Meu Amor
4 Capítulo 3
Capítulo 3
Andhras acordou com os sentidos em alerta. Ele sacou sua Sig e apontou para...uma parte da Irmandade estava de pé, circulando sua cama, em seu quarto. Seis Irmãos, dentro do seu apartamento. Vestindo capuzes negros e longos, cobrindo seus rostos. Baixou, travou e guardou a arma.
No Antigo Idioma, Wrath falou.
“Não há como voltar atrás da pergunta que será feita a você esta noite. Tal pergunta será feita apenas uma vez, e a resposta valerá por toda a sua vida restante. Está preparado para ela?”
Oh, querida... Virgem... Ele sempre desejou isso, mas demorou tanto, que imaginou não ser digno...
“Sim.”
“Então devo questionar-te agora, Andhras, filho de Alenis, filho de Molthar, irá se unir à nós?”
Oh, cara... Seu coração ia parar, ele tinha certeza. Encarou os machos ali, se perguntando qual deles era Gahel, Z., Butch...
“Sim, irei me unir a vocês”
Do seu lado esquerdo, jogaram um roupão negro, igual ao que usavam.
“Cubra sua pele com isso, e a cabeça com o capuz. Em nenhum momento você deve dizer coisa alguma, a menos que lhe perguntem. Deve olhar sempre para baixo. Suas mãos devem ficar para trás. Sua coragem e a honra da sua linhagem devem ser medidas em todas as ações tomadas.”
Andhras levantou e cobriu seu corpo.
“Você pode esvaziar seu corpo se desejar.”
Foi ao banheiro, então. Ao sair, colocou as mãos para trás e abaixou a cabeça. Um dos Irmãos segurou seu ombro.
“Venha conosco agora.”
O grupo saiu do apartamento, e entrou com ele no Escalade, Vishous ou Butch era um dos que estava na direção, pelo menos ele sabia disso.
Andhras foi sendo guiado pelos Irmãos. Para fora do carro, quando chegaram ao destino, e depois enquanto caminhavam mais ainda. A luz da lua foi interrompida, e o cheiro de terra úmida preencheu o ar. Ele soube que estavam numa caverna.
Pedrinhas rolaram sob seus pés. Então ele parou. Sussurros, movimento. Voltou a caminhar, agora em declive. Mais uma parada. Mais sussurros.
Luz. Calor. Piso de mármore preto. O eco das vozes lhe dizia que era um local de teto alto.
Outra pausa. Barulho de tecido roçando. Os Irmãos se despiam.
Uma mão agarrou sua nuca. Wrath respirou perto de seu ouvido, e murmurou no Antigo Idioma:
“Você não é digno de entrar aqui da maneira que se apresenta. Confirme com a cabeça.”
Andy assentiu.
“Diga que é indigno”
“Sou indigno.”
A Irmandade explodiu em protestos, gritando como um só.
“Apesar de não ser digno, você deseja se tornar digno esta noite. Confirme.”
Ele confirmou.
“Diga que deseja se tornar digno”
“Desejo me tornar digno”
A Irmandade gritou em apoio.
“Existe apenas uma maneira de se tornar digno, e é a maneira certa e apropriada. Carne de nossa carne. Confirme.”
Ele confirmou novamente.
“Diga que deseja se tornar carne de nossa carne.”
Com a voz rouca, Andhras disse: “Eu desejo me tornar carne de sua carne.”
Um cântico foi entoado baixinho. Os Irmãos haviam se realocado ao seu redor. Sem avisar, eles começaram a se mover, e a cadência das fortes vozes masculinas denunciaram o movimento para frente e para trás. Andy se esforçou para entrar no ritmo, batendo-se com alguns Irmãos.
Ah, ele ia colocar tudo a perder... Então algo mudou, e seu corpo seguiu o ritmo. O grupo se movia junto, como um só. Andy entoou o canto, deixando-se levar pela energia que havia naquele lugar. Para frente, Para trás, para a esquerda e para a direita. O cântico é que os movia.
Uma explosão acústica se deu. Estavam num espaço enorme, agora. Alguém o segurou, para que parasse.
O canto parou, e o eco continuou por um segundo mais.
Ele foi segurado pelo braço e guiado para frente.
“Escadas” Gahel disse baixinho.
Andy desceu. Quando chegou ao final, teve a sensação que havia sido colocado sobre algo grande. Seus dedos dos pés encostavam em algo que parecia uma parede...
Um calafrio desceu por sua coluna, tamanha a tensão.
Gahel apertou seu ombro para mostrar apoio e se afastou.
“Quem propõe este macho?” A Virgem Escriba indagou.
“Eu, Zsadist, filho do guerreiro da Adaga Negra conhecido como Ahgony”
Andhras vacilou em seus joelhos. Oh, cara.... Primeiro sua amizade, agora padrinho na iniciação... Ele se sentia o pior macho do mundo ao desejar a filha do cara.
“E eu, Gahel, filho do soldado Ely, filho de Kohr”
Andy respirou fundo. Uma gota de suor desceu pela sua testa, e pingou no chão.
“Quem rejeita este macho?” Silêncio. Obrigado, adorada Virgem.
A voz da Virgem Escriba se tornou muito alta. Preenchendo todos os espaços, e enchendo os ouvidos de Andhras. Talvez estivesse até na mente dele.
“Com base no testemunho de Wrath, filho de Wrath, e com as propostas de Zsadist, filho do guerreiro da Adaga Negra Ahgony, e Gahel, Filho de Ely, eu reconheço que este macho que está diante de mim, Andhras, filho de Alenis, filho de Molthar, um membro adequado da Irmandade da Adaga Negra. Podem começar.”
Wrath falou:
“Vire Andhras. Tire o capuz dele.” Andy foi reposicionado para ficar de frente, Z. tirou seu roupão e se afastou.
“Olhe para frente” Wrath ordenou.
Andhras não conseguiu respirar, quando levantou seu olhar. Estava sobre uma plataforma de mármore preto, de frente para uma caverna subterrânea iluminada por centenas de velas negras. À frente dele havia um altar feito com uma enorme rocha equilibrada sobre dois pilares, e em cima destes havia uma caveira antiga. Adiante, organizada diante dele, a Irmandade, em toda sua glória: dezesseis machos de rostos sérios e corpos fortes. Wrath se destacou, vindo à frente do altar.
“Recoste-se na parede e segure nas alças.”
Andy obedeceu, sentindo o mármore frio atrás de si. Segurou as duas alças com força. Seu estômago estava revirando...
Wrath ergueu a mão... para mostrar uma luva antiga de prata com farpas no punho. E segurava o cabo d’uma adaga negra. Oh, foda...
Esticando o braço, seu rei fez um corte no punho, posicionando a ferida sobre o crânio, que tinha um recipiente de prata em seu topo. O sangue foi captado e mantido, uma poça vermelha que refletia a luz das velas.
“Minha carne” disse. Lambeu a ferida para fechá-la, abaixou a adaga e se aproximou de Andhras.
O soldado engoliu seco.
Wrath segurou o queixo de Andy, colocou para o lado, revelando o pescoço grosso, e mordeu com força. Andhras se segurou para não gritar. Mordeu os próprios lábios e apertou as alças. Wrath se afastou e limpou a boca. Sorriu.
“Sua carne.”
O rei cerrou o punho dentro da luva de prata, colocou o braço para trás e acertou Andy no peito. As farpas entraram em sua pele enquanto o ar foi catapultado para fora de seus pulmões. Seu grito ecoou na caverna.
Um a um, os Irmãos foram fazendo suas marcas e mordendo Andhras. Lá pelas tantas, achava que não havia mais onde morderem. Seu pescoço estava dormente.
Viu quando Z. se aproximou e lhe sorriu. Tentou sorrir de volta, mas estava todo duro. O macho colocou a mão no ombro de Andy para dar força, antes de mordê-lo.
Ele assistiu, de fora de seu corpo, tamanho entorpecimento, sua iniciação. Sentia-se dolorido demais, não sabia como ainda conseguia se manter de pé. Graças À boa Virgem, havia se alimentado da Escolhida de Phury há uma semana,caso contrário, estaria desmaiado, já.
Quando acabou, seu corpo estava sendo seguro pelo encaixe dos ossos, não por sua força. Seu peito estava sangrando abundantemente, por conta dos socos. Cada um deles era uma força tremenda que Andhras tinha que tirar de si, para manter-se de pé.
Quando o último Irmão terminou, Wrath deu um instante para que recuperasse o fôlego. Então, pegou o crânio do altar, apresentando-os aos Irmãos.
“Este é o primeiro de nós. Vamos saudá-lo, o guerreiro que deu inicio à Irmandade.”
Os Irmãos deram um grito de guerra que tomou conta da caverna. Wrath se virou para Andhras.
“Beba e junte-se a nós.”
E assim foi. O macho tomou o que lhe era oferecido, enquanto os Irmãos entoavam um cântico que ficava cada vez mais alto. Ele sentia o gosto de cada um dos seus novos Irmãos.
Quando terminou, segurou-se novamente nas alças. O rosto de Wrath mostrou aprovação por isso.
“Sim, segure firme. Você vai precisar” e sorriu.
A energia varreu o corpo de Andhras, que segurou o grito. Ao longe, ouvia os outros machos urrando. Seu cérebro começou a pipocar, e seu corpo a sacudir. O coração sem controle... Ele ia...
Quando acordou, estava deitado no chão de mármore. Seu peito ardia. Passou a mão sobre ele, e sentiu as pedrinhas de sal. O bom e velho sal.
Ajoelhou-se, olhando ao redor. Os Irmãos olhavam para ele e sorriam vestidos, sem o capuz. Havia orgulho escrito em todas as faces. Seus Irmãos. Virando-se para a parede atrás de si, viu centenas de nomes escritos no Antigo Idioma. Olhou para todos, até achar o seu, na ponta inferior direita. Estava lá, entalhado no mármore negro, pela mão de Vishous –sim, ele sabia que era a letra dele, sentia isso. Havia um eco em sua mente, em seu corpo.
“Parabéns, Irmão.” Gahel colocou sua mão em seu ombro. Palmas ecoaram no teto d’A Tumba.
Seus Irmãos o parabenizaram, sorrindo e dando tapinhas em suas costas. Z. quase o derrubou, e seu sorriso era enorme.
“Finalmente posso chamar você de Irmão, pateta!” E abraçou Andhras.
Então, eles partiram, brincando e conversando amenidades.
O coração parecia que ia explodir de felicidade. Ainda não podia acreditar... Seu sorriso estava impresso no rosto, e estava lá há tanto tempo, agora, que dava câimbras. Mas ele simplesmente se sentia exultante de alegria. Estava tudo mais do que bem. Maravavilha!
A Irmandade estava em festa. Quando os guerreiros chegaram à Mansão, entoando cânticos, os vinte doggens já haviam terminado de organizar tudo e estavam parados perto da escada. À frente deles, as shellans, Rehv e Ehlena, e os herdeiros. Todos em suas melhores roupas e com sorrisos enormes no rosto. Era uma festa fechada, então os outros soldados não estavam ali. Mas ele não precisava disso.
Foi novamente parabenizado por todos da casa, e olhou ao redor. Queria seus pais ali... Mas eles estavam bem melhor no Fade. E sabia que tinham orgulho dele.
A shellan de Z. se aproximou acompanhada da filha. Ela o parabenizou e se voltou para seu hellren. Nalla e ele se entreolharam. Seu estômago revirou mais uma vez. Virgem, ele queria demais essa fêmea. Havia passado uma semana sem vê-la direito e parecia tempo demais. Só a encontrara uma vez na academia, e foi por pouco tempo. Ela já estava terminando seus exercícios. E agora, estava aqui, estonteante, com seus olhos amarelos brilhantes e um vestido que acentuava suas curvas.
Andhras orou à Virgem Escriba que seus Irmãos não percebessem como olhava para a fêmea. Estaria perdido se o vissem.
Nalla estava nervosa. O Irmão Andhras estava mais bonito que antes. Muito mais. Talvez fosse a felicidade que emanava dele, ou simplesmente o fato de que agora realmente o via como macho. Mas ele era irresistível. Analisou o rosto dele, centímetro por centímetro. Era um belo macho. Tinha o rosto de constituição forte, não clássica como Blay, os cabelos castanhos, curtos e olhos verde- escuros. Ela não havia visto aquela cor em mais ninguém.
E nunca sentira aquilo antes, definitivamente. Essa queimação no baixo ventre, e seu estômago dar voltas e voltas. Suas mãos estavam geladas. Ela estava o evitando desde a enfermaria, mas foi impossível não encará-lo quando se cruzaram na academia.
Sua respiração faltou enquanto ele fazia os exercícios. E quando ele a olhava, ela fingia olhar para outra coisa. Depois de vinte minutos enrolando, decidiu que não podia mais ficar. Já havia acabado há muito tempo. Foi embora com o coração aos pulos, e uma vontade enorme de voltar e subir no colo dele.
“Tomem, para vocês” sua mahmen empurrou taças de champagne nas mãos deles. Seu papa vinha logo atrás, com a mão na cintura dela, rindo de algo que seu tio Rhage ainda contava aos gritos. Nalla encarou a taça por um segundo, cheirou o líquido para ter um pouco mais de tempo e então, levantou o olhar para Andhras. Ele sorria para seus pais. Um sorriso contagiante, feliz, jovem. Z. e ele eram grandes amigos, ela sabia. Lembrava muito bem do dia que foi para a piscina interna com seu papa e o Irmão estava lá. Ele participou das brincadeiras e a ensinou a dar acrobacias ao pular do trampolim. Foi interessante. Ela só o via como um bom soldado. Hoje, ele era um macho que desejava. E um Irmão.
“Obrigada, Mahmen.”
Bella sorriu para a filha e passou a mão em seus cabelos. Então sussurrou: “Ele é lindo, não é?”
Nalla congelou. Haviam visto. Ah, seria um problema. Seu pai ficaria furioso e contaria para seus tios. Rehv era irritadiço, e ameaçaria Andhras, que não fizera nada. Phury o puxaria calmamente para uma conversa, mas ficaria sempre de olho. E seu papa provavelmente nunca mais olharia para o Irmão... Ela segurou a mão de sua mahmen e a puxou para o lavabo do segundo andar. Trancou a porta.
“Mais alguém viu?” Nalla arregalou os olhos.
“Não sei, querida” Bella segurou a mão da filha. “Você o encarou tanto que é possível que tenham visto, sim. E ele a olhava de volta, então... Mas não se preocupe, não acho que será um problema.”
“Mas, mahmen, ele não fez nada, não quero que briguem com ele.” Nalla andou pelo espaço, querendo se esconder em seu quarto pelo resto da noite. “Acho que vou para o meu quarto.”
“Não, querida, fique conosco...” Bella a abraçou. “Do que está com medo?”
Os olhos das duas se encontraram. Nalla adorava os olhos de sua mãe. Eram de um tom de azul magnífico. E, assim como os olhos de Andhras, magnéticos.
“Eu o desejo. E ele e papai são amigos. Provavelmente a senhora vai dizer que é inadequado, mas...”
“E por que eu diria isso, minha nalla?” Bella acariciou os cabelos da filha, sorrindo. “Andhras é um bom macho, de valor. E um Irmão. Seu pai o adora. Seus tios o respeitam. E ele é da aristocracia. Zsadist não tem motivos para se preocupar com nada...” ela parou por um segundo, pensando. “De fato, creio que seria um bom macho para te ajudar na transição.” Ela sorriu mais ainda.
“Papai não vai deixar. Ele vai brigar comigo, ele vai...” Bella colocou um dedo sobre os lábios da filha.
“Deixe que, do seu pai, eu cuido!”
Notas finais
Entãao, espero que o capítulo tenha sido bom!
ehuehuheuheuh
Estou enlouquecida, porque tenho até o capítulo 5 feito, e quero postar logo tudo de uma vez. Mas não vou fazer isso.
Decidi postar uma vez por semana, todas as quintas- feiras à noite. Vai ser muito melhor.
heuheuheuhue
É isso.
Beijão!
11 abril 2013
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