Meu Breu

1 Capítulo I - Paciência


Notas iniciais
Olá, muito obrigada por dar uma chance para 'Meu Breu' ♥ Tenha uma boa leitura!

Cierra não sabia seu sobrenome, não tinha ninguém para ensiná-la sobre ele quando ela nasceu. Também não sabia sua idade, mas tinha contado sozinha pelo menos sete primaveras. Não tinha conhecimento sobre onde nasceu ou de quem lhe deu seu nome, mas ela sabia de uma coisa... Sabia que odiava o escuro.

Apesar de sua horrível nictofobia, no momento, ela odiava muito mais aquela ânsia que não saia de seus pensamentos por não saber o porquê de ter sido jogada sem explicação alguma em uma cela privada de luz. A menina cogitou gritar suas perguntas para quem suas palavras alcançassem na esperança de que algum dos homens de uniforme que lhe trancaram ali passassem a sentir pena ou se irritassem o suficiente para responde-la, mas abandonou sua ideia com medo de que quem sussurrasse repostas em suas orelhas fosse o próprio breu.

Enquanto sentava-se abraçando os joelhos no frio e úmido chão de seu pequeno confinamento, Cierra resolveu calar sua boca e os pensamentos em sua cabeça. Em um suspiro longo soltado entre os vários tremores que a escuridão fazia percorrer por seus braços, a garota fechou os olhos. Agora estava escuro porque ela queria, tal sensação de falso controle lhe acalmou o suficiente até que o cansaço lhe vencesse e ela dormisse pela primeira vez em suas sete primaveres sem a luz de uma vela ao lado.

O gentil afago da escuridão em sua face não permitiu que pesadelos invadissem seu merecido sono.

Paciência. Cierra tinha se convencido que paciência era tudo o que ela precisava ter em sua atual situação; já tinha sido acordada ou tirada de seus pensamentos mórbidos algumas vezes em intervalos de horas ou dias – a garota não tinha mais a menor noção de tempo por dormir por longos períodos de tempo tentando escapar do escuro e por não poder se guiar pela luz do sol – mas os cochichos distantes de pessoas que ela supôs serem os mesmos homens de uniforme que lhe trancafiaram ali não alcançavam com clareza seus ouvidos, diferente do ranger das portas abrindo e fechando que ela podia ouvir claramente seguidos de leves clarões longínquos que mal alcançavam as barras de sua cela.

Tais instantes de luz sempre faziam com que a garota corresse e estendesse suas mãos grades à fora na esperança de que se ela alcançasse o brilho do sol, mesmo que por um segundo, estaria salva de seu medo ou, com sorte, alcançaria um dos homens de uniforme e passaria a implorar para sair dali ou por uma simples vela que fosse... Todas suas tentativas falhas de salvação sempre lhe deixavam com lágrimas escorrendo lhe pela face.

E sobrava para a escuridão consola-la com sussurros quase que inaudíveis e leves formas gentilmente desenhadas em suas costas.

Cierra chorava a tanto tempo que nem mais escorriam lágrimas de seus olhos, até que seus murmúrios e arfadas pesadas deixaram de ser os únicos sons presentes na cela.

"Por que chora, minha criança? Minha companhia é tão ruim assim?" Sussurrou-lhe o escuro.

Notas finais
Muito obrigada por ler e tudo o mais, qualquer comentário é bem-vindo, desde um "Não gostei" até um "Lhamas são legais"; mas só saber que você leu já me deixa feliz :) Obrigada novamente e até o próximo capítulo ♥