Meu CEO de estimação
13 A aproximação do CEO
— Mas eu não tenho nenhum colchonete sobrando. — eu tentei rebater o mais rápido que pude. — E você viu como essa casa é fria durante a madrugada, não foi? Você vai acabar ficando doente se dormir no chão de novo.
— Exatamente. — concordou comigo, o que eu estranhei. — E é por isso que eu tenho uma outra ideia.
E então, quando YoonJeonghan me fitou com aqueles olhos de quem não tinha nenhuma boa intenção em mente e, além disso, parecia obstinado demais para ser convencido de qualquer outra coisa, eu tive certeza de uma coisa: eu estava ferrada.
E não era pouca coisa.
Eu não sei se eu já contei isso para vocês em algum momento de toda essa bizarrice de história — muito provavelmente já e enquanto relatava alguma circunstância frustrada da minha parte — mas um dos traços mais fortes da personalidade de Yoon Jeonghan é a sua persistência. Bem, alguns chamam apenas de insistência, outros de perseverança e mais alguns outros, até mesmo, de afinco, mas eu prefiro dar um nome mais popular aos bois e que se encaixa bem melhor na minha atual situação: teimosia maldita. Mas tudo bem, vamos voltar algumas frases e erros da minha parte atrás para que vocês possam me entender melhor.
Ou rirem da minha cara, talvez. Façam como bem quiserem.
Primeiro de tudo, como qualquer pessoa sensata teria feito, eu neguei a proposta de Jeonghan assim que a mesma terminou de deixar os seus lábios da forma mais descarada possível. Afinal de contas, a sua outra ideia consistia nele dormindo na minha cama, ao meu lado, e isso eu jamais permitiria nem mesmo nos meus piores delírios ou pesadelos. Ele tentou argumentar, inclusive jogando novamente na minha cara o fato de que eu o havia esquecido trancado do lado de fora da minha casa em uma noite tão fria, solitária e escura como aquela — foram exatamente essas as suas palavras, vale lembrar — contudo, eu me mantive forte na minha decisão, pelo menos para variar uma única e mísera vez na vida. Pois bem, a coisa finalmente pareceu dar certo e, mesmo contrariado, Jeonghan se deu por vencido e aceitou a minha decisão.
Mas essa sua desistência só ficou no pareceu mesmo.
Depois disso, podendo voltar a respirar mais tranquilamente dentro da minha própria casa, nós repetimos o ritual onde eu lavava os cabelos do Yoon com o shampoo que ele jurava de pés juntinhos ser milagroso, já que os seus fios descoloridos nunca tinham ficado tão macios assim, nem mesmo com ótimos e caríssimos tratamentos nos melhores salões da cidade — palavras essas também suas. Eu confesso que ele me parecia conformado até demais, mas eu, cegamente, resolvi encarar aquilo como um raro ato de boa vontade da sua parte. Talvez, quem sabe, Yoon Jeonghan estivesse realmente disposto a ser mais prestativo com os seus funcionários e ainda tivesse me incluído nessa lista, mesmo que nós não estivéssemos na empresa naquele momento.
Ah, que piada da minha parte.
E a minha inocência incorrigível nos leva para esse exato momento no qual Yoon Jeonghan, já sentado na minha cama sem sequer ter sido convidado, me dirige uma expressão facial de quem não pretende levantar o traseiro teimoso e mimado dali nem tão cedo. Mas me deixem continuar explicando na ordem cronológica das coisas, senão eu me perco.
— Pronto. — eu anunciei enquanto desligava o chuveirinho que tinha usado para lavar o cabelo de Jeonghan, posicionando-o de volta no seu devido lugar.
O Yoon suspirou, parecendo satisfeito, e endireitou a postura. Ainda sentado no chão do meu banheiro, ele começou a tirar o excesso de água dos fios encharcados com a toalha que eu havia lhe dado quando, de repente, me fitou com uma enorme interrogação estampada em sua testa. Eu já estava de pé e, por isso, ele precisava olhar bem para cima para conseguir me enxergar melhor — uma imagem que acabou sendo um tanto fofa, mas isso não vem ao caso agora e faz parte das coisas que eu jamais admitiria nem mesmo no meu último suspiro de vida.
— Você tem secador de cabelo, não tem? — ele perguntou sem mais e nem menos.
Ora, quem YoonJeonghan achava que eu era? Tudo bem que, vez ou outra, eu aparecia na empresa exibindo uma aparência um tanto desleixada — sempre por conta da correria causada pelo excesso de trabalho, óbvio — mas um secador de cabelo fazia parte dos itens minimamente básicos que uma mulher deveria ter em casa, ainda mais diante de Seul e dos seus invernos tão impiedosos.
— Claro que tenho. — eu respondi, um tanto ofendida. — Por quê?
— Porque eu quero que você seque o meu cabelo com ele hoje. — ele afirmou, novamente não demonstrando nenhum pingo de vergonha na cara sequer. — Da última vez você secou com a toalha, mas eu passei a noite inteira com a cabeça dolorida por causa disso. Min Min, você não é uma pessoa muito delicada, sabia disso?
Ah, então agora nós estávamos partindo para as ofensas? E ainda dentro da minha própria casa?!
— Seu desejo é uma ordem, alteza. — resmunguei, porém alto o suficiente para que ele conseguisse me ouvir e acabasse dando uma risadinha vitoriosa ao fazê-lo. Irritante. — Está bem, eu vou buscar o secador.
— Nada disso! — ele negou firmemente, balançando a cabeça de um lado para o outro feito uma criança birrenta. — Você não pretende fazer isso aqui, não é? O seu banheiro é pequeno, quente e úmido... Eu não posso ficar suando aqui logo depois de lavar o meu precioso cabelo.
Agora nós estávamos ofendendo diretamente a minha própria casa.
— E o que você quer que eu faça, então? — eu rebati tentando manter intacto o resquício de paciência que me restava.
Sinceramente, eu me julgava uma grande conhecedora das manias e pensamentos de Jeonghan devido a todo aquele tempo que nós passávamos juntos todos os dias, porém, vez ou outra, eu ainda me pegava me perguntando o que diabos se passava na sua cabeça. Inclusive, quando ele sorriu de forma travessa e esticou o pescoço na minha direção, eu imediatamente soube que ele estava aprontando algo, apesar de não ter entendido de primeira do que se tratava.
Infelizmente.
— Onde está o secador? — o Yoon me indagou ainda de posse daquele olhar travesso.
— No meu quarto, oras. — eu respondi no modo automático. — Mas por que diabos isso...
— Então nós podemos secar lá! — ele me interrompeu e, numa mistura de entusiasmo e decisão, colocou-se de pé num único pulo. — É mais conveniente, não? O secador já está lá, de qualquer forma. E eu suponho que o seu quarto seja bem mais arejado e fresco do que um banheiro, então...
Enquanto ainda me dava mais e mais argumentos fajutos sobre o porquê nós deveríamos ir até o meu quarto, Yoon Jeonghan foi sorrateiramente me deixando para trás no auge do meu estado catatônico. Céus, como ele podia ter uma mente tão maligna? Assim, me sentindo extremamente enganada e passada para trás, eu fui deixada sozinha no pequeno banheiro úmido com a minha própria lerdeza.
Espera, onde diabos o Yoon tinha se metido?
A pergunta retórica — pois só havia um único e óbvio lugar onde ele poderia estar — me fez acordar para a vida e, em disparada, eu saí correndo porta afora do banheiro. Percorri o curto espaço entre o cômodo e o meu quarto, encontrando Jeonghan parado de frente para a porta fechada do mesmo. Ele tinha os braços cruzados sobre o peito e me encarava com um sorriso no rosto, o qual eu momentaneamente planejei arrancar dali à força.
Foco no seu emprego, ShinMinyoung!
— O que você pensa que está fazendo? — eu perguntei ofegante, mesmo que tivesse corrido por um pedaço de pouco mais de um metro.
A vida sedentária não é para qualquer um, de fato.
— Estou esperando você abrir a porta, oras. — respondeu como se aquela fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Eu sou um cavalheiro, jamais invadiria a sua privacidade desse modo.
Oi?
— E o que você fez quando resolveu se esgueirar para dentro do meu quarto no meio da noite no outro dia foi o que, exatamente? — eu fui obrigada a rebater de tão pasma com a sua cara de pau.
Jeonghan me encarou, nitidamente se sentindo pego no flagra. Contudo, não tardou a dar de ombros e prosseguir com o seu plano maligno.
— Bem, eu vou considerar isso como uma autorização, então.
Dito isso, bastou mais um único piscar de olhos meu para que o Yoon sumisse do meu campo de visão pelo meu quarto adentro. Abrindo a porta sem nenhuma cerimônia, ele parecia se lembrar dos detalhes do cômodo ainda da outra noite e, por isso, caminhou com tranquilidade e um tanto saltitante até a minha cama rebaixada. Em seguida, sentou-se na beirada da mesma e esticou as longas pernas pelo chão do modo mais relaxado possível. Já eu, ainda da soleira da porta, assisti a toda aquela cena com o olhar mais pasmo e ultrajado que eu já tinha exibido em toda a minha vida.
Céus, nem mesmo a minha irmã mais nova era tão inconveniente.
Por fim, Jeonghan me fitou, pendendo a cabeça para o lado e fazendo questão de dar um sorriso de canto no meio do processo.
— Você não vem? — perguntou descaradamente e, para completar, jogou a cabeça para o lado oposto do qual ele já havia a inclinado, o que fez com que o Yoon realmente se parecesse com um filhotinho brincalhão por um momento.
Isso não era possível. Eu deveria estar vendo coisas, com certeza. Yoon Jeonghan fofo como um pequeno e inofensivo filhote de algum bichinho de estimação?
Jamais.
Sacudi a cabeça com uma força que, segundos depois, se mostrou um tanto desnecessária e o encarei de volta. Eu não tinha outra escolha, infelizmente — se quisesse impedir aquela tragédia, deveria ter feito isso há algumas boas falhas de percepção da minha parte atrás.
— Vou pegar o secador. — eu disse atestando a minha derrota.
Entrei no quarto sem fitar Jeonghan e me dirigi direto para a minha cômoda, encontrando o velho secador roxo enfiado na última gaveta no meio de mais algumas peças de roupa; nada muito organizado, mas vamos pular essa parte. Virei-me de volta para o Yoon e no mesmo instante ele apontou para o seu lado esquerdo, mais especificamente para uma tomada instalada bem ao lado da minha cama. Ele sorria e balançava as pernas feito uma criança animada para alguma excursão da escola e, sinceramente, eu não fazia ideia do porquê de toda aquela felicidade. Mesmo assim, já que não tinha outro jeito, eu me aproximei do pequeno filhote animado com o secador em mãos, mas o seu sorriso sumiu quando eu finalmente o alcancei.
— Na verdade... — iniciou enquanto eu me esticava para ligar o aparelho na tomada, esperando que eu retornasse para a minha postura normal para continuar. — Você consegue fazer isso?
Dito isso, Jeonghan apontou para o meu pulso imobilizado com uma expressão repentinamente chateada, como se só agora estivesse se dando conta de que eu estava sendo obrigada a fazer tudo com uma mão só.
— Por causa do meu pulso? — eu perguntei, rindo. — Mas se eu já até lavei o seu cabelo, qual é a dificuldade de secá-lo agora? Pode não parecer, mas eu consigo me virar muito bem com isso aqui. — disse e sacudi o imobilizador preto diante dos seus olhos.
Espera! Mas que estupidez é essa, Shin Minyoung? Eu deveria ter dito que não conseguia fazê-lo e, assim, poderia ter me livrado do Yoon e da sua ideia de passar a noite no meu quarto de uma só vez. Por que eu tinha que ser tão boazinha?
Ou melhor: lerda.
— Desculpe, eu não tinha pensado nisso antes. — ele murmurou, encolhendo os ombros. De repente, voltou a me fitar e rapidamente tomou o secador da minha mão parecendo ter tido alguma ideia genial. Céus, lá vem... — Façamos o seguinte: eu te ajudo segurando o secador e você, que pode ver melhor daí de cima, vai penteando o meu cabelo.
Ah, a nossa diferença de altura naquele momento era algo que valia a pena ser relembrado. Como ele estava sentado na minha cama, que não passava muito da altura de um palmo acima do chão, e eu estava de pé diante do mesmo, havia alguns bons centímetros nos separando. Jeonghan precisava olhar para cima toda vez que quisesse falar comigo e, por isso, acabou mantendo a cabeça erguida de uma vez. Já eu, por minha vez, tinha que olhar para baixo para encará-lo, o que acabou se tornando uma cena um tanto engraçada de se vivenciar.
— Está bem. — eu concordei, por fim. Pelo menos ele estava sendo prestativo, o que já era um avanço.
Talvez eu mude de opinião/humor rápido demais para a manutenção da minha sanidade, mas tudo bem.
Eu liguei o secador que estava nas mãos de Jeonghan e direcionei o aparelho para onde começaria secando. Em seguida, peguei a escova que tinha deixado sobre a mesinha de cabeceira e comecei a pentear os fios com calma, mesmo que soubesse que os mesmos não embaraçariam nem se eu os embolasse de propósito — graças ao meu shampoo, pelo visto.
— Se você não quiser queimar o seu próprio couro cabeludo, é melhor começar a mexer esse secador. — eu brinquei, zombando do fato de que Jeonghan tinha o aparelho fixo em um único pedaço da sua cabeça, o qual logo mais já começaria a arder por causa do calor.
O Yoon pareceu acordar para vida e imediatamente começou a sacudir de leve o secador enquanto segurava uma risada. Mesmo que eu estivesse focada em escovar o seu cabelo, vez ou outra uma olhadela minha escapava para baixo e, nesses momentos, eu sempre encontrava os seus olhos voltados para cima e consequentemente fixados em mim. Podia ser por conta da luz artificial que emanava da lâmpada do quarto ou um produto da noite em si, mas eu podia afirmar com toda a certeza do mundo que suas írises castanhas estavam brilhando. E ele estava sorrindo. Calmo, singelo e levemente abobado, eu diria.
Mas por que o meu coração tinha ousado errar uma batida diante daquela cena?
— Min Min-ah. — ele me chamou um tanto manhoso, porém igualmente gentil. Talvez fosse pela minha falta de costume em conviver com aquele Jeonghan, mas o seu tom de voz não estava ajudando em nada a consertar o que quer que estivesse acontecendo dentro de mim naquele momento. — Eu estou pensando em voltar com o meu cabelo para o meu tom natural. O que você acha?
Bem, o Yoon costumava variar entre os mais variados tons de loiros e platinados desde que eu o conheci, então eu nunca havia sido apresentada à cor natural dos seus fios. Como seria? Na verdade, eu sempre tive guardada atrás da minha orelha uma pequena pulga quanto a isso... Castanho escuro? Claro? Talvez acobreado, quem sabe.
Mas por que diabos eu estava tão curiosa quanto a isso?
— E qual seria o motivo dessa mudança repentina? — eu o questionei enquanto direcionava a sua mão para os fios mais atrás da sua cabeça, posicionando o secador onde os mesmos ainda se encontravam úmido. Olhei de relance para baixo e percebi que Jeonghan me encarava com o cenho franzido, o que me fez rir. Ele nunca entenderia o quão bem eu o conhecia. — Convenhamos que você não mudaria o seu cabelo tão radicalmente sem nenhum motivo. E um dos bons, eu diria.
Foi a vez dele de rir, abaixando a cabeça e a sacudindo por um momento, o que acabou facilitando o meu trabalho.
— Eu esqueço que não posso escapar de você. — comentou baixinho, contudo, a nossa proximidade acabou me permitindo ouvi-lo. Ele voltou a erguer a cabeça e, por um breve momento, seu olhar tão tranquilo encontrou o meu, esse que já não sabia mais onde se enfiar. — Na verdade, eu venho me perguntando se as pessoas não me levariam mais a sério se eu fosse assim, mais natural. Pode parecer besteira, mas você sabe que o mundo coorporativo vive de aparências tanto quanto o mundo do entretenimento, não é? Talvez fizesse alguma diferença...
— Eu gosto do seu cabelo assim. — eu disse sem pensar e, quando me dei conta disso, parei imediatamente de movimentar a escova. Não ousei olhar para baixo e tratei de me corrigir. — Digo, eu não acho que tenha algum problema com a cor dele. Se os outros executivos forem realmente lhe levar a sério, eles o farão por conta da sua competência. Acho que não tem a ver com a sua aparência, de fato.
Tirando o fato de que eu tinha dito tudo aquilo apressado e imprensado dentro de um único fôlego, o discurso até que não tinha sido ruim. E não deixava de ser o que eu acreditava, francamente.
Por alto, vi o sorriso de Jeonghan se alargar ainda mais.
— Mas, por um outro lado... — ele iniciou e, novamente, esticou o pescoço de forma travessa na minha direção. Num tom mais baixo, ele completou, rindo. — Você não acha que eu ficaria mais bonito de cabelo escuro?
Céus, que tipo de pergunta era aquela?
Como se tivesse acabado de tomar um longo gole de água rápido demais, eu estupidamente me engasguei com a minha própria saliva e, em algum momento, cheguei a largar a escova sobre a cama numa tentativa ainda mais estúpida de tentar recuperar o ar. Jeonghan imediatamente desligou o secador e também o colocou de lado, levantando-se preocupado.
— Min Min, você está bem? — ele perguntou enquanto se aproximava de mim e tentava me dar algum apoio. De repente, segurou em minhas mãos e as levantou, consequentemente levantando os meus braços. — Vamos, levante os braços assim. Respire fundo, calma.
Mesmo que eu ainda estivesse engasgada, tive que tirar um momento para me admirar com o fato de que Yoon Jeonghan, um ser de boa família e estudado, estava me mandando levantar os braços para desengasgar, algo comprovado ser eficaz apenas pela comunidade científica das mães e avós desse mundo. Comecei a respirar fundo e — por meu próprio mérito, eu devo frisar — logo consegui recuperar o fôlego, ainda que a minha postura tivesse sido perdida de vez. Já respirando melhor e sem tossir mais, eu finalmente fitei Jeonghan, que ainda segurava as minhas mãos estendidas para o alto.
— Eu já estou melhor, obrigada. — eu disse, mas ele não pareceu se dar conta da posição nada convencional na qual nós nos encontrávamos. — Quero dizer... Você já pode soltar as minhas mãos, se quiser.
Se quiser? Mais que jeito mais estúpido de se dizer aquilo, Shin Minyoung!
Contudo, ao contrário do que eu esperava, Jeonghan não o fez. Ele tinha os seus olhos fixos nos meus e não parecia ligar muito para o fato de que nós parecíamos estar segurando o teto do quarto de tão para cima que nossos braços estavam.
— Mas eu posso não querer? — ele questionou, sério.
De repente, toda aquela proximidade do Yoon e o seu tom de voz mais grave fizeram algo dentro de mim começar a dar tremendamente errado mais uma vez — e isso só naquela noite. Senti o meu coração acelerar, minha boca ressecar e, de bônus, uma cosquinha esquisita incomodar o meu estômago, como se algo estivesse criando vida se mexendo dentro do mesmo. Era uma sensação muito parecida com a de sofrer uma possível diarreia em um local público, contudo, eu tinha plena consciência de que não era aquele o caso. E também de que a causa daquilo tudo era, ninguém mais e ninguém menos, do que o próprio YoonJeonghan.
Céus, eu não podia estar tendo aquele tipo de pensamento e muito menos de sentimento relacionado ao meu chefe — e que, nas suas horas vagas, também era o bichinho de estimação mais bizarro que eu já tinha tido em toda a minha vida.
E olha que eu já adotei uma vaca quando era criança.
— Min Min. — ele me chamou e, diferente das outras vezes, sua voz soava muito menos travessa e em nada sonsa. — Eu tenho um pedido para lhe fazer.
Pela misericórdia da santa protetora das secretárias lascadas, o que diabos poderia ser dessa vez?
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