Metalwillverso

11 Crise especial: O Metamorfo (Alien Panic)


Notas iniciais
Depois de "Mind Clock", "Alien Panic" foi minha segunda história original de ficção científica. Escrita em um período que assisti muito "Doctor Who", decidi inventar alguma ficção envolvendo alienígenas interagindo com humanos. Saiu essa história, onde vemos uma alienígena humanoide muito inteligente, vivendo aventuras ao lado de um protagonista inseguro, mas que tenta manter um pensamento positivo. O foco era comédia (basicamente, o universo inteiro é cheio de malucos), mas coloquei alguns mistérios que só foram solucionados no final. Foi uma história bem longa e divertida. Tentei colocar elementos diversos de ficção científica e, no fim, até que gostei do resultado. Neste capítulo especial, temos mais uma aparição alienígena na vida cotidiana de Vitor. Boa leitura!

Um dia ensolarado era tudo que eu precisava para manter o bom humor. De férias, sem preocupações com a escola, sem preocupações em ser o último a ser escolhido na educação física, poderia simplesmente fazer uma boa caminhada pela cidade com toda a tranquilidade.

Talvez você não me conheça ou talvez conheça muito bem. Meu nome é Vitor Almeida, primeiro ano do ensino médio, uso óculos com um grau mais forte do que a média da população, a garota que eu gosto já tem namorado e não tenho a menor ideia do que pretendo fazer da vida depois de acabar o colégio, mas, no fim das contas, tenho uma vida feliz, apesar de não muito tranquila. Bem, digo que minha vida não é tranquila porque minha colega de sala (e vizinha) é uma ecologista intergaláctica vinda de uma civilização extraterrestre muito distante apenas para estudar a Terra. Se fosse só ela, tudo bem, mas vira e mexe aparecem aliens bizarros por aí. De vez em quando ela também pede minha ajuda para evitar que a Terra seja destruída. Muita gente adoraria estar no meu lugar, mas eu, pessoalmente, quero distância dessas encrencas. Vai lá lutar com piratas espaciais para ver se é legal! Por que não é com você, né?

De qualquer modo, parecia que nada daria errado naquela manhã. Sou assim, sempre tento pensar positivo. É, como eu disse: parecia. Estava caminhando tranquilamente pela rua, quando três pessoas com cara de furiosa me param. Um parecia ser o atendente da lanchonete da esquina, outro tinha um uniforme do restaurante do bairro vizinho e a outra parecia a tia da pastelaria da rua de cima da minha casa.

—Ah, é ele! — gritou a tia da pastelaria.

—Como? — estranhei — O que tem eu?

—Olha, que cínico — reclamou ela.

—É ele mesmo. E ainda tem a cara de pau de andar por aqui assobiando! — falou o cara do restaurante.

—E aí, garoto? Vai pagar o que deve ou não? — ralhou o atendente da lanchonete.

Eu não estava entendendo nada. Por que eles estavam bravos comigo e por que queriam que eu pagasse alguma coisa. Aquela conversa estava muito estranha.

—Esperem um pouco. Do que vocês estão falando? — perguntei.

—Não se faz de bobo! Apesar de você ter mesmo uma cara de bobo — falou a tia da pastelaria — Você pediu três pastéis e não pagou.

—Também pegou um prato cheio no meu restaurante e saiu sem pagar — reclamou o homem do restaurante.

—E o hamburgão que você comeu e saiu correndo sem pagar a conta? — ralhou o cara da lanchonete.

—Como assim? Eu acabei de sair de casa agora e...

—Mentiroso! — gritaram os três juntos.

—Vai logo — falou o cara da lanchonete — Paga ou vamos chamar a polícia, seu ladrãozinho safado.

—Eu sou inocente. Eu juro! — falei.

Mas eles estavam cada vez mais nervosos e, pelo olhar de cada um, estavam prontos para me bater.

—Peguem ele! — gritou o homem do restaurante.

Nessas horas, o que a gente faz? Sim, saímos correndo. Saí praticamente voando dali, mas o trio estava disposto a me pagar. Quem poderia me ajudar naquela situação? Foi quando vi a Estrela, minha vizinha alienígena, caminhando tranquilamente olhando seu celular (que, na verdade, era uma arma que abre portais interdimensionais disfarçada, mas não vamos nos apegar nesses detalhes).

—Estrela! Socorro! — gritei, me escondendo atrás dela.

—Vitor? — disse ela, sem mudar muito sua expressão séria (ou seja, estava em seu estado normal) — Aconteceu alguma coisa?

—Eles estão querendo me bater por algo que não fiz! — respondi.

O trio chegou e todos começaram a esbravejar, repetindo as acusações. Demorou um pouco, mas Estrela entendeu a situação.

—Ai, tá, que seja — falou ela — Se o problema é dinheiro, vocês aceitam cartão?

Ela mostrou seu cartão universal, com capacidade para realizar pagamentos em qualquer lugar do universo. Imaginei que eles não teriam como cobrar ali, mas os três sacaram máquinas de cartão e Estrela pagou toda a dívida no débito. Apesar disso, eles não saíram dali sem me olhar com reprovação.

—Você não deveria pedir comida sem dinheiro para pagar, Vitor — disse Estrela — Tá certo que essas contas valem só uns trocadinhos na moeda intergaláctica, mas não gosto de gastar meu orçamento à toa.

—Aí é que está. Não fui eu. Não sei de onde eles tiraram essa história.

—Se não foi você e eles te confundiram — pensou Estrela — Só pode ter sido alguém muito parecido com você.

—Mas quem?

Começamos a pensar juntos, quando olhamos para o lado e vimos um garoto muito parecido comigo pedindo um cachorro-quente na barraquinha.

—Então, são dez reais — disse o tio.

—Ah — falou minha cópia — Tudo bem. Eu passo aqui mais tarde para pagar.

—O quê?

Estrela e eu nos olhamos. Só podia ser aquele cara.

—Ei, você aí! — gritei.

O meu "clone" ouviu assustado e saiu correndo.

—Ei, garoto. A conta! — falou o tio do cachorro-quente.

—Não se preocupe — falou Estrela — Vamos pagar o senhor, assim que pegarmos aquele moleque!

Mas ele era rápido. Estrela e eu corríamos o máximo possível, mas ele ainda assim estava escapando.

—Como pode? Eu tenho um irmão gêmeo e não sei!

—Não deve ser isso — falou Estrela — Deve ser um metamorfo. Não é à toa que meu Portal Gun não detectou nada.

—O que é isso?

—É uma raça alienígena que pode se transformar em qualquer coisa, imitando seu DNA à vontade. Se um está aqui, deve ser um fugitivo. Droga, se não fosse essa gente toda, podia usar meu Portal Gun e pegar ele bem mais rápido.

De fato, estávamos no meio da cidade e Estrela queria manter segredo de sua identidade extraterrestre. O tal metamorfo se misturou à multidão e logo nos despistou.

—Droga. Onde ele foi parar? — reclamou Estrela — Como ele muda a constituição genética, não conseguimos detectá-lo.

Nisso, nosso casal de amigos, Mabi e Eduardo também estavam passeando pelo parque e, no momento em que Mabi foi ao banheiro, o metamorfo achou uma boa ideia se transformar nela. Escondido em um canto, ele mudou sua forma novamente.

—Oi...voltei — disse ele.

—Já voltou? — estranhou Eduardo — Mas você acabou de sair.

—É, esqueci de uma coisa e...

Por sorte, estávamos ali por perto, quando vimos os dois. Não sabíamos que Mabi era o metamorfo disfarçado, então ainda achávamos que ele estava na minha forma.

—Oi, Eduardo — falei, ofegante — Você me viu passando por aqui?

—Estou te vendo agora, Vitor — falou ele.

—Você está bem? — perguntou Mabi (na verdade, o alien transformado).

—Não é que...

—Tem um alienígena disfarçado como o Vitor. É isso — falou Estrela — Precisamos pegá-lo!

—Esses aliens de novo — disse Eduardo, coçando a cabeça — Parece que nosso dia será agitado, não é, amor?

Nisso, Mabi (a original) voltou para onde estávamos.

—Oi, gente e...como?

As duas Mabis ficaram pasmas. Obviamente, uma das duas era o metamorfo.

—Vocês — disse Vitor — Qual de vocês duas é a verdadeira Mabi?

—Ora — disseram as duas — É claro que eu sou a Mabi de verdade!

—Que pena — falou Estrela — Um metamorfo pode copiar a aparência, mas não as memórias. É só perguntarmos algo que apenas a Mabi de verdade saberia. Por exemplo, qual é o nome da irmã do Vitor?

Uma delas ficou hesitante, mas a outra respondeu agilmente.

—Vitória — disse a Mabi que chegou depois.

—Sabia que era você — falou Eduardo, trocando de mãos e abraçando sua verdadeira namorada.

—Pegamos — disse Estrela, já algemando a Mabi falsa — Vai, pode voltar ao normal.

O alienígena mudou sua aparência para sua forma original. Parecia um humano comum, mas com três olhos (como estávamos cercando o metamorfo, ninguém viu a transformação).

—Afinal, o que você quer? — perguntou Estrela — Quer invadir a Terra? Veio aqui reconhecer o terreno? Não vou deixar que gere um desequilíbrio no planeta que estou estudando!

—Desculpa, desculpa — falou ele — É que...sempre ouvi dizer que a comida da Terra é maravilhosa. E não resisti em passar aqui para experimentá-la. Foi isso.

—Mas você precisa pagar pelo que consome — falei — Você não tem dinheiro?

—Bem, achei que um lanchinho ou outro não ia fazer diferença. Vocês tem tanta comida, né?

—Você está falando de um planeta atrasado que mesmo tendo comida suficiente para alimentar a população inteira, ainda tem pessoas passando fome — disse Estrela — Devia ter estudado mais antes de vir para cá.

—Obrigado por sempre lembrar que a Terra é atrasada, Estrela.

—Nunca é demais relembrar — falou ela.

Depois disso, entregamos o metamorfo para a CICE (Central de Investigação para Casos Extraterrestres) e voltamos à nossa vida pacata de sempre. Voltamos para nosso bairro, Eduardo e Mabi foram curtir seu namoro em outro lugar e segui para casa na companhia de Estrela.

—Bem, agora que tudo isso já passou — comentei — Finalmente posso voltar a ter um dia tranquilo, não é?

—Espere — Estrela me puxou. Ela havia detectado alguma anomalia — Parece que tem um alienígena por perto. Venha, Vitor, vamos investigar.

Mas de novo? Bem, acho que preciso me acostumar com essa rotina.

Notas finais
No próximo capítulo, vamos visitar nossa cidadezinha preferida do interior, Vila Baunilha. Até lá! :)