Meu Amor
14 Capítulo 13
Notas iniciais
Foi bem tenso escrever isso, mas finalmente está aqui!
CAPITULO 13
Andhras entrou em seu apartamento sem vontade nenhuma. Olhou ao redor e suspirou. Que grande porcaria. Sentiu que lhe empurravam para dentro.
“Muito bem, agora que chegamos, que tal você tirar essa cara de cu e começar a falar com a gente?” Arcthurius falou enquanto se dirigia para a cozinha. Através do balcão, encarou Andy e Gahel, que estava um pouco mais atrás.
Andhras balançou os ombros e se arrastou para seu quarto. As armas foram tiradas dos coldres e bolsos da jaqueta de couro. Deixou tudo sobre uma mesa no corredor. Foi para o banheiro da suíte máster, onde dormia.
Podia ouvir Gahel e Artie discutindo aos sussurros, mas simplesmente não tinha força para respondê-los.
Fechou a porta do banheiro, se despiu rudemente e abriu o registro. Droga! Nunca mais tomaria um banho sem lembrar de Nalla.
Uma batida na porta.
“O quê?” respondeu.
A cabeça de Gahel apareceu na fresta.
“Tudo ok?” esse era seu amigo: sempre ao seu lado, mesmo quando o humor dele era uma droga. E Arcthurius também sempre estava por perto. Só não gostava de se aprofundar muito.
“Yep. Tudo indo.” Falou sobre o barulho da água que lhe caía no corpo. Esperava que a força do jato pudesse deixar sua pele tão dormente quanto seu coração estava.
*
Gahel fechou a porta do banheiro e voltou para a cama de Andhras.
O cheiro da vinculação dele era presença marcante por onde passava, mas algo o preocupava: havia uma tristeza absurda junto com o odor de seu Irmão. Gahel mandou uma mensagem para Rhage.
Como está Nalla? Já a viu?
Encarou Artie, que estava numa poltrona ali perto. Desarmado, relaxado. Tinha três garrafas de bebida ao seu lado, e um prato enorme de peru cozido sobre o colo. Gahel sentiu seu estômago roncar. Sagrada Virgem Escriba, há quanto tempo não comia algo descente? Estava tão inquieto com as coisas que vinham acontecendo em sua casa e com a Irmandade que mal se lembrava de comer.
“Ei, Artie,que tal me dar um pedaço desse cozido?” murmurou.
Arcthurius balançou a cabeça, seus longos cabelos negros voando ao redor de seu rosto.
“Não tem nenhuma fodida chance de dividir isso com você, G.”
“Ah, cara, qual é?”
“Nã-ão!” o outro balançou o dedo indicador e se ajeitou na poltrona. Sim, porque esse não era um peru qualquer. Era feito pela doggen de Andhras. E a receita era da família há gerações. Ninguém fazia igual. Ninguém.
“Quantas vezes já dividi meus pedaços contigo, tratante?” Gahel foi logo se levantando e caminhando para o amigo. Ou ele pegava uma parte para si, ou logo, logo o peru inteiro estaria no chão. Sim. Artie jogava sujo.
“Não importa. Não dou...”
A porta do banheiro foi aberta e Andhras passou por ela enrolado com uma toalha só na cintura. Tatoos à mostra pelo corpo todo. Então, sentou-se em sua cama e esfregou os cabelos.
“Está precisando cortá-los, né?” Arcthurius murmurou, pegando um pedaço da comida e mordendo. Gahel se aproximou e puxou uma perna do peru, torcendo e arrancando. Estava com saudade desse cozido.
“Olha quem fala...” Andy respondeu com aquela voz morta, que não era dele. O odor de vinculação se tornando espesso de novo, agora que ele estava ali. “Me lembre de nunca deixar meu cabelo assim, Gahel.” Ele disse para seu Irmão.
G riu e tirou os coturnos, sentando sobre a cama e se reencostando na cabeceira.
“As mulheres adoram, cara... Elas me adoram!” Artie respondeu, rindo.
“Sim, claro, com essa tua cara toda esburacada, então...” G respondeu, pegando uma das garrafas de bebida que Arcthurius trouxera.
De fato, Artie era uma mistura de Wrath e Lassiter. Ele adorava os longos cabelos do Rei, e os deixou crescer assim que viu seu soberano pela primeira vez, quando começou o programa de treinamento. Bem, na verdade, quanto mais mudanças ele podia fazer em seu corpo, melhor. Então, havia conversado com Vishous e Lassiter e os dois lhe indicaram os melhores lugares para fazer os piercings, ou buracos, como Gahel gostava de chamar. E havia tatuagens espalhadas pela barriga e pernas. Por enquanto. Artie pretendia fechar o corpo inteiro. Só não queria fazer nada impulsivo. Cada desenho tinha um significado. Algo importante.
Gahel abriu a garrafa de conhaque a ia beber, quando Andhras deu um grito.
Os três amigos se encararam.
“Não vai beber isso!” Gahel arregalou os olhos, surpreso. “Não sem dividir comigo!” E sorriu. G relaxou e estendeu o conhaque para Andy.
“Às ordens, meu amigo!”
Arcthurius levantou sua garrafa e eles brindaram.
No final de cada noite, tudo o que você queria era estar com quem te fizesse bem. E mesmo que Andy não pudesse estar com sua Nalla, ele tinha seus dois melhores amigos, Gahel pensou. Sim. Eles sempre o apoiariam.
Seu celular vibrou e G o encarou. Uma mensagem de Hollywood.
Nalla está bem. Ainda não sabe de nada, mas não duvido nada que descubra logo. E como nosso garoto está?
Ah, cara... Respirou fundo e respondeu.
Ele está indo. O cheiro da vinculação está por todo canto, mas meio morto. Artie e eu pretendemos embebedá-lo, por enquanto.
Não era a melhor das saídas, mas não tinha como evitar a dor do macho. E depois de tudo o que ele passara quando era garoto, e agora essa merda com Z e Nalla? Não queria que seu amigo fizesse nenhuma merda.
Merda, G... Cuidem dele.
Gahel podia visualizar Rhage passando a mão sobre o cabelo, chateado. Digitou rapidamente a resposta.
Ok. Pode deixar.
Deixou o aparelho de lado e encarou seus amigos. Andhras tinha colocado uma cueca Box e estava virando a garrafa, bebendo a grandes goles. Gahel olhou para Artie. O outro estava tão preocupado quanto ele.
Suspirou. Teriam uma looonga noite.
*
De volta à Mansão da Irmandade, Rehvenge estava sentado no quarto de sua sobrinha, todo sorrisos. Z tinha mandando Andhras embora, finalmente, enquanto ele estava no norte, cuidando das coisas na Colônia. Ficou triste porque não poderia enxotar o macho, mas pelo menos ele não estava mais ali. Sua linda sobrinha estava segura.
Ela o encarou e sorriu também, enquanto segurava o vestido que ele acabara de lhe dar.
“É lindo. Uma preciosidade.”
“Sim, de fato. Uma preciosidade para minha preciosa...” ele murmurou, puxando a fêmea para seus braços. Nalla subiu em seu colo e apoiou a cabeça em seu peito, como fazia quando era pequena.
“Obrigada”
“Não há de quê, tahlly.”
Um silêncio confortável caiu sobre eles. Rehv tinha partido há alguns dias, antes mesmo de Andy ficar bom, e ela sentia falta de seu tio. Queria poder contar o que houve em sua transição, mas sentia que se fizesse isso, estaria assinando a carta de morte de Andhras. Mas tinha que desabafar.
“Titio?” Virgem, estava com tanto medo...
“Sim, tahlly?”
“O senhor... Bem...” resolveu usar sua melhor jogada. Funcionava com todos. “Como foi quando conheceu a Ehlena?”
Rehvenge franziu a testa.
“Como assim?”
“O que aconteceu quando se conheceram?”
O rei Sympatho sorriu e acariciou os longos cabelos de Nalla.
“Eu a chamei para jantar. Mas como sempre foi muito certinha...” ele deu uma risada. “Ela me enxotou logo.”
“Eu sei... Eu quis dizer... Bem... Vocês tiveram muitos problemas para se entender?”
Rehv afastou o corpo de Nalla do seu e a encarou duramente. Analisou o rosto da sobrinha e fechou a cara mais ainda. Depois a sentou ao seu lado e olhou para a janela, a qual estava aberta, deixando a brisa do verão entrar.
“Se quiser falar sobre alguma coisa, é melhor ir direto ao ponto, Nalla.” Disse e se voltou para ela. O casaco de zibelina esvoaçando com o movimento. O macho segurou sua bengala com força. “Você vai me falar sobre Andhras?” rosnou sob as palavras.
Via que a deixara desconfortável, mas para ele, só havia esse macho que se infiltrara sob a pele de sua sobrinha maravilhosa e a tirava da linha... Okay, talvez estivesse exagerando, mas sentia que tinha que proteger Nalla. Se alguma coisa acontecesse com ela, nunca iria se perdoar. E a Virgem Escriba sabia que não toleraria ver sua irmã sofrer. Nunca o fez. Matar o pai dela foi só mais uma das coisas que fez para fazer Bella feliz. E agora, tinha que proteger a filha dela.
“Eu gostaria de falar sobre ele, sim.” A fêmea murmurou. Torceu as próprias mãos no colo e saiu da cama, andando pelo quarto feito de madeira e detalhes em turquesa e rosa seco. “Acho que não é a hora, no entanto...” disse baixinho.
Rehv suspirou e passou a mão esquerda na cabeça, tocando seu moicano. Olhou para a moça mais uma vez. Ela estava realmente inquieta.
“Antes de conhecer sua tia...” começou. Virgem, não podia acreditar no que ia falar. Estava enlouquecendo? “Marissa e eu nos alimentávamos um do outro.” Jogou logo a bomba.
Os olhos de Nalla cresceram e ela estacou no lugar. A boca abriu.
Rehv respirou fundo e jogou as outras palavras pra fora o mais rápido que pôde.
“Ela e Butch ainda não estavam juntos, não de verdade, e precisava se alimentar, então me usava. E tinha que ser escondido, porque Havers não permitiria que tudo isso acontecesse sem que nos emparelhássemos. É comum que a fêmea da família seja tratada assim, Nalla. É o bem mais precioso de um macho. Sua família, sua shellan. Sua herdeira. Eu concordo com Z sobre as medidas com relação à Andhras, e acho-” Foi interrompido de supetão, Nalla estava a centímetros de seu rosto, segurando o colarinho do casaco com tanta força que Rehvenge sentiu a tensão dela através da dormência.
“Que medidas?” ela rosnou. Estava furiosa. O choque substituído por pavor e depois por irritação.
O tio fechou o rosto e a afastou de si, arrumando a roupa.
“Ora, o afastamento dele do Complexo, é claro. Seu pai deve ter te dito que ia...” Rehv deixou a frase morrer quando se deu conta da merda que tinha feito. Arregalou os olhos e encarou a fêmea em frente a si. Ela abriu a boca e saiu correndo.
“Nalla!” gritou e tentou se levantar rápido, mas não iria conseguir alcançá-la. “Nalla, espere!”
Mas ela já estava no corredor.
*
A porta do Buraco foi aberta com força. Os machos se viraram de uma vez, esperando Wrath ou Rehv, mas o que viram os deixou mais apavorados.
Vishous se levantou da poltrona em que estava e ergueu os braços, num gesto de rendição, para tentar conter o furacão que acabara de chegar.
Rhage e Butch se ajeitaram no sofá de dois lugares que ocupavam, inquietos.
Z levantou os olhos da televisão e sorriu ao ver a filha parada na porta de acesso ao túnel que levava à Mansão. Até que percebeu que ela estava furiosa. Então o estômago dele afundou.
Ca-ra-lho. Ela tinha descoberto.
O macho levantou devagar e tentou sorrir. Mas o ar estava carregado com o odor de raiva, fresco e intenso, como limão. Nalla mostrou os dentes e caminhou em sua direção. Z teve um relance das mãos dela tensas, em formato de garra. Isso o lembrou das brincadeiras quando ela era criança...
V se moveu para frente e abriu a boca, mas ela só rosnou e disse:
“Saia do meu caminho, Vishous. Isto é entre mim e ele.” Quando se referiu a Z, Nalla mostrou as presas e chiou. O pai tremeu, apavorado.
Meeeeeeeeeeeeeerdaaaaaa.
Butch se encolheu em seu tamanho, erguendo um pouco as pernas quando ela passou por ele, parando na frente de seu Irmão.
Rhage abriu um pirulito. Tinha um sorriso divertido no rosto, mas temia pela integridade de Zsadist. Essa garota era uma força da natureza.
Nalla tinha fogo no olhar ao encarar o macho que era seu papa.
Ela respirou fundo e apontou um dedo para cima, diretamente na cara dele. A fêmea era baixinha, uns 30 centímetros mais baixa que ele. Menor do que Bella, até. Segundo Phury, ela puxou a altura da mahmen deles, Naseen.
Z se sentiu retrair dentro de sua pele. Oh, Deus, o que tinha feito?
“Como ousa afastar Andhras daqui?” ela chiou. “Como ousa? O senhor sabe como me sinto sobre ele! E eu já não te provei que nada vai mudar entre nós quando eu me emparelhar? Sou sua filha, mas não sou uma prisioneira! E já sou bem grandinha para decidir o que quero da minha vida, papai.” Falou com força, tentando não gritar.
Z tentou argumentar, mas ela o cortou, apertando os olhos e arreganhando os lábios. As presas recém-adquiridas brilhando na luz d’O Buraco.
“Eu sei que o senhor tem medo de me perder, mas isso não vai acontecer. Você é meu papa. Mas eu amo Andhras! Eu o quero. Como macho. E, a não ser que ele não me deseje, não vou desistir.”
Ela deu meia volta e caminhou para a porta da frente, que dava para o pátio de entrada.
Quando segurou o trinco, se virou mais uma vez.
“Vou sair. Se sabe o que é melhor para você, vai ficar bem longe de mim até eu voltar e falar com você.”
A voz de Nalla era gelo. Um veneno na corrente sanguínea de Z.
Quando ela saiu, encostando a porta com cuidado, ele tentou respirar e se mover. Percebeu que estava encarando Vishous e Rhage ao mesmo tempo. Os dois estavam com os rostos colados, tentando encará-lo juntos. Então eles foram empurrados e o rosto marcado do tira apareceu.
“Ei, Z, que tal você fazer o que o V disse, ahn?” Butch murmurou.
“O quê?” balbuciou.
“Respire, Z...” Rhage falou de algum lugar.
Mas a única coisa que Zsadist conseguia pensar era que sua Nalla estava furiosa com ele.
Oh, foda. Ela tinha lhe dado um belo banho de água fria, não tinha? Realmente... O tinha colocado em seu canto.
“Acho que ele vai desmaiar, V...” ainda pôde ouvir um dos seus Irmãos murmurar.
Notas finais
Foi bem complicado escrever esse capítulo. Acho que não consegui passar tudo o que queria. Acho que quando a Fic acabar, vou terminar editando alguns...
Nalla é alguma coisa, não é? Simplesmente Zsadist demais! ehuehuehue E tenho a impressão de que exagerei com a reação do Z, mas enfim...
Não, não fiquem com raiva do Andy! O bichinho ainda vai passar por uns bocadinhos! huahsuhaudh
Aaah! O que acharam da cena dele e dos amigos juntos?
O Tumblr não foi muito tocado essa semana. Queria preparar umas coisas bem legais, mas não deu. Prometo que logo, logo sairão mais coisas. Fiquem ligadas lá, que sempre vou colocar alguns extras que não aparecerão em Pedaços da Vida, ou dar Spoilers de capítulos da Fic!
No mais, só tenho que dizer que faltam três capítulos para O FIM. Sim, triste, mas é verdade.
E quero agradecer de coração aos coméntários. Ainda vou responder vocês devagarzinho, mas vou adiantando: obrigada pelo apoio e carinho. Vocês são ótimas! Estou adorando compartilhar essa Fic com vocês!! Obrigada!
Beijo, beijo
21 de junho 2013
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