Metalwillverso
12 Uma noite do barulho (Vila Baunilha)
Notas iniciais
"Vila Baunilha" foi uma história de comédia que escrevi com o propósito de ser uma sucessora espiritual de "This is my Gang!", mas em vez de colocar um garoto em uma escola nova cheia de malucos, agora era uma garota em toda uma cidade nova cheia de malucos. Anne Montecarlo é uma garota sarcástica e pouco paciente, mas muito esforçada, que logo no primeiro dia de mudança não se dá bem com seu vizinho, Luciano. Aos poucos, porém, os dois vão percebendo que não se odeiam tanto assim.
Misturando comédia, romance e vida cotidiana, foi uma das histórias mais divertidas que escrevi. A origem do nome foi extremamente aleatória: simplesmente achei legal a sonoridade de Vila Vanilla e como Vanilla é baunilha em inglês, ficou "Vila Baunilha"
Muito dessa história foi inspirado em obras românticas bucólicas, como "Emma" de Jane Austen, e também na estética de novelas das seis, como "Chocolate com Pimenta".
Neste capítulo especial, vemos um episódio peculiar ocorrido no final da história original (recomendo ler apenas se leu "Vila Baunilha" até o fim).
Até mais! ;)
—Vamos, querido. Já está quase na hora de sair! — disse Carla, a rigorosa mãe da família Montecarlo. Seu marido, Antenor, estava terminando de colocar uma jaqueta. Pelo que parecia, eles estavam se preparando para sair.
—Calma, já estou indo — falou Antenor — Hoje não é véspera de feriado, relaxa. O trânsito está bom.—Mesmo assim, é melhor prevenir — falou Carla — Chegando cedo, podemos voltar mais cedo.—Não podemos ir mesmo? — perguntou Briana, a filha mais nova do casal.—Não tem necessidade — falou Carla — É um tio distante meu que vocês nem conheceram. Vamos só em consideração à minha mãe. Nem eu conheci ele direito.Eles estavam falando de um tio distante de Carla que tinha falecido outro dia. Ele morava longe de Vila Baunilha, a cidade onde a família Montecarlo já estava morando há mais de um ano. Pela pouca familiaridade, Carla achou que não precisava levar as meninas.—Pode deixar — disse Anne, a filha mais velha — Cuido bem da Briana.—Ah, quanto a isso não precisa se preocupar — falou Carla — Ela já deve estar chegando.—Ela? — estranhou Anne, olhando para sua irmã.Naquele exato momento, a campainha tocou e Márcia, a colega de escola de Anne, estava à porta.—Oi — disse ela — Cheguei na hora?—Em ponto — disse Carla — Briana! Anne! Essa é a Márcia. Ela vai cuidar de vocês enquanto estivermos fora.—Ah, legal — falou Briana.—QUÊ?! — exclamou Anne — Mãe, pra quê você chamou a Márcia? Eu podia muito bem cuidar da Briana!—Tá, e quem vai cuidar de você? — perguntou Carla.—Pelo amor de Deus! — exclamou a filha — A Márcia está na mesma sala que eu! Temos a mesma idade!—Quando você nasceu, Márcia? — perguntou Carla.—22 de abril — disse ela.—Ótimo. A Anne nasceu dia 05 de setembro — disse Carla — A Márcia é mais velha do que você. Além disso, ela já tem experiência como babá.—Mãe...—Nada de "mãe" — falou Carla — É só seguir as orientações dela e pronto. Nós voltamos amanhã mesmo. Tchau e se cuida.—Até logo, meninas — disse Antenor, dando um beijo nas filhas e pegando a chave do carro. Em poucos instantes, os pais saíram e apenas as três meninas ficaram em casa.—Sua mãe é engraçada — comentou Márcia.—Ai, Márcia. Desculpa. Ela é doidinha mesmo — disse Anne — Se quiser ir embora, pode deixar que eu cuido de tudo aqui.—Imagina — falou Márcia — Já que estamos aqui, por que não fazemos uma noite das meninas? Podemos assistir um filme.. Que tal? Claro, precisamos dormir às 10 horas porque amanhã tem aula, mas agora não são nem 7 horas.—Sim — falou Briana — Põe aquele filme da Barbie!"Aquele que já assistimos umas vinte vezes", pensou Anne, olhando para cima já preparada para uma noite tediosa.De qualquer modo, as meninas até que se divertiram e, após às 22 horas, foram para cama. Mas, enquanto isso, alguém do lado de fora estava com outros planos.—E aí, Carioca? Tudo pronto? — falou Luciano, ninguém menos que o namorado de Anne, com um violão em punhos.—Tudo no esquema — disse Carioca, amigo de Luciano, com seu inseparável boné — Se essa invenção do Luís realmente funcionar, tá de boa.—É claro que vai — falou Luís, outro amigo deles, por acaso um gênio da ciência — Fazer um aparelho de som de alta amplificação é fácil.—Boa — disse Luciano — Vi os pais da Anne saindo e não poderia perder essa oportunidade. Vai ser o presente de um mês de namoro perfeito! Que menina não gosta de uma boa serenata?—É meio estranho ajudar a preparar uma serenata para a minha ex — comentou Luís.—Que ex? Ela nunca foi sua namorada! — reclamou Luciano.—Isso na sua interpretação — retrucou Luís.—E na dela também, né? — disse Carioca.—Ah, o que importa? Agora estou muito bem com a minha namorada, Samara — disse Luís — Não precisamos remoer o passado.—Como são as coisas, né? Até pouco atrás eu não suportava aquela menina e agora não consigo viver sem ela — disse Luciano.—É, vocês superaram as primeira impressões que tinham um com o outro. É tipo aquele filme que fizeram do livro...Bagulho e Pão de Centeio.—"ORGULHO E PRECONCEITO"! — corrigiu Luís indignado.—É, isso aí — falou Carioca.—Tá, tá, que seja — falou Luciano — Agora é a hora de mostrar o quanto melhorei no violão! Tá, não pretendo mais seguir carreira como cantor, mas ainda posso fazer uma serenata para a namorada. Bora lá.—Precisamos mesmo fazer isso? — perguntou Luís para Carioca, sem Luciano ouvir.—Bom, ele pagou 10 reais pra gente ajudar, né? — respondeu Carioca.Nada como a amizade verdadeira. As meninas já estavam dormindo, quando Luciano chamou por Anne da janela.—Anne! Anne! — chamou eleMas, pelo visto, o sono de Anne estava pesado e ela não ouviu.—Vi num filme que os caras que fazem serenata jogavam uma pedrinha na janela da moça — falou Carioca.—Ah, boa ideia — falou Luciano.O garoto pegou uma pedrinha e ameaçou jogar na janela, mas nisso é impedido imediatamente pela patrulha policial.—Parado aí, meliante! — disse soldado Caxias, a autoridade policial da cidade. Tudo bem que ele não estava em seu horário de serviço naquele momento. Estava apenas voltando para casa depois de comprar um pastel na pastelaria do pai de Luciano, mas não podia deixar de manter a ordem na cidade — O que pensa que está fazendo? Acha que vou deixar você quebrar a janela de uma casa de família para roubá-la?
—Do que está falando? Sou eu, o Luciano! — disse ele.—Luciano? Que vergonha! — disse o soldado — O que seu pai vai pensar? O filho dele se tornando um criminoso e...Os garotos demoraram, mas conseguiram explicar a situação. Como um homem maduro que era, Caxias só teve uma reação.—Então é isso? — disse ele — Por que não falaram logo? Também adoraria fazer uma serenata para a senhorita Ema antes do nosso casamento. Pena que ela mora bem longe do centro—Tá, tá, todo mundo já sabe que você é noivo da Ema — reclamou Luciano — Podia pelo menos nos ajudar a cantar para a minha namorada?—E o que você vai cantar? — perguntou Caxias.—A minha especialidade, "Chapadão de Amor" — explicou Luciano.—Chapadão de quê? — perguntou Caxias.—Chapadão de amor — repetiu Luciano.—Chapadão de amor? — o policial voltou a perguntar.—É, chapadão de amor. Vamos lá. Galera, amplia o som — disse Luciano.E ele começou a cantar.—"Tô chapadão de amooor. De amor, de amor, de amooooor"! — ele cantava do jeito Luciano de cantar.O som amplificado só deixava a coisa pior, mas pelo menos fez as meninas acordarem.—O que tá acontecendo? — falou Briana, abrindo sua janela e vendo Luciano ali — Ah, é só o Luciano.Finalmente, Anne abriu a janela.—O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO?! — gritou ela — A gente tá tentando dormir aqui!—Anne, meu amor — falou ele — Essa serenata é pra você e...Mas antes que Luciano pudesse falar mais alguma coisa, um jato de água atingiu ele e os outros meninos. Márcia fez o favor de ligar a mangueira e espantar todos eles.—Ei, eu sou a autoridade aqui, enquanto os pais delas não estão — disse Márcia — Pode ser o namorado ou o que for, mas quem manda aqui nessa noite sou eu!—C-Calma. Foi só um ato de romantismo. Eu amo a Anne e... — disse Luciano.—Luciano, amor — falou Anne — Se você me ama mesmo...—Sim — falou Luciano, esperando uma resposta romântica.—ENTÃO ME DEIXA DORMIR, CAÇAROLA! — gritou ela, fechando a janela na porta dele.—Anne sendo Anne — comentou Luís.—Mas ela não fica linda brava? — disse Luciano.Eles poderiam até ficar ali mais tempo, mas Márcia fez questão de ligar a mangueira mais uma vez, mandando todo mundo para casa. É, mais um dia tranquilo na cidade mais tranquila desse país.
Notas finais
Semana que vem, encerramos nosso ciclo com um especial de "Pianista Diferente". Até lá!
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