Meu Acampamento de Verão
4 Capítulo 4: Bala de Canhão
Meu corpo foi arremessado ao ar, não lembro de mais nada, somente dedos frios, magros e fortes puxarem o meu braço.
O fogo serpenteando e zunia perto dos meus ouvidos. Uma cortina gélida surgiu, não concegui identificar o que era.
Mias uma explosão de chamas e por fim, fui realmente arremessada pelos ares, aquela cortina gélida havia sumido.
Abri os olhos lentamente observando em uma fração de segundos, meu corpo bateu em algo plano. Eu fui jogada para fora da sala, voando pela janela do segundo andar como uma bala de canhão.
Alguma coisa se enrola na minha perna direita me puxando para baixo e me tirando do ângulo de lançamento. Finas camadas me envolvem docemente em algo que me espetava a mão, parecia grama em baixo de mim.
Tento abrir os olhos mas tudo estava verde, marrom e amarelado. Um cheiro que eu conhecia de algum lugar invadia meu nariz; era algo agridoce e levemente temperado.
–Annabeth! –Uma voz feminina e rouca grita. –Ali! Segure, segure. –Continuava gritando sem cessar.
A escuridão invade, mas logo começo a me sentir mais forte, muito atordoada, mas conseguia reclinar e sentar com as pernas abertas no chão.
Observo o pesar dos meus olhos sem entender nada. Alunos correndo para fora do colégio, gritando.
–Clarisse. A garota! –Uma outra voz pronunciou-se, desta vez parecia com a voz do meu sonho.
Annabeth? Como podia ser real? Foi apenas um sonho...
Mais uma explosão e algumas carteiras voaram do terceiro andar. Agora o metal chamuscava e vinha com uma cortina de fumaça pintando o céu de escuridão, uma das várias carteiras veio em minha direção; parecia que ela tinha sido atirada em mim.
Pronto, acabou, tostada e com o cabelo cheirando a fuligem.
Foi em um fechar de olhos e tudo ficou um tanto frio demais, uma fina camada de neblina fria pairava por cima da grama, uma rajada de neve foi soprada de algum lugar e logo a cadeira foi atirada junto a neve para longe de mim.
–Aqui! –Uma garota gritou atrás de mim, as mãos dela correram pelos meus braços e me ajudaram a levantar.
–Annabeth, leve a garota a Quíron. –A garota malhada com armadura grega e uma lança gritou para a loira de olhos cinzas penetrantes. –Eu vou atrasar essa coisa.
–Lhe enviarei transporte e reforço. –Annabeth falou a morena alta.
–Vai! –A morena se atirou na entrada da escola que agora pegava fogo e sufocava todo o ar, não havia escapatória.
–Vamos. –A garota que me ajudou a levantar puxou minha mão. Virei-me para ver seu rosto e percebi que era Iryena Lukashenko.
–C-como? –Meus olhos se arregalaram em espanto e alívio de saber que ela tinha escapado das chamas.
–Lhe contarei quando for seguro. –Ela puxou minha mão fazendo-a seguir pelo jardim da escola.
Olhei para trás e vi que tinha caído em uma grande moita de oliveira, só não entendi o motivo de tanta sorte; não que eu esteja reclamando porque isso salvou a minha vida.
Annabeth disparou vindo atrás de nós com uma faca de bronze na mão e uma mochila nas costas. Com facilidade ela nos alcançou e seguiu nosso ritmo atravessando a pista e continuamos até a avenida do parque.
–Pra onde vamos? –E por que eu tenho de seguir vocês? –O que tá acontecendo?
–Vamos para casa do meu namorado, fica a 19 quadras daqui. –Annabeth ofegava, fuligem manchava sua testa e seu cabelo. Ela esfregou um pingo de suor que escorria por seu nariz e pareceu pensativa.
–Qual o plano? –Iryena perguntou olhando para Annabeth.
–Chegar a casa de Percy, enviar transporte a Clarisse e escoltar ela pro acampamento. –Annabeth por uma fração de segundos vacilou na voz parecendo não confiar muito no que dizia.
Depois de longos quinze minutos que não pareciam parar nunca, chegamos numa rua relativamente agradável. Algumas pessoas aceleravam o passo ao passar por nós, outras apontavam e falavam alguma coisa para alguém ao lado.
A rua estava cheia de carros lotando todas as vagas, algumas arvores ao decorrer da calçada cinza. Por fim paramos a frente de uma pequena construção marrom cinza bem apertadinha por entre os prédios. Algumas pessoas que entregavam folhetos se afastaram e cruzaram a rua.
–É a casa da minha sogra, por favor, não causem problema a ela. –Annabeth seguiu abrindo a porta dupla de madeira preta com pequenas janelas de vidro.
Minhas pernas bambeavam, eu entrei lentamente em quanto Annabeth nos guiava subindo alguns andares longos de escada.
Paramos em frente a uma porta de madeira descascada.
Annabeth fez as honras de bater levemente na porta.
Alguns frios e silenciosos minutos onde tudo que se podia ouvir era a minha respiração e o meu coração acelerado.
Uma mulher abriu a porta. Os cabelos negros castanhos dela caiam embaralhados até um pouco além dos ombros. Olhos num tom de um castanho claro, seu queixo era quadrado, a sua boca fazia covinhas elegantes. Algumas rugas de expressão marcavam sua testa levemente.
Uma dona típica de casa bem charmosa.
Usava um moletom verde musgo por cima de uma camisa rosa que tinha uma mancha de café. Calça jeans justa que valorizavam suas coxas. Os lábios estavam ressecados e tinha uma espinha nova bem a baixo do seu queixo.
Era uma senhorita bonita, devia ter alguns trinta e poucos anos e precisava de alguns cuidados. Nada como uma ajudinha no espelho não resolvesse.
A mulher abriu um sorriso longo e isso a deixou com certeza mais bonita e radiante. Abriu os braços e deu um abraço de urso em Annabeth com carinho.
–Entrem, entrem. –Ela nos convidou para entrar.
Não esperamos ela falar pela terceira vez, entramos e nos acomodamos no sofá de dois acentos. Annabeth ficou em pé observando tudo pela janela em quanto Iryena mexia os dedos freneticamente parecendo nervosa. O que me intrigava era aquelas roupas pretas que ela usava, andamos mais de quinze minutos em baixo do sol e nela não havia nem uma única gota de suor.
Alguns passos vinheram da escada que levava ao segundo andar do apartamento.
–Ei Sally, você viu aquele meu casaco preto? –Um homem alto desceu pelas escadas, mas se surpreendeu ao nos ver e logo engoliu em seco.
–Paul... Ah! Garotas, este é Paul, Paul, garotas. –Falou Sally meio sem jeito.
Annabeth foi ao encontro do homem. Lentamente vagando pela sala até chegar perto dele.
–Sr. Blofis, como vai? –Ela estendeu a mão. –Cortou o cabelo, esta elegante–Ela sorriu elogiando-o.
Ele até que era bonito mesmo. Cabelos negros, trinta e poucos anos como Sally. Usando uma camisa listrada branca e azul. Short jeans azulado gasto e chinelos brancos.
–Obrigado, Anne. –Ele deu um sorriso para ela. –Não quero ser indelicado, mas qual o motivo da visita? –Ele caminhou até o lado de Sally.
–Tínhamos infiltrado a Iryena na antiga escola de Percy. –Annabeth suspirou e prosseguiu. –Recebemos uma carta do Olimpo, não sabemos quem a enviou, mas deveríamos resgatar a garota que se pronunciava na carta.
Meus olhos se arregalam e minha boca cai.
–Esta brincando comigo. Deuses são apenas mitos, eu adoro mitologia grega, mas ela nunca será real. –Me levantei em um pulo protestando.
–Sim, eles são reais. –Annabeth deu um passo a frente cruzando os braços e pondo uma mão no queixo. –Tão reais que um deles mandou-nos aqui para lhe escoltar.
–O que esta acontecendo? –Pergunto me sentando de novo. –Quem são vocês?
–Somos filhas dos deuses assim como você. –Iryena mantinha aqueles olhos gélidos e frios sob mim. –Sou filha da deusa Quíone.
–Tá brincando comigo. Agora falem, quem pôs fogo na escola? –Fito todos na sala com raiva. –Essa brincadeira terrorista já foi longe demais. –Me levantei correndo para a porta.
Iryena segurou minha mão e fechou os olhos lentamente. A temperatura caiu rapidamente, até que as janelas se embaçaram e uma fina camada de gelo cresceu pelo chão e uma neblina fria subiu até os joelhos.
A sala começou a nevar, do nada, não havia explicação lógica, nada podia provar o que eu estava vendo.
Pequenos flocos de neve bailando do teto até o chão enevoado. Tão brancos e translúcidos deixando-se levar ao vento.
–O q-que...?
–Sim, nós realmente existimos, e eu sou a legitima filha de Quíone.
–Minha mãe... Quem é minha mãe? –Perguntei gaguejando em quanto a neve e a neblina se dissipavam.
–Não sabemos ainda, mas você será reclamada quando chegarmos ao acampamento. –Annabeth mordia os lábios e não parava de olhar para a janela. –Finalmente. –Ela repousou seu olhar na porta.
Um barulho de chaves trincando foi ouvido do outro lado, logo a maçaneta girou e a porta se abriu num grande empurrão.
–Annabeth!
–Percy!
Fale com o autor