Meu Amor
12 Capítulo 11
Notas iniciais
Capítulo 11
Zsadist estava sentado na mesa da cozinha. Bella estava fazendo sanduíches para eles. O macho acompanhava o balançar dos quadris de sua shellan tranquilamente. Ela cantarolava baixinho. Então, começou a lembrar da semana que passou. Nalla tinha estado sempre presente para Andhras. Por causa da recuperação. E podia jurar que era só por gratidão. Mas então, a memória do ataque voltou. A impressão que teve sobre o comportamento da filha. Ela estava em choque, sim. Mas quem não ficaria? O que ela fez, no entanto, se fechando para o mundo na hora de socorrer seu Irmão, e depois no corredor da Sala de Operações, o fizeram repensar tudo. Ela parecia mesmo apaixonada por Andy. E sua Bella já tinha dito que o guerreiro gostava de Nalla.
Z encarou a fêmea.
“Nalla está apaixonada por Andhras, não é?”
Ele ouviu a respiração de sua shellan falhar. Então, ela terminou de fazer os sanduíches e se virou para ele. Os olhos dela estavam duros. Continuou:
“Por isso nós descemos? Para que eles ficassem juntos?” Sentia-se cada vez mais irritado. Estavam tramando tudo pelas costas dele, é isso? Até Phury estava contra ele. Wrath não tinha concordado com o Rytho, embora tenha dito que iria decretá-lo...
“Você é o único que não vê, Z” ela respondeu, colocando os pratos sobre a mesa. Dois pães para ele, um para ela. “Todos sabem, querido. E apoiam.”
“Rehvenge não. Ele e eu estamos do mesmo lado: queremos alguém digno dela-”
“Sério, Zsadist?” Bella tinha a voz cortante. Cruzou os braços e o encarou ainda de pé. “Consegue pensar em alguém mais digno de nossa filha que Andhras? Depois de tudo? Ele sempre te respeitou, e nunca fez nada que o desmerecesse. E se quer saber, mesmo que a linhagem dele não fosse a que é, eu o aceitaria para Nalla. Porque as ações dele, Zsadist, as ações...” ela baixou a cabeça e respirou fundo. “Andy é o macho que quero pra ela. Eu sei que você está com medo-” Bella o encarou.
“Eu não estou com medo!”
“... De que ela não te ame mais, mas isso não vai acontecer, Z. Nalla te ama muito, e você sabe. Mas ela tem que viver a própria vida! Não pode passar mais novecentos anos sozinha, ou acompanhada só de fêmeas.”
“Já disse que não estou com medo.” Mas o bico que fez com o lábio inferior, que se dobrou sob as presas, o delatou. Os braços que cruzara, foram seguros por sua fêmea, que se aproximara devagar. Bella passou a não pelo rosto de seu hellren e sorriu. O coração dele amoleceu. Ia deixar pra pensar sobre sua filha e Andy mais tarde.
“Você me controla com o olhar, não é, shellan?” ele murmurou, a voz rouca.
“Não quero te controlar, Zsadist. Quero compartilhar, aprender.” O abraçou. Ele sentiu que o mundo parara por um segundo, só pra apreciar o calor e aconchego dos braços dela.
“Eu te amo...” disse. Bella se afastou, sorriu, e olhou para os sanduíches.
“Também te amo. Mas estou com fome, então, que tal comermos e depois irmos pro nosso quarto?”
Riram juntos.
“Primeiro quero passar na Nalla. Depois podemos ir.”
Bella suspirou.
“Tudo bem.”
Zsadist puxou a fêmea para seu colo, pegou o sanduíche dela, e partiu um pedaço, entregando-lhe em seus lábios.
“Deixe-me alimentá-la, shellan...”
*
Andhras estava concentrado em terminar o banho de Nalla. Pegou o sabonete, passou em suas mãos, devolveu-o ao local que estava antes e se ajoelhou.
“Andhras, esp-” ela se moveu para tentar pará-lo, porém o macho já havia segurado o pequeno pé, e o ensaboava. Subiu pelo calcanhar, panturrilha, joelho. Afastou um pouco a toalha na coxa, mas não muito. “Andhras, não faça...”
Ele olhou para cima. Nalla estava linda, com o cabelo ensopado ao redor do rosto, os olhos mais amarelos que nunca. As presas dela eram visíveis sob os lábios cheios que estavam abertos enquanto ela o encarava. A toalha que enrolava seu corpo agora grudava em suas curvas.
“Me deixe cuidar de você.” Ele murmurou. Levantou-se, pegou o sabonete mais uma vez e voltou a se ajoelhar em frente à ela. “ Você merece muito mais que isso, e prometo... é só o começo.” E volto a ensaboar a outra perna.
“Andhras, por favor, não.” A voz da fêmea estava cheia de tristeza. Andy congelou. E a encarou de novo.
“Eu...” Oh, Virgem, será que ela se sentia ameaçada com ele ali? Pareceu-lhe que gostou da ideia de ficarem juntos, mas tudo muda tão rápido que... “Não quero que faça nada por mim porque se sente obrigado. Por causa do que houve mais cedo.”
As palavras demoraram a fazer sentido.
“O quê?” ele ficou de pé e a segurou pelos ombros. “O quê você disse?”
*
Será que ele estava com algum problema depois do tiro? Mas havia sido no coração, não na cabeça...
“Eu disse que não era pra fazer nada por obrigação. Sabe, depois de me expulsar do seu quarto de recuperação?” Sim, havia sido irônica. Mas estava magoada, o que podia fazer?
Andhras a encarou mais fundo, seus olhos, que antes estavam líquidos e quentes, se tornaram duros, sérios.
“Não estou cuidando de ti porque me sinto obrigado. E sim porque quero.” Então ele se aproximou e murmurou. “Ou você se esqueceu do que aconteceu no Iron Mask, Nalla?”
O olhar quente e sedutor estava de volta, e a deixou sem ar. Oh, Virgem, ficara apavorada que ele estivesse com raiva, mas agora, com a voz grave a o olhar felino que lhe lançava, tinha certeza que fariam as pazes.
“Não...” sua voz estava rouca. “Não, não esqueci...” e olhou para os lábios dele. Como queria beijá-lo de novo. Sentir as presas em seu pescoço... E agora poderia alimentá-lo. Seu coração batia muito forte, sua respiração era superficial, os braços e as pernas tremiam de antecipação.
Andhras ronronou. O som passou por sua coluna e foi direto para o meio de suas pernas, a excitando ainda mais. Nalla fechou os olhos e se inclinou para o macho, esperando que ele a tocasse mais.
As mãos que seguravam seus ombros desceram para a cintura e apertaram-na. Não havia dor, só prazer. Andy se aproximou mais, colando os corpos. Ele soltou a mão esquerda e ouviu-se o registro ser aberto.
Nalla abriu os olhos... Para dar de cara com o rosto do macho quase colado ao seu. Os olhos dele ardiam. A barba por fazer era sexy. Os lábios carnudos repuxados num sorriso sacana. A água caiu sobre eles, e Nalla se assustou.
“Está tudo bem. Vou só tirar a espuma” ele murmurou.
A sensação de tudo que encontrava sua pele parecia uma lixa. Menos o toque de Andhras. Não. As mãos dele em seu corpo era almofadas de veludo. Quentes e macias. Mas a água era uma tortura, embora ele recebesse o jato mais intensamente. E a toalha a arranhava de forma irritante.
Imaginou qual seria a reação dele caso desenrolasse o tecido de seu corpo.
Sorriu maldosa e se preparou para fazer isso. Queria vê-lo perder o controle. Deveria ser ainda mais bonito. Muito mais. Como no clube de Trez.
Segurou as abas da toalha enquanto ele acariciava sua cabeça para tirar os resquícios do shampoo. As mãos dele em seu cabelo a fizeram suspirar. Virgem, era tão bom com ela. Tão bom...
“Nalla?” a voz de sua mahmen quebrou o encanto. A fêmea congelou e encarou Andhras. Ele lhe sorriu e continuou a tirar o resto do sabão de suas pernas.
“Estamos aqui, Bella.” Ele respondeu alto. Passos foram ouvidos. Nalla estava assustada. Querida Virgem, o que esse macho pensa que está fazendo??
Bella colocou a cabeça dentro do banheiro, que ainda tinha a porta aberta.
“Oh! Está tudo bem?”
“Sim, mahmen, tudo bem...” Nalla sorriu e sentiu seu rosto corar, enquanto Andhras voltava a ficar de pé.
“Bella, poderia pegar outras toalhas para Nalla, por favor?” disse, enquanto fechava a torneira. Despois, pegou o cabelo de Nalla e o torceu lentamente, para tirar o excesso de água. Sua mahmen se mexeu, pegando o que ele lhe pedira e esperando que saíssem do Box.
“Relaxe, Andhras, posso fazer isso sozinha!” retrucou, puxando seus fios e o encarando séria. Queria que ele saísse. Se seu papa o visse aqui? Assim, de cueca, molhado, e a tocando quase nua? Ding- ding- ding Nockout!
“Se acalme, está tudo bem.” Ele abriu a porta e a puxou junto. Bella lhe estendeu uma toalha. Andhras a pegou, enrolou sobre os ombros de Nalla, e sorriu. Parecia uma criança quando sorria assim. Nalla suspirou. Ele era lindo. E ela o queria para sempre. Queria conhecê-lo, saber como pensava. Descobrir cada pedacinho do macho. Fisica e psicologicamente.
Depois ele pegou a outra toalha, enrolou na própria cintura e puxou a escova de cabelos que estava na pia. Entregou a Bella e virou-se para Nalla, acariciando seu cabelo.
“Tenho que ir falar com Tohr e Wrath, mas volto logo.” Então a beijou suavemente nas têmporas e pegou suas roupas do chão. “Até daqui a pouco.” E saiu do banheiro.
Nalla encarou sua mãe. A fêmea lhe sorriu, estendeu-lhe outra toalha e indicou o sanitário.
“Tome, troque de toalha e me deixe pentear seus cabelos.”
Nalla fez o que lhe foi dito. Tirou a toalha molhada e a estendeu no vidro do Box. Depois se enrolou na seca que sua mahmen segurava. Sentou de lado onde lhe fora indicado e sentiu a escova ser passada por seus fios multicor.
Com o silêncio, a recém pós-trans ouviu Andhras se vestir e se armar em seu quarto. Então, ele se moveu de volta para o banheiro. Pelo espelho, ela o viu parar em frente à porta. Os olhares deles se encontraram.
“Já vou. Não devo demorar.”
Estava sério. Tinha as sobrancelhas franzidas de preocupação, e a voz tensa. Assuntos da Irmandade?
“Tudo bem. Não tenha pressa.” Respondeu. Queria que ele viesse logo, mas não poderia pressioná-lo.
Andy acenou com a cabeça, mordeu o lábio inferior e deixou o quarto.
A quietude permaneceu por mais um pouco, onde só o barulho do movimento que sua mahmen fazia em seu cabelo era ouvido.
“Seu pai sabe que estão envolvidos...” ela murmurou depois de algum tempo, quando o cabelo já estava todo desembaraçado, mas mesmo assim, o momento era confortável demais para ser interrompido.
Nalla prendeu a respiração.
“Ele ficou furioso. Ameaçou Andhras quando ele disse que ia te alimentar.”
Nalla se virou, os olhos arregalados de pavor. Ele a alimentou! Ao acordar, tinha-o visto, mas não fez a ligação que o sangue dele a manteve.
“Não, mahmen! Não...” O terror da ameaça que seu papa fez suplantando o prazer de saber ter sido alimentada pelo macho que desejava.
Bella se ajoelhou e colocou uma mão no rosto da filha.
“Querida, seu pai tem tanto medo de perder você. E Rehv também. Estamos todos tentando convencê-los que Andhras é ótimo para você, mas acho que antes você vai ter que mostrar pra Zsadist que um amor não impede o outro.”
As fêmeas se encararam por um instante. Nalla sentiu-se tão pequena e indefesa.
“Eu o amo, mahmen...” ela miou. As lágrimas começaram a cair. “Eu sei que é completamente sem cabimento, nós não nos conhecemos direito, mas sinto que ele é perfeito para mim, e...”
“Eu sei, minha nalla.” Bella abraçou sua filha. “Oh, querida, eu sei, eu sei...”
Nalla a abraçou de volta com força. Queria mais que tudo poder ficar com Andhras sem ter que brigar com seu papa.
“Não quero que o papai fique com raiva de mim...” e chorou mais ainda. “Ele vai deixar de falar com o Andhras, não vai? E como eles poderão trabalhar juntos se não se falam?”
“Oh, meu amor, claro que não será assim. Tenho certeza que Z não vai ficar com raiva de você. E quanto ao relacionamento dele com Andhras... Isso é com eles dois. Mas vai ficar tudo bem, você vai ver.”
Bella enxugou o rosto da filha. E se levantou.
“Vamos colocar uma roupa e você e descer pra comer algo? Consegui que seu pai ficasse deitado um pouco para te dar um tempo.”
“Obrigada, mahmen, mas acho que vou ficar aqui e dormir um pouco. Ainda estou cansada...”
Elas se acariciaram. Nalla levantou também e saiu do banheiro, deitando na cama.
“Sim, vou ficar por aqui, mesmo...” suspirou e tirou a toalha, encolhendo-se nua sob os lençóis.
“Certo. Vou trazer algo pra você comer e deixar aqui em cima, tá?”
“Uhun. Obrigada, mahmen.”
Bella sorriu deu um beijo na testa da filha e acariciou seus cabelos.
“Volto logo.” E se dirigiu para a saída. Ao abrir a porta, Nalla a chamou de volta. “Sim?”
“Eu te amo, mahmen. Muito.”
Sorriram juntas de novo. Os olhos azuis se encontrando com os amarelos.
“Eu sei, princesa. Também te amo demais!” e saiu.
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