Notas iniciais
Boa leituraaaaaaaaaaaaaa

Ponto de vista de Laila

Robert saiu do quarto e demorou um pouco para voltar. Fiquei assistindo TV e comendo umas bolachas com chá que a enfermeira havia me trazido. Escutei batidas na porta e logo ela se abriu.

“Posso entrar?” Disse o Doutor Henrique entrando no quarto.

“Claro.” Respondi.

“Como se sente?”

“Estou bem, acho que já posso ir para casa.” Falei na esperança de convencer o Doutor.

“Hum...conversei com o Doutor Lauren e ele me falou do seu caso. Acredito que ainda terá que ficar mais um pouco aqui.” Ele falou e me deixou triste.

“Não aguento mais ficar aqui, tenho minha vida pra cuidar, minha casa.”

“Não tem que pensar em nada disso agora Laila, precisa se preocupar apenas com você e o bebê.”

Não respondi, fiquei apenas quieta tomando meu chá.

“Laila, quero que confie em mim, pois serei seu médico agora, se você tiver alguma dúvida sobre a gravidez, o parto, pode me falar, ok?”

“Ok...eu...”

“Você?”

“Tenho dúvida só em uma coisa.” Falei e ele me olhou curioso.

“Então vamos lá, qual é a sua dúvida?”

“O parto dói?” Perguntei e o Doutor Henrique se sentou na beirada da cama e começou a me falar.

“Laila, depende, se você tiver um parto normal, sentirá um pouco de dor na hora do neném nascer, mas depois não sentirá mais nada. Se tiver uma cesariana, não sentirá dor na hora, mas depois sentirá um pouco de incomodo pela cirurgia. O mais recomendado é o parto normal, pois ele é bom tanto para a saúde da mãe quanto do bebê.” O Doutor falava e eu sentia um arrepio de medo e vergonha, pois só de me imaginar toda aberta na frente dele e sentindo dor, já me fazia desistir do parto normal, acho que a cesariana seria a melhor opção.

“Então eu posso escolher pela cesariana?” Falei.

“Cuidarei muito bem de você e espero que tenhamos um ótimo parto normal. Mas se você não tiver passagem suficiente, aí optaremos pela cesárea.”

“Mas eu já me decidi, não quero parto normal Doutor.”

“Laila, você tem que pensar que o parto normal é melhor para o seu filho.”

“É que não gosto de dor...”

“Vamos fazer assim Laila, cada coisa ao seu tempo, primeiro vamos cuidar da sua recuperação e depois falamos do parto ok?”

“Sim.”

“Amanhã irei examiná-la pela manhã, agora durma bem e descanse.” Doutor Henrique falou e se levantou.

“Tchau Laila.”

“Tchau Doutor”

O Doutor Henrique saiu e eu fiquei sozinha, pois Robert ainda não havia voltado. O sono tomou conta de mim e adormeci.

Quando acordei já havia amanhecido e Robert estava dormindo na poltrona do quarto. Levantei para ir ao banheiro e quando fiquei em pé senti uma tontura forte, fazendo com que eu me segurasse na parede. Robert acordou e me viu apoiada na parede e veio para perto de mim.

“Laila?” Ele me olhou e percebeu que eu não estava bem. “Tá sentindo alguma coisa?”

“Tontura.” Foi o que falei.

“Venha, vou te ajudar a ir para a cama.”

“Espera...eu...” Fiquei com um pouco de vergonha de falar que precisava ir ao banheiro, mas eu não tinha escolha. “Preciso ir ao banheiro.”

“Ok...hum...vou te levar até a porta e fico esperando do lado de fora.” Robert me levou até a porta e eu entrei fechando-a em seguida.

“Não tranque.” Robert falou e eu achei melhor não trancar mesmo, pois ainda estava sentindo tontura.

Terminei de usar o banheiro e quando estava saindo, Robert veio logo me segurar. Neste instante o Doutor Henrique entra no quarto e franzindo a testa disse:

“O que aconteceu? Está sentindo alguma coisa Laila?” Robert olhou para o Doutor e depois para mim.

“Sim, tontura.” Respondi. O Doutor se aproximou, segurou meu braço e falou com Robert.

“Pode deixar, eu ajudo ela.” Robert me soltou e ficou apenas observando.

“Já comeu alguma coisa hoje Laila?” O Doutor me perguntou.

“Ainda não.” Respondi já sendo deitada na cama.

“Vou falar para a enfermeira lhe trazer um café reforçado e quando estiver melhor realizaremos o exame clinico.”

“Ok” Falei e o Doutor Henrique olhou para Robert e disse.

“Ontem, quando vim ver como Laila estava a encontrei sozinha no quarto, peço que não a deixe sozinha, pois no estado em que se encontra pode precisar de ajuda para ir ao banheiro ou em algo mais.” O Doutor falava sério e Robert respondeu ainda mais sério, demonstrando não ter gostado do que tinha ouvido.

“Saí para comer algo e voltei, preciso comer também.”

“A comida que trazem para Laila também é para o acompanhante, não precisa sair para comer.” Eu observava a conversa e comecei a achar que o Doutor Henrique estava provocando Robert.

“Não comerei a comida do hospital e pode ficar tranquilo que sei da minha responsabilidade.” Robert respondeu.

“Será?” O Doutor Henrique falou e Robert avermelhou de nervoso. “Bom, daqui a pouco eu volto Laila.”

O Doutor Henrique saiu e Robert olhou para mim e falou:

“Qual é a desse médico? Quem ele pensa que é?”

Não respondi, fiquei apenas quieta na cama aguardando meu café da manhã. Realmente eu estava com fome.

Ponto de vista de Henrique

Eu havia conversado com o Doutor Lauren sobre o caso da menina Laila e fiquei muito preocupado, ela realmente precisava de cuidados especiais. Também tive uma conversa com Richard e ele me contou um pouco sobre a perda dos pais dela e sobre o relacionamento entre ela e Robert, seu filho. Na verdade não tinha relacionamento, pelo que Richard me falou, eles se envolveram uma vez apenas e Laila ficou grávida. Era nítido que ela não se sentia a vontade com ele e ele também não demonstrava muito cuidado com ela. O Doutor Lauren havia me falado da depressão em que Laila se encontrava e eu gostaria de poder entender a causa dessa depressão. Poderia ser por Robert? Será que ela sofria com algo a mais? Quando Richard me contratou como médico particular de Laila, eu estava bem tranquilo com o caso, mas quando a conheci algo me tocou por dentro, senti uma enorme vontade de protegê-la. Laila parecia ser uma moça bem doce e delicada, tinha uma beleza simples, mas que chamou a minha atenção. Eu realmente queria ajudá-la, queria ser mais que um médico pra ela, ser um amigo e quem sabe até algo mais, pois pela forma indiferente que Robert a tratava, eu poderia considerá-la uma moça solteira. Iria fazer o meu melhor e meu objetivo é fazer com que Laila tenha um ótimo parto e que não se sinta sozinha.

Hoje eu iria realizar meu primeiro exame ginecológico em Laila, eu seria totalmente profissional e estava torcendo para que tudo estivesse bem com ela e o bebê.

Ponto de vista de Laila

Tomei meu café da manhã reforçado, como falou o Doutor Henrique, e em seguida a enfermeira me ajudou a tomar um banho. Robert permaneceu sentado na poltrona do quarto mexendo em seu computador. Eu estava muito nervosa com o tal exame que iria realizar, pois nunca havia passado em um ginecologista e me imaginar nua na frente de um homem me dava até tremores nas pernas.

Quando eu já estava trocada, o Doutor Henrique chegou à sala.

“Se sente melhor Laila?” O Doutor falou.

“Sim.”

“Que bom, fico feliz. Vamos realizar o exame?” Ele falou e eu baixei a cabeça.

“Calma, não vai doer nada, só preciso te examinar para saber como está o seu bebê.”

“Se é para o bem do meu filho, tudo bem.” Eu falei.

“Preciso que se retire para poder examiná-la.” O Doutor Henrique falou para Robert.

“Ok, volto logo para saber como está.” Robert disse e saiu.

“Laila, já fez algum exame ginecológico antes?” O Doutor me perguntou.

“Não.”

“Nossa, mas deveria. Toda mulher, mesmo sem estar grávida ou ainda sendo virgem precisa ir ao ginecologista e realizar exames periódicos.”

“Mas eu não sentia nada...então...” Respondi.

“Bom, hoje será como seu primeiro exame, já que a primeira vez que você foi examinada estava desacordada. O Doutor Lauren me falou que você apresentou sangramento quando chegou aqui no hospital e que ainda sente umas cólicas leves no pé da barriga. Irei lhe examinar apenas para me certificar de que não há mais sangramento algum.”

“Não estou sangrando Doutor, então nem vai precisar.” Falei tentando convencer o médico a desistir daquele maldito exame.

“Laila, às vezes o sangramento está leve e só percebemos seu início com o exame de toque. Fica tranquila, será rápido e não doerá nada.”

“Ok.” Falei desanimada.

“Olha Laila, não quero que me veja como um estranho, serei seu amigo daqui pra frente, por isso confie em mim, sou médico e isso é normal na minha profissão. Não vou ver nada que já não tenha visto um milhão de vezes.” Ele falou com um risinho de lado. “Vamos, tire a sua calcinha e se deite bem relaxada, enquanto isso vou colocando a minha luva.” Com muita vergonha, tirei minha calcinha e deitei na cama me cobrindo totalmente com a camisola. O Doutor terminou de colocar a sua luva e colocou a sua maleta próxima a cama. Ele se posicionou na frente da cama e levantou dois ferros que ficavam um de cada lado do leito, que na verdade eu nunca tinha reparado. “Laila preciso que coloque as suas pernas aqui.” Ele apontou para os ferros e eu travei. “Laila, é necessário, vamos, quer que eu ajude?” Fiz que não com a cabeça e segurei a camisola no meio das perna, cobrindo meu sexo e coloquei as pernas onde ele pediu. Meus joelhos estavam juntos ainda. “Laila, está cobrindo exatamente onde eu preciso examinar, confie em mim, já disse que sou médico e estou acostumado a examinar mulheres.” O Doutor falou e eu com muita vergonha tirei a mão da camisola, soltando o tecido preso ali. “Com licença”. O Doutor falou e afastou meus joelhos deixando, enfim, meu sexo totalmente exposto. Minhas bochechas pegavam fogo e eu não conseguia olhar na direção do Doutor, fiquei olhando o teto e tentando controlar minhas pernas que tremiam. “Fique tranquila, vou colocar um aparelho em você para me ajudar na visualização. Não irá doer nada se você estiver bem relaxada.” Não respondi, fiquei apenas esperando o que estava por vir. Senti o Doutor colocar algo na minha entrada e rapidamente tentei fechar as pernas. “Laila, não pode se mexer, assim posso machucá-la. Relaxa e terminaremos logo.” Desta vez o Doutor Henrique falou sério, o que me deixou ainda mais nervosa. Minhas pernas tremiam e sem perceber eu estava com os olhos cheios de lágrimas. O Doutor continuou seu trabalho e novamente colocou o aparelho em mim, senti ele entrar lentamente e uma leve dor começou a incomodar. “Sei que está sentindo um pouco, mas é porque está muito tensa Laila, tenta relaxar.” Fiquei quieta e torcendo para que aquele martírio terminasse. Fiquei um tempo sentindo o aparelho em mim e depois senti o mesmo sendo retirado. “Pronto menina, acabou, não há sinal de sangramento, está tudo perfeitamente normal.” Ele falou e eu rapidamente fechei minhas pernas e me encolhi tímida. “Pode vestir sua calcinha, vou retirar as minhas luvas para podermos conversar.” Vesti minha calcinha e me sentei na cama. “Ainda sente algum incomodo pelo aparelho?” Ele me perguntou e eu fiz que não com a cabeça. “Que bom, mas vou lhe dizer que esse foi o exame mais difícil de realizar, você foi pior que uma adolescente.” Doutor Henrique falou isso dando uma leve risada. Ele se sentou na beirada da cama e segurou a minha mão, eu achei estranho, mas ainda estava com tanta vergonha que nem reclamei. “Logo poderá ir para casa Laila, estou muito feliz com a sua recuperação”. Neste instante Robert entrou no quarto e viu o Doutor segurando a minha mão.

“Atrapalho?” Ele falou olhando para o Doutor.

“Agora não, já terminamos.” O Doutor Henrique respondeu sem ao menos olhar para Robert.

“Está tudo bem com meu filho?” Robert falou e eu estranhei ele chamar meu bebê de MEU FILHO.

“A Laila e o bebê estão bem. Logo ela receberá alta.” O Doutor falou se levantando. “Laila, mais tarde volto para lhe ver novamente.”

“Vou ser examinada de novo?” Perguntei meio apavorada.

“Não, fique calma.” O Doutor falou rindo. “Que mocinha medrosa.” Ele falou acariciando meu cabelo. Eu já estava achando estranho essas atitudes do Doutor, primeiro pega na minha mão, depois acaricia meu cabelo, não sei qual é a dele.

Robert observava tudo muito sério. “Tchau Laila.” O Doutor falou e saiu.

“Que Doutor carinhoso hein?” Robert falou se sentando na poltrona do quarto. “Está a fim dele?” Ele perguntou e eu fiquei surpresa com a sua pergunta.

“Deixa de ser ridículo Robert, não sou como você.” Respondi e virei o olhar para outro lado.

“Não precisa ficar nervosinha, você é livre, só não quero ele se metendo a besta com meu filho quando nascer.” Robert falou e eu tive que rir.

“Está preocupado com MEU FILHO por que? Nunca se preocupou?”

“Seu filho não, nosso, ele também é meu e eu tenho todo o direito de não querer ele por perto.”

“Você não tem direito de nada, só de me deixar em paz.”

“Você agora é tão cheia de raiva de mim, mas antes era tão apaixonada. O que aconteceu com todo aquele amor?”

“Você matou ele.” Respondi seca. Robert respirou e não disse nada por um tempo, depois se aproximou da cama, sentou na beirada e me olhou fixamente.

“Matei é? Será?” Ele falou em sussurro e eu fiquei estática observando suas reações. Robert se aproximou de mim lentamente olhando meus lábios, colocou uma de suas mãos na minha bochecha, fez um carinho e com calma foi chegando perto até encostar seus lábios nos meus. Ele não iniciou o beijo, apenas ficamos com nossas bocas coladas. Eu parecia uma estátua e estremeci quando senti seus lábios nos meus. Robert desencostou a sua boca da minha e me olhou nos olhos, depois novamente se aproximou e encostou seus lábios nos meus e tentou iniciar um beijo, mas eu, com raiva, mordi seu lábio sem dó.

“Ai!” Robert disse se afastando de mim com a mão na boca. “Você é louca?”

“Não, você é que é de se aproximar de mim, nunca mais faça isso ou faço coisa pior.” Falei entre dentes.

“Você me machucou!” Robert falou mostrando o lábio inferior sangrando.

“E da próxima machuco mais.”

Robert saiu do quarto nervoso sem olhar para trás.