Meu CEO de estimação
1 O segredo do CEO
— Shin Minyoung!
E aquelas eram as palavras que eu mais vinha ouvindo ao longo dos meus últimos mil e noventa e cinco dias de vida; ou exatos três anos, mais especificamente. Uma vez, de curiosidade, eu contei quantas vezes o meu nome completo era chamado pelo meu chefe ao longo do dia e o resultado foram inacabáveis cinquenta e três vezes. Isso mesmo, cinquenta e três.
Ele queria um café? Shin Minyoung.
Tinha uma reunião importante e queria se preparar? Shin Minyoung.
Seu motorista particular? Shin Minyoung.
Acabou o papel higiênico no banheiro? Adivinhem só: ShinMinyoung, o nome da vez.
Muito prazer, o meu nome eu suponho que já tenha sido entendido, então não pretendo repeti-lo com a finalidade de poupar o meu resquício de sanidade mental.Atualmente, no auge dos meus vinte e cinco anos, eu trabalho como secretária — e também vítima, nas horas vagas — de Yoon Jeonghan, diretor executivo da Price Entertainment que, nesse momento, está me gritando da sala dele provavelmente para me perguntar ou pedir algo completamente irrelevante; mas não é como se eu pudesse me dar ao luxo de fazer ouvido de mercador e continuar aproveitando meus cinco minutos de descanso isolada no meu cubículo, então lá vamos nós.
É isso que o capitalismo faz com as pessoas.
Na verdade, ele tinha um telefone fixo com um ramal ligado diretamente a um outro aparelho idêntico ao dele, porém, que ficava na minha mesa para caso ele precisasse me chamar ou algo do tipo... Mas ele usava? Não. Apressei-me e, como o meu cubículo já era estrategicamente posicionado ao lado da sala do diretor, não demorou nem cinco segundos para que eu já estivesse passando pela enorme porta de vidro para atendê-lo. Jeonghan — irei chamá-lo assim nos meus pensamentos, já que só posso fazer isso dentro da minha própria cabeça mesmo — estava com as longas pernas esticadas para cima e com os pés, esses aquecidos por sapatos sociais de couro que valiam mais do que cinco meses do meu salário, descansados sobre a sua mesa de trabalho.
— Precisa de alguma coisa, Diretor Yoon? — perguntei formalmente, como deveria ser.
Colocando os pés para baixo, Jeonghan calmamente ajeitou a sua cadeira giratória até que ele assumisse a posição que realmente parecia com a de um diretor executivo da segunda maior empresa de entretenimento do país.
— Escolha um restaurante. — disse, simples.
— O que? — indaguei confusa.
Não eram raras as vezes nas quais Yoon Jeonghan me pedia para escolher coisas no seu lugar, como presentes para bajular executivos ou até mesmo a sua própria mãe, ternos para as suas reuniões de trabalho mais importantes ou as melhores notícias para serem lidas no dia; contudo, era a primeira vez que ele me pedia algo mais pessoal. Inclusive, o Diretor Yoon odiava que opinassem no que ele comia ou bebia, por isso eu estava estranhando o pedido.
Droga, acabei o chamando de Diretor Yoon até mesmo nos meus pensamentos. Maldito costume que não me deixa ser uma pessoa livre nem dentro da minha própria mente.
— Eu pedi para você escolher um restaurante, Secretária Shin. — explicou e, em seguida, abriu um sorriso de canto. — Pense em algo que você goste de comer e escolha um restaurante.
Eu não podia acreditar naquilo.
Céus, será que aquele homem estava finalmente me reconhecendo pelo meu trabalho duro e por todas as noites que ele tinha me feito passar em claro, trabalhando no escritório? Jeonghan só costumava me levar para almoçar quando se tratavam de almoços de negócios, mas como era eu quem controlava a sua agenda, sabia que não havia nenhum compromisso nas próximas horas. Em três anos de serviços prestados, aquela era a primeira vez que ele me levava para almoçar e, de quebra, ainda pedia para que eu escolhesse o restaurante.
Estariam os humilhados finalmente sendo exaltados?
— Bem... — iniciei sem jeito, fitando o chão com um sorriso bobo e orgulhoso de mim mesma no rosto. — Tem um restaurante de frutos do mar que abriu aqui perto há umas três semanas. Todo mundo anda dizendo que a comida lá é deliciosa e...
— Ótimo. — interrompeu-me, se levantando. — Ligue e faça uma reserva para mim para daqui a uma hora. E não esqueça de me enviar o endereço por mensagem.
— Para você? — perguntei pausadamente enquanto via a ficha despencar diante dos meus olhos.
— Sim, oras. Eu estava com vontade de comer algo diferente e frutos do mar me parece uma boa pedida. Sabia que você teria algo bom para indicar. — respondeu e me lançou uma piscadela. Havia um espelho comprido próximo à sua mesa e Jeonghan caminhou até lá, fitando a si próprio. Parou, abotoou o paletó marsala e me fitou através do reflexo no espelho. — Depois eu lhe conto se a comida é boa mesmo, o que acha?
Mesmo depois de três anos de convivência diária com Jeonghan, eu ainda tinha a capacidade de ficar de boca aberta diante das suas ações — e não, nunca se tratava de uma boa surpresa. Ele tinha a audácia de me pedir uma indicação para um bom restaurante em pleno horário de almoço para, simplesmente, ir sozinho para me contar depois se a comida era mesmo gostosa?
YoonJeonghan, tomara que você engasgue com a casca de um camarão.
Não, brincadeira. Eu não podia lhe desejar nenhum mal, não para a pessoa que pagava o meu salário no começo de todo mês.
— Qual é a minha agenda para o restante do dia?
Eu acabei me distraindo com todas as minhas reclamações internas contra o meu chefe e, quando voltei para a realidade, o mesmo se encontrava diante de mim e, de bônus, inclinado exatamente na minha direção. Jeonghan estava perto o suficiente para que eu sentisse perfeitamente o cheiro da sua colônia amadeirada, aquela que ele me mandava comprar a cada dois meses, o que me pegou de surpresa. Assim, não é por nada, ele ainda fazia da minha vida uma maratona diária e tudo mais, mas Yoon Jeonghan era... bem, muito bonito. Apesar da personalidade que me estressava diariamente, ele tinha um rosto delicado que, acompanhado do cabelo macio e tingindo de um loiro extremamente claro, quase branco, lhe dava todo um ar angelical único. Ele também era rodeado por uma áurea de cavalheirismo que, se eu não o conhecesse até pela respiração, poderia terminar sendo facilmente enganada por isso.
Mas, bem, no fim das contas eu o conhecia melhor do que o próprio.
Pigarrei.
— Depois do almoço, às duas, estão agendadas reuniões com dois grupos de idolse mais uma com o ator Park Bogum, cada uma com duração de uma hora. — respondi, dando um par de passos para trás para retomar a distância de segurança. — Em seguida, uma reunião com o diretor financeiro da empresa e à noite...
— Hoje é sexta-feira. — interrompeu-me novamente. Sendo sincera, eu desconfiava de que Yoon Jeonghan havia feito algum tipo de curso especializado em como me interromper diversas vezes durante o dia. — Nada de compromissos na sexta à noite, esqueceu?
— Ah... O seu compromisso misterioso das sextas-feiras. — bufei num murmúrio frustrado. — Tudo bem, eu vou remarcar para segunda-feira.
— Boa garota. — comentou sorridente e me deu um tapinha amigável no ombro.
Eu já trabalhava para Jeonghan há três anos e, em todas as sextas-feiras desse meio tempo, eu o via saindo mais cedo da empresa para algum compromisso o qual eu não fazia a menor do que se tratava. Na verdade, era o único espaço da sua agenda que eu desconhecia, mas não importava se chovesse, fizesse sol ou nevasse, pois Jeonghan nunca faltava o tal compromisso. Até mesmo as outras secretárias já tinham percebido e vez ou outra eu as pegava cochichando pelos corredores, mas ninguém parecia saber do que se tratava.
Se nem eu sabia, não haveria mais ninguém nesse mundo que soubesse.
Bem, talvez o diretor da equipe de marketing, Choi Seungcheol, soubesse. Ele e Jeonghan eram amigos de longa data e, pelo o que eu sabia, tinham feito até faculdade juntos. Contudo, não era como se eu pudesse perguntar diretamente a ele, então o resto da plebe mortal da empresa continuaria no escuro quanto ao compromisso misterioso do meu chefe, inclusive eu mesma. Mas, sinceramente, eu estava pouco me lixando para isso. O que me importava mesmo era que, por mais que Jeonghan enchesse a minha paciência e me fizesse trabalhar praticamente o dobro do permitido para a minha categoria, ele sempre me deixava em paz às sextas à noite — o que significava que eu podia sair mais cedo da empresa e chegar a tempo em casa de atacar um pote de sorvete e assistir à minha novela preferida.
Por isso, do fundo do meu coração, eu espero que Yoon Jeonghan mantenha esse compromisso pelo resto das sextas-feiras de sua vida.
***
— Mas tem mesmo que ser hoje? — resmunguei no telefone.
Eu já estava em casa, tinha tomado o meu banho e estava prontíssima para vestir o meu pijama e assistir à minha novela, quando recebi uma ligação desesperada de uma das minhas amigas. Eu havia conhecido Kim Yoona na minha antiga empresa, onde eu tinha estagiado junto com ela, e desde o momento o qual nos conhecemos eu venho acompanhando a sua saga em fugir dos encontros às cegas marcados pela sua mãe. Aparentemente, a Sra. Kim é uma louca que acha que a filha já passou da idade de casar e que está ficando para titia, sendo que Yoona ainda é um ano mais nova do que eu, e por isso fica arrumando pretendentes ainda mais loucos para a filha.
Sim, isso tudo em pleno século XXI.
— Pior que tem, Min Min. — respondeu no ápice do seu desespero, usando a jogada suja de me chamar pelo meu apelido favorito. — Ela marcou em cima da hora justamente para eu não ter como fugir. Você sabe como é a sua mãe...
— Infelizmente. — rebati. — Mas vai ser hoje que o Jongdae vai descobrir que a Minah o traiu com o irmão dele e...
— Eu pago o dobro. — interrompeu a minha fala, contudo, dessa vez em específico, eu estava mais do que feliz em ter sido interrompida.
Quem precisa falar quando se ouve em dobro de dinheiro? E quem precisa de novela?
— O dobro? — indaguei surpresa. — Você deve estar desesperada mesmo.
— Sim, eu estou. — respondeu sem pensar duas vezes. — Eu acho que conheci alguém especial, Min Min, mas depois nós falamos disso. Então, você aceita?
Desculpe, querido Jongdae, mas hoje eu serei obrigada a trocá-lo por um encontro às cegas.
— Aceito. — afirmei, por fim. — Manda a localização. Eu chego lá em uma hora e vou embora em meia, como de costume.
— Está ótimo! — exclamou aliviada. — Obrigada, Min Min. Eu lhe devo mais essa.
— Deve mesmo. Inclusive, já pode fazer a transferência do pagamento para a minha conta também.
Bem, deixe-me explicar melhor essa história: o salário que eu recebo na Price Entertainment não é ruim, na verdade, é até acima da média do salário normal da minha categoria... Contudo, não é o suficiente. Além das minhas despesas pessoais como contas de casa para pagar, mercado e tudo mais, eu também arco com as despesas da minha irmã mais nova, Shin Songyoung. Desde muito nova, Songyoung sempre teve o sonho de se tornar uma cirurgiã geral reconhecida e respeitada pelo seu trabalho, porém, realizar esse sonho custaria uma fortuna. Meus pais, que cuidam da fazenda da família no interior do país, não tinham muito a oferecer e, por isso, eu me ofereci para pagar por qualquer coisa que Songyoung precisasse para focar nos seus estudos e nada mais. Com a faculdade extremamente puxada, ela não teria como trabalhar e seus estudos acabariam sendo prejudicados por isso, então o que eu fiz foi arrumar o meu emprego e tentar mantê-lo com unhas e dentes até que, pelo menos, minha irmã se forme com dignidade em uma das melhores faculdades do país. Ela já está na metade da faculdade, o que significa que eu ainda vou precisar de todo e qualquer dinheiro que possa juntar pelos próximos três ou quatro anos.
E é aí que entram os encontros às cegas.
Certa vez, enquanto Yoona choramingava sobre como odiava encontrar homens desconhecidos toda semana, eu lhe disse que não via nada demais nisso e que ela só precisava aparecer, agir mal e ser dispensada em dois tempos. Com o orgulho ferido, ela me disse que, se eu achava tão fácil assim, que fosse no lugar dela.
— Se você me pagar, eu vou.
E cá estamos nós. A notícia se espalhou entre o círculo de amigas de Yoona e, em quatro anos, eu já consegui acumular centenas de encontros às cegas de cinco mulheres diferentes. Isso tudo pode soar muito bizarro, eu sei, mas depois de um tempo eu simplesmente passei a encarar a situação como um trabalho freelancer e, bem, vem dando muito certo, obrigada. O pagamento é ótimo e, mesmo que eu já tenha encontrado diversos caras pavorosos, alguns nem são tão ruins assim... É óbvio que eu nunca me envolvi com nenhum deles, pois a minha regra é e sempre será ser dispensada em menos de meia hora. Assim, os homens saem achando que a moça é uma louca, nunca mais as procuram e todos saem ganhando.
Inclusive a poupança de Songyoung.
Por isso, eu me levantei da minha cama e fui até o meu armário escolher um vestido um pouco menos esculachado do que as minhas habituais peças de roupa. Eu estava de bom humor hoje porque tinha saído mais cedo do trabalho, então apliquei uma maquiagem bem leve para esconder as minhas olheiras de cansando e escovei meu longo cabelo negro. Eu o prendia durante todo o meu dia para facilitar o meu trabalho e, por isso, o coitado já estava mais marcado do que traseira de boi; por sorte, eu o tinha lavado e hidratado hoje, então a situação não estava tão ruim. Escolhi um vestido azul escuro que descia soltinho e esvoaçante até um pouco acima dos meus joelhos e, como o tempo não estava muito bom lá fora, joguei uma jaqueta de couro preta por cima. Eu não me importava muito com a minha aparência, contudo, gostava de me sentir bem comigo mesma quando saía de casa, o suficiente para que eu me arrumasse uma vez ou outra.
Só não para trabalhar, claro.
Assim, como o prometido a Yoona, eu estava em frente ao local combinado com o tal desconhecido exatamente uma hora depois de encerrar a nossa ligação. Parecia se tratar de uma boate típica da vida noturna de Seul e, piscando em um neon avermelhado, o nome P.E.T.S decorava a fachada preta. Parecia um nome diferente e, sendo sincera, eu não havia encontrado sentido nenhum no mesmo, mas não era como se eu fosse uma especialista em boates também. Diferente mesmo era que o tal rapaz tivesse marcado um primeiro encontro em uma boate, o que me daria um pouco mais de trabalho. Eu detestava lugares muito cheios e barulhentos, então trataria de sumir dali antes da meia hora prevista — felizmente, ao menos, tinha sido muito bem paga para estar ali.
De repente, avistei atravessando a rua um rapaz de mais ou menos um metro e setenta de altura que parecia ser o mesmo da foto que Yoona havia me enviado. O cabelo preto estava penteado para baixo e ele usava uma blusa de gola alta estampada com listras vermelhas e azuis, além de uma calça jeans rasgada e um par de tênis preto caríssimo — eu sabia porque, bem, certa vez Jeonghan tinha me feito ir até o shopping comprar um desses para ele porque estava cansado demais para ir com as próprias pernas. Para finalizar, o garoto, que deveria ser uns quatro anos mais novo do que eu, ainda usava óculos escuro mesmo que já fossem dez horas da noite.
Era esse o tipo de genro que a Sra. Kim queria?
— Lee Chan? — perguntei, lhe lançando um breve aceno de mão.
O rapaz sorriu e balançou a cabeça, em seguida vindo na minha direção. Quando me alcançou, retirou os óculos e os colocou sobre a cabeça, revelando um rosto muito bonito e atraente.
Bem, talvez a Sra. Kim só quisesse netos bonitinhos e fofinhos mesmo.
— Kim Yoona? — indagou e, tentando permanecer discreto, me olhou dos pés à cabeça. — Você parecia diferente na foto.
— É a mágica do photoshop. — respondi, rindo falsamente. — Podemos entrar? Eu já estou esperando aqui fora há um bom tempo.
Primeiro passo para despachar o seu encontro às cegas: seja rude logo no começo da conversa.
O Lee não fez uma expressão muito boa, mas, mesmo assim, concordou e permitiu que eu seguisse na sua frente até a entrada da boate. Contudo, haviam dois seguranças absolutamente enormes na porta, o que automaticamente me fez parar diante deles.
— Boa noite, rapazes. — Chan os cumprimentou com um sorriso no rosto e, em seguida, levou uma das mãos até as minhas cotas. — Ela vai entrar como minha acompanhante hoje... — me fitou e, quando eu já estava prestes a varrer a sua mão para longe de mim, me surpreendeu com uma pergunta um tanto inusitada. — Você tem algum apelido?
— Min Min. — acabei respondendo sem pensar, o que me fez querer dar um tapa em mim mesma.
Hoje você é Kim Yoona, sua idiota.
— Diferente, gostei. — disse para mim e depois se virou para um dos armários na minha frente. — Min Min entrará comigo hoje, por favor dê uma pulseira a ela.
Sem dizer mais nada, o homem pescou uma pulseira verde fluorescente do seu bolso e, com a caneta que também sacou do mesmo, escreveu meu apelido no acessório. Quando eu me dei conta, ele já estava a colando no meu braço e, em seguida, Lee Chan estava me levando para o interior da boate.
— Por que o apelido? — indaguei um pouco mais alto, devido à música que já começava a se fazer presente logo na entrada.
— É uma regra. Ninguém aqui sabe o nome verdadeiro de ninguém, é assim que protegemos as nossas identidades. — respondeu já atingindo o patamar do berro.
— Proteger a identidade? — perguntei confusa. — Por acaso acontece alguma coisa ilegal aqui dentro?
Diante da minha pergunta, Lee Chan abriu um sorriso cheio de segundas intenções, o que realmente me assustou.
— Mais ou menos. — deu de ombros. Antes de terminamos de vez de percorrer o corredor mal iluminado para finalmente, ou não, chegarmos ao interior da boate, o Chan parou diante de um comprido mostruário de vidro, onde dentro estavam diversas máscaras um tanto... fofas? Ele pegou uma de gatinho, colocou em si e em seguida me entregou uma de coelho. — Toma, coloque isso. Combina com você.
Identidades protegidas e máscaras de bichinhos fofos? Em que diabo de enrascada Kim Yoona tinha me metido?
Quando finalmente entramos na boate, a coisa que eu mais desejei foi ter ficado em casa com o meu querido Jongdae traído. A música, apesar de alta, se tratava de uma melodia fofa sobre animais de estimação. O lugar era enorme e haviam pessoas em todos os cantos, nenhuma que não estivesse com a sua própria máscara de bichinho, algumas até fantasiadas de algum animal de estimação. A cena era, no mínimo, bizarra: era como se fosse uma espécie de pet play, porém que seguia um roteiro fofo no lugar do típico fetiche sexual. Não que eu soubesse muito sobre isso, mas não se parecia em nada com o que eu imaginava.
O que fazia de tudo ainda mais bizarro.
— Aquele cara está comendo ração do chão? — indaguei abismada, apontando para um homem que se abaixava de quatro no chão para pegar ração diretamente com a sua boca. Ao lado, uma mulher fantasiada de gato rolava de barriga para cima. — Que diabo de lugar é esse, Lee Chan?!
— Hey, não fale o meu nome aqui dentro. — ele disse, me segurando pelo braço. — Meu apelido é Dino, me chame assim. E, se você já se assustou com isso, imagine quando conhecer a tal parte ilegal sobre a qual você me perguntou.
Quando o Lee começou a me puxar pelo braço, eu confesso que entrei em desespero. Eu não conhecia aquele lugar, aquelas pessoas e muito menos aquele fetiche louco... Eu estava sozinha com um recém-saído das fraldas em um lugar cheio de humanos que se achavam animais de estimação.
Sinceramente, onde foi que eu errei nessa vida?
— Solta o meu braço! — eu exclamei, o que aparentemente o divertiu e fez com que ele me puxasse com ainda mais força. — Solta! Você está me machucando!
Àquela altura do campeonato, algumas pessoas nos olhavam torto, mas ninguém parecia disposto a fazer nada. O Lee continuava a me arrastar pelo lugar, quando, de repente, um pé atingiu as costas do garoto e o fez voar direto no chão, felizmente soltando o meu braço no meio do processo.
Isso mesmo, um pé. Tecnicamente, alguém tinha dado uma bela de uma voadora no Lee.
— Você está bem? — a voz masculina surgiu do meu lado, fazendo o meu queixo cair até ochão.
Não era possível.
Ou era?
Quando finalmente me virei na direção da voz, encontrei um homem alto e que, apesar de não estar completamente fantasiado, usava vários acessórios que o caracterizavam como um gato. E aquele era ninguém mais e ninguém menos que...
— Diretor Yoon? — indaguei perplexa, o que o fez arregalar os olhos castanhos por debaixo da máscara.
Yoon Jeonghan poderia estar coberto de petróleo naquele momento e com uma fantasia de carnaval por cima que eu ainda o reconheceria, o que não foi diferente para ele considerando que tudo o que eu usava era uma máscara de coelho.
— Secretária Shin?!
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