Meu CEO de estimação

14 O bom dia do CEO


Notas iniciais
Voltei! Eu confesso que, quando comecei esse capítulo, eu estava sem muita inspiração, mas resolvi começá-lo porque não podia deixar vocês esperando mais (olha que anjo)! Porém, olhando o resultado final, eu até que gostei bastante de como ele saiu kkkkkkk espero que vocês também gostem. Boa leitura ♥

— Min Min. — ele me chamou e, diferente das outras vezes, sua voz soava muito menos travessa e em nada sonsa. — Eu tenho um pedido para lhe fazer.

Pela misericórdia da santa protetora das secretárias lascadas, o que diabos poderia ser dessa vez?

— Pedido? — eu repeti como se não tivesse lhe entendido direito.

O que, infelizmente, era uma baita de uma mentira. Contudo, não me custava nada ganhar algum tempo para me preparar melhor para a bizarrice que deveria estar por vir, então eu continuaria enrolando até não poder mais.

Jeonghan balançou a cabeça positivamente.

— Sim, um pedido. — respondeu.

Como nós ainda estávamos muito próximos — mais do que deveríamos, eu devo ressaltar — e o Yoon ainda segurava as minhas mãos erguidas, ele precisava abaixar um pouco a própria cabeça para ter uma visão mais clara do meu rosto, o que consequentemente nos deixava ainda mais próximos. E isso, de alguma maneira, começava a afetar o meu ritmo cardíaco de um modo que nunca havia me acontecido antes.

Será que eu estava com medo de Jeonghan? Não, ele jamais me pediria algo perigoso nem nada do tipo...

Eu acho.

— Eu já lavei o seu cabelo. — eu disse tentando esbanjar firmeza, mas acabei entregando meia dúzia de palavras gaguejadas.

— Não é isso. — ele rebateu, percebendo a minha disposição em mudar de assunto. Sua voz era baixa, porém, por estarmos tão perto um do outro, eu podia ouvi-la com bastante nitidez. — Tem a ver com nós dois dormirmos juntos hoje.

— Nós não vamos dormir juntos hoje. — foi a minha vez de contradize-lo e, na verdade, aquele tinha sido o meu raciocínio mais rápido em toda aquela nossa conversa sem pé e nem cabeça, muito menos cérebro. — Nem hoje e nem em nenhum outro dia.

Dito isso, bastou um vacilado piscar dos meus olhos para Jeonghan se aproximar um pouco mais — se é que isso era possível — do meu rosto. Sem nenhuma vergonha, ele manteve os seus olhos em mim e, de bônus, abaixou ainda mais o tom de voz.

— Quando nós formos deitar, você pode... — iniciou quase que em um sussurro e ignorando completamente o que eu tinha acabado de afirmar. Instintivamente, eu fechei os meus olhos e comecei a rezar dentro da minha própria cabeça para todas as entidades religiosas que eu conhecia para que, no mínimo, uma delas se apiedasse de mim. Deus, é agora, me proteja. — Fazer cafuné em mim?

O que?

Confusa, eu abri apenas um olho, me deparando com a figura já maliciosamente risonha de Jeonghan. Revoltada, eu abri meu outro olho e o encarei num misto de revolta e alívio.

— Era só isso? — eu o questionei, deixando o meu lado aliviado vencer aquela.

— Você queria algo a mais? — ele devolveu a pergunta com outra, erguendo uma sobrancelha convencida na minha direção. — Céus, Min Min, o que você estava esperando de mim? Estou surpreso com você...

Sinceramente, quem quer que tenha sido a criatura que orquestrou o nascimento de Yoon Jeonghan nesse planeta e, ainda por cima, o planejou para acontecer no mesmo espaço-tempo que eu também ocuparia, certamente o fez apenas para testar até que ponto um ser humano pode desestabilizar o outro de tanta raiva.

Espero que você esteja satisfeita agora, criatura dos infernos.

Assim, sem saber aonde enfiar a minha cara tamanha a vergonha que o Yoon tinha me enganado para que eu passasse, eu finalmente desvencilhei as minhas mãos da sua e me afastei dele, desviando o olhar para qualquer lugar que não fosse o homem de pijamas na minha frente. Inclusive, eu não sei se cheguei a pontuar isso, mas Jeonghan tinha trazido consigo pijamas de frio e tudo dessa vez, até a própria escova de dentes que ele sorrateiramente já havia deixado pelo meu banheiro àquela altura do campeonato, mesmo sabendo que eu já sabia disso. Como o perfeito descarado que era, antes que eu sequer lavasse o seu cabelo, ele usou o meu banheiro para tomar um longo — e bota longo nisso — banho quente, trocou suas roupas de trabalho pelo pijama azul de seda e escovou os dentes, no fim de tudo deixando a escova casualmente esquecida sobre a bancada da pia.

Agora, vendo-o gargalhar da minha falta de jeito e das minhas possíveis bochechas coradas, eu juro que daria tudo para poder enfiar aquela escova de dentes vocês sabem onde.

— Você fica fofa quando está envergonhada, sabia disso? — comentou ainda rindo e, antes que eu pudesse responder qualquer coisa, ele já estava caindo sentado na minha cama. — Bem, já que o meu cabelo já está cheiroso e seco, acho que nós podemos ir dormir.

— E qual foi a parte de nós não vamos dormir juntos que você não entendeu, Yoon Jeonghan? — eu rebati já ultrapassando o frágil limite da minha paciência.

Em resposta, o diretor ergueu uma sobrancelha surpresa na minha direção.

— Yoon Jeonghan? — repetiu e, só então, eu me dei conta de que tinha acabado de o chamar pelo nome completo em voz alta. Céus, eu precisava recompor as minhas estruturas urgentemente. — É a primeira vez que você me chama assim... Por acaso, você estaria repreendendo o seu pet?

— Por acaso, eu estou cogitando chamar a carrocinha. — eu respondi já não muito sã das minhas ideias, já que Jeonghan começava a me fazer sentir uma espécie de incômodo que eu até então não conhecia. De repente, eu me aproximei do Yoon decidida a expulsá-lo do meu quarto, mesmo que um estranho comichão ainda tomasse conta da boca do meu estômago. — Vamos, saia da minha cama.

Dito isso, feito o gato que se dizia ser, Jeonghan agiu tão rápido diante dos meus olhos que nem os próprios conseguiram acompanhar os seus movimentos direito. O que eu sei é que, de algum modo, a mão que eu tinha colocado em seu ombro para empurrá-lo para fora da cama acabou sendo puxada para cima da mesma. Em seguida, eu senti o corpo do Yoon girando sobre a cama e voilà, eu estava caindo deitada ao lado do mesmo no próximo segundo. Foi tudo tão rápido e repentino que, sinceramente, eu arrisco dizer que nem mesmo a ciência conseguiria explicar como Jeonghan conseguiu me puxar por cima dele para que eu acabasse deitada do outro lado da cama.

— O que diabos foi isso? — eu indaguei com a respiração cortada, um fruto do susto que eu tinha acabado de levar.

Foi só então que, finalmente, eu me dei conta de que a mão direita de Jeonghan se encontrava debaixo da minha cabeça, como se ele tivesse a usado para apoiar a mesma e, assim, eu não acabasse me machucando nem nada do tipo durante a queda — assim, nós acabamos deitados um de frente por outro a uma distância de mais ou menos meio braço do Yoon. Soltando um resmungo inconformado, ele me fitou sem fazer menção de recolher a sua mão.

— Nós não podemos simplesmente dormir? — perguntou, manhoso. — Eu prometo ficar quietinho no canto da cama e nem vou usar a coberta, se você não quiser. Eu só não quero dormir sozinho...

— Que implicância é essa com dormir sozinho? — foi a minha vez de questionar. Ao invés de irritada, eu estava curiosa, já que o Yoon parecia realmente solitário enquanto falava. — Você não mora sozinho? Já deveria estar acostumado a não dividir a cama com ninguém.

— Exatamente. — respondeu, parecendo um tanto triste. — Eu saí de casa bem novo e já fui morar sozinho quando ainda nem era diretor da Price. Depois de todos esses anos, as coisas começaram a ficar mais solitárias do que eu esperava.

Foi inevitável que eu acabasse soltando uma risada nasalada diante daquela situação. Ironicamente, eu entendia perfeitamente o que Jeonghan estava dizendo e sentindo, apesar de não esperar que ele também estivesse passando por aquilo.

— Na verdade, de vez em quando, eu fico feliz por trabalhar tanto a ponto de não ter tempo para ficar sozinha em casa. — eu admiti, torcendo internamente para que ele não me entendesse errado e, no fim das contas, acabasse me fazendo trabalhar ainda mais. — Eu cresci numa fazenda, com a casa sempre cheia e tudo mais, então vir morar sozinha nessa casa também foi bastante solitário.

— Por que você se mudou? — ele perguntou, parecendo realmente interessado na minha história. — Digo, você parece ter tido uma boa vida na fazenda.

— E eu tive. Foi a melhor época da minha vida, sendo sincera. — eu respondi, sorrindo inconscientemente. — Eu não tinha nenhuma pretensão de sair de lá, nenhum grande sonho, sabe? Eu era feliz e isso me bastava. Mas a minha irmã sempre foi diferente... — pausei, lembrando-me do sorriso travesso de Songyoung, o qual eu não via pessoalmente há algum tempo, e repentinamente me sentindo nostálgica. Na verdade, ela e Jeonghan tinham personalidades bem parecidas. — Ela era sonhadora e decidida desde muito pequenininha. Ela mal sabia escrever quando decidiu que queria ser cirurgiã geral, sabia?

Jeonghan riu. Ele parecia calmo e relaxado, como há muito tempo eu não o via.

— Ela deve se parecer com você. — comentou.

— Ah, nós não poderíamos ser mais diferentes. — foi a minha vez de rir. — Mas Songyoung sempre foi a pessoa mais importante da minha vida e, quando ela decidiu que queria ser cirurgiã, nasceu ali o meu primeiro sonho. O único jeito dos nossos pais conseguirem pagar a faculdade dela seria trabalhando debaixo de sol e chuva ou, na pior das hipóteses, vendendo a fazenda, então eu tomei aquela responsabilidade para mim. Eu amava viver no interior, mas eu não conseguiria um bom emprego por lá, então eu tive que me mudar para Seul. Bem, o resto você já sabe.

— Então é você quem paga as mensalidades da sua irmã? — o Yoon perguntou, surpreso.

— Grande parte, sim. — respondi. — Essa casa foi uma herança dos meus avós, então isso já me permite cortar alguns gastos. De resto, eu pago as minhas contas, gasto com o mínimo possível e pago a faculdade dela. É bem simples, na verdade.

— Mas você não se incomoda com isso? — indagou. — Digo, você recebe um bom salário e, se gastasse consigo mesma, poderia ter uma boa vida. Mas eu não estou querendo dizer isso no mal sentido ou me intrometer na sua vida, é que...

— Tudo bem. — eu interrompi o seu monólogo desajeitado, rindo. Ele estava apenas curioso, era óbvio que não tinha dito aquilo por mal. — Eu mesma já pensei nisso, uma vez ou outra. Contudo, se eu gastasse esse dinheiro comigo mesma, como eu poderia ter uma boa vida? Por maior que fosse o conforto que eu pudesse ter, eu nunca conseguiria colocar a cabeça no travesseiro tranquilamente se fizesse isso com a minha irmã.

— O sonho dela virou o seu. — Jeonghan expressou aquela conclusão num sussurro e eu apenas concordei com a cabeça, já que aquela era a mais pura verdade. De repente, eu o notei desviando o olhar para o espaço vazio entre nós dois. — É raro encontrar pessoas assim hoje em dia.

— Eu não acho que seja tão difícil, na verdade. — respondi, atraindo o seu olhar de volta para mim. — A minha vó tinha um ditado que vivia recitando para mim e para a minha irmã, algo mais ou menos assim: “Caminhe devagar, erga a cabeça e olhe para os lados. Desse jeito, você vai encontrar paisagens que não fazia ideia, mas já estavam ao seu redor há um bom tempo.”. A família ainda desconfia que ela inventou tudo isso, mas não deixa de fazer sentido. Pessoas assim não são tão difíceis de serem encontradas, você apenas precisar olhar com mais cuidado à sua volta.

De repente, ainda em meio a todo o meu momento nostálgico, eu me dei conta de que o olhar de Jeonghan sobre mim não era o mesmo de sempre. Com os pequenos olhos fixos nos meus, ele parecia estar lidando com algumas coisas por si só, mas essa não era a única informação que eu conseguia extrair daquele par de írises castanhas diante de mim. Jeonghan deixava transbordar pelos seus olhos uma intensidade que eu nunca tinha visto em si, algo completamente diferente do olhar sério e decidido que ele exibia em reuniões executivas ou, ainda, das piscadelas travessas que vez ou outra eu recebia do mesmo. Havia, porém, um sentimento em específico que eu conseguia reconhecer, apesar de estar surpresa demais para admitir.

Ternura.

— Obrigado. — ele disse, interrompendo a minha análise sobre o próprio do modo mais sereno possível.

— Pelo o quê? — eu perguntei, pega completamente desprevenida.

E então, Jeonghan sorriu. Um sorriso sincero e doce que seria capaz de me deixar perdida em si por alguns bons minutos, se ele não tivesse dito o que disse logo em seguida.

E, consequentemente, terminado de me desestabilizar por completo.

— Por ser quem você é.

***

Ao contrário do que eu esperava, a noite acabou sendo muito mais tranquila. Não demorou muito para que eu caísse num sono profundo, o suficiente para eu acreditar que tinha dormido por no máximo dez minutos quando acordei, de tão rápido que o tempo parecia ter passado. Na verdade, eu nunca consegui me acostumar direito com a ideia de dividir a cama com alguém, nem mesmo com a minha própria irmã. Desde pequena, Songyoung tinha o costume de fugir para debaixo das minhas cobertas toda vez que tinha um pesadelo ou escutava algum barulho assustador no meio da noite, e eu nunca me importei em acolher a minha irmãzinha mais nova — mas isso também não significava que eu conseguia dormir bem. Acordava várias vezes durante a noite, me mexia para todos os lados possíveis, expulsava o cobertor da cama e, ainda assim, não conseguia dormir direito por sequer duas horas seguidas. Sinceramente, eu já estava acostumada com isso, então esperava que o mesmo fosse acontecer com Jeonghan; ainda mais se tratando de quem era.

Mas o que aconteceu foi exatamente o oposto.

Depois da nossa conversa e da minha viagem ao meu passado, eu decidi que já tinha passado da hora de aceitar a minha derrota e simplesmente fechar os meus olhos. Por isso, eu puxei toda a coberta sobre a cama para mim, me virei para o outro lado — finalmente tirando a minha cabeça de cima da sua mão, inclusive — e, de costas para Jeonghan, eu me cobri até não poder mais.

— Boa noite. — eu disse, retraída.

Por um momento, o Yoon apenas permaneceu em silêncio, e eu inocentemente acreditei que ele poderia ter aceitado as minhas atitudes e decidido ir dormir também.

Pois eu tinha acreditado errado.

— E quanto ao meu cafuné? — ele indagou.

Céus, ele não tinha esquecido daquilo...

— Eu não prometi que faria. — rebati.

Aigoo... Depois você ainda me chama de sonso. — resmungou.

Dito isso, eu fui obrigada a, no ápice da minha revolta, me retirar debaixo da minha coberta e me virar novamente para Jeonghan, que ainda estava deitado na mesma posição.

— E quando foi que eu fiz isso?

— Todo dia. Na sua cabeça. — o Yoon respondeu e, infelizmente, eu acabei permanecendo em silêncio por ter sido pega no flagra. Droga.

Então, aproveitando a oportunidade, Jeonghan terminou de puxar a minha mão para fora da coberta e descaradamente a levou até o topo da sua cabeça, segurando-a ali sem nenhuma intenção de soltá-la.

— O que diabos você...

— Vamos, não custa nada. — interrompeu-me manhoso, novamente. — Aproveite para apreciar o fruto do seu trabalho árduo.

— Como assim? — indaguei confusa.

Como vocês já devem ter percebido, Jeonghan tinha uma lábia de dar inveja até no maior dos golpistas salafrários. Ele sabia muito bem que, para desviar a minha atenção do assunto principal, ele só precisava lançar alguma conclusão no meio da conversa misteriosa o suficiente para atrair a minha curiosidade. A partir daí, eu perdia o foco do meu objetivo principal — e, nesse caso, acabava deixando a minha mão repousada sobre a sua cabeça sem pestanejar.

— Foi você quem lavou o meu cabelo, oras. — disse. — Ele só está macio assim por sua causa, então você deveria tirar proveito do fruto do seu trabalho.

Espera, por que diabos ele estava dizendo aquilo como se eu estivesse tirando proveito dele naquele exato momento?

Bufei, reconhecendo mentalmente que seria impossível escapar das artimanhas do Yoon. Ele ainda segurava o meu pulso para evitar que eu escapasse — mas sem aplicar nenhuma força grosseira e desnecessária, eu devo ressaltar — quando eu comecei os primeiros movimentos tímidos dos meus dedos por entre os seus fios descoloridos. Assim, ele sorriu, fechou os olhos e gradativamente foi soltando a sua mão do meu braço, dando a entender que estava pegando no sono. Em algum momento, a frequência dos movimentos dos meus dedos também foi diminuindo e, estranhamente, eu acabei caindo no sono exatamente como estava.

E, então, nós voltamos para parte da manhã na qual eu estranhava ter dormido tão bem ao lado do meu chefe. Aos poucos, eu fui abrindo os meus olhos quando, no meio do processo, outra coisa me pareceu destoar do meu comportamento normal: aparentemente, eu tinha dormido abraçada a um dos meus travesseiros, o que eu também não costumava fazer. Na verdade, quanto menos coisas estivessem ao meu redor quando eu dormia, melhor, então sentir algo comprido e macio sendo apertado por mim foi uma sensação um tanto diferente.

Exceto pelo fato de que não se tratava de um travesseiro.

Já de olhos abertos, eu me deparei com toda a claridade daquela manhã e, estranhamente, uma imensidão azul diante dos meus olhos. Azul? Mas eu não tinha nenhuma roupa de cama azul...

Seda.

Já em um estado de choque antecipado, eu fui me dando conta do que estava acontecendo conforme fui levantando a minha cabeça, me deparando com a figura de Jeonghan no final do processo. Ele estava dormindo tranquilamente, descoberto e servindo de travesseiro para ninguém mais e ninguém menos do que eu mesma. Assim, me encontrando abraçada ao Yoon como se o mesmo fosse um enorme bichinho de pelúcia, eu me xinguei mentalmente de todos os nomes possíveis por, além de ter deixado aquilo acontecer, ter sido a causadora daquela tragédia. Tratei de me afastar dele o mais rápido possível, contudo, enquanto desvencilhava os meus braços do tronco de Jeonghan, a imagem dele dormindo tão pacificamente invadiu os meus olhos e me fez parar no meio do caminho.

Céus, fazia sentido que eu, depois de chamá-lo dos piores nomes possíveis dentro da minha cabeça, por um momento acreditasse estar vendo um anjo? Eu juro que não queria ser brega a esse ponto, mas algo numa fresta de luz em específico que entrava pela velha janela do quarto e iluminava diretamente o seu rosto realmente o fazia parecer um ser angelical. Além disso, sua respiração estava calma e ele, obviamente, ele estava em silêncio, o que ajudava e muito a melhorar a sua imagem diante dos meus olhos. A única coisa que destoava da sua figura tão pacífica e tranquila eram os fios descoloridos bagunçados, alguns deles até caídos sobre os seus olhos.

E então, eu me peguei inconscientemente fazendo algo que jamais imaginaria ser possível em toda a minha vida: no meio do caminho entre me sentar ou deitar de vez, apoiada sobre o meu cotovelo esquerdo, eu pendi a cabeça para o lado enquanto aproximava a minha mão direita do rosto de Jeonghan. Eu sinceramente não fazia a menor ideia do que estava fazendo e muito menos do porquê, mas algo dentro de mim simplesmente ordenava que eu ajeitasse os fios rebeldes de Jeonghan e, assim, completasse com a cereja sobre aquele bolo de figura angelical.

Na verdade, a sensação era muito parecida com a de estar hipnotizada.

Com cautela, eu corri o meu indicador pela curta extensão dos fios de cabelo do Yoon que caíam sobre os seus olhos e calmamente os ajeitei, unindo-os ao restante do seu cabelo. Fiz isso com mais alguns outros fios e, quando me dei por mim, estava até mesmo diminuindo a distância entre os nossos rostos para fazer um trabalho mais bem feito. Céus, o que tinha dado em mim? Qualquer um que visse aquela cena, certamente acreditaria que eu estava fazendo alguma espécie de carinho em Jeonghan — inclusive, foi o que o próprio deve ter pensado quando acordou.

Eu não esperava que o Yoon fosse abrir os olhos justamente naquele momento, mas foi o que ele fez. Ainda que a contra gosto, ele lutou para se acostumar com a claridade e, obviamente, a primeira coisa que viu quando conseguiu vencê-la foi o meu rosto a centímetros de distância do seu. Sem reação por ter sido flagrada fazendo algo tão constrangedor, eu congelei onde estava, apenas esperando o choque de realidade atingir Jeonghan.

Porém, não foi exatamente isso que aconteceu. Ao contrário do que eu esperava, ainda sonolento, Jeonghan me fitou e exibiu um sorriso satisfeito.

— Bom dia, Min Min. — disse, com a voz rouca de quem tinha acabado de acordar.

Eu ainda estava surpresa, porém, o que Jeonghan fez em seguida terminou de fritar todos os meus neurônios restantes. Eu não tinha percebido, mas o seu braço direito estava atravessado debaixo de mim e eu só senti a presença do mesmo quando ele levou a sua mão até as minhas costas. Em seguida, o Yoon me puxou para mais perto de si, acabando com a pouca distância que havia entre nós.

Inclusive entre os nossos lábios.

Notas finais
E então, o que acharam? Quem reclamou que eu terminei na melhor parte do último capítulo perdeu o direito de repetir a reclamação nesse, sinto muito KKKKKK. Até breve ♥