nada de muito diferente naquele momento, contudo... parecia diferente. Suas costas foram sumindo gradativamente e, por ter ficado para trás o observando se afastar, por pouco eu não fui levada pelo elevador de volta por todos aqueles andares. Acordando, eu pulei para fora do elevador e logo me coloquei a fazer o que me havia sido ordenado pelo Yoon, afinal, aquele era o meu trabalho.
E, basicamente, aquele foi o meu dia. Jeonghan estava estranhamente silencioso e, entre uma reunião e outra, me contactou apenas um par de vezes e em ambas para falar de assuntos profissionais. Nada de “ShinMinyoung, meu café!” ou “ShinMinyoung, acabou o papel higiênico!”...Total silêncio inclusive no ramal que ligava sua sala ao meu cubículo, nenhum susto sofrido por mim por um berro repentino...
Absolutamente nada.
E, sinceramente, eu não deveria estar reclamando daquilo. Era como todo chefe normal agia, certo? Como secretária, a minha rotina deveria consistir em cuidar da agenda do meu chefe e de coisas relacionadas ao escritório quando o mesmo precisasse; nada de ter que rodar um shopping inteiro atrás de uma joia caríssima para mandar para a mãe do meu chefe no dia do seu aniversário ou pegar as suas roupas na lavanderia. Era assim que funcionava uma relação saudável e duradoura entre um CEO e sua secretária, sem nenhum chefe fantasiando ser um gato ou me fazendo torcer meu pulso por dormir clandestinamente no chão do meu quarto.
Aquilo era o mais corretor, obviamente.
Contudo, se aquele era o jeito certo, por que diabos o silêncio de Jeonghan me incomodava tanto?
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