Metamorfose
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Música: Factory Girl - The Pretty Reckless
Música alta, quartos escuros, e adolescentes bêbados. Era exatamente isso que eu procurava quando soube dessa festa, e preciso admitir, ela não me decepcionou.
As luzes piscavam através das janelas e senti o chão vibrar suavemente sob meus pés, acompanhando o ritmo da música que vinha de lá. O longo gramado à minha frente estava repleto de adolescentes desmaiados, e tive que me desviar deles para chegar até a porta.
A casa era grande e luxuosamente decorada. Era uma pena que alguns dos convidados tivessem destruído completamente tudo que viram pela frente. As paredes beges estavam agora pixadas com frases e desenhos tão obscenos e perturbadores que somente um humano poderia ter criado.
Ao lado da porta de entrada ficava uma mesa repleta de bebidas e copos de plástico, e no lado oposto da sala estava o DJ, visivelmente bêbado, que comandava o som enlouquecedor que ecoava por toda a vizinhança.
A abundância de garotas com roupas curtas e provocativas não me surpreendia. As humanas tinham um hábito um tanto quanto estranho de se oferecer para quem quer que fosse, e se sentirem ofendidas quando davam a elas um tratamento condizente com seus atos. Mas isso não era importante.
Peguei um copo de uma bebida qualquer, me enfiei dentro de um grupo de adolescentes que estava em frente à mesa do DJ e tentei curtir o pouco tempo que eu tinha naquela festa.
Foi quando senti uma mão agarrar a minha firmemente e me puxar com pressa para fora da multidão. Meu salto alto dificultou um pouco o processo, mas após alguns esbarrões e pisadas nos pés, consegui ficar a sós em um quarto no fim do corredor com o dono daquela mão. E, puxa, que dono ela tinha.
O quarto estava escuro, mas era possível distinguir seus músculos sob sua camiseta branca e seus olhos pretos pela pouca luz que vinha da janela. Fechei a porta com as costas, ele ainda segurando minha mão. Coloquei o copo em um armário à minha direita e me aproximei dele. Corri meus dedos pelos seus cabelos e deixei que a sensação da maciez perdurasse por alguns instantes. Ele me lançou um meio sorriso enquanto me puxava pra perto e me beijava com vontade, como se tivesse pressa. Quase bati palmas pra mim mesma, ele era realmente bonito.
Sabe, às vezes o trabalho pode ser bem divertido.
Ajudei-o a tirar sua camiseta enquanto sentia sua boca percorrer meu pescoço de cima a baixo. Ele me puxou novamente pela cintura
– Esperei muito por isso, Alice — disse com um sussurro em meu ouvido, que me fez arrepiar. — Acho que mereço uma recompensa.
Escutei quando seu cinto atingiu o chão e joguei-o na cama de casal que ocupava o centro do quarto. A música alta ainda tocava, mas agora era apenas um ruído de fundo para nós dois.
– Ah Lucas, pode ter certeza que você terá. – meus olhos se estreitaram automaticamente.
Subi na cama e fiquei em cima de seus quadris. Sua respiração estava ofegante e seus olhos mais pretos do que nunca. Coloquei o cabelo de lado e o observei por alguns instantes, antes de encontrar sua boca novamente.
– Então, — disse enquanto o beijava — você me deixa fazer qualquer coisa que eu quiser com você hoje?
Essa era a parte mais importante do processo, mas não me preocupava muito. Eu sabia que ele diria sim.
– Sim, qualquer coisa. — seus olhos faiscaram.
Beijei-o uma ultima vez enquanto sentia o calor que começava nas pontas dos meus dedos e se espalhava lentamente pelo meu corpo. O quarto pareceu ficar em completo silêncio enquanto eu corria meu dedo indicador pelo seu peito nu. Parei assim que cheguei ao seu coração.
Aos poucos tomei consciência de tudo a minha volta. Seus batimentos cardíacos soavam em meus ouvidos como tambores. Ouvi os suspiros de um casal no quarto ao lado, e a respiração de alguém encostado na porta, tentando ouvir o que se passava aqui dentro. O quarto se iluminou – mas apenas para mim – e meus músculos se enrijeceram.
O calor se apoderou de mim por completo, e ele percebeu. Eu estava pronta.
Fixei meus olhos nos dele e sua expressão mudou por um momento. Pressionei meu dedo com mais força contra seu tórax e observei deliciada seu olhar de terror. Sua única demonstração de dor foi um pequeno grunhido, quase inaudível, mas eu sabia que ele não conseguiria fazer muito mais que isso.
Quando disse que eu poderia fazer o que quisesse com ele, Lucas havia se entregado inteiramente a mim, e seu coração não ousaria bater sem a minha vontade. Não é a toa que dizem pra se ter cuidado com o que deseja.
Meu dedo perfurou sua carne silenciosamente, e assim que toquei seu coração pude ver a vida deixando seu corpo, e após um espasmo em seu peito soube que sua alma fora, finalmente, para o lugar onde sempre deveria ter estado. O Inferno.
Notas finais
Até o próximo capítulo.
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