— E isso é simples? — perguntei já com medo do que seria mais complexo. — Diretor Yoon, isso não me parece muito certo.

— Hannie. — disse. — Enquanto estiver cumprindo o contrato, você deve me chamar de Hannie. É um apelido como aquele que você usava no bar, Min Min. — ele me alfineta com um sorriso de canto no rosto, o que faz com que eu core feito um pimentão da cabeça aos pés. Céus, esse homem claramente não tem nenhum limite! Onde eu fui amarrar o meu jegue? — Agora venha, sente-se aqui e alimente o seu gatinho.

Corrigindo: onde eu fui amarrar o meu gato?

Indo contra ao meu gosto e também à toda boa vontade que eu conhecia nessa vida, eu me sentei no sofá ao lado de Jeonghan. Engoli em seco e, completamente perdida e deslocada, esperei que ele me dissesse o que fazer. Eu esperava que o Yoon fosse me dar instruções diretas ou, assim como costumava fazer no escritório, algumas ordens sem cabimento; contudo, não foi exatamente o que aconteceu. Fitando-me em silêncio, ele esboçou um pequeno sorriso aparentemente satisfeito e se deslocou para o chão, sentando-se sobre o tapete e de frente para mim. Cruzou as pernas feito a estátua do Buda e, em seguida, me entregou a vasilha de plástico vermelha e o pequeno saco do seu alimento — eu me recuso a chamar aquilo de ração, seria duas vezes mais constrangedor — que estavam sobre a mesinha de centro.

Hesitante, eu os peguei e fitei o Yoon de relance. Naquela posição e sentado num nível abaixo da minha visão, ele parecia menor e afável exatamente como um bichinho de estimação ou de pelúcia.

Foco, Shin Minyoung, este ainda é o seu chefe que faz da sua vida uma verdadeira prova de triatlo todos os dias.

Eu o encarei, esperando que dissesse algo, mas Jeonghan apenas apontou com a cabeça para o saco e, em seguida, para a vasilha vermelha — e, por mais estupidamente improvável que isso pudesse soar, na mesma hora eu compreendi o que ele queria dizer. Abri o saco e despejei alguns grãos na vasilha até enchê-la pela metade. O alimento realmente tinha cheiro de carne cozida, o que tornava a situação um pouco mais aceitável. Estendi a vasilha na sua direção, mas ele não se moveu. Repeti o movimento e, dessa vez, ele balançou a cabeça negativamente.

— Na mão. — disse simples, mas, ao mesmo tempo, em tom de criança que só faltava bater o pé no chão para completar a birra.

Franzi o cenho.

— Você quer que eu coloque na sua mão? — indaguei e ele balançou a cabeça de um lado para o outro mais uma vez.

— Na sua mão. — respondeu.

— O que?! — perguntei quase pulando do sofá.

Como se não bastasse a situação bizarra por si só, Jeonghan parecia querer com todas as suas forças deixar tudo ainda mais estranho.

Era só o que me faltava.

— Alimentar o seu animalzinho de estimação desse jeito ajuda a estreitar os laços entre os dois e, além disso, essa vasilha é muito pequena para mim. — mas diabos, foi você quem a trouxe! — Você nunca teve um animal de estimação antes?

— Sim, tive vacas. Várias delas, na verdade. — respondi um tanto revoltada e o pegando de surpresa. — E todas elas comiam capim diretamente do chão, não precisavam da ajuda de ninguém.

E aquilo não deixava de ser verdade. Eu e minha irmã tínhamos sido criadas em uma fazenda no interior, onde moram nossos pais até hoje, e, por isso, nosso grupo de animais de estimação consistia em vacas, patos, gansos, galinhas... Parando para pensar, nós nunca tivemos um gato ou cachorro, muito menos tartarugas ou hamsters, então não, eu não fazia ideia de como cuidar de um bichinho doméstico.

— Diferente... — ele balbuciou. — Eu não esperava isso de você, Min Min.

— E por um acaso você me conhece para esperar alguma coisa? — murmurei e cruzei os braços, quase derrubando a vasilha no meio do processo. Jeonghan pareceu não me ouvir ou, se ouviu, fingiu não tê-lo feito, o que me obrigou a me recompor. Voltei a falar com a minha voz normal. — Meu nome é Minyoung.

— Mas Min Min é muito mais fofo. — comentou e deu de ombros, em seguida me imitando ao cruzar os braços. — Eu ainda estou com fome, sabia?

Bufei. Ele claramente não ia desistir daquela ideia, então, conformada, eu decidi acabar logo com aquilo. A contra gosto, coloquei a vasilha sobre as minhas pernas e apanhei alguns daqueles grãos amarronzados com a mão direita, em seguida estendendo a mesma na direção de Jeonghan. O diretor exibiu um pequeno sorriso vitorioso e esticou a cabeça até alcançar a minha mão, aproximando-se o suficiente para que meu polegar encostasse levemente em sua bochecha e eu conseguisse sentir sua respiração quente chocar-se contra a palma fria da minha mão. Sentindo o meu rosto ferver em vergonha, eu apertei a beirada da almofada do sofá com a minha mão livre quando o senti pegar o primeiro grão com a ponta dos dentes. Apanhou mais dois exatamente do mesmo jeito e afastou-se um pouco, mastigando. Eu não conseguia fitá-lo diretamente, contudo, de escanteio, eu o assistia saborear e digerir calmamente a comida que pescava da minha mão.

Quando os grãos acabaram, ele se afastou o suficiente para me encarar e, com os olhos, me pedir para repetir o processo. Eu o fiz e não demorou muito para que Yoon Jeonghan estivesse, literalmente, comendo na minha mão. Ele parecia tranquilo com aquilo, ao passo que a coisa não ficava menos estranha para mim.

Isso era loucura.

Sua respiração já tinha deixado a palma da minha mão igualmente quente e, quando ele pegou o último grão, eu juro que quase ergui as mãos em direção ao céu e agradeci pelo fim daquela maluquice. Eu morreria por uma água com sabão ou um vidrinho de álcool em gel naquele momento, então a primeira coisa que fiz foi me levantar e deixá-lo sentado no chão da sala com o cenho franzido, ainda mastigando.

— Aonde você vai? — perguntou curioso e ainda de boca cheia.

— Lavar... — pausei, alternando meu olhar entre o Yoon e a minha mão. — A vasilha.

Balançou a cabeça, concordando.

— Estou com sede, traga um pouco de água para mim quando voltar. — pediu e, por fim, terminou de engolir a comida que ainda restava em sua boca. — Pode ser nessa vasilha mesmo.

E lá estava o YoonJeonghan que eu conhecia. Assenti e logo pude lavar a tal vasilha — e a minha mão, claro — para poder enchê-la de água e levá-la de volta para ele. Mas sério, como diabos ele planejava fazer isso? Bem, contanto que o seu método não envolvesse a minha mão novamente, ele poderia fazer o que quisesse com aquela maldita água.

Quando voltei, o Yoon ainda estava sentado no mesmo lugar e olhava ao seu redor certamente reparando em todos os detalhes possíveis da minha casa; que não eram muitos, mas ainda existiam. Quando notou a minha presença, voltou seus olhos para mim e sorriu. Na verdade, Jeonghan era uma pessoa um tanto peculiar que conseguia sorri levemente com a mesma facilidade e rapidez com a qual conseguia fechar a cara. Alguma parte do cérebro dele acreditava que ele conseguia ter um lado fofo, mas eu também já tinha visto seu lado determinado e um outro irritado antes, geralmente nos momentos antes e após as reuniões dos acionistas da Price. Ele conseguia agir com firmeza, ao passo que também agia, literalmente, feito um gatinho de estimação. Se eu já não o conhecesse há longos três anos, certamente ficaria confusa com sua personalidade tão mutável.

Não que eu não tenha ficado no começo, mas vamos ignorar esse fato.

— Aqui está. — eu disse e coloquei a vasilha com água sobre a mesinha de centro, tomando cuidado para não derramar água na madeira já antiga e gasta. — Como você pretende fazer isso?

Mesmo sabendo que nada de bom poderia vir daquilo, eu ainda estava curiosa. O Yoon, por outro lado, sorriu tranquilamente e se ajeitou o suficiente para ficar de frente para a vasilha, continuando sentado no chão. Esticou o pescoço como quando fora se alimentar diretamente da minha mão e, num ato que, eu confesso, me pegou totalmente desprevenida, ele lambeu a água da vasilha. Exatamente como os gatos costumam fazer, ele levou sua língua até a água algumas vezes, mas eu estava impactada demais para contá-las. O que diabos estava acontecendo bem diante dos meus olhos?!

Eu não acreditava nem vendo.

— Estou satisfeito. — ele disse por fim e se recostou no sofá. — Não fique tão espantada, é mais fácil do que parece.

— Eu nunca vi nada tão estranho em toda a minha vida. — comentei e, se nós estivéssemos dentro de algum desenho animado naquele momento, meu queixo estaria caído o suficiente para encontrar o chão. — E olha que eu sou do interior.

Talvez pela primeira vez em toda a minha vivência ao lado de Jeonghan, eu tinha o chamado de estranho diretamente na sua cara — e eu devo confessar que foi libertador, de verdade. O Yoon não tinha argumentos contra mim, então simplesmente deu de ombros.

— É uma pena, pois nós estamos realmente só começando. — afirmou, o que me fez engolir em seco. Em seguida, levantou-se sem muita pressa e, agora alguns bons centímetros mais alto do que eu, inclinou-se na minha direção o suficiente para acender o meu alerta interior de perigo novamente. — Agora, eu quero tomar banho.

Como se fosse eu quem tivesse acabado de beber água, acabei de engasgando com todas as minhas forças após ouvir aquela frase sair tão naturalmente de sua boca. Tossi várias vezes até que conseguisse recuperar um pouco do meu fôlego e, enquanto isso, Jeonghan apenas me fitava sem parecer muito preocupado com a minha reação.

— O que?! — exclamei, ainda pega de surpresa. — Você enlouqueceu?

— Não, eu estou muito bem, obrigado. — respondeu e, por fim, se afastou de mim para voltar a ficar ereto. — Só estou me sentindo suja da rua, sabe? Preciso que você lave os meus pelos com carinho.

— Você... — iniciei, mas, sendo sincera, sequer sabia mais como conectar duas palavras direito naquele momento. — Não, nem pensar!

Ele gargalhou, o que me fez arregalar ainda mais os meus olhos. Como ele poderia me pedir algo como aquilo e, ainda por cima, rindo?

— Você não tem escolha, Min Min.

***

Yoon Jeonghan era, de fato, uma pessoa anormal. Peculiar. Exótica. Bizarra. Excêntrico. Louca.

Todos esses adjetivos nos seus piores sentidos literais, devo reforçar.

Vou tentar descrever a nossa situação nesse momento enquanto tento também controlar a minha enorme vontade de bater repetidas vezes a minha cabeça contra os azulejos brancos do banheiro — porque ah, sim, nós estávamos no meu banheiro. No lugar de um box normal, por algum motivo que eu nunca havia entendido porque obviamente eu não tinha um diploma em engenharia para projetar uma casa, havia uma banheira minúscula no lugar de onde deveria haver um piso normal logo abaixo do meu chuveiro. Sim, eu tinha em casa o meu próprio chuveiro com banheira, contudo, por se tratar de um banheiro que já era reduzido em tamanho por si só, aquela invenção acabou se saindo pequena demais e conseguia atender, talvez, apenas as necessidades de uma criança.

Mas isso não impediu Jeonghan de me obrigar a fazer o que eu estava fazendo naquele momento. Na verdade, ele precisou apenas de um par de segundos para pensar em uma solução viável para o problema seu tamanho VS o tamanho da minha banheira. Sem nenhuma cerimônia e sem dizer uma única palavra, ele se sentou no chão do meu banheiro e, de costas para a banheira, apoiou a nuca na borda da mesma. Cruzou os braços e me fitou.

— Quando eu disse que queria que você lavasse os meus pelos, eu estava me referindo a isso. — finalmente disse. — Min Min, você pode, por favor, lavar o meu cabelo para mim?

Primeiro de tudo: ele continuava me chamando de Min Min, o que me fazia querer estapeá-lo.

Segundo: ele estava pedindo, na maior cara de pau, para que eu lavasse o seu cabelo.

Terceiro: assustadoramente, ele tinha pedido por favor.

— Então... Você não quer que eu lhe dê banho, tipo, de verdade? É isso? — perguntei desconfiada.

— Claro que não. — respondeu. — Muitas pessoas me dizem que o meu cabelo se parece com uma bola de pelos fofa, então, eu considero lavá-lo algo parecido com dar banho em um gatinho de estimação. — esticou as pernas, praticamente ocupando toda a extensão do meu banheiro. Não, eu não estava brincando quando disse que o cômodo era pequeno. — Você pode fazer isso por mim?

Respirei fundo, o encarando.

— E eu tenho escolha? — indaguei contrariada e, imediatamente, ele sorriu travesso e balançou a cabeça negativamente.

E foi assim que eu vim parar aqui, lavando o cabelo do meu chefe na minha banheira tamanho PP infantil.

Agora, eu estava sentada na borda da mesma, ao lado de onde Jeonghan repousava sua cabeça. Tive que esperar que a água do chuveirinho esquentasse o suficiente para ser usável e, enquanto isso, pesquei a toalha de rosto branca que eu mantinha pendurada na parede e lhe entreguei.

— Você deveria cobrir suas costas com isso. — eu disse e dei de ombros. — Caso contrário, eu provavelmente vou ensopar o seu suéter.

Ele não disse nada e apenas o fez, colocando a toalha em suas costas como costuma-se fazer nos salões de beleza mais populares; ou seja, aqueles que eu conseguia frequentar uma vez ou outra.

Após a água finalmente esquentar, eu comecei a molhar os fios loiros do cabelo de Jeonghan e a correr meus dedos pelos mesmos para que ficassem melhor encharcados. Droga, eles eram ainda mais macios do que pareciam. Os fios descoloridos, ao entrarem em contato com a água, acabaram escurecendo um tom, ainda que continuassem com a aparência loira-esbranquiçada. O Yoon parecia relaxado e, em algum momento, tinha fechado seus olhos, o que me surpreendeu — Jeonghan raramente repousava tão despreocupadamente daquele jeito na frente de outras pessoas, até mesmo na minha. Ele estava realmente calmo e, pensar que os meus dedos percorrendo o seu cabelo era o motivo daquela serenidade me fez esquecer como se respirava por um par de segundos.

— Pode usar qualquer shampoo, eu não me importo com essas coisas. — disse parecendo realmente não se importar e, de quebra, me fazendo acordar para a vida.

Talvez pelo alto nível de constrangimento que eu sentia naquele momento, as palavras entalavam na minha garganta e tudo o que eu pude fazer foi balançar a cabeça em concordância — porque claro, ele conseguiria muito me ver fazendo aquilo com os olhos fechados. Digo, eu já tinha o visto em situações piores e mais bizarras, inclusive há poucos minutos atrás, mas toda aquela situação em si me parecia mais íntima, o que me fazia corar feito um tomate maduro. Não era a minha intenção, mas eu precisava literalmente acariciar os seus cabelos se quisesse espalhar o shampoo e fazer espuma com o mesmo, então sim, eu estava com vergonha.

— Min Min. — ele me chamou ainda de olhos fechados.

— Você realmente não vai me chamar pelo meu nome? — perguntei frustrada, já sabendo a resposta que eu teria. Ele balançou a cabeça negativamente e eu bufei. — O que foi?

— Você... — pausou e, de repente, eu pude sentir seu corpo mais tenso. — Acredita em mim?

Franzi o cenho, agora enxaguando o shampoo.

— Como assim?

Jeonghan respirou fundo antes de falar novamente.

— Você já deve ter ouvido falar e certamente já viu com os seus próprios olhos que, não importa o que eu faça, os acionistas continuam recusando a minha candidatura para presidente da empresa por causa da minha idade. — de repente, sua voz soava triste. — Como alguém com apenas vinte e cinco anos pode presidir uma das maiores empresas de entretenimento do país? É o que eles sempre me dizem. E, na verdade, aquele bando de velhos com uma mente mais fechada do que a outra está começando a entrar na minha cabeça... Eu estou com medo de submeter a minha candidatura esse ano e eles recusarem de novo. — pausou, parecendo querer criar coragem para terminar de falar. — O que você acha?

Por um momento, eu parei de mover meus dedos pelo cabelo de Jeonghan, apenas pega de surpresa com a sua nítida sinceridade. De todas as suas versões que eu tinha conhecido antes, a assustada era aquela que eu realmente nunca havia visto. Eu sabia que, no fundo, ele estava apenas tentando seguir os passos do pai já falecido e também ex-presidente da Price para, de algum modo, conseguir dar algum orgulho para o mesmo; contudo, vê-lo transmitir aquilo ao vivo e a cores fazia com que eu me sentisse empática pelo Yoon.

Voltei a massagear seu cabelo, agora espalhando condicionador pelo mesmo.

— Eu não sei se você se lembra, mas eu entrei na empresa ao mesmo tempo que você foi promovido e deixou de ser estagiário. Naquele ano, você ganhou o direito de ter uma secretária e foi por isso que eu fui contratada. — iniciei, inconscientemente contagiada pela sua sinceridade. — Ao longo dos anos, eu o vi se tornar sênior, gerente, supervisor e, finalmente, diretor, tudo isso num piscar de olhos. E você sabe por que essas promoções ocorreram tão rapidamente?

— Por que? — ele me perguntou parecendo hesitante, sem fazer menção de abrir os olhos.

— Porque você é competente. — admiti. — Ainda que você fosse o filho do ex-presidente, escolheu começar de baixo e subiu todos os cargos da empresa por conta própria, um por um. Mesmo que eu viva o praguejando mentalmente por me fazer trabalhar tanto, foi esse trabalho que me permitiu ver bem de pertinho a sua evolução. Então, se alguém deveria julgar se você pode ou não ser o presidente daquela empresa, esse alguém deveria ser eu.

Mesmo terminando de falar em um tom mais descontraído acompanhado de uma risada nasalada no final, eu estava sendo completamente honesta naquele momento e Jeonghan saberia reconhecer isso. Mesmo que eu o detestasse pelas horas infinitas que me fazia trabalhar, eu seria uma verdadeira hipócrita se não reconhecesse o seu talento e competência para aquilo que faz. Na verdade, o Yoon me fazia dar a alma naquele trabalho porque o próprio dava a alma por aquela empresa e, por isso, tudo o que ele colocava a mão dava certo e prosperava. Então, mesmo que eu odiasse admitir aquilo em voz alta, eu admirava Jeonghan pelo trabalho sempre impecável que ele entregava.

— Então, se fosse você a pessoa a ter que julgar isso, qual seria o seu veredito? — indagou.

Eu estava quase terminando de enxaguar o condicionador do seu cabelo quando finalmente criei coragem para lhe responder com firmeza.

— Eu já teria sido promovida à secretária do presidente da Price Entertainment há muito tempo. — eu disse. — Na verdade, aqueles velhos já estão caducos demais para julgarem qualquer coisa. Mas não se preocupe, Yoon Jeonghan, porque você logo vai dar um jeito de fazê-los mudar de ideia e eles acreditarão em você. Assim como eu acredito.

Dito isso, o Yoon finalmente abriu os olhos. Por causa da nossa posição, a primeira coisa que ele encontrou em seu campo de visão foi a mim mesma, a cabeça posicionada sobre a dele para que eu pudesse alcançar melhor os seus cabelos, e eu o vi exibir um sorriso tímido logo abaixo de mim.

Fechei a torneira do chuveirinho, finalizando a lavagem do seu cabelo.

— Obrigado, Min Min. — eu o ouvi dizer e, mesmo sem fitá-lo diretamente, pude sentir a sinceridade em sua voz. Ele estava me agradecendo de verdade, talvez pela primeira vez em três anos, e eu confesso que isso quase me fez esquecer o meu próprio nome de tão novo que soava. — Mesmo que você nunca tenha tido um bichinho de estimação doméstico, você sabe exatamente como dar um banho em um.

Assim, do seu jeito torto, porém já sabendo que eu o entenderia, Jeonghan me agradeceu de verdade por ter dito aquilo que ele precisava ouvir.

Por acreditar nele.

E, naquele momento, mesmo com a sua personalidade mutável e com os seus fetiches bizarros, eu passei a detestá-lo um pouco menos.

Notas finais
E então, o que acharam? Eu shippo esse casal, socorro! Peço desculpas pela demora com o capítulo e, sinceramente, não vou dar nenhuma desculpa para não encher mais linguiça. Tentarei não demorar tanto com o próximo, prometo! Até ♥