Meu CEO de estimação
2 A proposta do CEO
— Diretor Yoon? — indaguei perplexa, o que o fez arregalar os olhos castanhos por debaixo da máscara.
YoonJeonghan poderia estar coberto de petróleo naquele momento e com uma fantasia de carnaval por cima que eu ainda o reconheceria, o que não foi diferente para ele considerando que tudo o que eu usava era uma máscara de coelho.
— Secretária Shin?!
Desde a minha época de colégio, quando as outras crianças costumavam ser fascinadas por grandes personalidades estrangeiras como Napoleão Bonaparte ou Cristóvão Colombo, o meu personagem histórico favorito sempre foi Edward Aloysius Murphy, aquele engenheiro não muito otimista que trabalhava para o programa espacial americano nos anos quarenta, talvez cinquenta. Eu sinceramente não costumo puxar sardinha para o lado desse tipo de gente renomada e tudo mais, contudo, eu devo admitir que esse foi o homem com as ideias mais certeiras que já pisou nesse planeta. O lado do pão que sempre vai ao chão é aquele repleto de manteiga, nada é tão ruim que não possa piorar e erros sempre acontecem em série.
Se Murphy e eu tivéssemos coexistido no mesmo espaço-tempo, ele certamente me usaria como a prova das suas mais famosas e desastrosas leis.
— O que você está fazendo aqui? — Jeonghan perguntou nitidamente surpreso com a minha presença.
— Eu... — iniciei, contudo, aquela não era uma situação exatamente fácil de ser explicada. Intercalando meu olhar entre o meu chefe fantasiado de gato e o meu fraudulento encontro às cegas ainda caído no chão, eu bufei em frustração. — É uma longa história. Muito longa, na verdade.
Eu poderia simplesmente ter perguntado o mesmo para ele, mas o meu cérebro fazia questão de me lembrar que Yoon Jeonghan ainda era a pessoa que pagava o meu salário durante todas as vinte e quatro horas do dia, não importava onde nós estivéssemos. Nem mesmo num bar temático bizarro como aquele eu tinha algum sossego e, sendo sincera, aquilo só servia para aumentar a minha frustração. Nós apenas tínhamos um contrato de trabalho e eu não era nenhum tipo de serva medieval, então por que diabos eu não conseguia simplesmente encará-lo e...
— Vocês dois! — alguém gritou, interrompendo os meus pensamentos desiludidos.
Aparentando medir o dobro do tamanho das pessoas que nos cercavam e olhavam espantadas, os dois armários — digo, homens — que tinham nos recepcionado na entrada da boate se destacavam em meio à multidão e, ao berro do mais forte, a música do lugar imediatamente foi interrompida. Os passos dos dois eram truculentos, porém igualmente rápidos, e eu poderia jurar que estava vendo a figura da morte me estendendo a mão naquele momento.
— Você pode não saber o que acontece com as pessoas que arrumam confusão aqui dentro, mas o seu salvador provavelmente sabe. — ouvi Lee Chan dizer amargo e, quando o fite de relance, o mesmo só agora conseguia se colocar de pé. Sorriu torto e cínico, mas aquela realmente não era a coisa que mais me assustava naquele momento.
Meu maior medo tinha dois metros e alguma coisa de altura e, em dupla, caminhava ferozmente na minha direção.
— Eu deveria saber o que acontece? — murmurei para Jeonghan, o que definitivamente atestava que eu já não estava mais fazendo perfeito uso das minhas faculdades mentais.
Mas quem se importa em parecer são quando se está prestes a morrer?
— Com certeza não. — o Yoon respondeu, o que não me ajudou muito.
Em seguida, provavelmente por eu estar assustada feito um gato de rua — bem, talvez nós não devêssemos tocar no assunto gatos agora, mas vamos fingir que eu não sou uma secretária traumatizada e prosseguir com o assunto — tudo aconteceu muito rápido diante dos meus olhos, o suficiente para que eu não conseguisse fazer nada além de me deixar ser puxada por Yoon Jeonghan.
— Eu espero que todos esses anos andando atrás de mim para todos os cantos tenham fortalecido as suas pernas. — ele disse e, em seguida, me segurou pela mão. — É hora de correr, Secretária Shin.
E assim, sem nenhum protesto da minha fraca parte, o Yoon começou a correr e a me levar consigo de bônus. Quando perceberam que nós pretendíamos fugir, os dois seguranças trataram de apressar o passo também, mas felizmente todos aqueles músculos acabaram os atrapalhando. Sinceramente, eu achava que sabia tudo sobre o meu chefe até uns quinze minutos atrás, contudo, além de descobrir o que aparenta ser um fetiche bizarro, eu também tinha acabado de tomar conhecimento do quão rápido esse homem conseguia ser.
Sério, ele era alguma espécie de corredor olímpico disfarçado ou o quê?
Em poucos segundos, Jeonghan já tinha me arrastado por todo o caminho para fora da boate. Na verdade, na tentativa felizmente bem-sucedida de despistar os seguranças, ele tinha tomado alguma rota alternativa que acabou nos levando para uma saída nos fundos do estabelecimento; o que significava que ele já conhecia bem aquele lugar, mas vamos deixar esse assunto para quando eu já estiver completamente certa e segura de que hoje não é o meu dia de morrer. Já finalmente na rua, em algum beco pouco habitado de sabe-se lá onde nós estávamos, Jeonghan finalmente parou de correr, ofegante. Não tanto quanto eu, claro. Se eu não morreria pelas mãos daqueles dois brutamontes, certamente estava prestes a falecer por causa da asma que eu sequer tinha.
Quase que em um instinto de sobrevivência, eu soltei a minha mão da dele e, em seguida, a usei para me apoiar nos meus próprios joelhos e não cair no chão devido ao cansaço. Para alguém que trabalhava praticamente nos sete dias da semana, pegava ônibus lotado todos os dias e rodava toda a capital fazendo as tarefas designadas pelo seu chefe, o meu estado era, no mínimo, humilhante.
— Você... — iniciou, ainda tentando estabilizar a sua respiração. — Olha o que você fez! Aish... Eu nunca mais vou poder voltar lá porque você... — de repente, quando os seus olhos finalmente pousaram em mim, ele arregalou os seus de uma forma assustadora e imediatamente se calou. Apontou na minha direção com a mão trêmula, o que me fez recuperar a minha postura em dois tempos e já entrar em estado de alerta para a bomba que certamente estava por vir. — Shin Minyoung, onde está a sua máscara?
— Máscara? Que máscara? — perguntei confusa e, em resposta, ele tirou a de gatinho que ainda cobria grande parte do seu rosto. Reparei que haviam algumas gotículas de suor na sua testa e nas laterais do seu rosto e, se a situação não fosse um completo caos, eu poderia facilmente ter me distraído pela beleza do meu chefe infernal. É degradante admitir isso, mas é a mais pura verdade. — Ah, isso? Eu acho que caiu quando a gente começou a correr, não sei direito.
— Mas você tem que saber. — afirmou, sério. — Você sabe por que as pessoas usam máscaras lá dentro? Para manterem as suas verdadeiras identidades em segredo. E você sabe o porquê disso?
— Na verdade, eu estou com medo de descobrir mais qualquer outra coisa hoje. — sussurrei, o que o fez dar um par de passos ameaçadores na minha direção.
Alerta de proximidade excessiva.
Em resposta, dei três passos para trás.
— A sociedade não entende e não aceita o que nós fazemos lá dentro. Se alguma foto sua vazar, alguém te reconhecer na rua ou algo do tipo... — inclinou-se na minha direção e, com toda aquela pouca luz que nos rodeava, ele realmente parecia assustador. — Será o seu fim, Shin Minyoung.
— O que? — perguntei em meio a um riso nervoso. — Era só um bar cheio de gente fantasiada de bichinhos... O que tem de tão ruim nisso? — céus, que pergunta idiota. — Eu estou muito ferrada, não estou?
— Com certeza. — afirmou, finalmente se afastando de mim. De repente, enquanto eu surtava internamente pelo meu futuro incerto, Jeonghan me olhou dos pés à cabeça. — Mas, me diga uma coisa. O que você estava fazendo em um lugar como aquele? Eu sinceramente não esperava isso de você, Shin.
Engoli em seco, completamente sem graça. Eu já estava na pior e ainda teria que lhe contar que acabei indo parar naquele lugar por que fui paga para ir a um encontro às cegas?
De jeito nenhum.
— E isso importa agora? — retruquei, o que o fez erguer uma sobrancelha. — Você também estava lá e nem por isso eu estou lhe enchendo de perguntas.
— Mas eu sou o seu chefe. — rebateu. — E, além disso, fui eu quem colocou esse belo traseiro em perigo para lhe salvar. Você não acha que eu mereço uma explicação?
— E quantas vezes eu não coloquei o meu traseiro na reta por você, seu chefe mal-agradecido dos infernos? — murmurei o resmungo, felizmente baixo o suficiente para que ele não me ouvisse. — De qualquer jeito, o que eu faço agora?
Jeonghan espreitou os olhos na minha direção, não muito convencido pela minha súbita mudança de assunto. Contudo, ele se deu por vencido e assumiu uma pose pensativa, como se estivesse realmente disposto a me ajudar.
— Bem, agora tudo o que nós podemos fazer é voltar cada um para a sua casa e dormir uma bela noite de sono. — disse, dando de ombros.
Ajudar uma ova, eu já deveria saber.
— O que?! — indaguei no ápice do meu nervosismo. — E como eu vou conseguir dormir sabendo que amanhã mesmo a minha cara pode aparecer na internet acompanhada de um fetiche que eu nem tenho ou algo do tipo?
— Não se preocupe, Shin Minyoung, eu vou pensar em alguma coisa. Afinal, eu também estou envolvido nisso e não posso arriscar manchar a minha imagem ou a da empresa. Ninguém deveria saber quem eu sou lá dentro, mas, agora, tudo é muito incerto. — bufou e, mesmo que o seu pensamento fosse completamente egoísta, eu sabia que ele estava falando a verdade quando dizia que procuraria uma saída para aquele problema. — Amanhã eu amanhecerei no escritório com uma solução, eu prometo.
E foi assim que, de todas as coisas que tinham dado errado naquela noite, a pior delas foi, definitivamente, ter confiado em Yoon Jeonghan.
Eu deveria saber que nada de bom sairia daquela mente sórdida e mirabolante.
***
Obviamente, eu não tinha pregado meus olhos durante sequer dois minutos naquela madrugada e, na manhã seguinte, eu estava parecendo um zumbi faminto e com o rosto decorado por um enorme par de círculos negros — ou seja, as olheiras que naturalmente já residiam ao redor dos meus olhos por culpa de Yoon Jeonghan, naquela manhã estavam duas vezes maiores e, adivinhem só, também por causa de YoonJeonghan. Sinceramente, eu estou começando a desconfiar de que não chegarei viva e sã aos meus trinta anos, pois o meu chefe provavelmente me obrigará a escolher entre um ou outro.
Eu tinha usado a minha madrugada em claro para mergulhar em sites que explicavam aquele tipo de boate e como isso funcionava pelo país e, depois de muita pesquisa, descobri que a minha situação realmente não era nada favorável. Como já era de se esperar de uma sociedade ainda extremamente conservadora como a coreana, os adeptos do tal pet play eram extremamente mal vistos e, se tinham suas identidades descobertas, eram apontados na rua e praticamente crucificados. Além disso, dependendo do tipo de lugar que frequentavam — já que alguns eram mais leves, enquanto em outros realmente se fazia de tudo — existiam até casos envolvendo investigações e ações judiciais. Era por isso que nesses tais lugares a identidade dos clientes era algo tão bem protegido, inclusive, apenas um grupo seleto era capaz de frequentá-los e eu não tinha a menor ideia de como se fazia para entrar em um lugar desses.
E, mesmo assim, logo na minha primeira vez lá dentro eu já tinha quebrado uma meia dúzia de regras diferentes.
De acordo com as minhas pesquisas zumbis, quando uma pessoa causava confusão ou representava algum tipo de ameaça em lugares como aquele, os próprios donos e frequentadores faziam questão de expor essa pessoa, ainda que mantendo a identidade do local em segredo de algum jeito bizarro o qual eu, sinceramente, também não entendia como funcionava. Era alguma maneira sórdida de manter os frequentadores na linha e tudo sob o mais completo sigilo e, por mais bizarro que aquilo parecesse, as engrenagens pareciam se encaixar bem e mantinham aquele sistema em pleno funcionamento.
Ou seja, se tratava de algo completamente fora do meu entendimento, alcance e, certamente, fora do meu potencial de resolução de conflitos — o que significava que eu estava cem por cento nas mãos de Jeonghan, o que era um completo desastre. Sinceramente, que o santo protetor das secretárias exploradas tenha piedade de mim, porque o restante do universo aparentemente não tem.
Já chegando na empresa, eu olhava desconfiada para todos os funcionários ao meu redor. No elevador, encontrei o gerente de marketing, Kwon Soonyoung (quase um xará da minha irmã, diga-se de passagem), e quando o mesmo me cumprimentou com o seu típico e fofo sorriso gengival, aquele que fazia seus olhos se fecharem em meros risquinhos, até dele eu desconfiei. Ele parecia uma pessoa tímida e inocente, mas Yoon Jeonghan também não me parecia alguém que gostava de se fantasiar de gato às sextas-feiras à noite para satisfazer um fetiche, por isso, eu estava começando a reaver os meus conceitos sobre as pessoas ao meu redor.
— Bom dia, Diretor Yoon. — sussurrei ao atravessar apenas a minha cabeça pela enorme e bem decorada sala de Jeonghan.
Mesmo que fizesse parte da boa educação, eu não costumava bater em sua porta antes de entrar no seu escritório, mas, mesmo assim, ele estranhamente parecia saber sempre que eu estava por perto. Nós tínhamos essa conexão esquisita e, por isso, ele já me esperava com os cotovelos sobre a sua mesa e os dedos das mãos entrelaçados na altura do queixo, além da expressão séria que estampava seu rosto.
— Secretária Shin, entre e feche a porta. — o Yoon disse levemente carrancudo, o que me fez engolir em seco.
Mesmo assim, acatei a sua ordem e passei o restante do meu corpo pela porta, em seguida fechando-a bem atrás de mim. Aproximei-me aos poucos a passos lentos e hesitantes e, ao chegar na altura do par de sofás que decoravam o meio de sua sala, parei. Jeonghan pareceu entender a minha pergunta silenciosa de o que diabos eu devo fazer agora e me fitou.
— Sente-se. — falou curto e assim eu o fiz.
Afinal, receber ordens parecia ser a minha especialidade.
Em seguida, Jeonghan se levantou, deu a volta em sua mesa e se sentou no sofá de frente para o que eu estava. Apenas uma mesinha de centro — com vários documentos espalhados por cima, os quais eu arrumava todos os dias e todos os dias Jeonghan parecia fazer questão de bagunçar — nos separava, o que não me passava muita segurança.
— Eu pensei a noite toda e, para a sua felicidade, consegui encontrar uma solução para essa bagunça toda. — de repente, o Yoon se inclinou para frente e, quase debruçado sobre a mesa que nos separava, exibiu um pequeno sorriso de canto nada bem-intencionado. — Se eu usar da minha influência e de alguns meios legais, eu posso garantir que ninguém divulgue a sua identidade em lugar nenhum. É bem simples para mim, na verdade, eu só vou precisar de um advogado.
Então, eu fiquei acordada a noite inteira formulando teorias da conspiração e em meio a um surto psicológico para... isso? Sinceramente, eu estava tentada a ficar irritada pelo modo prático como Jeonghan tinha pensado em uma solução ainda mais prática, contudo, achei melhor me conter e apenas agradecer ao santo das secretárias pelo bom trabalho.
— Sério? — suspirei aliviada. — Muito obrigada, Diretor Yoon, eu nem sei como...
— Você não deveria me agradecer tão rápido assim, Secretária Shin. — interrompeu-me e, se eu não o conhecesse tão bem, poderia ter acreditado que o sorriso em seu rosto realmente era angelical como parecia. — Eu ainda não terminei de falar sobre a minha proposta.
— Proposta? — perguntei desconfiada, já sabendo que algo de errado me aguardava. — Não era uma solução e apenas uma solução?
Santos das secretárias é uma ova.
Jeonghan alargou o sorriso e se recostou em seu sofá, o que significava que eu estava muito ferrada.
— Na verdade, eu também saí no prejuízo no meio disso tudo. Não pelos honorários do advogado nem nada do tipo, pois dinheiro não é o problema, mas... — pausou e passou a mão pelos cabelos loiros, parecendo pensativo. — Eu perdi o meu principal hobby dos últimos quatro anos e isso foi bem dolorido, sabe?
Quatro anos? Aquilo significava que Jeonghan já fazia aquilo antes mesmo de eu começar a trabalhar para ele.
— Desculpe por isso, Diretor Yoon. — eu disse automaticamente introvertida. — Contudo, eu não acho que eu tenha como compensá-lo.
— Ah, você tem sim. — sorriu. — Você sabe o que acontecia lá dentro daquele clube, Shin? Na verdade, na primeira parte, onde nós nos encontramos, era a parte mais light do lugar. Nós realmente só nos fantasiávamos de bichos de estimação e agíamos como tal, recebendo afago, brincando com bolinhas e comendo diretamente nas tigelas. Você não deve me entender, mas não tem nada a ver com o fetiche sexual que você provavelmente passou a noite em claro lendo sobre. — encarou-me e eu instantaneamente senti minhas bochechas corarem. O maldito sabia das coisas. — Enquanto isso, nos fundos, era onde a verdadeira festa acontecia, se é que você me entende. Lá sim tinha de tudo, apesar de eu nunca ter tido a curiosidade de conhecer aquela parte.
Bem, querendo ou não, eu sabia diferenciar até mesmo de olhos fechados se o Yoon estava mentindo ou não e, naquele caso em específico, eu tinha que admitir que ele claramente estava falando a verdade sobre frequentar apenas uma parte da boate. Como ele já imaginava, eu não o entendia de jeito algum e nem o porquê daquele estranho prazer em agir feito um bicho de estimação, mas... quem sou eu, a mulher que é paga pelas amigas e outras mulheres desconhecidas para ir a encontros às cegas aleatórios, para julgar as escolhas de alguém?
— Então... — iniciei hesitante. — Você quer que eu procure um outro clube que você possa frequentar?
— Não. — respondeu. — Eu percebi que frequentar esses lugares é muito perigoso e, com a eleição para presidente da empresa se aproximando, eu não posso cometer nenhum tipo de deslize, imagina ser flagrado dentro de um clube como esse.
Ah, ainda tinha isso. Na verdade, mesmo sendo filho do antigo presidente da empresa, Jeonghan tinha começado como um simples estagiário e, depois de cinco anos de trabalho duro para subir de cargo de promoção em promoção, ele tinha conseguido chegar à posição de diretor executivo, a segunda mais alta de toda a companhia — acima dele estava apenas o seu tio e atual presidente da Price, Yoon Byungho. O que circula pelos corredores da empresa é que Jeonghan chegou a se candidatar para ser o presidente, mas o conselho de acionistas não o aceitou por ser muito jovem. Isso aconteceu há quatro anos, quando ele tinha apenas vinte e um anos e antes mesmo da minha contratação na Price. Depois disso, Jeonghan voltou todo o seu foco para fazer um bom trabalho e, com isso, ser finalmente aceito na eleição que está para acontecer nesse ano.
Sinceramente, mesmo que esse homem fizesse da minha vida um inferno e me faça trabalhar mais de dez horas por dia durante praticamente os sete dias da semana, eu devo admitir que renegá-lo por causa da sua pouca idade tinha sido uma tremenda de uma injustiça. Jeonghan tinha potencial para presidir quantas empresas fossem necessárias e era isso que ele planejava apresentar na eleição desse ano, inclusive eu já vinha o ajudando a preparar todos os dados e discursos há um bom tempo e tinha plena confiança no seu potencial. Por isso, de qualquer que fosse o ponto de vista, se descobrissem que ele era adepto de tal hobby, jamais o deixariam ganhar a eleição — pelo contrário, o Yoon provavelmente acabaria afastado de vez da empresa.
Era um risco que ele jamais correria, eu sabia disso.
— Então, o que eu devo fazer? — finalmente indaguei.
— Na verdade, será uma tarefa simples. — respondeu e, novamente, inclinou-se na minha direção com um sorriso no rosto. — Você só precisa me adotar.
Aquela tinha sido uma ótima piada e, ao ouvi-la, eu não pude controlar uma gargalhada alta. Contudo, quando Jeonghan permaneceu imóvel e com os seus olhos fixos em mim, eu percebi que a coisa não era exatamente o que eu imaginava.
— Espera. — eu disse, séria. — Você não está brincando?
— Eu pareço estar brincando? — rebateu, o que me fez arregalar os olhos. Em seguida, pescou um documento de cima dos vários papéis sobre a mesinha de centro e o esticou na minha direção. — Na verdade, eu já até preparei um contrato. Você só precisa assinar seu nome no final e, assim, estará me adotando por três dias da semana. Como sou uma boa pessoa, deixarei você escolher quais serão.
— O que?! — exclamei. — E o que faz você acreditar que eu aceitaria uma loucura absurda dessas?
Recostou-se novamente no sofá e, sendo sincera, aquele seu vai e volta já estava me dando nos nervos, mas não mais do que a sua atitude despreocupada diante daquela proposta sem pé e nem cabeça.
— Bem, você tem duas escolhas: assinar o contrato de bom grado e me compensar pelo prejuízo emocional que você me causou ou, se preferir, perder o emprego e a minha cobertura judicial no caso do clube. — respondeu dando de ombros. — Eu não achei que você fosse precisar pensar sobre isso.
— Você disse perder o emprego? — perguntei completamente chocada pela sua audácia. — Você teria coragem de me demitir depois de todos esses anos que eu passei fazendo de tudo por você?
— Eu não ficaria feliz com isso, mas seria necessário. — afirmou. — Coloque-se no meu lugar por um momento: eu não tenho garantia nenhuma de que você não vai contar o meu segredo para ninguém, contudo, ninguém acreditaria numa funcionária magoada e recém-demitida, ainda mais se tratando de algo tão absurdo, não acha? — pausou. — Sabe, você pode me odiar por pensar assim, mas sabe que não é um pensamento irracional ou sem fundamento.
Eu estava, no mínimo, abismada com a mente louca de Yoon Jeonghan. Como ele tinha a coragem de me propor aquilo?
— Você é maluco. — sussurrei para mim mesma, descrente de que realmente estava ouvindo tudo aquilo.
Jeonghan exibiu um sorriso de canto, aquele mal-intencionado que eu já conhecia bem.
— E então, Secretária Shin? — indagou. — O que me diz?
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