Meu CEO de estimação

7 A aparição do CEO


E, sinceramente, eu não deveria estar reclamando daquilo. Era como todo chefe normal agia, certo? Como secretária, a minha rotina deveria consistir em cuidar da agenda do meu chefe e de coisas relacionadas ao escritório quando o mesmo precisasse; nada de ter que rodar um shopping inteiro atrás de uma joia caríssima para mandar para a mãe do meu chefe no dia do seu aniversário ou pegar as suas roupas na lavanderia. Era assim que funcionava uma relação saudável e duradoura entre um CEO e sua secretária, sem nenhum chefe fantasiando ser um gato ou me fazendo torcer meu pulso por dormir clandestinamente no chão do meu quarto.

Aquilo era o mais corretor, obviamente.

Contudo, se aquele era o jeito certo, por que diabos o silêncio de Jeonghan me incomodava tanto?

Chegando em casa, a única coisa que a minha versão surrada de fim de dia ainda se deu ao trabalho de fazer antes de se jogar no sofá foi, num ato automático, tirar os mocassins cor de caramelo que eu costumava usar para trabalhar, já que eram confortáveis e combinavam com basicamente qualquer roupa que eu pudesse puxar de dentro do meu armário numa manhã sonolenta ou corrida; todas, no caso. Deixei os sapatos caídos próximo à porta e, quase me arrastando pela sala de estar, alcancei o velho móvel e lá mesmo me joguei, deixando cair em algum canto do caminho a minha bolsa e o meu cardigã azul bebê.

Por que diabos eu estava tão cansada? Digo, o dia tinha sido basicamente o mesmo; silencioso e relativamente tranquilo. Sem pedidos excêntricos ou de última hora, Jeonghan tinha feito do meu trabalho naquele dia em específico algo estranhamente fácil e, por algumas horas, eu pude me sentir como uma secretária normal de uma empresa normal — e com um chefe normal, o que era a parte mais estranha de todas. E, por algum motivo, isso tinha sido extremamente exaustivo. Uma vida monótona ao lado do Yoon fazia a minha cabeça rodopiar ao redor de diversas teorias, inclusive a de que ele pudesse estar planejando me demitir. Sim, eu estava paranoica naquele nível, afinal, era a primeira vez que o peculiar Diretor Yoon não berrava o meu nome direto da sala dele ou algo do tipo. Considerando o fato de que eu tinha sido pega na mentira naquela mesma manhã, talvez Jeonghan estivesse irritado comigo, chateado ou eu sei lá o que se passa naquela cabeça exótica e cheia de descolorante dele.

Na verdade, eu sabia sim e aquele era justamente o problema.

Bufei. Em três anos acompanhando o Yoon para tudo quanto era canto, ele nunca tinha me dado um gelo como aquele e era isso que tanto me incomodava.

— Gelo? — falei para mim mesma, a pergunta ecoando pela sala vazia. Franzi o cenho. — Ele não é meu namorado nem nada, então por que diabos eu estou pensando assim?

De repente, senti um arrepio percorrer todo o meu corpo diante da citação da palavra namorado. Céus, imaginem eu, quase uma vassala dos tempos modernos, apaixonada pelo meu senhor feudal? Tudo bem, eu admito que a comparação foi horrível, mas essa ideia era ainda mais horripilante. Pensem comigo: eu continuaria fazendo as diversas coisas que já faço no meu dia a dia em prol de Jeonghan mas, estando apaixonada pelo mesmo, faria porque queria e não porque estava sendo paga por isso.

Aquele era, oficialmente, o pior dos meus pesadelos.

Ainda sentindo todo o meu corpo rejeitar aquela ideia por meio de arrepios assustados, tive o meu momento alucinógeno interrompido pelo toque do meu celular. Escorreguei sofá abaixo até ficar parecendo um lagarto estirado no chão, me esticando até que conseguisse alcançar a bolsa que havia jogado no meio da sala. Ouvi um estalo vindo da minha coluna em algum momento, o que me fez pensar em quantos anos eu estaria fisicamente completando no meu próximo aniversário.

No fim das contas, cheguei a uma estimativa de uns oitenta e quatro.

Fitei o nome escrito na tela acesa do celular e de cara já soube do que se tratava a ligação — afinal, só havia um único motivo para Kim Yoona estar me ligando àquela hora da noite de uma terça-feira.

Atendi a chamada.

— A sua mãe nunca lhe avisa com antecedência sobre esses encontros bizarros que ela marca para você? — questionei, cansada. — Ela precisa de algum tipo de ajuda psicológica, Yoona.

— Aigoo... Você está de mau-humor?— ela rebateu mais animada do que eu esperava. — Que ótimo, vai conseguir espantar o de hoje bem rápido.

— Eu não quero sair de casa hoje. — afirmei num tom de resmungo e fazendo um bico que Yoona obviamente não conseguia ver.

— O que?! Como assim não quer sair hoje? O que aconteceu? Você nunca recusou um encontro antes! — ela indagava sem fazer nenhuma pausa para respirar, o que me deu uma certa agonia. Eu estava prestes a respondê-la, mas logo descobri que a Kim ainda não tinha terminado sua fala quando emendou uma última frase. — Eu pago o dobro!

— Você não faz ideia do que aconteceu na última vez que você me disse isso. — comentei num sussurro frustrado, lembrando-me de tudo que tinha acontecido naquela fatídica noite na qual encontrei Yoon Jeonghan fantasiado de gato naquela boate bizarra. Pode entrar, meu maior pesadelo número dois. — Agora mesmo que eu não quero ir.

— Por favor, Min Min. — implorou. — Eu realmente encontrei alguém especial e não quero mais ir a esses encontros. Nunca quis, na verdade, mas agora realmente não tenho motivos para ir. Eu vou conversar com a minha mãe sobre isso, eu juro, mas até lá vou precisar da sua ajuda. Por favor...

Ela estava realmente implorando e, na minha cabeça, eu conseguia até imaginar suas mãos com suas longas unhas pontudas unidas num pedido desesperado. Bem, se ela estava mesmo prestes a conversar com a mãe dela, isso significava que eu estava prestes a perder uma cliente assídua e que, querendo eu ou não, me pagava muito bem pelos meus serviços. Eu não tinha do que reclamar e, tirando o último pretendente com o qual o encontro não deu muito certo — e resultou nessa bagunça envolvendo o meu chefe na qual eu vivo hoje — os rapazes que a mãe de Yoona escolhia para ela não costumavam ser más pessoas nem nada do tipo.

Respirei fundo.

— Tudo bem, mas essa é a última vez. — respondi por fim, recebendo como resposta uma exclamação animada quase que no mesmo segundo. — E não se esqueça de depositar o dobro.

Pude ouvir a Kim batendo palminhas do outro lado da linha e, por um momento, eu acabei rindo sozinha daquela súbita felicidade.

— Deposito agora mesmo! — exclamou. — O encontro é às oito, tudo bem para você?

Olhei para o pequeno relógio em meu pulso, que marcava a falta de poucos minutos para as sete da noite. Curiosamente, outra coisa que havia me incomodado naquele dia fora o fato de Jeonghan ter me liberado, pela primeira vez em três anos, no meu horário certo de trabalho. Faltando cinco minutos para as seis horas, o Yoon passou pelo meu cubículo com a cabeça baixa e disse que eu já poderia ir para casa, já que ele estava fazendo o mesmo e não havia mais trabalho para aquele dia.

Sim, eu estava inconformada de ter saído cedo. O que diabos aconteceu comigo?

— Tudo bem. Talvez eu chegue alguns minutos atrasada, mas aí já será de propósito. — afirmei e dei de ombros, o que fez Yoona rir.

— Está ótimo assim.

Um par de minutos depois de finalizada a nossa ligação, eu criei coragem suficiente para começar toda a minha rotina de preparação para os meus encontros que, na verdade, não eram exatamente meus. Subi as escadas da casa que, por serem antigas, rangiam a cada novo passo que eu dava, e primeiro de tudo tomei um banho. Tudo bem que eu precisava espantar os pretendentes de Yoona, mas eu não gostava de usar a higiene para isso — existiam vários outros jeitos de fazer um homem correr de mim e, em todos eles, eu poderia muito bem estar de banho tomado e cheirosinha. Depois disso, eu me vi de frente para o meu armário na tentativa de escolher algo que aí sim fizesse meu futuro encontro querer ir embora o mais rápido possível.

Passo número um para perder um homem: se vista como se vocês estivessem indo para o culto de domingo de manhã quando, na verdade, estão indo à praia.

Na verdade, parando para pensar sobre isso, existe um filme mais ou menos assim, não é mesmo? Uma maluca que ensina a perder um namorado em alguns dias... Talvez eu devesse procurá-lo melhor e assisti-lo novamente, posso muito bem fazer uso de novas dicas.

Mas enfim, o local marcado era um restaurante de luxo no centro da cidade — o que era incomum para as terças-feiras, quando os homens geralmente aproveitavam as promoções das pizzarias — então eu escolhi o look menos adequado possível: calça jeans, meu velho All Star amarelo de guerra e uma blusa de lã rosa claro na qual cabiam duas de mim dentro com toda a tranquilidade do mundo. Não estava adequado para a ocasião e, de quebra, era confortável e quentinho, resultando na combinação perfeita. Pensei em passar alguma maquiagem, mas a minha cara de cansada poderia ser um tanto útil naquele momento, então logo desisti. A julgar pela escolha do restaurante, um homem fino e elegante como aquele deveria ser, certamente não gostaria nada das olheiras que eu vinha acumulando nos últimos três dias — ou anos — então eu resolvi deixá-las bem expostas e assustadoras.

Pronto, eu estava aparentemente perfeita para fazer com que o meu encontro durasse pouco mais de meia hora. Inclusive, meu pulso imobilizado dava todo um ar de cansaço a mais no meu visual, o que acabou sendo um bônus também.

Obrigada pelo mimo, YoonJeonghan.

Desci as escadas enquanto consultava no meu celular em quanto tempo passaria o ônibus que eu deveria pegar e, quando me dei por mim, já estava batendo o portão de casa.

— Você está saindo?

A voz extremamente familiar me pegou de surpresa e, por um momento, eu quase derrubei meu celular no chão tamanho fora o meu susto. Com os olhos arregalados, eu os desviei da tela do aparelho em minhas mãos e, erguendo minha cabeça, acabei os pousando em ninguém mais ou ninguém menos que o próprio Jeonghan. Ele nitidamente tinha se assustado com o meu susto e, recostado em seu carro estacionado de frente para a minha casa, ele segurava uma grande sacola plástica e me encarava com o cenho franzido.

— Diretor Yoon? — eu indaguei extremamente cética, me perguntando mentalmente se eu estava começando a ver Jeonghan em todos os lugares devido à nossa convivência excessiva. — O que você está fazendo aqui?

O Yoon se endireitou e limpou a garganta, dando alguns passos na minha direção. Ele vestia uma camisa de manga comprida preta e uma calça da mesma cor, além dos chinelos que eu, por algum motivo relacionado aos meus conhecimentos bizarramente excessivos sobre aquele homem, sabia que ele costumava usar em casa. Parecia que ele tinha saído de casa às pressas ou, ainda, com a cabeça focada demais em algo para lembrar-se de trocar de roupa, o que me deixou curiosa.

— Bem, nós não estamos na empresa e nem dentro da sua casa, então você pode me chamar apenas de Jeonghan. — iniciou, coçando a nuca. — E eu sei que hoje não é nenhum dos dias combinados para eu vir, mas é que...

Pausou. O Yoon parecia estar lutando internamente para dizer algo, o que era novo para mim. Eu costumava vê-lo sempre com a língua afiada, dizendo as coisas de modo decidido ou até atrevido, então aquela era a primeira vez que eu o via hesitar em verbalizar algo.

— Que? — eu o incentivei.

— Que... — bufou frustrado e resolveu falar de uma vez. — Eu preciso da sua ajuda.

— Ajuda? Mas agora? — céus, ele tinha tido o dia inteiro para me pedir ajuda e teria o seguinte também, então o que seria tão urgente assim ao ponto de ele aparecer na minha porta no meio da noite? — Digo, é que eu tenho um compromisso marcado para daqui a pouco, então...

Deixei a frase pender no ar, dando a ideia sútil de que eu estava querendo despachá-lo, e de repente Jeonghan pareceu murchar feito uma flor velha no meio do outono. Ele levou a sacola discretamente para trás de si e, por um momento, eu acho que senti cheiro de comida. Frango frito, talvez? O que quer que fosse, ele parecia ter desistido da ideia de compartilhá-lo comigo e eu imediatamente me senti receosa em ter feito mais uma besteira naquele dia.

— Ah, tudo bem, então. — deu de ombros, fitando o pedaço de calçada que nos separava. — De qualquer modo, nós podemos fazer isso amanhã, no escritório.

— Mas é algo urgente? Se for, eu posso desmarcar com o meu...

Naquele momento, eu mesma me interrompi, ainda que fosse um pouco tarde demais. Jeonghan automaticamente ergueu a cabeça e me fitou, esperando que eu terminasse a minha frase. Sem querer, eu tinha deixado escapar que estava indo encontrar com alguém, o que por si só já não era boa coisa.

Nem em sonho Jeonghan poderia descobrir sobre os meus encontros às cegas.

— O? — foi a vez dele me incentivar, mas eu felizmente não caí naquela tão rapidamente.

Pense, Shin Minyoung. Pense.

— Ninguém importante. — dei de ombros. — Um amigo que eu não vejo há algum tempo.

E esse é o ótimo trabalho que a minha mente consegue fazer sob pressão, para não dizer o contrário.

— Bem, se você não o vê há algum tempo, então isso automaticamente faz desse amigo alguém importante, não? — o Yoon perguntou e, de repente, ele parecia estar prestando mais atenção em qualquer que fosse o meu gesto, o que me proporcionou alguns calafrios. — Para onde você está indo?

Pigarrei. Por que diabos ele queria saber aquilo?

— Para onde? Ah, para o centro da cidade. — respondi num murmúrio, na esperança de que ele não conseguisse me ouvir, entrasse em seu carro e fosse embora de volta para o seu luxuoso apartamento.

Esperança falha essa, inclusive.

— Que coincidência! — o homem exclamou do nada, o que me assustou mais uma vez naquela noite. — Eu também estou indo nessa direção. Você quer uma carona?

De jeito nenhum.

— Não precisa, eu só vou...

— Que ótimo! — interrompeu-me na cara dura, me pegando de surpresa. — Vamos, você não vai querer se atrasar para encontrar o seu amigo, não é mesmo?

Antes que eu pudesse rebater qualquer coisa, Jeonghan já estava sumindo do meu campo de visão para dentro do seu próprio carro. O que diabos ele estava indo fazer no centro àquela hora? Ele nem mora naquela direção. E o que há com toda essa pressa e essa atitude bizarramente estranha? O que ele tinha vindo fazer na minha casa?

As perguntas eram muitas, mas uma coisa estava nítida como água potável para mim: nem morta eu entraria naquele carro com YoonJeonghan.

***

E eu venho por meio deste comunicar que, ignorando o pingo de vergonha na cara que me restava, eu entrei naquele carro com YoonJeonghan. Mas digo, tentem ver pelo meu lado da situação: ele já estava dentro do veículo me esperando, então o que eu, plantada na calçada no meio da noite, deveria ter feito? Se eu apenas saísse caminhando e o deixasse para trás, acabaria sendo extremamente rude — ou pior, ele teria me seguido que eu sei — e tentar convencê-lo de que eu não precisava da sua carona com certeza não funcionaria. Por isso, no calor do momento, eu acabei jogando a minha dignidade para o alto e entrei naquele carro já digitando o endereço no GPS e sem falar nenhuma palavra. Jeonghan também permaneceu em silêncio e, assim, nós seguimos o caminho inteiro.

Na verdade, foi menos pior do que eu esperava, já que as minhas expectativas consistiam no Yoon puxando assunto a todo momento ou, ainda, me pedindo para fazer algum favor no meio do caminho, como de costume. Jeonghan até parecia um tanto inquieto e eu pude reparar que, vez ou outra, ele abria a boca para dizer algo, mas logo a fechava e voltava sua atenção para as ruas. Aquilo chegou a me incomodar e eu quase me movi para lhe perguntar o que estava acontecendo, mas preferi ficar quieta, afinal, eu não estava ali como sua secretária naquele momento. Ele tinha dito que precisava da minha ajuda, mas nós poderíamos resolver aquilo amanhã.

Poderíamos, certo?

— Você chegou ao seu destino. — a voz robótica do GPS anunciou e, olhando para fora do carro, eu me deparei com um enorme restaurante luxuoso especializado em comidas ocidentais.

Um dos preferidos do próprio Jeonghan, inclusive.

— O seu amigo tem muito bom gosto. — ele comentou também observando a fachada decorada em madeira escura e iluminada por alguns holofotes.

Eu o encarei brevemente.

— Obrigada pela carona, Diretor Yoon. — eu disse já pronta para sair do carro, mas parei ao ouvi-lo bufar frustrado. Infelizmente, eu sabia o que o tinha incomodado e resolvi dar um jeito naquilo para, no mínimo, não acumular mais um erro meu naquele único dia. — Digo, Jeonghan.

Céus, parecia que alguém tinha acabado de enfiar uma faca na minha língua. Era a primeira vez que eu pronunciava o seu nome propriamente dito em voz alta e, como eu esperava, aquilo não poderia ter sido mais estranho. Encolhi meus ombros e, de escanteio, eu vi o Yoon balançar a cabeça positivamente ao ouvir a minha correção. Tudo bem, aquilo significava que eu já poderia sair correndo para bem longe daquela pessoa excêntrica, não é mesmo?

Bem, sendo isso ou não, foi exatamente o que eu fiz. Saltei do carro e, num piscar de olhos, eu já estava dentro do restaurante sendo recebida por um recepcionista que, em seu uniforme de trabalho, estava uma dúzia de vez mais elegante do que eu. Está bem, eu só preciso comer um delicioso e suculento filé às custas de uma terceira pessoa e dispensá-la o mais rápido possível, não importava como os outros me olhassem. Eu estava acostumada a ser olhada estranhamente da cabeça aos pés, então conseguiria sobreviver àquilo.

— Boa noite, eu me chamo Kim Yoona e procuro uma reserva no nome de...

— Ah, do Sr. Hong, certo? — ela indagou no mesmo instante que ouviu o meu nome, sorridente. — Acompanhe-me, ele já está lhe esperando.

Eu tinha chegado no horário certo graças à carona de Jeonghan e, mesmo assim, o tal encontro já me esperava? Ele deveria ser um daqueles tipos super pontuais ou, no mínimo, ansioso.

O que significava que despachá-lo seria ainda mais fácil do que eu esperava.

Tudo o que eu sabia sobre o homem era que ele se chamava Joshua Hong e que tinha a minha idade, mais nada além disso. Na verdade, enquanto eu seguia a recepcionista pelo salão sofisticado do restaurante, eu me lembrei de que Yoona sequer tinha me mandado uma foto do rosto do rapaz daquela vez, então eu não fazia ideia de quem estava indo encontrar — e talvez tenha sido isso o fator a duplicar a minha surpresa.

O tal Joshua Hong era, no mínimo, um homem que parecia ter saído diretamente de um mangá ou algo do tipo que costuma ter personagens principais extremamente bonitos e elegantes. Ele estava sentado, porém, quando percebeu que a recepcionista estava me levando na sua direção, prontamente se levantou, deixando nítido que deveria ter por volta de um metro e oitenta de altura sem nenhum esforço. O Hong era magro e tinha o rosto pequeno e com trejeitos suaves, além de um sorriso discreto e muito bonito. Usava um terno azul-marinho que, acompanhado da gravata preta, lhe davam todo um ar sofisticado que nem Jeonghan conseguia exalar com os seus ternos italianos e tudo mais.

Mas por que diabos eu estava lembrando do Yoon naquele momento?

Quando finalmente alcancei a mesa redonda que o homem havia reservado, Joshua usou toda a sua postura para educadamente me cumprimentar. Fez uma reverência e eu a repeti e, em seguida, ele deu a volta na mesa para puxar a minha cadeira. Eu não me lembrava de ter saído com alguém tão cavalheiro antes e, sinceramente, planejava contar depois para Yoona sobre a oportunidade que ela tinha perdido enquanto gargalhava da cara dela.

Era uma pena que eu realmente precisaria dispensá-lo. Mas bem, o rapaz nem tinha aberto a boca ainda... era provável que ele tivesse algum defeito bizarro e irreparável para ser tão bonito e elegante daquele modo e, ainda assim, estar solteiro e para piorar em um encontro às cegas. Talvez ele tivesse algum fetiche bizarro também, vai saber.

— Muito prazer, eu me chamo Joshua Hong. — ele disse com um meio sorriso. Mesmo com todo aquele cheiro de comida, eu ainda conseguia sentir a essência do seu perfume cítrico.

Seu cabelo castanho escuro estava bem penteado, além da franja cortada no tamanho certo.

Céus, ele era realmente muito bonito.

— Prazer, meu nome é Shin... Digo, Kim Yoona. — eu cheguei a errar o meu nome, dependendo do ponto de vista.

Olhando mais atentamente, Joshua era até um tanto parecido com Jeonghan em seu visual caro e tudo mais. Mas por que diabos eu estava pensando no Yoon novamente? E por que eu estava vendo-o caminhar pelo restaurante com as mesmas roupas de usar em casa que ele usava há pouco tempo e, calmamente, sentar-se na mesa ao lado de onde eu estava?

Espera, o que?!

Pisquei diversas vezes até, para a minha infelicidade, me dar conta de que o Jeonghan sentado na mesa mais próxima da minha não era uma miragem. Ele realmente estava lá com as suas roupas pretas e folgadas, sua sandália de casa e me fitando diretamente sem nenhuma vergonha na cara. Era o próprio Yoon lá, com o seu sorriso que fingia não saber de nada e os cabelo loiro despenteado.

Mas o que ele pensa que está fazendo aqui?!

Notas finais
E não é que eu consegui aparecer sem nem uma semana ter se passado desde o último capítulo? Graças ao apoio de vocês, claro! E aí, o que esperam desse encontro? Estou curiosa para ler os comentários com as expectativas kkkkk. Até ♥