Notas iniciais
Opa aqui estou eu depois de séculos sem postar (não por vontade própria) kkk Boa leitura (:

Seu perfume amadeirado chegou primeiro até mim. Seus passos eram quase lentos, e Danielly saiu da mesa sorrateiramente antes que ele me alcançasse.

– Alice. – disse, enquanto se sentava na cadeira antes ocupada por Danielly.

– Por acaso você está me seguindo? – perguntei sem rodeios.

– Talvez sim, – ajeitou sua jaqueta preta – ou talvez eu esteja simplesmente com fome. Quem sabe.

– Ah, claro, como foi que não pensei nisso. – meu tom era sério, mas eu estava sorrindo. – É realmente uma pena, mas já estou indo embora.

– Então talvez eu possa te acompanhar.

– Pensei que estivesse com fome.

Samuel sorriu apenas com o canto da boca, e percebi o quanto ele adorava esses joguinhos. E eu também.

– Não se esqueça, essa era só uma das duas opções.

Ele ficou de pé, e esperou ao meu lado enquanto eu me levantava. Saímos do bistrô e pegamos o caminho que nos levava até os blocos. Não estávamos com pressa, e continuamos conversando.

– Você não me disse por que foi embora da festa daquele jeito.

– E eu deveria?

– Deveria, considerando que você tem uma dívida infinita comigo.

Encarei sua expressão divertida.

– Dívida? — perguntei. — Como assim?

Ele parou de andar e pegou um maço de cigarros em um dos bolsos da jaqueta.

– Você sabe, — acendeu um cigarro. — por ter te salvado daquele nerd ontem.

– E quem disse que eu precisava ser salva?

– Fala sério. Qualquer um que passa mais de dois minutos ao lado do Breno precisa de uma intervenção.

– Ah, então esse era o nome dele. — Samuel me ofereceu o cigarro e eu o peguei. — Fique sabendo que ele era muito interessante. E bem gato pra falar a verdade. — Levantei as sobrancelhas sugestivamente.

– Viu, esse é um dos efeitos colaterais que ele causa nas pessoas. — lancei-o um olhar questionador. — Alucinações, distorções da realidade. Coisas do tipo.

Revirei os olhos, mas não pude evitar de rir. Olhei a minha volta e notei que já estávamos no meu bloco.

– Esse é o seu bloco?

– Não. — disse, olhando para o meu prédio. — Eu não moro no campus.

Senti uma pontada de inveja. Ter minha própria casa era meu maior sonho, e o mais completamente irrealizável. Morar no campus era uma das exigências da faculdade para aceitar uma aluna com antecedentes ruins como os meus. Pura babaquice.

– Ah, — me segurei para perguntar onde era sua casa. Aquilo não era da minha conta. — é aqui que eu fico.
Ele abriu um sorriso provocador.

– Não vai me chamar para conhecer seu quarto?
Retribui o sorriso e passei minha mão pelo seu rosto. Os olhos de Samuel ardiam, iluminando seu castanho escuro. Sustentei seu olhar por alguns segundos, e então abaixei minha mão e levantei as sobrancelhas.

– Sonhe.

–---

Entrei no meu quarto quase sorrindo para mim mesma. Notei que não havia ninguém lá e me joguei na cama.
Eu me sentia aquecida por dentro, e estranhei isso. Não era algo que costumava acontecer comigo. Assim como o fato de eu ter vontade de passar algum tempo com um garoto sem necessariamente querer matá-lo.

Eu não queria parar para pensar no quanto eu gostava da companhia de Samuel. Ou das suas respostas espertas. Ou do seu sorriso torto.

Aquilo não fazia sentido nenhum para mim. Era contra a minha natureza. Mas ao mesmo tempo eu gostava da sensação que isso trazia. Era errado. Deliciosamente errado, e eu não conseguia resistir.

O perigo de desafiar Chery, Victória ou qualquer um que fosse era atraente demais para que eu pudesse afastá-lo. Eu não estava disposta a perder aquela sensação torturante que o desconhecido sempre trazia. Eu queria chegar o mais longe que fosse com Samuel, e não abriria mão disso.

Senti algo arder ainda mais dentro de mim enquanto eu pensava naquilo, e me levantei da cama. Fui até a sacada e me apoiei na grade. Era possível ver as ruas depois dos muros da faculdade, e observei os carros passando. Senti uma vontade imensa de me transportar para lá, como se aquele fosse um mundo paralelo. A calmaria e o caos que eu só conseguia achar lá fora tinham gosto de realidade, e me faziam querer insanamente que minha vida fosse diferente.

Eu só queria jogar tudo para o ar e me ver livre de tudo o que me cercava.

A compreensão de que eu não teria isso tão cedo me atingiu como um vento congelante, fazendo com que cada parte de mim acordasse.

Sai da sacada, e relaxei ao me lembrar que eu não tinha nenhuma aula a tarde. Eu tinha o resto do dia livre para fazer... nada, e me senti agradecida por isso.

Tirei minha calça jeans, que estava me apertando um pouco, e coloquei uma blusa preta que ia até a metade da minha coxa. Prendi meu cabelo em um coque, peguei uma latinha de refrigerante que estava no frigobar e me sentei na minha cama. Me ajeitei entre as cobertas da melhor maneira que pude e peguei um dos livros na prateleira da parede na qual minha cama estava encostada. Comecei a ler, e não vi o tempo passar, enquanto atrás de mim as horas iam embora e o sol se punha com elas.

Notas finais
Espero que tenham gostado e comentem por favor. Até o próximo capítulo (: