Meu Amor

10 Capítulo 9


Notas iniciais
Desculpem a demora, por favor!
Mas tenho uma surpresa: Hoje serão dois capítulos!
Muito bem, muito beeem!!!
Vamos ao capítulo! ^.^

Capítulo 9

Jane se mexeu, aconchegando-se a Vishous. O Irmão a abraçou com força, beijando-lhe a testa. Durante um tempo, ele olhou por Nalla, que não acordou do sono reparador que necessitava há uma semana. Então voltou para o Buraco, onde encontrou sua shellan lendo. Depois d’uma sessão de “cachorrinho Vishous”, o sono os derrubou, e agora estavam abraçados há algumas horas. Virou-se um pouco, encarando o relógio.

Cinco horas. Uma hora para a Primeira Refeição.

Olhou para o teto. Deus, a ideia de que Nalla estava apaixonada por Andhras era inquietante, embora não lhe parecesse errado. Ele e seus Irmãos juraram proteger a garota a todo custo, mas talvez significasse protegê-la do próprio pai e dos ciúmes dele. E Andhras era um macho de valor. Era capaz de protegê-la. Se ele a quisesse, também, não seria tão ruim assim...

O celular vibrou. Uma mensagem de texto de Manny.

“Andhras já está bem pra voltar pra casa. Fiz com que prometesse voltar amanhã à noite para um check up. Manny.”

Direto e impessoal. Essa era para o grupo da Irmandade. V sabia que Tohr e Zsadist iam responder também, visto que Tohr era encarregado da Irmandade, e Z do programa de treinamento. Mas tinha que falar com seu cunhado...

“Blz. Ele se alimentou? Quero-o no Buraco. Meia hora. V.”

Pensou em como a pré-quase-pós-trans estava. Tinha passado mal por quase vinte minutos, antes que conseguisse dormir no chão frio do banheiro. A transição estava batendo à porta dela. E seria infernal... Mas o que realmente o preocupava era que Z não tinha dito nada sobre quem a alimentaria. E isso consumia a todos. Os pensamentos de seus Irmãos sobre ela o assolavam, assim como seus próprios. Se perdessem Nalla, perderiam não só alguém que consideravam uma sobrinha, mas seus Irmãos e Rehv, e as shellans. Nenhum deles se perdoaria ou conseguiria ficar bem caso algo desse errado.

Seu braço tremeu e V olhou pra baixo. Ah... Tinha esquecido da mensagem.

“Sim. Pheonia estava aqui até agora há pouco. Ele logo chega aí.”

Pheonia... os pensamentos da Escolhida estavam todos voltados para Andhras e a recuperação dele. Porém, Vishous detectava sinais de possessividade vindos da fêmea. O que era perigoso. Especialmente se ela e Nalla resolverem expor seus sentimentos.

Mas não era hora de pensar nisso. Soltou Jane, levantou-se, tomou banho, vestiu a roupa de couro e a beijou suavemente.

“Onde você vai? Ainda temos meia hora...”

“Andhras está vindo aqui. Quero falar com ele.”

Jane franziu a testa.

“Manny o liberou. Volte a dormir.”

Ela sorriu sapeca.

“Não gosto que mande em mim, Cachorrinho!”

V riu um pouquinho e a beijou mais uma vez, ouvindo o interfone tocar, anunciando a chegada de seu Irmão.

“Sério, Jane. Volte a dormir. Assim que Andy sair, volto pra você.”

“Hmm, se é assim, tudo bem.” E se cobre com o lençol, dando as costas para seu hellren.

*

Andhras se vestiu devagar, puxando as calças de couro que um doggen lhe levou, depois baixando lentamente a blusa regata, e vestindo o casaco de couro. Suas armas estavam ali perto, e o macho enganchou as adagas nos coldres, assim como os revolveres e as outras armas menores que gostava de usar. Calçou os shitkickers e saiu em direção ao Buraco. Andou o mais rápido que pôde, embora Manello lhe tenha dito para ir devagar. Essa era a pior parte: sentia-se bem. Estava voltando a ter sua força, mas ainda assim, caso se puxasse demais, tipo agora, começava a passar mal, ficar tonto. Seu corpo ainda estava se acostumando a volta da carga de adrenalina de antes.

Quando finalmente chegou ao Buraco, percebeu que tinha usado a meia hora toda que Vishous lhe havia dado. Estava realmente uma tartaruga, não?

Chamou pelo interfone e esperou algum tempo. Estava suado, cansado, tonto. E com um peso enorme no peito que o assolava desde que mandou Nalla embora.

A porta foi aberta e Vishous o encarou, o cabelo moreno caindo sobre seus olhos, escondendo a tatuagem da têmpora, os olhos diamantinos únicos que viam sua alma, quase pronto para sair, só faltava a jaqueta.

Por um segundo, Andy viu que o macho era lindo. Então, reparou numa coisa: o Irmão o encarava insistentemente.

“Você vai continuar me encarando, ou vai me deixar entrar, V?” Sorriu.

Vishous andou para o lado, e depois que entrou, ele fechou a porta e indicou o sofá.

“Precisamos conversar.”

“Sobre?” Andhras levantou uma sobrancelha. Sentou-se, despindo a jaqueta e a colocando na mesinha de centro.

“O que aconteceu.”

“Se você está se referindo ao tiro, não se preocupe, já fiz toda a minha análise, estou bem. Vou viver, aquela coisa, você sabe.”

Vishous ainda o encarava.

“Estou falando de outra coisa, mas devo dizer que você tem que falar com alguém, Andy. Autoanálise não é lá um método muito confiável...”

“Estou be-”

“Não me importa o que você diga. Vai falar com alguém. Seja com a Mary, com alguma das outras psicólogas do Abrigo, alguém do Havers. Só fale. Quase morrer duas vezes em pouco mais de duas semanas não é fácil de lidar. E nesse nosso trabalho não podemos nos dar ao luxo de errar. Você sabe disso.” A voz ajuizada de Vishous fez com que Andy desviasse o olhar para o chão. O Irmão tinha um ponto. “Eu entendo que você está se achando forte, Andhras. Entendo mesmo. Já passei por isso. Mas creia-me quando digo que falar é melhor. Se eu não tivesse falado, teria morrido. Falo isso de Irmão pra Irmão.”

Então os dois respiraram fundo.

“Sim. Tudo bem. Vou... Falar com a Mary... É...” Virgem, que embaraçoso. Ter que falar com qualquer um sobre qualquer coisa. Então lembrou que V não queria... “Por que me chamou...”

“Queria falar com você sobre a Nalla...”

Sentiu que o sangue se esvaía do seu rosto. Oh, querida Virgem, o que tinha acontecido? Será que... Não conseguia nem imaginar....

“Nalla?” Tentou fazer uma cara de incredulidade. “O que eu tenho a ver com ela?”

“Você vai negar que a expulsou do seu quarto de descanso, meu Irmão?” a voz do outro era forte, e parecia ter uma ameaça velada. Droga! Nalla lhe tinha contado?

“Não. Não vou.” Respirou fundo, tentando pensar. “Queria me alimentar, e me senti muito exposto com ela lá. Não queria que visse nada entre eu a Escolhida.”

“Mesmo?”

O estômago de Andhras despencou milhões de metros para baixo.

“Sim. Caso acontecesse algo entre nós... Bem, estou há algum tempo sem me relacionar e...” ficou vermelho. Aaaargh, não gostava de mentir, afinal, Nalla provavelmente ia ficar sabendo disso, e ele teria que lhe provar que queria a ela, e não a Escolhida.

“Ela não me disse, mas seus pensamentos eram tão caóticos que-”

O celular de Vishous tocou, estridente. Ele atendeu na hora.

“Blay?” O rosto do Irmão ficou lívido, e Andy se retesou. Más notícias. Depois, ele se levantou de um salto. “Estou indo!”

Olhou alarmado para Andhras.

“Nalla está em transição, vou para...”

Levantou-se rapidamente e correu para a porta que levava aos corredores do subsolo.

“Vamos!”

*

Nalla tinha acordado às quatro horas, sentindo uma dor de cabeça muito pior que a de antes. Tentou se levantar, mas perdeu o equilíbrio e largou-se de volta à cama. A dor ricocheteando em seu crânio. Gritando. Tentou falar, mas a ideia de que qualquer som entrasse por seus ouvidos a fez desistir. Então, a dor no corpo a subjulgou. Parecia que lhe repuxavam e aqueciam cada centímetro dela. Estava tão fraca. Quis abrir os olhos, mas eles estavam ardendo e sensíveis... Resolveu que se deitaria mais um pouco. Quem sabe sua mahmen ou Ehlena não aparecia para chamá-la para a primeira refeição, e poderia pedir um remédio para enxaqueca.

Tempo depois, que ela não conseguia precisar se tinha dormido ou ficado acordada sentindo a dor, seu pai entrou no quarto. Ele abriu a porta lentamente, e demorou a entrar. Por isso sabia que era ele.

Seu desespero aumentou. Não queria que ele a visse assim: fraca, mole... Não ele... Oh, amada Virgem Escriba, não conseguia se mover! Não conseguia mover nada! Sentiu seus olhos enxerem de lágrimas... E então, seu papa a estava tocando, falando com ela, embora não entendesse. Tudo era um turbilhão. Houve comoção, que só piorou sua dor, e então as mãos suaves de sua mahmen. Vozes, vozes, vozes...

Um gosto forte em sua boca. Tão bom, que desejou ter mais. Cada vez mais. Começou a sugar.

*

Andhras chegou ao vestíbulo da mansão quase colocando seus pulmões para fora. Estava vermelho, com falta de ar, e desesperado. Vishous se desmaterializou de seu lado, mas Andy não conseguia se acalmar de forma nenhuma. Correu escada acima, esperando que a Dra. Jane e Manny não soubessem o esforço que estava fazendo.

Derrapou em frente ao escritório de Wrath, e correu pelo corredor contrário ao corredor das estátuas. Havia muita gente do lado de fora, e ele quase cai ao parar de repente.

Passou pelas pessoas, colocando seu corpo dentro do quarto, quase atropelando quem não saísse do caminho. Então viu a cama. Zsadist estava inclinado, pálido, uma leve camada de suor lhe cobria o corpo, enquanto segurava a mão de sua shellan, a qual estava sentada numa cadeira ao lado da cama. A outra mão da fêmea segurava o que deveria ser uma mão, mas na verdade era branco como um cadáver, e não se movia. O peito de Andy se apertou, não havia ar o suficiente... Andou para frente e viu...

Blaylock estava sentado na cama. O pulso grosso colado à boca de Nalla. Ele a encarava minuciosamente, e não parecia ter se dado conta de que Andhras estava logo ali. A raiva nublou sua visão.

Ninguém além dele tocava sua fêmea.

*

Um grunhido varreu o quarto, assim como uma onda de frio. Todos congelaram por um segundo. Então, quando Andhras se moveu ameaçadoramente para Blay, Rhage o segurou num piscar de olhos. O mais novo Irmão se debateu e brigou, tentado se livrar de sua prisão.

Zsadist se levantou, irritado. Como Andy ousava, num momento como esse...? Mas então, um odor forte e apimentado invadiu os narizes dos presentes. Z despiu as presas, encarando o macho que um dia chamara de irmão.

Vishous entrou em seu campo de visão.

“Ei, meu Irmão, que tal nos acalmarmos um pouco?”

“Não! Tirem-no daqui!”

Um grito irado fez com que se virassem para Rhage e Andhras.

“Não vou sair, Zsadist!” e rosnou para Blay. “Saia daí, Blaylock...” um grunhido baixo e contínuo ressoou. Andhras estava muito irritado. O odor de marcação saturando o quarto. Então, Qhuinn se bateu com Andy e o encarou, peitando o macho.

“Cuidado com meu companheiro, Irmão.”

Os cheiros dos dois machos eram acintosos nas narinas de todos. Estava incrivelmente tenso, tudo aquilo.

“Andhras, controle-se. Blay só está ajudando” a voz de Wrath foi mais um choque.

“Isso mesmo, Andhras, controle-se e dê o fora!” Z falou. Ele estava tremendo, encarando o macho, que olhava por cima de Qhuinn para Nalla a Blay.

“Com todo respeito, meu senhor, não vou sair daqui. Eu vou alimentar minha fêmea.”

O silêncio que caiu por um segundo foi quebrado por Zsadist, que se moveu, irado, para Andhras.

“Sua fêmea? Minha filha! Como ousa, Andhras? Saia daqui! Antes que o mate!”

Vishous o parou, segurando o pai pelos braços. Rhage apertou mais Andhras, Qhuinn ficou em posição de defesa. As fêmeas se encolheram. Butch se moveu para perto de Z e V sem que percebessem. Wrath rosnou baixinho, colocando Beth atrás de si. Do lado de fora do quarto, Tohr, Trez , John, iAm e Rehv se estressaram, querendo entrar. As shellans e os outros Irmãos ficaram inquietos. Não era hora de brigar.

“Calem a boca, todos vocês!” o comando do Rei ressoou. Ele estava com o rosto muito fechado. Tudo parou. Andhras estava tremendo, o lado vinculado lutando contra a parte racional. “Não é hora para discussões, meninos. Parem de brigar por pouco.” Então avaliou os cheiros dos presentes. Bella cheirava a tensão e lágrimas.

“Talvez você devesse se preocupar com sua shellan, Zsadist... Agora, vamos todos sair.” Encarou Andhras, que estava de costas, ainda preso por Rhage. O macho tinha o corpo todo tenso e inclinado na direção de Blaylock, que estava olhando ansioso para seu hellren e Andy. Z se virou para Bella, os olhos arregalados.

“Meu amor!” e pegou suas mãos, abraçando-a logo depois. “Não chore, vai dar tudo certo.”

Andhras soltou um grunhido agoniado. Vishous o olhou de relance. O cheiro da vinculação ainda estava ali, mas o rapaz estava lutando para se controlar.

Bella, abraçada ao hellren, murmurou:

“Deixe que ele a alimente, Z.” eles se entreolharam. Os olhos amarelos de Z estavam grandes como pratos. Ele estava apavorado. “Já conversamos sobre isso. Deixe. Vai ser o melhor para todos...” As lágrimas escorriam pelo rosto de coração da fêmea. Ah, que dor horrível Zsadist sentia ao ver como sua shellan estava sofrendo. Ele a beijou com força, seu peito comprimido de pavor e ansiedade. Depois a olhou nos olhos. Lembrou-se de quando lutava contra o amor que sentia por ela, tentado empurrá-la para Phury. Nunca sentira tanta dor como quando pediu que ela alimentasse seu irmão.

“O que você quiser, shellan. O que você quiser...” ele murmurou, e falou pra Blay: “Blaylock, obrigado por sua ajuda. Andhras vai assumir daqui.” Então, respirou fundo e se virou para Rhage. “Solte-o devagar, meu Irmão.”

Blay tampou o nariz de Nalla, e ela se debateu quando a fonte de sangue foi tirada de sua boca. Assim que ele se separou um pouco mais, Rhage soltou Andy, que jogou seu Irmão um pouco para trás e voou sobre a fêmea em transição, mordendo o próprio pulso e o colocando na boca dela. Quando os lábios dela se fecharam na pele dele, Nalla soltou um gemido e tremeu, sugando com força. O rosnado de Andhras foi acompanhado de uma rajada muito mais forte do odor de vinculação.

Notas finais
Entãaao?? ahsuhaushuha
O que acharam?
Tenso, não? ahsuahusha
Mas calma, ainda tem mais! Como demorei muito a postar, as ideias foram aparecendo, e o que era um capítulo acabou ficando tão grande, que resolvi dividir em dois. Agora, o melhor! Quinta feira não vou atrasar, porque já está pronto! Então, esta semana serão DOIS capítulos! Aêee!
Não me matem, por favor! É que eu adoro fazer suspense! E receber os comentários, claro! ;D
Ah!! Tem bônus no forno! Fiquem de olho aqui: http://fanfiction.com.br/historia/361119/Pedacos_Da_Vida_-_Bonus_De_Meu_Amor/
Beijão pra todas! Até quinta!