Notas iniciais
Desuclpem a demora, fiquei realmente sem tempo essa ultima semana e foi um pouco difícil conseguir escrever kkkkMas enfim, boa leitura.

– Ei, esperem aí! – gritei um pouco ofegante.
Emily e Chery pararam de andar e viraram para trás, procurando quem as havia chamado. Apenas quando cheguei mais perto as duas pareceram me reconhecer.

Parei na frente delas respirando descompassadamente.

– Hm... Oi. – disse um pouco hesitante, me preparando para levar uma pedrada de Chery, mas ela abriu um largo sorriso e disse:

– Olá, Alice!

Não consegui decifrar se seu sorriso era sincero, e notei pela expressão de Emily que ela também não esperava aquilo, mas estava satisfeita.

– Oi. – disse Emily.

– Chery, — comecei – eu preciso conversar com você.

Ela pareceu pensar por alguns instantes.

– Ok. – respondeu – Vamos até a praça?

– Praça? – pensei no quanto minhas costas ardiam pelo sol quente e em como eu gostaria de me sentar em uma sombra e beber o máximo de água que meu estômago aguentasse, mas me contentei com a sua sugestão. – Tudo bem, vamos lá.

Emily se despediu parecendo extremamente alegre pela nossa reconciliação instantânea e foi embora.

Subi a rua em direção à praça ao lado de Chery, em completo silêncio, e me senti agradecida por isso.

Quando chegamos ela se sentou em um banco ao lado de um pequeno arbusto, ficando do lado da sombra, e achei melhor não tentar trocar de lugar com ela, mesmo que eu realmente precisasse de um pouco de sombra.

– Então – disse Chery – o que você quer conversar?

– Você sabe o que é. – fiz uma pequena pausa, esperando que ela dissesse algo, mas ela permaneceu em silêncio, então continuei. – É sobre Samuel. Não, não é isso. É sobre nós.

Ela acenou com a cabeça, indicando para que eu prosseguisse.

– Então, lá vamos nós. Ontem à noite eu fui a uma festa, Samuel estava lá, e nós dançamos. Mas obviamente você já sabe disso.

Acenou mais uma vez.

– Eu só queria dizer que eu entendo que você esteja brava, mas não acho que isso seja justo. Sei que você é, hm, um pouco ciumenta, mas você não precisa se preocupar se por acaso eu conversar com alguém que você quer. – respirei fundo, e ela continuou em silêncio. – Quer dizer, você mesma já se aproximou de muitos meninos que eu estava caçando, e eu não me incomodei com isso. Resumindo, me desculpe se isso te incomoda – pensei um pouco sobre a próxima coisa que eu diria, que não fazia parte dos planos, e falei antes que eu mudasse de idéia. – mas vou conversar com quem eu quiser, como sempre fiz.

Ela piscou algumas vezes e colocou uma mexa de cabelo loiro atrás da orelha.

– Ok.

Olhei para ela perplexa.

– Ok? Só ok?

– Sim, só ok. – voltou a sorrir – Eu pensei bem sobre o que aconteceu e cheguei á conclusão de que... bem, você não é realmente uma ameaça, não é? – soltou uma risada como se aquela fosse uma ideia ridícula.

Não pude evitar de me sentir um pouco ofendida, e me perguntei qual era o real sentido do que ela havia dito.

– Hm, é. Então – prossegui, testando lentamente sua reação ao que eu dizia – tudo bem para você se eu conversar com Samuel?

– Tudo ótimo. – abriu ainda mais o sorriso, por mais que parecesse impossível. – Já disse que nossa amizade é mais importante, e você pode conversar com quem quiser, não vai fazer diferença nenhuma.
Inclinou a cabeça fazendo sua expressão de maníaca.

– Ah, que bom. – respondi – Preciso ir agora, eu combinei de almoçar com... – disse o primeiro nome que me veio à cabeça. – Danielly.

Tentei retribuir seu sorriso, mas deve ter parecido mais uma careta de dor, e fui embora, deixando para trás minha amiga psicopata e uma das conversas mais estranhas que eu já tivera na vida.

–----

Fui até o bistrô e avistei Danielly sentada em uma das mesas no canto. Eu sabia que ela estaria lá, já que aquele era o lugar em que ela almoçava religiosamente todo santo dia, mas me surpreendi ao ver que ela estava sozinha.

Danielly encarava o cardápio despreocupada, e sua bolsa ocupava a cadeira à sua frente, bem diferente do que geralmente acontecia, já que ela sempre almoçava com no mínimo duas de suas amigas barbies.
Seu cabelo estava um pouco bagunçado, preso em um coque frouxo no topo de sua cabeça, e ver que ela não estava usando rosa foi outra coisa que me surpreendeu.

Me aproximei de sua mesa, tirei sua bolsa da cadeira, e me sentei, sem cerimônias. Eu não havia combinado nada com Danielly, mas eu tinha a leve impressão de que ela não se importaria de almoçar comigo. Outra impressão que eu tinha é que ela estava diferente o suficiente para conseguir não me matar de tédio.

Ela levantou os olhos do cardápio e exibiu um pequeno sorriso ao me ver. Fiz meu pedido e fiquei apenas olhando para o papel de parede estampado da parede ao meu lado. Eu não queria admitir, mas precisava conversar com alguém sobre o que acabara de acontecer, mas Danielly não parecia muito interessada em saber da minha vida – por mais surreal que aquilo parecesse, se tratando dela.

Seu prato chegou seguido do meu, e foi só após despejar uma quantidade absurda de maionese no seu macarrão que ela olhou para mim.

Ela repousou os talheres no prato.

– Vai falar ou não?

– Falar o que? – perguntei confusa.

Levantou uma das sobrancelhas.

– O que quer que seja que você está tão louca para falar. – suavizou a expressão – Não é por nada, mas está bem óbvio que aconteceu alguma coisa.

Tentei descobri o que havia me denunciado, já que na minha opinião eu estava agindo normalmente, e não consegui.

– Óbvio por quê?

– Geralmente as pessoas não mordem o lábio até sangrar sem motivo.

– Mas... – passei a língua pelos meus lábios e senti gosto de sangue. – Ah.

Pensei um pouco em porque eu não deveria falar o que havia acontecido pra ela, mas tudo me levava à conclusão de que eu não tinha nada a perder. Danielly havia mudado incrivelmente, e eu realmente sentia vontade de contar para ela o que havia acontecido. Além do mais, ela era minha única opção.

Então contei sobre minha situação com Chery enquanto comia, omitindo a parte em que Samuel seria morto qualquer dia desses por ela, e fiz tudo parecer uma simples história de ciúmes entre amigas. Ela escutou tudo atentamente, dando pequenos acenos com a cabeça de vez em quando.

Quando terminei de contar ela apenas fez um comentário sobre como eu havia agido da forma certa, e aquilo foi suficiente. Eu só precisava colocar para fora, e ela havia sido uma boa ouvinte.

Terminei de comer e respirei fundo, voltando a encarar a parede. Foi quando Danielly parou seu garfo no meio do caminho e olhou fixamente para a entrada do bistrô, atrás de mim.

– Parece que tem alguém que você precisa conversar logo ali.

Me virei para trás, seguindo seu olhar, e avistei um dos rostos mais perfeitos que eu já vira na vida – coisa que eu me recusava a dizer em voz alta.

Senti vontade de ir embora dali e ficar ao mesmo tempo. Então simplesmente esperei enquanto meu garoto problema andava em direção a mim.

Notas finais
Quem acha que a Chery deveria ser internada levanta a mão o/ kkkk Qualquer duvida digam e deixem comentários POOOR FAVOR! Espero que estejam gostando e até o próximo capítulo!