Meu Amor
17 Capítulo 16
Notas iniciais
Capítulo 16
UM MÊS DEPOIS...
Nalla estava sentada de costas para sua penteadeira. Atrás de si, Cormia penteava seu cabelo, arrumando-o num penteado. À sua frente, sua mahmen lhe fazia a maquilagem, concentrada.
O quarto estava quieto, mas era porque as três esperavam as outras fêmeas do Complexo, que estavam arrumando o hall de entrada e a sala de jantar.
A porta foi aberta. Nalla viu Ehlena, Marissa e Beth entrarem no quarto carregando um enorme saco preto, com volume considerável. Elas estavam rindo histericamente, e lutavam para não estragar o vestido. Seu vestido de emparelhamento. Querida Virgem Escriba... Tomou uma profunda respiração, de repente achando que tinha pouquíssimo ar no aposento. Mas logo sua atenção foi desviada para Sameera, que entrou acompanhada da mãe. Elas traziam algumas caixas de variados tamanhos nos braços. Depois que deixaram tudo sobre a mesinha de cabeceira, e o vestido sobre a poltrona, as fêmeas fizeram um círculo em volta de Nalla, que só podia olhar, sem se mexer.
Caos.
“Ela está ótima, Bella...”
“Precisa de ajuda, Cormia?”
“Sim, ótimo.”
“Podemos ir colocando os acessórios?”
“Acho que é melhor colocar depois do vestido, não?”
“Ah, não acredito que a princesinha já vai casar!”
Diversas vozes se confundiam e faziam sua cabeça rodar. Fechou os olhos, desejando poder escapar por alguns minutos.
“Você está bem, querida?” sua mahmen parou de passar o batom em seus lábios.
“Sim... só um pouco ansiosa.”
Várias risadinhas foram ouvidas. Nalla abriu os olhos. Selena e Jane haviam chegado, e sorriam brilhantemente.
“Não se preocupe, já estou acabando.” Bella acabou de passar o batom e guardou tudo na mesinha.
“Espero que esteja com fome...” a voz de Xhex foi ouvida do corredor... E então, ela entrou com uma doggen, que carregava uma enorme bandeja com petiscos. Os olhos cinzas da sympatho foram simpáticos. “Andhras mandou para você... e os outros hellrens acabaram complementando para nós.”
Foi só então, ao ver as montanhas de comida, que Nalla percebeu estar faminta. Não comera direito na ultima refeição, de tão ansiosa, e durante o dia não teve coragem de sair da cama. Agora, com toda a bagunça e a ansiedade, não se lembrara que tinha de comer.
“Não consegui comer antes...” murmurou.
As shellans começaram a se servir, e Sam estendeu uma bandejinha com pães doces para Nalla.
Enquanto isso, Cormia dava os toques finais em seus cabelos, ajudada por Layla.
“Bem, não deixe Andy saber disso. Ele está mais ansioso que você.” E se encostou a parede, cruzando os braços. Revirou os olhos e voltou a falar. “Até Tohr e Z já se estressaram com ele. Gahel ameçou fazer uma coisa muito feia com seu macho caso ele não parasse quieto.”
Nalla arregalou os olhos.
“Você acha que...”
“Ele não vai desistir de você.” E se inclinou para a bandeja de comida. “Só é normal as pessoas ficarem ansiosas.”
Ela viu várias fêmeas concordando.
“Eu quis sair correndo, na minha cerimônia.” Beth contou. “A ideia de me casar parecia tão absurda, na época. Mas foi perfeito...”
“Xcor não parava de ajeitar seu traje, vocês lembram?” Selena contou, enquanto Layla ria. “Juro, minha irmã, ele ficava dançando de um pé para o outro.”
“Foi engraçado...” alguém disse.
Então várias histórias de cerimônias de vinculação foram contadas. O cabelo foi finalizado, Nalla retocou o batom e o blush, alguém mexeu no vestido, gritos à procura das caixas que Layla trouxera...
Autunm, Payne e Blaylock entraram.
O macho sorriu, passou alegre por todas as fêmeas, e entregou uma caixinha para Ehlena, falando em seu ouvido. Eles sorriram, cúmplices, e o papa de Sam se foi rapidamente.
“Você já viu o vestido?” Autunm disse, curiosa. Ela mancou um pouco até a cama, sentando-se junto à Beth, Sam e Marissa. Payne olhou ao redor, sem dizer nada.
“Não, não o vi.” Fez uma careta.
“Vai adorá-lo!” Jane sorriu e correu para o saco preto. “Pronta?”
Nem um pouco. Respirou fundo mais uma vez. Vinha fazendo muito aquilo nas ultimas horas, verdade? Mas tinha que fazê-lo.
“Pronta.”
O vestido foi puxado para fora pelas mãos de Marissa, Jane e Beth.
Nalla prendeu a respiração. Estava sem palavras.
Bella deu gritinhos de alegria.
“Eu disse que ela ia gostar!”
Elas riram. Era um som bonito. Como se fossem vários cristais ao vento, tilintando.
A porta foi aberta mais uma vez. Mary passou por Xhex e Payne.
“Hey, eles estão prontos...” então viu o vestido. “Ah... Ficou perfeito, Selena.”
“Sim, eu sei.” A Escolhida sorriu. “Não há nada que eu não possa fazer!”
As fêmeas brincaram mais um pouco, gargalhando e comendo, até que Mary se lembrou de porque saíra da cozinha.
“Os rapazes estão prontos. Só esperam por vocês.” Disse, encarando Nalla.
“Bem... Então vamos descer.” Marissa disse. “Te vemos lá embaixo, querida!” e beijou os cabelos da fêmea.
Em seguida, todas as outras saíram. Ou quase. Selena, Bella e Ehlena ficaram para trás.
“Venha, vamos vestir você.” Selena pegou o vestido e abriu o zíper.
Nalla ficou de pé, tirou o roupão que usava, e sentiu o tecido roçando seus ombros. Teria que ser vestido por cima.
Depois que a saia foi arrumada, o zíper fechado, os cabelos realinhados e a maquilagem retocada, pôde finalmente se olhar no espelho.
Ao encarar seu reflexo, quase cai para trás. Sabia que era bonita. Muito. E que quando usava vestidos de festa ficava linda. Mas, desta vez, não conseguia se descrever.
“Está deslumbrante.” Sua mahmen disse, a abraçando pelos ombros. Quando os olhos amarelo-citrino encontraram os azuis-safira, percebeu que estavam ambas com os olhos marejados.
“Ora, vamos, Bella. Não podemos chorar ainda!” Ehlena exclamou, estendendo um lenço para limpar as lágrimas da cunhada.
“Eu sei, eu sei!”
As três riram.
“Hey, tome aqui.” Selena estendeu um par de brincos e uma pulseira para Nalla. As fêmeas colocaram as joias na noiva e se afastaram.
“Oh, Andhras está tão perdido...” Selena comentou com um sorriso. “Você vai matá-lo do coração, Nalla”
Elas riram.
“Vamos, já os fizemos esperar demais”
Saíram para o corredor e caminharam juntas até o alto da escadaria.
“Você se lembra de tudo o que conversamos?” Bella sussurrou.
“Uhum...”
“Ótimo. Estarei com você o tempo todo. Te amo!”
Sua mahmen e sua tia lhe tocaram as mãos antes de descerem, e Selena lhe sorriu, indo logo após.
Lá de cima, Nalla viu o esplendor da Hall de Entrada, com o chão de mosaicos da macieira em flor, as cores do teto e das colunas, as velas em seus pedestais acesas. O mármore colorido que cobria tudo.
Sua família. Estavam todos ali: Seu papa, que abraçava sua mahmen com força, e levantou o olhar amarelo para encontrar o seu. Ele tinha os olhos marejados e vermelhos, mas sorriu lindamente quando a viu. Seus tios, Rehv com Ehlena e Phury e Cormia estavam ali, também. Assim como algumas Escolhidas, os outro Irmãos, alguns soldados, Vishous e a Dra. Jane, Butch e Marissa, O Rei e a Rainha, Rhage e Mary, Tohr e a mahmen de Xhex, Autunm, seu primos e seus amigos... E mais uma porção de gente que ela amava. O amor daqueles que habitavam o Complexo era palpável àquela noite. A estava enchendo de coragem.
Passeou os olhos pelo salão um pouco mais, até que encontrou Andhras. E seu estômago afundou. Caramba... Ele estava mais bonito que qualquer outra vez que o tivesse visto... Ladeado por Gahel e Artie, os três em vestes negras formais. Respirou fundo, fechando os olhos, e depois começou a descer a grande escadaria.
*
Andhras sentiu que ia cair a qualquer momento. Oh, foda...
Nalla estava incrível. O cabelo preso mostrava seu lindo pescoço, e o vestido prateado que usava refletia um pouco de dourado das velas. O tecido delineava seu corpo muito bem. Sorriu, mesmo nervoso. Não via a hora de poder tirar esse vestido e tocar suas curvas de verdade, depois da festa.
Quando sua fêmea terminou de descer a escadaria, seus Irmãos se ajeitaram atrás de si para começar a cerimônia. Entorpecido, Andhras caminhou até ela, pegou sua mão e beijou os dedos.
O sorriso que ganhou dela foi o mais lindo. Os olhos estavam tão claros e brilhantes... Espere...
“Você está bem? Está chorando...”
“Estou bem...” Assentiu e olhou ao redor. “Sério, só... Feliz!” e sorriu de novo.
“Ok. Mas nós...”
“Vamos com isso, vocês dois!” Rhage gritou. Algumas pessoas riram. Puderam ouvir Mary repreendê-lo baixinho.
Andy confirmou com Nalla para ter certeza que ela estava bem, antes de finalmente pararem em frente à lareira, onde Phury estava segurando um livro grosso no Antigo Idioma.
O Primale mal tinha aberto a boca para começar com a cerimônia, quando uma voz feminina e forte foi ouvida.
“Boa noite, Irmandade.”
Um silêncio medonho caiu sobre todos, quando viram a figura diminuta da Virgem Escriba no salão. Eles se ajoelharam em conjunto, como se fosse ensaiado. Alguns murmuravam preces, especialmente as Escolhidas, outros só a saudaram.
“Podem se levantar.” Ela ficou ao lado de Phury e olhou para o casal. Mesmo com o manto, Andhras sentiu que ela sorria. “Eu gostaria de presidir a cerimônia, se me permitirem...”
Nalla se ajoelhou novamente ao seu lado. Andy ouviu que ela chorava baixinho. Ajoelhou-se também, e acariciou a mão de sua fêmea antes de responder.
“Muito nos honraria, Vossa Santidade, se presidisse nosso emparelhamento.” Disse, porque achou que ninguém mais deveria fazê-lo. E pareceu que Nalla não tinha forças.
A Virgem Escriba riu, o som ecoando pelo teto abobadado.
“Ótimo, guerreiro. Ótimo. Podemos começar, então?”
Nalla se apoiou nele para se levantar, mas sorriu para a entidade à frente deles.
“Me deem suas mãos.”
Nalla estendeu a mão esquerda, e Andhras a direita. O aperto da Virgem Escriba foi forte, mas cuidadoso. Suas mãos emitiram uma pequena descarga elétrica, que fez cócegas. Um calor envolveu o casal, e a Mãe da Raça suspirou.
“Hmm... Muito bom. Essa é uma união muito boa.” Disse tranquilamente. “ Vocês tem minha permissão para ficarem juntos pelo tempo que desejarem.” Suspirou e soltou as mãos. “A apresentação está concluída. Podem continuar.” E se afastou para o lado, deixando que Phury voltasse ao centro.
O Primale olhou para sua sobrinha e sorriu.
“Nalla, filha do guerreiro da Adaga Negra Zsadist, neta do guerreiro da Adaga Negra Ahgony, bisneta do...” Andhras ouviu Phury continuar por um momento, e pensou em seus pais. Oh, eles estariam orgulhosos? Queria tanto que estivessem ali... Olhou para a Virgem Escriba. Acreditava que sua mahmen e seu pai estavam no Fade, junto com seus antepassados, mas os desejava ali, agora. Queria compartilhar sua felicidade. “Este macho pede que o aceite como seu hellren. Aceitá-lo-á como seu se for digno?”
Nalla o olhou e sorriu. Havia tanto amor naqueles lábios, naqueles olhos...
“Sim, eu o aceitarei.”
Phury respirou fundo.
“Guerreiro, essa fêmea o respeitará. Dará prova de seu valor por ela?”
“Eu o farei.” Sua voz ecoou no salão.
“Sacrificar-se-á por ela?”
“Eu o farei.”
“Defendê-la-á contra aqueles que lhe pretendam lhe fazer mal?”
“Eu o farei.”
“Ótimo.” Seu Irmão fechou o livro.
Andy apertou a mão de Nalla rapidamente e se dirigiu para perto de Wrath e Z. Ao lado deles, Vishous, Rhage e Tohr esperavam. Uma jarra de sal com água estava numa mesinha, ao lado de uma pequena caixa laqueada.
Tohr foi com Wrath par frente, enquanto Andhras tirava a camisa de linho negro e se ajoelhava no chão de mosaicos.
O líder da Irmandade segurou a mão do Rei, pegando a adaga negra.
“Meu Irmão, qual o nome de sua companheira?” a voz de Wrath ribomou com um eco.
“Chama-se Nalla.” Tohr ajudou seu rei a traçar a letra no Antigo Idioma que simbolizava o N. A lâmina cortou a carne, o sangue verteu. Andy respirou fundo. Poderia suportar. Não era nada.
Os dois guerreiros voltaram aos seus lugares e Zsadist foi à frente.
“Qual o nome de sua companheira?”
“Chama-se Nalla.”
O corte de Z foi suave, mas Andhras sentiu mesmo assim. Trincou os dentes e respirou fundo mais uma vez.
Depois foi a vez de Vishous, Rhage e Phury. Andy manteve o maxilar travado, as respirações profundas e constantes. Não deu um pio. Ouvia, ao longe, seus Irmãos grunhindo de aprovação. Levantou o olhar para Nalla algumas vezes, o que só aumentou sua determinação: ela sorria orgulhosamente. E, mesmo com os olhos cheios de lágrimas, ele pôde ver que ela estava tão feliz quanto ele.
Quando terminou, Phury se inclinou e jogou a mistura de sal e água nas costas de Andhras, que se manteve calado, apertando os punhos, se retesando por inteiro. O sal ardeu e cicatrizou as feridas, mas Andy agradeceu pelo momento que se encontrava, e ficou impassível, enquanto seus Irmãos grunhiam e gritavam em apoio.
O Primale se afastou rapidamente, abriu a caixa laqueada, tirando um pedaço de tecido branco. Inclinou-se sobre as costas do macho mais uma vez e secou as feridas, depois enrolou o tecido e o colocou novamente na caixa.
“Levante-se, meu Irmão.”
Andhras se ergueu. Mexeu os ombros, tentando relaxá-los, fazendo um arco, e mostrando as letras no Antigo Idioma que formavam o nome de sua companheira.
Phury apresentou a caixa à Andhras.
“Dê isso à sua companheira, como símbolo de sua força; assim saberá que é digno dela e que seu corpo, seu coração e sua alma estão agora às suas ordens.”
Andhras se virou para onde Nalla estava, junto à sua mahmen e suas tias. Aproximou-se ansioso pelo contato com ela, querendo assegurar-lhe que estava bem, sentir seu calor...
Mas Nalla estava bem. Seu rosto resplandecia de amor e admiração. O peito de Andhras estufou. Virgem, como a amava...
Caiu de joelhos à frente dela e ofereceu-lhe a caixa.
“Tomar-me-á como seu?” e a olhou nos olhos. Os citrinos dela estavam tomados de lágrimas, de novo. Ela enxugou as bochechas com o dorso da mão esquerda, antes de tomar a caixa dele e apertá-la contra seu peito.
“Sim. Sempre.”
Andy sorriu e se levantou. Nalla o abraçou com força pela cintura, não querendo tocar suas costas.
Os Irmãos, atrás deles, começaram um cântico belíssimo no Antigo Idioma, primeiro baixinho, e depois o volume foi aumentando, ganhando corpo.
Andhras apertou sua shellan nos braços, sentindo seu cheiro, satisfeito com a vida que tinha. Pensando que nada poderia jamais fazê-lo mais feliz... A não ser se seus pais estivessem ali. Mas sentia, agora, em seu coração, que eles estavam orgulhosos de si, e felizes com seu emparelhamento. Sorriu. Balançou seu corpo no ritmo da música, assim como Nalla. Os corpos e vozes se tornaram um só. Andhras começou a cantar, também. Mas a voz que se destacou foi Zsadist. Sua voz de tenor tomou o teto, se elevando. E quando os olhos dele encontraram os de Andhras, ele soube que Z o perdoava e aceitava. E que tudo estava de volta ao seu lugar.
*
A sala de jantar estava lotada. Mesmo uma parte dos convidados tendo ido para a sala de bilhar, muita gente ainda comia na grande mesa.
Andhras estava sentado numa das cadeiras no meio da mesa, com Nalla sentada em seu colo, e a alimentava compenetradamente.
Rehv olhava atravessado para eles, mas era só porque tinha ciúmes. Nalla sempre seria a queridinha dele e de Z. Por falar nele, Z estava gargalhando de Gahel, que tentava chamar a atenção de uma Escolhida, embora ela parecesse não vê-lo. O sogro de Andy abraçava ferozmente a sua shellan, e a beijava constantemente, também. Estava tão relaxado e feliz, que a própria filha tinha estranhado.
Rhage, Butch e Vishous tinham se juntado num canto, e estavam conversando animadamente com Trez.
Wrath alimentava sua rainha, que também estava em seu colo.
Qhuinn e Blaylock tinham sentado perto de Layla e Xcor, e conversavam com o casal animadamente.
A família deles estava feliz, afinal. E Fritz sentia-se nos céus, com a casa cheia de gente durante grande parte da noite.
Alguns casais tinham tirado um tempo para si, outros estavam sentados quietos... Cada um festejava à sua maneira.
Mais tarde, já perto das quatro da amanhã, começaram a se retirar, e antes que Nalla e Andy deixassem a sala, Ehlena puxou a sobrinha de lado.
Escondidas nas sombras da sala de bilhar, a loura entregou a caixinha que Blay levara para o quarto de Nalla mais cedo.
“Esse é o presente de casamento que seu tio queria lhe dar.” E abriu a caixinha, revelando um anel com um pesado diamante em cima. “Pertenceu à sua granhmen. Ele me pediu para te dar antes da cerimônia, mas fiquei tão emocionada...” riu.
Nalla respirou fundo e tocou o anel. Era lindo. O suporte era de ouro branco, brilhoso, e o diamante refletia a luz das velas.
“É magnífico...”
“Sim... Uma joia típica da glymera... bem, de qualquer forma, ele te deu porque queria que soubesse que ela estaria feliz por você.”
“E por que ele mesmo não veio me dar?”
Ehlena respirou fundo, enquanto Nalla encaixava o anel em seu dedo anelar da mão direita.
“Ficou perfeito...” murmurou.
“Acho que seu tio está mais emocionado que nós, tahlly. Você sabe como ele é: não gosta muito de demonstrar esse tipo de sentimentos.”
“Sim, eu sei.” E sorriu. “Obrigada, tia.”
“De nada, criança.” Elas se abraçaram. “Vamos voltar. Andhras deve estar ficando louco atrás de você.”
Nalla voltou para seu hellren, e eles subiram as escadas direto para o quarto que antes era só seu. Ainda manteriam o apartamento de Andy, mas viveriam no Complexo.
Quando passaram pela porta, suspiraram juntos e se olharam. Seus sorrisos eram espelhados, prova da alegria e amor que sentiam.
Andy trancou a porta, e abraçou sua fêmea pela cintura. Escondeu seu rosto no pescoço dela.
“Eu te amo tanto, minha fêmea.”
“E eu a você, meu hellren.”
Se afastaram. Andhras acariciou a cintura fina por cima do vestido e sorriu maroto.
Bastou uma troca de olhares para que seus lábios se encontrassem, pegando fogo. Logo Nalla puxou a blusa cerimonial, e depois abaixou a calça solta que ele usava. Andy andou para frente, empurrando-a em direção à cama. Segurou os braços da shellan com força e a virou de costas, rosnando, e puxou o zíper do vestido de uma vez, com firmeza.
O tecido caiu aos pés da dona, e o macho a ajudou a subir na cama.
Agradeceu mentalmente que na cerimônia de emparelhamento não se usavam sapatos. Riu baixinho.
Beijou Nalla com força, mais uma vez, e passou a beijar seu pescoço, seu colo, os seios. Ela se contorceu sob si, esfregando os corpos.
As mãos delicadas acariciaram a ereção, e Andy rosnou, sugando com força o mamilo esquerdo.
Nalla gemeu baixinho.
Oh, sim... Ela ia ser muito bem servida, com certeza.
Desceu os lábios para a barriga dela, tirou a calcinha e apertou as coxas dela com as mãos. Logo Nalla estava tentando abrir as pernas, inquieta. Andy riu, sacana. Estava beijando o umbigo dela demoradamente... Então voltava para os seios, para o pescoço, lambia seus lábios, mordia... Voltava para a barriga...
“Andhras...”
“Hmm?”
“Pare de... Ah!” Ele a penetrara com dois dedos, enquanto massageava seu clitóris lentamente.
Ronronou em seu ouvido, e mordiscou a pele sob a orelha.
“Caramba, minha fêmea, como você está molhada...”
Ela só gemeu de volta, mexendo o quadril e tentando tocar-lhe a ereção, que pulsava.
Queria tanto marcá-la logo... Mas tinha que ir com calma. Voltou a beijar os seios, chupando e lambendo lentamente, e aumentando os movimentos dos dedos dentro dela. Os músculos se contraíram, denunciando que estava perto do orgasmo. Andy olhou para cima, sem parar de chupar um mamilo. Nalla mordia os lábios com força. As presas estavam alongadas, e um filete de sangue escorria lentamente por seu queixo.
Ele subiu para beijá-la e chupou o lábio, depois lambeu. Nalla gemeu agoniada, e ele introduziu os dedos com mais força. Ela deu um gritinho.
“Andy...” ronronou. Oh, caralho, ela nunca o tinha chamado pelo apelido antes...
“Sim, leelan?”
“Está doendo...” ela respirou e Andhras tirou os dedos, acariciando o clitóris e depois subindo sua mão para apalpar os seios e esfregar o lábio inferior dela.
“Sinto muito.” Os olhos deles se encontraram. Os olhos dela estavam muito claros, como dois sóis.
“Tudo bem.” Ela murmurou e o beijou, apertando o pênis em sua mão. Andy gemeu e balançou o quadril. “Vamos acabar logo com isso, sim?”
Negando com a cabeça, Andhras rosnou em meio ao prazer.
“Não posso... Ah, Nalla!” o primeiro jato de gozo melou a barriga da fêmea, que riu satisfeita. Ela continuou a carícia até o orgasmo passar. Andy respirou fundo e acariciou a cabeça dela, beijou-lhe os lábios e se preparou para sair da cama.
“Onde está indo?”
“Vou pegar uma toalha para te limpar...” ele disse, sentado na beirada do colchão.
As velas acesas pelo quarto fizeram um lindo reflexo no rosto dele. Seus olhos verde-escuro brilhavam.
“Não precisa, e você sabe disso.” Nalla se sentou e pegou o sêmem com dois dedos. “Venha aqui. Está mais que na hora de completarmos isso.” Espalhou o líquido sobre sua parte secreta.
Andhras assobiou entre as presas, os olhos presos no lugar onde queria estar.
“Não posso machucar você...” ele grunhiu, tentando lutar contra seus instintos. Olhou para o outro lado.
Nalla bateu a mão na cama.
“Pare com isso!”
“O quê?” se virou para ela, sentando de lado.
“Pare de pensar, Andhras. Você não vai me salvar de tudo! Nem você, nem meu pai, nem meus tios!”
“Nalla...”
“Estamos emparelhados, Andhras. Não tem mais motivo nenhum para você não me tomar. Não aguento mais isso! Cada vez que ficamos juntos é uma tortura para nós dois!” ela se aproximou e sentou no colo dele. Os dois corpos nus, juntos, em total contato. Gemeram. As mãos do macho voaram para a cintura de Nalla. O pênis pulou e pulsou louco para entrar nela.
“Está vendo? Esqueça o resto....” e começou a beijar o pescoço de seu hellren, arrastando a língua e depois as presas na pele dourada dele.
“você vai sentir dor...” Ele disse, estrangulado.
“E daí? Vai ser só uma vez. E rápido.” Olhou para o rosto dele. “Eu quero, Andhras. Sempre quis. Entendi quando você me explicou que queria me honrar, e por isso, só quando nos emparelhássemos, mas sério...” piscou e tremeu os lábios. “Está na hora de mudar isso.” E rebolou no colo dele com força.
As mãos dele a apertaram contra a ereção. Andy rosnou. O odor de vinculação veio numa rajada quando ele se deixou levar. Virou Nalla duma vez na cama, e caiu entre as pernas dela, sugando seu mel e a penetrando com os dedos. Nalla gritou com o susto, mas logo que o prazer a tomou, moveu os quadris com força.
“Andhras!” gritou indignada. Não era desse jeito que o queria... Mas ele logo mudou de posição. E a paixão nos olhos dele a deixou arrepiada. O beijo que lhe deu nos lábios tinha seu sabor de o dele misturados. Então, algo macio deslizou entre suas pernas.
Andhras rosnou, dominado pelo instinto, quando a penetração começou. Ela era apertada e quente, e estava tão pronta... Tão... O cheiro da excitação o deixou louco. Nalla se moveu sob si, e ele empurrou com mais força.
Mesmo assim, não entrou.
A olhou, preocupado. Mas Nalla estava bem. Seu quadril se remexia, e ela tinha tanta luxúria nos olhos, que ele pensou que ela não sentiria dor.
“Nalla?”
“Continue... Por favor, oh, preciso de mais...”
Andy a beijou e penetrou com força. O grito dela, de dor, o congelou de tal forma que sentiu um calafrio descer por sua espinha.
Olhou-a com os olhos arregalados. Caralho, sua fêmea estava chorando. Soluçava. Ela se debateu sob si, o agarrando pelos braços.
“Nalla...”
“Por favor, Andhras, me deixe sair...”
“Nalla, espere...”
“Não, por favor. Por favor, me deixe sair...”
“Okay, tudo bem.” E se retirou lentamente. Ela remexeu um pouco o quadril, mas ele viu que era de dor. Então, sentou-se e esfregou o rosto. Merda! Sabia que seria assim...
Ela respirou fundo algumas vezes, e passou as mãos nos cabelos.
“Sinto muito.”
“Não, tudo bem...”
“Eu quero tentar de novo.”
Andy parou e a encarou.
“Desculpe?”
“Você me ouviu. Eu só levei um susto. Mas quero tentar de novo.”
Ele riu, nervoso. Olhou para baixo. Seu pênis estava meio ereto, ainda sensível. Sim, queria muito marcá-la. Mas depois desse grito? Talvez devessem esperar...
“Me deixe ir por cima. Posso controlar tudo, e você vai relaxar. Por favor?”
Ele viu os olhos amarelos brilharem, resolutos.
“Tudo bem...” e se deitou de costas. Nalla subiu em seu quadril, e ao tocar seu membro, gemeu.
“Caramba, quando você entrar vai ser tão bom... Hmm... É tão grosso...”
A voz dela, mais os movimentos, o deixaram pronto num segundo. Ela riu, satisfeita. Aquele som que ele adorava, de quando uma fêmea está prestes a fazer amor.
Ela o segurou e montou. Seu centro o engolindo por inteiro. Estava molhada de novo. Andhras arqueou as costas e gemeu longamente.
Quando voltou ao seu corpo, sua shellan o cavalgava lentamente, tirando-o e colocando-o dentro de si várias vezes. Olhou os seios dela. Virgem, que fêmea incrível.
“Viu?” ela gemeu. “Eu disse que ia dar... oh!”
Os tremores do orgasmo arrebataram os dois.
Depois, fizeram amor mais três vezes, bem devagar, aproveitando tudo. Ele limpou a prova de sua virgindade com a língua depois da segunda vez. Os gostos dos dois misturados. A essência de sua vinculação junto ao sangue dela... Foi um daqueles momentos sublimes, onde tudo parece em câmera lenta, quente e embaçado. Andhras não se lembrava direito de como chegaram até ali. Só sabia que sua fêmea tinha sido perfeita. Como sempre. E que ele a havia levado ao limite, a saciado. Os orgasmos que tiveram foram incríveis.
A última barreira que marcava o início da vida deles juntos.
No torpor do sono, durante o dia, Andy se pegou acariciando a pele dela repetidas vezes. Num dado momento, então, ele tocou os cabelos multicoloridos, sentindo a maciez das mechas. Conhecia-a por completo. Assim como ela a ele. E Nunca iria deixá-la.
Nalla virou seu corpo para o do guerreiro e suspirou relaxada.
Ela estava satisfeita de todas as formas. Andhras havia se certificado que sua shellan tivesse tudo o que precisava para essa noite. Quando ela aconchegou-se à curva de seu corpo, o macho deu-lhe um beijo na testa e murmurou no Antigo Idioma:
“Obrigado por existir, minha adorada amada. Sei que agora que a encontrei, não sou nada sem você. E vou me esforçar cada dia meu para ser merecedor do seu amor. Minha companheira, minha luz. Meu Amor.”
Com essa jura, o Irmão flutuou feliz para a inconsciência mais uma vez, sabendo que tinha uma vida inteira pela frente junto a quem amava.
Fale com o autor