Meu Amor

16 Capítulo 15


Notas iniciais
Oiii!Ahahha, penúltimo capítulo prontinho bem a tempo, eihn?Sem atrasos, e sendo o maior capítulo já escrito nesta Fic, com 12 páginas, eu lhes dou...O capítulo 15!Aproveitem!

Capítulo 15

Nalla se virou na cama, esfregando os olhos com as costas da mão. Abriu as pálpebras e tirou uns fios de cabelo colorido do rosto. À sua frente, o teto. Riu. Estava exultante de felicidade. Seu peito tão cheio de alegria que poderia gritar até não ter mais voz.

“Do que está rindo, minha nalla?” Ronronou a voz rouca de Andhras. Olhou-o. Deitado de bruços, rosto sério meio amassado, a barba ainda maior que antes, os olhos verde e dourado um pouco vermelhos pelo sono.

Ela sorriu.

“Estou feliz.” E continuou a olhar para o macho. Ele sorriu um pouco, ainda sonolento. Os lábios fizeram uma curvinha marota.

“Que bom. Gosto de te ver feliz.” Murmurou e passou o braço esquerdo sobre a cintura dela, juntando ainda mais os corpos. “Só acho que teremos de conversar sobre os arranjos para dormir...”

Nalla o olhou, confusa.

“Por que....?”

“Ora, você pode ter dormido bem, mas eu passei a noite toda sendo sufocado pelo seu abraço.” E sorriu abertamente, mostrando as longas presas brancas e os dentes alinhados. Os olhos dele desceram para os lábios cheios de Nalla. “Hmm... Se bem que podemos deixar isso para depois...” e a beijou com força, tragando a fêmea para um mundo só deles, mais uma vez.

Ou tentando. Porque logo ela se recuperou e o afastou.

“Pare, Andhras. Eu não o sufoquei. Já se olhou no espelho? Como eu iria te machucar?” cerrou os olhos.

“Que é isso, nalla. Estava só brincando...” o Irmão se aproximou de novo e começou a mordiscar-lhe a orelha e o pescoço. Nalla se encolheu, começando a derreter. Não queria ser seduzida. Não ainda... “Estava só brincando. Adoro ficar abraçado com você...” A beijou mais um pouco no ombro. Oh, droga, ia se entregar, não ia? Como poderia dizer não a esses beijos? À ele?

“Eu adoraria ficar assim para sempre com você...” Disse e suspirou bem pertinho do ouvido dela. O estômago da fêmea estava cheio de borboletas. Percebeu que a voz dele estava entrecortada, ofegante. “Acordar e dormir assim. Todas as noites e dias...” os dois tomaram um grande fôlego antes de se olharem.

Os olhos de Andhras estavam derretidos. Brilhantes. Cheios de emoção.

Nalla nunca o vira assim antes. E não duvidava nem um pouco que seus olhos estivessem iguais. Sentia-se tão plena...

*



O grito de Zsadist ecoou pela mansão inteira.

Todos os moradores do Complexo estavam reunidos no hall de entrada, tendo se vestido às pressas, com olhos esbugalhados e faces coradas de sono.

Vishous estava com ódio no olhar. Zsadist o havia acordado no meio do dia para pedir que localizasse a filha, quando, internamente, ele já sabia onde ela estava.

Wrath tinha a expressão séria, também, enquanto sentia Z caminhar em círculos pelo chão de mosaicos. As passadas dele estremeciam todo o chão e os pedestais que seguravam as velas. George estava encolhido de medo, colado às pernas de seu dono.

Ondas de ódio frio irradiavam do guerreiro.

Bella estava encolhida em seu roupão, ao pé da grande escadaria, com os olhos esbugalhados e os lábios apertados, a pele pálida. Tentara acalmar o hellren, mas ele só lhe dissera para ficar calada rispidamente.

A voz de Xhex foi ouvida do segundo andar.

“Que houve?” ela vinha descendo as escadas com John, Rehvenge e Ehlena.

Zsadist rugiu e respondeu:

“Nalla não está na mansão.”

John –assim como muitos dos outros- franziu a testa e gesticulou:

“Como você tem tanta certeza?”

Rehv prendeu a respiração e fechou os olhos. Aí vinha meeeeeerdaaaa.

“Estamos no meio do dia, e ainda não vi sinal dela. Fui ao seu quarto antes de dormir, e estava vazio. Pensei que agora ela já teria se deitado-” Se interrompeu, deu um grito e bateu o pé, furioso. Estava louco para quebrar alguma coisa. A cicatriz do rosto estava saltando, praticamente, de tão tensa que era a face do macho, e os olhos haviam voltados a ser frios e negros como a morte, tamanha sua ira.

“Acalme-se, pelo amor de Deus, homem!” o grito de Xhex chamou atenção.

Wrath se virou para encarar sua co-cunhada, franzindo o cenho mais ainda, se é que era possível. Ninguém gritava nessa fodida casa além dele.

“Ela está segura!” Payne se intrometeu. Manny segurou o braço da esposa com força, querendo dizer para ficar na dela. Mas não lhe deu atenção. “Eu mesma a levei para onde queria ir.”

Os olhos alucinados de Z se viraram para ela; ele caminhou de forma ameaçadora na direção do casal. Manny tentou bloqueá-lo, assim como Vishous e Butch, que estavam mais próximos aos seus irmãos.

Payne empurrou os machos de perto de si, e chiou para Z:

“Recomponha-se, meu Irmão. Não é o fim do mundo!”

“Ela está bem, não é, Pay?” Beth se fez ouvir. Quando Z respirou fundo para não ser grosso com a rainha, as fêmeas aproveitaram para fazer seu movimento.

“Está na minha casa, perto do Hudson.” Xhex começou, tendo lido as grades das colegas. Estava encobrindo-as.

“Sim. Ela me pediu autorização e eu dei, Zsadist.” Beth concordou e olhou para Bella. “Sinto muito não os ter avisado. Ela pediu para fazer isso sozinha. Precisava desse tempo.”

O entendimento que se passou pelas fêmeas era claro como a luz do dia que brilhava do lado de fora: Nalla estava com Andhras.

“Ela até me perguntou se não poderia ir com ela...” Selena murmurou, olhando para Beth, Xhex, Bella e Payne, antes de passar pelas outras. “Mas Trez precisava de mim, e decidi ficar.” E acariciou o braço do seu hellren, que a abraçava.

“Eu mesma verifiquei o sistema de segurança da cabana...” Payne completou.

“Ora vamos, minha Irmã! É a minha casa! Acha mesmo que não seria segura?” Xhex se fingiu de exasperada. Sim, bem, ela realmente não gostava muito de aparatos tecnológicos, mas desde que se vinculara, resolvera que era necessário, sim, ter alguns cuidados extras. Para sua própria sanidade e pelo bem de seu casamento.

Elas sorriram uma para a outra.

“Acho que você deve deixá-la viver um pouco, Zsadist, se me permite dizer... “ Ehlena disse, do meio da escadaria, abraçada a Rehvenge. Ele a olhou abismado.

“Você também, leelan?”

A rainha Sympatho sorriu.

“Ela não é mais criança, nallum. Merece ter algo só dela.”

Lá de cima, a loura pôde ver várias cabeças concordando.

“A casa está segura, Z.” foi a vez de Tohr. “Autunm e eu sempre vamos lá. Nada pode machucá-la.”

“Mas não está conectada àqui, está?” o pai se pronunciou com a voz rachada. Seu coração pesava. Queria sua filha sã e salva, bem pertinho dele.

Vishous negou com a cabeça, enquanto aconchegava a Dra. Jane em seus braços.

Vários xingamentos foram ouvidos sob a respiração dos integrantes.

“Por isso ela foi pra lá, suponho...” Dhread falou baixo, sentado no penúltimo degrau, antes do chão da macieira. Vestia seu pijama preto tamanho adolescente, os cabelos desalinhados. Seus olhos verde-claro reluzindo suavemente com a luz das velas do hall.

Agora murmúrios de concordância.

Então, Bella caminhou para seu hellren e o abraçou suavemente.

“Vamos subir, nallum. Já fizemos baderna demais.” Beijou-o nos lábios, antes de olhar para os olhos dele, que ainda eram escuros como obsidiana. “Foi uma escolha dela, Zsadist. Mas me diga, será que não há um motivo importante por trás dessa distância?”

Quando ele não respondeu, só crispou os lábios, Bella balançou a cabeça e saiu.

“Vou voltar para a cama. Se quiser, pode vir me acompanhar.”

Foi o sinal que os outros esperavam. Os casais começaram a sair. Uns lentamente, outros apressados, querendo ficar sozinhos.

Do topo da escada, Bella assistiu seu hellren ganhar tapinhas nas costas dos seus Irmãos, e depois caminhar, devagarzinho, para a sala de bilhar.

Querida Virgem Escriba... Essa tensão estava acabando com ele.

Ao se virar, viu seu irmão e sua cunhada parados no meio do corredor. Rehv estava com cara de poucos amigos, envolto num roupão de seda macio, apoiado em sua shellan e na bengala.

“Então você aprova o comportamento dela, minha irmã?” ele foi curto e grosso.

Bella ergueu o queixo.

“Não. E quando ela chegar vai ter a reprimenda que merece. Mas é direito dela querer um momento a sós, Rehvenge. Nalla não é mais uma menina que vocês podem controlar. Você e Z são os únicos que não perceberam ainda! Até Phury a apoia!” Encarou Ehlena e depois o corredor.

“Boa noite, Ehl’.”

A loura sorriu, tocou o braço da outra suavemente, e retribuiu o cumprimento.

Então Bella seguiu de volta para seu quarto.

*



Quando a noite caiu em Caldie* , Andhras finalmente tomou coragem para sair da cama.

Seu corpo estava forte mais uma vez. Não do jeito que estava antes do tiro, mas o suficiente. Ainda teria um mês sem muitas rondas antes de voltar aos horários normais.

Olhou por cima da massa de cabelos que lhe tapava a visão. O quarto estava todo escuro, quente, e saturado do cheiro de Nalla e dele. Algo que Andy queria carregar consigo sempre.

Afastou uma mecha de cabelo do pescoço macio e cheiroso de sua fêmea, e a beijou ali, arranhando um pouco a pele com as presas. Haviam se alimentado um do outro até estarem satisfeitos. O dia todo tinha sido preenchido com carinhos, toques suaves ou sensuais e mordidas.

Acariciou a cintura, depois o quadril. As coxas. Era tão linda...

Nalla suspirou e se contorceu sob sua mão, gemendo baixinho. O som típico de quem está satisfeito e feliz. Andy sorriu. Já ouvira muito esses sons da boca dela.

Desde quando era novinha.

Subiu sua mão, acariciou um seio lentamente, antes de subir para o rosto, traçando o lábio inferior com seu polegar.

Ele a conhecia por inteiro, agora.

“Tudo bem?” A voz dela, suave e calma quebrou a quietude.

“Uhun...” Andhras se inclinou sobre o corpo feminino, tão menor que ele, mas ainda assim tão forte, e a beijou delicadamente.

Ficaram em silêncio, sentindo o calor e a intimidade da escuridão.

Então bateram na porta.

“Já vou!” ele gritou.

Saiu da cama num pulo, tropeçou num pedaço de roupa que estava no chão –não sabia dizer a quem pertencia- e correu. Ao abrir a porta, deixou só sua cabeça para o lado de fora, impedindo tanto que a luz do corredor entrasse, como seus amigos de poderem ver sua fêmea.

Artie estava com as sobrancelhas erguidas, o rosto tomado de surpresa.

“Caralho....” balbuciou baixinho.

Andhras riu e passou a mão nos cabelos.

“O que quer, ‘Tie?”

Seu amigo não respondeu logo. Gahel chegou da cozinha um pouco depois.

“Hey, Andy, o quê...” Mas emudeceu, o ar entrando por suas narinas.

Com os dois amigos o encarando como se outra cabeça tivesse nascido sobre seus ombros, Andhras se irritou.

“Ah, que merda, meninos! O que foi? Digam logo!”

Artie mastigou o piercing do lábio inferior e respondeu.

“Você está fodido, cara... Só estou dizendo... Fo-di-do!” e saiu andando para o quarto que usava.

Gahel continuou parado, comendo uma banana. Quando ele levantou os olhos castanhos, havia humor, neles.

“Concordo com o Artie, Andhras... Você está fodido. Mas não se preocupe. Depois que Zsadist e Rehvenge pegarem você, eu prometo te levar para longe.” E sorriu.

Andhras riu, balançou a cabeça e olhou para dentro do quarto.

Nalla estava sentada na cama, enrolada nos lençóis, arrumando os cabelos. Voltou-se para Gahel.

“Depois? Nós vamos ao Complexo, agora, G. É bom que estejas brincando!”

Os dois trocaram sorrisos, e se despediram. Andy fechou a porta e acendeu as luzes. Piscou várias vezes, e quando sua visão se adequou, viu Nalla com as mãos cobrindo o rosto, toda encolhida.

Ela xingou baixinho antes de avaliar sua visão, retirando os dedos da frente de seus olhos amarelos.

Andhras caminhou em direção à fêmea, embevecido com a visão que tinha: Nalla estava sentada, enrolada em seus lençóis, descabelada, com cara de sono, mas corada da noite que tiveram. Tinha no rosto a expressão de uma fêmea satisfeita. E era exatamente o que tinha em mente.

Pegou as roupas que estavam no chão, estendeu as dela para que se vestisse, e subiu a cueca pelas pernas.

“Bonitas pernas, essas aí...” ela fez graça. Andy se virou, alegre, e a beijou.

“Está com fome?” murmurou enquanto ainda a beijava.

“Um pouco...” ela disse depois de mais alguns carinhos.

Então ele os separou, e a puxou para cima.

“Venha, vamos encher esse tanque antes de sairmos!” e a colocou pendurada em suas costas, saindo pela porta, atravessando a sala e chegando à cozinha, onde Arcthurius comia um senhor sanduíche com uma caneca de café.

Artie olhou de relance o casal, mas não disse nada.

Por dentro, porém, Andhras sabia o que o amigo pensava. Ele nunca se sentira assim, tão feliz e leve. Gostava de brincar com os amigos, mas não era alegre o tempo todo. Às vezes, ele estragava as coisas por pensar demais, por levar a sério demais... Mas com Nalla estava tudo bem. Havia um peso a menos sobre si, e ele nem sabia o que era. Só sabia que ela o havia melhorado.

Depois que a sentou num banquinho, beijou-lhe os lábios e serviu tudo o que tinha na geladeira para sua garota.

*



Grande parte dos Irmãos e shellans estavam sentados na sala de jantar para a Primeira Refeição. Todos quietos, só se ouvia o barulho dos talheres de prata na louça.

Então, a campainha que anunciava a presença de pessoas no vestíbulo da mansão soou, e todos congelaram.

Zsadist foi o primeiro a se mover. Ele ficou de pé, o rosto vincado de raiva, olhos negros mais uma vez.

Bella tocou-lhe o braço, mas ele se afastou da shellan e caminhou para o hall de entrada decididamente. Seus shitickers fazendo barulho no assoalho.

Os presentes se entreolharam rapidamente antes de correrem atrás dele.

*

Quem passou primeiro pela porta foi Gahel. Ele cumprimentou o doggen alegremente, então viu os moradores da mansão e sorriu, começando a se dirigir para Rhage.

Mas ele parou de se mover quando viu que todos olhavam para quem estava atrás dele.

Então e virou, também.

Nalla e Andhras haviam acabado de passar. A fêmea veio primeiro, e então estendeu a mão para o Irmão, que a segurou e sorriu. Com o silêncio, eles olharam para frente, dando de cara com a boa e velha peanut gallery**.

Respirações suspensas. Tensão.

Andy apertou a mão de Nalla e deu um passo à frente.

“Zsadist, eu...” Mas não terminou a frase.

Z se precipitou para frente, derrubando o outro no chão com o barulho de um trovão. Gritos foram ouvidos.

“Pai, não!” Nalla correu e tentou se meter na briga, mas Arcthurius a segurou pelo braço.

“Fique aqui!” ele disse baixinho. “Deixe que se resolvam.”

“Zsadist!” Bella tentou chamar, assim como Rehvenge.

Os dois machos se engalfinharam no chão de mosaicos: Zsadist atacando, Andhras se defendendo. Wrath ainda tentou se meter, gritar com eles, mas não foi ouvido.

Xingamentos de Z podiam ser escutados entremeados com os sons da luta.

“Filho da Puta... Marcou... minha filha... Bastardo...”

“Z, espera...”

“...do caralho...”

“Zsadist...”

“...Vou te mostrar como...”

Z ergueu o braço, pronto para acertar o rosto de Andhras , que estava imobilizado abaixo de si, com um soco. Rhage, Gahel, Vishous, Tohr e John estavam perto, prontos para separarem os machos. Mas Andy saiu, segurou Zsadist sob si, e o manteve assim, enquanto o pai se debatia e rosnava imprecações.

“Pare com isso, Zsadist!” Andhras rosnou alto. “Pare com essa merda e me escute!”

Risadinhas nervosas ecoaram pelo salão.

O Rei caminhou para frente e cruzou os braços, enquanto Rhage e Tohr seguravam Zsadist e Gahel ajudava Andy a ficar de pé. Vishous se meteu entre eles, fazendo uma barricada, assim como John. Todos mantinham os olhos em Z, que estava cada vez mais irado, emanando aquela fúria gelada pela qual era conhecido antes de se vincular.

“Desembucha, Andhras. E é bom que sua desculpa seja boa.” Vishous latiu. Era tensão demais.

Nalla correu para o lado de seu macho, o abraçando com força. Ele passou os braços em volta dela e beijou sua cabeça. Então os dois olharam para Zsadist.

“Meu Irmão...”

“O caralho!” Z gritou, indo para frente. Rhage o segurou no lugar, no entanto. “Você se vinculou à minha filha, e agora a marcou, tirou a honra dela...”

Vários olhos se arregalaram. Inclusive os de Nalla.

“Não, Zsadist, não o fiz...”

“À merda com suas mentiras!” ele rosnou.

“Zsadist...” Andy estava começando a perder a paciência.

“Seu pedaço de mer-”

“Cale a sua fodida boca, Zsadist, e deixe o garoto falar.” Wrath gritou.

Fez-se um silêncio sepulcral. Só quebrado por um ganido assustado de George.

“Parem com essa briga imbecil. Estão me irritando com essa conversa de mariquinhas. E assustando meu cachorro.” O rei abraçou a cintura de Beth e começou a caminhar para a sala de jantar. “Se quiserem se matar, façam isso em outro lugar. Agora, Zsadist, se quiser agir como macho, meu estúdio está liberado...” e ele parou e encarou Z através dos óculos escuros. “...Para conversar. Estou indo jantar.”

Nalla respirou fundo e olhou em expectativa para seus pais. Bella balançou a cabeça, e lhe sorriu discretamente, antes de começar a subir as escadas.

“Venha.” Nalla puxou Andy e os dois seguiram para o escritório do rei.

“Onde pensam que vão?” Z grunhiu.

“Para a sala de Wrath.” o macho respondeu. “Quer vir?”

Zsadist xingou baixinho e subiu batendo os pés, não olhando para ninguém. Seu alvo era a porta de madeira enorme que tinha no alto da escadaria.

“Precisa que eu vá?” Rhage disse, ainda no meio do hall.

“Acho que não, tio.” Nalla sorriu. “Obrigada.”

Eles se olharam por um segundo, antes de Hollywood seguir com sua Mary para o jantar, também.

Quando Nalla chegou, caminhou por ali, vendo seu pai parado perto da janela, de braços cruzados, tenso. Seus olhos eram negros, não dourados, iguais aos dela. Queria abraçá-lo e dizer que o amava, mas estava apavorada com a ideia de que ele gritasse com ela.

Andhras fechou a porta e suspirou, se encostando à mesma. Enquanto Bella estava sentada num dos sofás, séria.

“Okay, eu começo...” Bella disse, batendo as mãos nas coxas. Alguém precisava dar o primeiro passo. Não aceitaria aquele clima de enterro em sua família. “Zsadist, que tal você explicar, calmamente, por que está com raiva?”

Ele a olhou de cara feia e balançou a cabeça. É, ia ser pior do que pensara.

“Tudo bem... Nalla, que tal você? Porque saiu sem nos avisar?”

No centro da sala, a filha abriu os lábios para começar, quando bateram na porta suavemente. Andhras a abriu, revelando Rehvenge, envolto em seu costumeiro casaco de zibelina, e apoiado em sua bengala.

“Se não for incômodo...” ele começou, olhando azedo para o outro. “Gostaria de participar.”

Andy já estava abrindo mais a porta, querendo acabar logo com tudo, quando Bella se meteu.

“Sinto muito, Rehv. Mas isso é entre nós, primeiro. Depois, quem sabe, não chamo você e Phury.” Ela disse, cortante. O sympatho levantou uma sobrancelha.

“Tudo bem. Já vou, então.” E saiu, fechando a porta.

Andhras encarou aquela que seria, com a bênção da Virgem Escriba, sua sogra. Ela e Nalla eram bem parecidas: decididas e fortes. Estavam no controle. Sorriu. Gostava disso. Sua mahmen era assim também, e cresceu com seu pai dizendo que as fêmeas eram mais importantes que qualquer coisa. Que elas mereciam tudo e mais um pouco que você pudesse dar. E agora, finalmente encontrara alguém a quem queria fazer isso, dar tudo de si, sempre.

“Eu avisei ao papai que ia sair.” Nalla disse, quebrando o silêncio. Andhras analisou a reação de Z: Ele tinha fechado os puxos e respirado fundo, como se tentasse se controlar. “Fiquei sabendo que ele pedira um rytho a Wrath, e que não queria que Andhras viesse ao Complexo. Isso me tirou do sério.”

“Mas não disse para onde ia. E estava muito próximo do amanhecer.” Bella abanou a mão, num gesto amplo.

“Papai não se opôs.”

“Porque você não me deu tempo, não é? Saiu como um furacão!” ele retrucou.

As fêmeas o encararam.

“Verdade. Mas o senhor não tinha razão, de qualquer forma. E eu só saí depois que conversei com Beth e...”

“Payne, Selena, Xhex...” Z enumerou. “É, fiquei sabendo do seu clubinho.”

Nalla franziu o cenho, estranhando Xhex ter sido citada.

“Meu clubinho?” foi irônica. “Meu clubinho?! Sério? Então fui eu que me tranquei numa sala cheia de machos para decidir como ‘reparar a sua honra’, papai, sem falar com o senhor, não é?” fez o sinal das aspas com os dedos.

Andhras e Z assobiaram.

“Nalla, calma...” Andy lhe disse. “A Irmandade não tem nada a ver.”

Eles trocaram um olhar e ela se acalmou. Então olhou a mãe de relance. Bella estava mais relaxada, ouvindo.

“Eu fui para a casa de Andhras.” Disse baixinho, alternando o olhar entre seus pais. Zsadist ficou lívido. “Não aguentava mais ficar aqui. Quando cheguei lá...”

Z caminhou na direção da filha, querendo interrompê-la.

“Não, espere” e ergueu as mãos para pará-lo. “Papai, como o senhor não vê que ele me faz feliz?”

Andy sentiu seu rosto e pescoço ficarem quentes quando viu, pela visão periférica, Bella e Z o encarando. Droga, estava corando. Mas seu peito se encheu, mais ainda, de amor.

“Nós queremos ficar juntos, papai. Eu entendo que o senhor acha que não vou mais amá-lo...” e foi para ele, segurando suas mãos entre as dela e apertando forte. Os olhos deles ficaram travados um no outro. “Mas, papa, o senhor é meu herói. Meu pai. E sempre vai ser. Nada nem ninguém vai me fazer te amar menos, ou deixar de amar completamente. Nunca.”

Nalla viu os olhos de seu pai ficarem amarelos, e se derreterem, começando a ficar vermelhos. Z fungou e olhou para a shellan, do outro lado da sala. Então ele gemeu baixinho e apertou a filha nos braços, num abraço de tirar o fôlego.

“Eu só não quero que você se machuque, minha nalla. Sempre vai ser minha bebêzinha...”

“Papai?”

“Sim?”

“Não consigo... respirar...”

Z soltou a filha e sorriu, acariciando seu rosto.

“Desculpe por isso.”

Nalla sorriu, também e abraçou seu pai.

“Tudo bem.” Ela o olhou, e usou sua melhor arma: lábios trementes e olhos arregalados e pidonhos. “Por favor, papa, não brigue com Andhras. Por favor. Nos dê uma chance...”

Z suspirou e olhou para Bella, que tinha os olhos marejados, e depois o macho em questão. Andhras tinha se encostado à uma parede, e estava de braços cruzados sobre o peito, mas seu rosto estava relaxado. Os Irmãos trocaram olhares.

“Quer se explicar? Tudo bem. Faça agora.”

O choque percorreu o rosto de Andy, mas ele logo se desencostou e assumiu uma expressão neutra. Caminhou até o onde Z e Nalla estavam.

“Eu não tirei a honra da sua filha, para começo de conversa. Não o fiz. Muito pelo contrário. Eu a amo tanto, que minha intenção é honrá-la até o fim de nossos dias.” Parou para olhar sua fêmea, que lhe sorria, ainda envolta nos braços do pai. Então encarou seu Irmão mais uma vez. “Admito que não me sinto digno dela. Ninguém o é. Nalla é especial. Mas tenho a melhor das intenções. E, se você e Bella concordarem, gostaria de tomá-la como minha shellan.”

Zsadist sentiu seu coração parar. Estava paralisado. Oh, Deus... Oh, Deus...

Bella o tocou no ombro, e Z a olhou. Estava apavorado, mas sua companheira sorria lindamente.

“Talvez você devesse perguntar à ela, não?” Bella disse.

Andhras olhou Nalla mais uma vez. Ela sorriu.

“Eu já sei a resposta...” ele murmurou.

Z viu em Andhras, com uma clareza que não havia antes, o amor por sua filha. Os olhos dele eram de verdade os de um hellren. Estavam líquidos e quentes, aqueles olhos verde-escuro-e-dourado, derramando todo o sentimento ali, aos pés deles, para quem quisesse ver.

Inalou profundamente, sentindo o cheiro de sua vinculação, que exalava de Bella, e o odor de Andhras, que estava em sua princesinha. Sentiu-se mal com aquilo. Pela primeira vez, percebeu que ela não era mais uma criança, realmente.

“Oh, foda...” resmungou, esfregando sua cabeça. Soltou a filha e segurou a mão de sua shellan. “Tudo bem. Se é o que vocês querem.” Viu quando eles se olharam e sorriram um para o outro. Seus dedos se entrelaçaram discretamente. “Sinto muito por magoá-la, minha filha...”

Então, beijou os lábios de Bella, tentando se acalmar.

“Só cuidado para não fazer merda, Andhras. Tiro seu couro com uma colher, se machucar a minha filha.”

Andhras gargalhou um pouquinho e estendeu a mão para Zsadist.

“Não se preocupe, Z. Chutarei a mim mesmo, caso o faça.”

“Hmmm.” Encarou o chão, e depois olhou para os três que estavam consigo. Sua filha, sua companheira e seu Irmão. Estava tudo certo. Andhras realmente era o melhor, não? Só não admitiria para ninguém, nunca. Embora suspeitasse que sua Bella já soubesse. Apertou sua mão na de Andhras, sentindo o calor e o alívio do macho passando para si.

Tudo ia ficar bem, afinal.

Notas finais
*Caldie -> Forma carinhosa que os moradores de Caldwell usam para se referir à cidade.Muito beeeem, muito beem!!O que acharam? Ficou bom? Ahahaha Trabalhei nele o dia todo. Tudo para conseguir expressar direitinho o que queria -embora ainda ache que faltam algumas coisinhas. Enfim...Penútimo capítulo! Próxima semana teremos que nos despedir da Fic... Vai ser algo bem triste não ter mais capitulinhos para vocês... MAS é a vida, né? Tudo continua.Como eu já disse lá no Tumblr, tem mais duas novas Fanfics no forno: uma sobre os pais de Z e Phury, e outra sobre... Não posso falar ainda -soumá. Mas está rolando na minha cabeça. Ainda vão ter alguns extras em Pedaços da Vida, sim. Se eu não me engano, tenho cinco extras para postar lá, então vocês não ficarão sem saber da vida da Nalla. Agora, no Tumblr, sempre vão haver novidades sobre Meu Amor e sobre as outras Fics, claro! Além de muitos Extras que não vou colocar aqui. Por isso, fiquem sempre ligadas! Beijo, beijo!/Morgana