Meu Amor

3 Capítulo 2


Capítulo 2

Uma bala passou raspando por sua cabeça. Ele congelou. Um movimento atrasado e o projétil estaria enfiado em seu crânio, e seu corpo faria parte da contagem de perdas da Irmandade e da raça. Antes que desse conta, uma adaga zuniu perto de seu ouvido e o urro do redutor atrás de si explicou tudo o que precisava saber para continuar lutando. Sua retaguarda estava bem protegida.

Andhras se movimentou rapidamente pelo beco, terminando de caçar seu terceiro redutor daquela noite. O novo Redutor Principal estava induzindo sempre mais e mais gente. O lado bom dos humanos, para Andy, é que eles se reproduzem rapidamente.

Quando partiu a coluna do ex-humano, voltou para onde quase tinha sido baleado. Dois outros guerreiros, um Irmão iniciado há dez ou onze anos e um soldado, estavam conversando, sujos com o sangue negro, enquanto Butch inalava. Ele já estava fedendo bastante, o que significava que logo, logo V. chegaria.

Quando Butch terminou, tossiu e engasgou, Andhras se aproximou e ajudou-o a se firmar.

“Vamos lá, camarada, apoie-se em mim.”

O’Neal suspirou e recostou seu corpo no outro macho. Todas aquelas inalações por noite acabavam com ele.

Fortes passadas ecoaram pelo beco.

Butch lutou para se manter alerta, mas seu estômago revirava. E então a luz de Vishous o atingiu. Ele sentiu que era trocado de braços, e permitiu que seus joelhos cedessem ao peso morto que era naquele momento.

Andhras observou a cumplicidade que havia entre os Irmãos. Ele os admirava, e sabia reconhecer quando um laço era feito para sempre. Era o tipo de coisa que você não espera, mas se sente grato todas as noites. Era o que ele tinha com seus amigos, e o que havia entre os Irmãos mais antigos.

Uma mão pesada desceu sobre seu ombro.

“Ei, cara, cadê o seu...”

“Lá atrás, virando à esquerda.” Andy encarou Gahel por um segundo, e voltou a fixar seus olhos em Butch. “Estou esperando por ele.”

A luz de Vishous diminuiu gradativamente, até que Butch ficou em pé sozinho e olhou para os guerreiros que se juntavam no beco.

“Meu Irmão” ele disse para Gahel. “Você já está aqui?” e deu um sorriso torto, tão típico seu.

“Vim fazer companhia para Andy e você, B. Sei que não conseguem ficar sem mim.”

“Sim, claro. Essa sua beleza de miss deixa até os malditos redutores derretidos, não é assim, querida?” Butch cumprimentou Gahel e se encaminhou para o final do beco, à esquerda, onde Andhras deixara o ultimo corpo.

Andy seguiu o irlandês, enquanto V. e Gahel ficaram na entrada, esperando pelo Escalade para voltarem para casa.



Vishous estacionou o Escalade tranquilamente no pátio da frente, 20 minutos mais tarde.

Butch estava meio grogue, mas ainda conseguiu caminhar até o Buraco com V.

Gahel foi se reunir com Wrath, relatar como havia sido a caçada, acompanhado de Rhage. Os dois Irmãos eram unidos e gostavam de passar tempo juntos quando Rhage não estava com sua Mary e Gahel com Arcthurius e Andy.

Andhras passou pela porta sob a escadaria, pelo escritório de Tohr e direto para o vestiário.

Quando a água do chuveiro começou a cair sobre seus ombros, ele relembrou a noite. Cada movimento e finalização que ele viu e fez. Era seu costume reavaliar os acontecimentos para treinos e situações posteriores. Mas quando a lembrança da bala passou por sua mente, seu corpo tremeu e seus dentes bateram. Os tremores de medo o sacudiram por inteiro, e Andhras deixou seus joelhos baterem contra os ladrilhos do chão. Sentou-se de costas para a entrada e se permitiu o ataque de pânico. Querida Virgem, um segundo, um movimento tardio. Talvez se a mira do redutor fosse melhor... Ele não conseguia respirar. Lutou para não sufocar. Não havia oxigênio suficiente em lugar algum...


Uma luz branca o cegou. Colocou a mão esquerda sobre os olhos para protegê-los. Ouvindo e tentando enxergar através das pálpebras semi- abertas, Andhras reconheceu a enfermaria do Centro de Treinamento. Suspirou. Olhou mais um pouco... Ehlena, a fêmea de Rehv, estava ali ao lado, escrevendo em prontuários. Que boa forma de acordar, para não dizer o contrário. Andy odiava plateia. Provavelmente era por isso que quem quer que o tenha achado não estava ali.

Respirou fundo e sentou.

Ehlena não desviou os olhos das fichas.

“Você está há muito tempo sem beber, guerreiro.” Ela puxou uma pasta verde clara. Quando a abriu, ele viu sua foto de relance, no topo da primeira página.

“Sim...” a voz de Andy falhou. Ele pigarreou e tentou de novo. “Sim, eu sei. Mas a Escolhida que requisito estava ocupada na outra noite, e então acabei esquecendo...”

Ela analisou os papeis por mais alguns segundos antes de olhá-lo lentamente.

“Tudo bem. Mas fale com Phury. Veja se alguma delas está livre ainda hoje. Seu desmaio foi uma forma de mostrar como está precisando-“

“Obrigado, fêmea, eu posso me cuidar.” Andhras levantou-se rapidamente, irritado, e se firmou sobre seus p –ooops. “Onde estão minhas roupas?” Ele a encarou. Ehlena arqueou uma sobrancelha.

“Você estava no banho, caso não se lembre. Vou pedir que alguém as traga.” Ela pegou um interfone e discou.

Andhras transferiu seu peso de um pé para outro, impaciente. Não gostava de receber ordens de alguém que pensava saber o que era bom pra ele. Não foi (muito) sua culpa que se atrasou para se alimentar. E ele não se atreveria a perguntar ao Primale, embora algumas das fêmeas alimentem mais que um único guerreiro, por quais motivos a Escolhida não havia ido àquela noite.

A porta da enfermaria foi aberta e Nalla passou por ela, carregando algo fofo que ele... Oh, cara... A fêmea pré-trans trazia consigo uma muda de roupas suas. Provavelmente retiradas de seu armário por Gahel ou Artie. Oh, cara... isso era péssimo.


Nalla estava saindo do seu treino na academia, quando o Irmão Gahel, iniciado há uns sete anos, a chamou da esteira. Ele diminuiu o ritmo para poder falar com ela quando corria.

“Você pode fazer algo por mim?” Ele sorriu. Antes que pudesse retrucar, o macho completou. “Não é nada de mais, juro. Ehlena me ligou e perguntou se eu poderia levar roupas para meu amigo na enfermaria, mas –espere.” Ele mudou para uma caminhada. “Não posso parar o treino agora.” Gahel a olhou. “Se não for pedir muito, você pode pegar as roupas dele? E levar para a enfermaria?”

Nalla encarou o macho enorme diante de si. Ela adorava caminhar pelo complexo e ajudar. Mas entrar no vestiário dos guerreiros e mexer nas coisas de um deles... Não lhe soava bom.

“Te dou a senha do armário dele. Você grita se acontecer alguma coisa. Juro que vou te ajudar....”

Qual seria o sacrifício, afinal? Ela já havia terminado seu treino, e Gahel tinha acabado de começar. E seus pais estavam na mansão.

“Claro. Qual é o número do armário?”

O Irmão sorriu e lhe deu as instruções.

Ela foi rapidamente para o armário indicado, abriu a bolsa mais leve, pegou uma calça de corrida e uma regata, juntou os tênis que estavam no fundo do armário e saiu.

Agora, olhando para o guerreiro sentado na maca com um avental de paciente e o lençol jogado ao seu lado, ela sentiu um arrepio. Aquilo era um macho. Sim, todos os guerreiros o eram, mas aquele lhe passou a mais estranha das sensações.

Ela paralisou por um segundo, ao encará-lo. Mas a voz de Ehlena a tirou do entorpecimento.

“Ah, bem, aí estão suas roupas, Andhras.” Nalla viu a fêmea franzir as sobrancelhas. “Mas eu pedi para Gahel...”

“Ele estava treinando. E como eu já tinha terminado, me pediu para trazer.” Ela sorriu e colocou as roupas sobre o colchão, perto do pé esquerdo do macho. O par de tênis foi para o chão. Então deu um passo para trás. “Espero que esteja tudo bem, eu mexi nas suas coisas.... Mas você pode mudar a senha; a propósito, foi Gahel que me falou, não arrombei seu-“

“Obrigado.” Ah, a voz dele.... grave, séria. Os olhos dele a encaravam. Ele nem olhou para as roupas.

“Ah, mas você nem olhou para o que eu trouxe...” Virgem, ela estava nervosa. Nunca havia ficado nervosa perto dele, ou de nenhum dos outros guerreiros... Mas nenhum deles havia a olhado daquele jeito. Nunca.


Andhras sentiu o cheiro dela mudar. Respirou fundo, captando o delicioso aroma. Ah, como era bom. Ele olhou rapidamente para as roupas e voltou a fixar seus olhos nos dela.

“Não preciso ver, fêmea. Mas obrigado por dispor seu tempo.” E então, para evitar comentários de Ehlena para Rehvenge... “Se me dão licença, preciso me vestir.”

Com prazer, ele viu o rosto de Nalla se tingir de vermelho. Era a coisa mais linda que ele havia visto desde... sempre.

Seu corpo se contraiu e sentiu um puxão no baixo ventre. Oh, droga. Andy se remexeu, pegou as roupas e o lençol e colocou tudo sobre seu colo. Então, para não forçar a barra, mudou seu foco para Ehlena. A shellan de Rehv os encarava atenciosamente, alternando o olhar entre os dois. Então ela se levantou com os prontuários nos braços.

“Sim, guerreiro, já estamos de saída.” Ela puxou Nalla pelo braço, e na porta, parou por um segundo. “Não esqueça de contactar a Escolhida.” E saiu, fechando a porta.



Andhras entrou em casa, jogou as chaves na mesa de entrada e encarou a sala do apartamento onde morava. Ele havia se mudado há anos, já perdera as contas de quantos. Não havia nada do luxo da Mansão que morou com seus pais, ou do Complexo. Depois que começou a treinar, aprendeu que menos é mais na hora de se defender. E que funcionalidade era uma aliada da organização. Como malhava no complexo, seu apê tinha quase nenhum aparato de “macho”. De fato, ele não gostava de ter sacos de pancada ou pesos espalhados. Nem jogos. A mesa de bilhar na Mansão da Irmandade e a de pebolin no Buraco eram o suficiente. No seu espaço haviam livros e CD’s, filmes e mais filmes. Sobre tudo e mais alguma coisa.

O que ele podia fazer se gostava de manter seu cérebro ativo? Às vezes, se admirava que não se desse melhor com Vishous.

Andou um pouco pelo espaço, se sentindo um idiota. Desde que deixara o Complexo, voltou a pensar em sua reação para com a filha de Z. Virgem do Fade, ele não podia sentir nada mais por ela. Ele nunca havia se excitado pela fêmea, mesmo a achando bela. Porque sempre respeitara, muito mesmo, o pai dela. Que droga, Zsadist era um amigo! E não era justo que ele quisesse a fêmea. A pobre nem tinha passado pela transição, ainda...

Oh, cara... Andy passou a mão pelo rosto e pela cabeça. Ele queria alimentá-la...

Balançou a cabeça para espantar os pensamentos e foi se preparar para dormir. Ao cair da noite, Phury mandaria uma Escolhida para que se alimentasse.

Notas finais
Olá.
Bem, aqui foi mais um! ahsuhauhs
O que acharam? Vou adorar saber as suposições e ideias.
Muita calma, agora...
As próximas postagens só acontecerão a cada quinze dias, mesmo que os capítulos fiquem prontos antes. Decidi isso porque tenho trabalho e faculdade, e, como disse Tohr: "quanto mais demorar, mais doce é" heuheuheu
Espero vocês!!
Beijão!!
08 abril 2013