Meu Amor
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Desculpem a demora -de novo.
Ah, leiam com a música, ok?
http://www.youtube.com/watch?v=-_teE0iwZgQ
Beijo, beijo
Capítulo 12
Andhras estava no escritório de Wrath, em frente à grande mesa do Rei. Ao redor dele, os outros quinze Irmãos.
Wrath estava de pé, atrás da mesa. As feições duras fechadas numa carranca.
Dentro da sala, a portas fechadas, a Irmandade estava reunida para ouvir o pronunciamento.
Zsadist estava bem ali perto, encostado na parede, com Phury ao seu lado.
V e Butch estavam sentados no mesmo sofá de sempre. Rhage tinha ficado junto à Gahel, perto da lareira, e mascava mais um pirulito. O primeiro tinha sido terminado há dois minutos, e por causa da tensão, ele logo pegou outro.
Qhuinn e John Matthew estavam lado a lado, também, mais próximos da porta. Ao lado de John, Xhex mudava seu peso de um pé para outro. Payne estava atrás de Vishous, encostada no respaldar do sofá, e brincava com as pontas de seus cabelos.
Spohr e os outros Irmãos mais novos estavam espalhados pela sala. Esperando silenciosamente pelo Rei dizer qualquer coisa.
Tohrment, um pouco atrás de Wrath, pigarreou. O Rei cego respirou fundo, esfregou o rosto. Não queria fazer aquilo. Não mesmo. Mas Z estava insistindo, e de certa forma, tinha um pouco de razão. Andy não deveria ter se imposto daquele jeito. Quem sabe se tivesse pedido com jeitinho? Um sorriso de escárnio apareceu por um segundo em seus lábios, e depois voltou a ficar sério.
“Andhras, os Irmãos e eu tivemos uma conversa muito séria, em que os acontecimentos dessa noite foram colocados à mesa. Você ofendeu a um de nós, Zsadist, quando o respondeu e o desafiou no momento da transição de sua filha Nalla. Por isso, decreto um Rytho, a ser concluído ainda esta noite.” Wrath respirou fundo. “Escolha sua arma, Zsadist.”
Z estava tenso. A cada palavra do Rei, ele tinha menos certeza se queria o Ryhto. Se todos estivessem certos, ao invés de lavar sua honra, ele iria ferir um inocente, e magoar sua filha. E a arma? Deus, ele não tinha ideia. Se realmente fosse continuar com isso, não queria algo que fizesse um estrago muito grande. Se Nalla descobrisse, deixaria de falar com ele. Provavelmente iria morar nas Adirondacks com Phury. E Só falaria com Rehvenge... E Andy ajudou sua filha, não foi? O sangue dele realmente a ajudou. Okay, o de Blay, também, mas Andhras não saiu de perto dela, e o cheiro de vinculação mostrava que talvez algo realmente importante saísse dali.
“Zsadist?” Oh, cara, a voz de Wrath. Ele não gostava daquilo, não mesmo. Estava irritado e provavelmente queria jogar tudo pro alto. Dirigia-se a ele com a mesma frieza com que matava. Ou seja, não estava feliz de jeito nenhum.
Z respirou fundo. Esse Rytho não levaria a nada. Só pioraria tudo.
“Retiro o pedido, meu Senhor.” E olhou para Andhras, que estava pálido, no centro de todos. “Meu Irmão agiu por uma boa causa: ajudar minha filha. E ela não me perdoaria se eu o machucasse.” Aproximou-se de Andhras e quase colou seu corpo ao do macho. “Mas isso não significa que perdoei ou que está tudo bem. Quero você bem longe dela.”
Andy estremeceu, mas encarou Z nos olhos.
“Só Nalla pode dizer isso, Zsadist.”
“Uma ova!” chiou. “É minha filha. Sua vinculação não vai se meter no meu relacionamento com ela. Eu não quero você por perto, Andhras. Retirei o pedido porque iria magoá-la, e meu rei não parece muito feliz com isso. Mas eu juro, que se chegar perto dela mais uma vez, nada me impedirá de arrancar sua cabeça, fui claro?” Z já estava rosnando por baixo das palavras, e Hollywood e Phury já tinham se movido para perto do macho.
Gahel e Xhias, um dos Irmãos, estavam bem atrás de Andhras, só por precaução.
Wrath rosnou e bateu as mãos na mesa.
“Já chega, Zsadist. Acaba por aqui. Seu recado foi dado.” Passou a mão nos cabelos e se sentou. “Vão. Tirem seus traseiros fedorentos daqui. Sem brigas com outros que não sejam os malditos retutores!”
A Irmandade saiu da sala como se tudo estivesse pegando fogo.
Andhras esperou tudo esvaziar e olhou para o Rei.
“Tem algo para me dizer, Andy?”
O Irmão suspirou e se curvou, mesmo que o rei não pudesse vê-lo, com certeza sentiria sua devoção.
“Não, meu senhor. Boa noite.” E saiu.
Quando chegou ao corredor e se dirigiu para o quarto de Nalla, Zsadist apareceu, vindo da sala de estar ali ao lado.
“Venha aqui, Andhras.”
Andy respirou fundo e entrou. A porta foi fechada. Andhras continuou parado na entrada.
Z caminhou ao redor da sala feminina, cheira de sofás e almofadas felpudas. Ele estava com uma mão na cintura e outra passeando na cabeça, ora esfregando o couro cabeludo, ora o queixo. Então, ele parou de andar bem no centro da sala, e encarou seu Irmão.
“Wrath disse para pararmos com isso...” Andy começou. Z olhou para o chão e balançou a cabeça.
“Eu vou falar com você, antes que Rehvenge o faça.” Disse duramente. Então se encararam mais uma vez. “Você ajudou Nalla...”
“Você já disse isso.”
“...E serei eternamente grato por isso.” Levantou a mão para parar outro argumento. “Não, me escute. Eu falei sério quando disse que não quero você por perto. Não sei como isso aconteceu. Não sei mesmo. Você sempre pareceu indiferente a ela, por isso o achei bom amigo.”
O peito de Andhras se apertou. Sabia que poderia perder a amizade... Mas, cara, que merda era isso: enfrentar o momento real é completamente diferente de só saber que vai acontecer, não é?
Z estava com os olhos amarelos, diferente de quando esteve na sala do rei. Andy achou que era algo bom. Estava calmo.
“Agora, e me dói dizer isso, mas é verdade: nós acabamos por aqui, Andhras. É sério. Faremos o nosso trabalho, e é isso. O Complexo é da Irmandade, então não posso fazer nada. Fora isso...” ele esfregou as duas mãos na cabeça e voltou a andar em círculos.
“Deus, isso é uma merda.” Suspirou. “Eu gostava de você, Andhras. De verdade. Mas não consigo... Ela é meu bebê. Não consigo...”
Sim, Andhras pensou, ele não conseguia dividi-la. E entendia perfeitamente isso. Sabia que Zsadist tinha medo. Quantas vezes haviam conversado sobre isso? Sobre quando Nalla começasse a sair de casa, encontrar parceiros? Z sempre dizia que castraria o macho. E Andy nunca se imaginou nessa posição. Nunca. Resolveu desabafar, também.
“Se ajudar de alguma coisa, Zsadist, nunca me imaginei nesse ponto.”
Z sentou num dos sofás, que estava exatamente de frente à porta. E, consequentemente, de frente à Andhras.
“Sério?”
“Uh-hun.” Andy balançou a cabeça. E caminhou para uma cadeira ali perto, numa mesinha de mogno. Os olhos de Z lhe lembraram de Nalla. Eles se pareciam tanto... Não queria perder nenhum dos dois. Como faria isso dar certo, Querida Virgem? “Eu só a via como uma criança, também. Nunca como fêmea... Até recentemente.” Então corou e baixou a cabeça. “Sinto muito, Z. De verdade. Eu tentei muito não sentir nada. Mas aconteceu. E eu só conseguia pensar no quanto ia desapontá-lo. Em como estava traindo sua amizade.”
“Desde quando?”
Andhras não quis responder. Então se fez de desentendido.
“O quê?”
“Desde quando se sente atraído por ela? Foi só na festa da sua Iniciação? Ou antes?”
O coração de Andhras começou a bater muito rápido. Estava sem ar. Oh, foda.
“Eu não sei. Antes. Mas não sei quando... Só... Um dia ela era sua filha, e no outro...”
“Algo a conquistar?” havia sarcasmo na voz de Z.
“Alguém a quem amar...” Andhras murmurou, sem forças de brigar. Ele só queria descer o corredor, voltar para o quarto de Nalla e se encolher ao lado dela na cama. Abraçá-la até a noite seguinte.
Pôde ouvir Z respirar fundo e se mexer inquieto no sofá.
“Vá para casa, Andhras. Já teve muita ação para quem está se recuperando de uma ferida.”
Andy esfregou as mãos nas coxas, tomando força para enfrentar Zsadist e fazer o que queria.
O encarou.
“Vou ver Nalla, depois irei.”
Z apertou os lábios. Os olhos começando a ficar negros. Os dois machos farejaram o ar, prontos para se enfrentarem se fosse preciso.
A essência de vinculação de Andhras pairando no ar entre eles. A fêmea sempre seria mais importante.
“Cinco minutos. Se você não sair por espontânea vontade, vou chutar você daqui.”
Andy se levantou, cumprimentou o Irmão com a cabeça e saiu em disparada pelo corredor.
Bateu suavemente na porta. Não houve resposta. Bateu de novo, duas vezes. Movimentação dentro do quarto. Então, a voz dela.
“Sim?”
“Sou eu.” Parecia que seu coração ia parar...
Houve um momento de silêncio.
“Entre.”
Ele abriu a porta e entrou. Depois os fechou ali dentro. Estava um pouco escuro, só um abajur aceso. Nalla estava sentada na cama, os lençóis puxados até o queixo, as mãos apertadas enquanto seguravam o tecido.
Ele levou um tempo para analisá-la, memorizar como estava. Os cabelos multicoloridos desarrumados, cheios de cachos enlinhados, o rosto cansado depois da transição. Mas os olhos... Aqueles olhos amarelos que sempre o olhavam da mesma forma. Lhe davam força.
Estava preso ao chão. Cinco minutos. Só cinco minutos. Mas não conseguia se mover.
“Hey...” disse, porque não podia dizer mais que isso. Queria pular na cama, apertá-la com força. Chorar. Sim, era um merdinha por isso. Machos de verdade não choravam. Mas era o que queria fazer. Não podia deixá-la...
“Hey.” Ela sorriu. “Você está bem?”
Virgem, ela era tão doce.
“Não.” Engoliu a seco. Podia farejar seu odor de vinculação. Se perguntou se ela conseguia senti-lo também.
Nalla parou de sorrir e bateu num dos lados da cama.
“Venha aqui, guerreiro.”
Porque ela o chamou, Andhras caminhou pesadamente em sua direção e deitou-se na cama, virado de frente para ela, encolhido numa bola. Normalmente faria isso quando estivesse sozinho, mas a tristeza que o oprimia não o deixava fingir que estava tudo bem.
Quando Nalla se inclinou para ele e passou as mãos em seus cabelos.
“Gosto do seu cheiro.” Inalou profundamente. “Muito bom. Forte...”
Andy a segurou e a puxou para si, abraçando-a através do cobertor.
“Que houve?” ela perguntou surpresa. Andy respirou fundo, controlando a vontade de chorar. Sua mahmen sempre dissera que segurar os sentimentos fazia mal. Mas não podia fraquejar agora.
“Não posso ficar aqui hoje.” Murmurou, a voz quebrando. Mentia. “Ah...” pigarreou. Sua voz estava mais rouca que o normal. “Wrath me disse para voltar pra casa. Estarei fora de rotação até me recuperar plenamente, mas não poderei vir aqui, também.” Continuou.
Nalla enrijeceu e depois se ajeitou em seu peito, o olhando de baixo.
“Nós poderemos nos ver, então, não é?”
Não conseguiu encará-la.
“Não sei.”
A fêmea se afastou. Andhras não sabia como fazer isso. Queria poder beijá-la e abraça-la. Mas o tempo estava acabando.
“Você está me magoando de novo...” ela disse baixinho. Ele estava quebrado por dentro. E vê-la assim era duplicar o que sentia.
“Me desculpe.” Andy pegou a mão delicada dela na sua e a beijou. Depois a colocou sobre seu coração. “Nunca foi minha intenção magoá-la. Só não posso prometer nada por enquanto.”
Eles se olharam. Nalla segurou o rosto dele nas mãos e se inclinou colando os lábios suavemente.
A porta foi aberta.
“Está pronto?”
A voz de Z chamou atenção dos dois. Ele estava com os lábios contraídos numa linha dura. Os olhos negros.
Andy apertou a mão de Nalla e se levantou. Ela o olhou todo o tempo. As mãos se tocaram até o ultimo momento, os dedos se enticando para aumentar o contato.
“Tchau.” Ele disse. A voz falhou, os dedos se separaram. O vazio.
Deu as costas, passando por Z sem encostar nele.
Só queria ir pra casa.
Notas finais
Eu fiquei meio deprê, pra ser sincera. Me fez ter vontade de chorar e espancar o Z. Mas é o rumo da história.
Enfim... *porraouvindoamúsicamedámaistristezaainda*
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Beijo, Beijo!!
14 junho 2013
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