Mesmo que seja por um momento

2 Desejos que são pesadelos


Notas iniciais
Olá meus queridos, como é que vocês estão? Se chegaram até aqui imagino que a história de Archer e Rin tenha despertado um interesse em vocês. Que bom, pois acho que não sou a única que shipa eles dois muito hehe ^_^ IMPORTANTE: Há presença de Spoilers e se faz totalmente necessário ter assistido pelo menos os 10 capítulos da primeira temporada de Fate Stay Night: Unlimited Blade Works

Eles haviam esbarrado na versão antiga de Archer: Emiya Shirou. Sim o garoto que sonhava em ser um herói da justiça. Archer não esperava encontra-lo tão cedo, as coisas estavam diferentes daquela época em que participou da Guerra do Santo Graal pela primeira vez. Ele esperava menos ainda que Rin se afeiçoasse tanto a Shirou logo de cara. Parecia que o destino mais uma vez o traía. Num ímpeto de salvar Shirou das garras da Caster acabou por odiá-lo mais que tudo. Seus planos e objetivos mudaram completamente no momento em que olhou nos olhos do seu antigo eu e viu seus ideais enraizados nele.

Archer seguiu odiando o seu antigo eu e amando tudo o que fazia dele uma boa pessoa. Nesses momentos ele aparecia para tentar ajudar Shirou e dissuadi-lo de seu caminho para a destruição. No entanto, não importava o que ele fizesse ou dissesse, seu antigo eu não deixava de lutar pelo que acreditava. Ele tomou uma decisão enquanto refletia sobre o que poderia fazer para reverter o Destino de Emiya Shirou. Se ele apagasse seu antigo eu da história, não existiria o Espírito Heroico Emiya que havia se tornado um Guardião. Assim talvez ele se salvasse de sua condenação eterna, pelo menos era o que esperava.

O problema era Rin que tinha o poder sobre ele, em mais sentidos do que Archer gostaria. Como era de se esperar, ele não pode evitar sentir o que sentia por sua Mestre, pois era um amor que perdurou durante muitos anos e era a sua única luz nos dias mais escuros que as incessantes guerras trouxeram a ele. Ele precisava afastá-la de tudo isso, não poderia condena-la novamente à tristeza e a amargura que seu eu faria ela sentir no futuro. Tinha que salvar a si mesmo e salva-la desse destino cruel. Sim, ele faria tudo o que estivesse ao seu alcance para mudar a história.

Ao deixar Caster fugir ele abriu seu leque de opções. Tramava secretamente em trair Rin e se colocar sob o comando daquela bruxa inescrupulosa sugadora de almas para destruir Shirou. Contudo, ele realmente poderia deixar Tohsaka à própria sorte? Ela correria perigo longe dele, porém se ela continuasse com o garoto, Saber a protegeria, então por que hesitar? Estar ao lado de Rin era tudo o que ele queria e esse desejo conflitava com o seu objetivo de impedir seu antigo eu de se tornar o que ele se tornou.

Enquanto refletia sobre isso, não podia evitar Rin. Ela mesma ia até ele, mesmo quando não precisava de nada. Haviam desenvolvido um relacionamento muito forte de amizade e companheirismo. No entanto, Rin ainda era uma garota, ele não poderia se aproximar dela tanto como desejava e se contentava em apenas provoca-la até que um dia o inesperado aconteceu.

Rin começara a ter sonhos com Archer e sua história. Ela havia começado a ligar os pontos e desvendar quem ele era. Numa noite ela acordou gritando ao ver ele sendo ferido em combate. Archer rapidamente se postou ao lado da cama de Tohsaka. Os olhos dela estavam cheios de lágrimas.

— Rin... O que aconteceu?

— Archer?

— Sim, eu estou aqui.

— Eu... eu... – Ela desviou o olhar.

— Diga Rin, não me esconda nada!

— Eu só... tive um pesadelo.

— Do que se tratava?

— De você. Do seu passado.

— O que você viu?

— Coisas horríveis.

— Certo. Já sabe quem eu sou?

— Não exatamente, mas sei o que você foi.

— Está decepcionada comigo?

— Não sei dizer. Só... estou com medo.

— Você? Com medo? De quê?

Rin abraçou os seus joelhos e fechou os olhos com força.

— Tenho medo de que eu não possa salvar você.

Archer não esperava por aquilo. Então mais cedo ou mais tarde Rin saberia de tudo. Se soubesse o suficiente poderia tentar impedi-lo. Ela não desejava o Santo Graal em si, apenas queria sentir o sabor da luta e se orgulhar do que havia feito pela honra de sua família. Ele se sentou ao lado dela na cama e a abraçou.

— Você não pode me salvar, Rin. Minha história já acabou.

— Você está aqui não está? Deve haver alguma coisa que eu possa fazer.

— Menina teimosa... Escute você já está fazendo o que pode por mim.

— Como assim? Não posso apagar o seu passado!

— Não, você não pode. O que você faz só serve para este momento e assim deve ser.

— O que é que estou fazendo então?

— A sua presença me consola. Olho para você e penso que não é o fim. Se tem algo que me deixa feliz em estar nesta época é poder lutar ao seu lado.

— Não estou compreendendo, estamos apenas lutando juntos para vencer essa Guerra.

Os sentimentos que Archer há muito guardava estavam a flor da pele, mais uma vez ele via a mulher que amava chorar por ele. Mais uma vez ele contemplava o desespero daquela que fez e faria de tudo para salva-lo. Suas seguintes palavras saíram antes mesmo de ele perceber o que estava falando:

— Isso é mais do que o suficiente para mim. Você não vê, mas... não há nada mais precioso do que estar ao seu lado. Mesmo que seja por um breve momento, quero ficar com você.

Rin levantou os olhos na direção do Archer e o encarou por uns minutos. As lágrimas que ela tanto tentava esconder rolavam livremente pela sua face. Archer não podia mais se segurar, nenhuma de suas palavras iria ajudar nesse momento. Ele colocou uma de suas mãos no rosto da menina, se inclinou em direção aos lábios dela e a beijou de forma cálida e terna. Aquilo não deveria estar acontecendo, mas só naquela vez ele se permitiria mostrar o que sentia por Tohsaka.

A química foi instantânea e mesmo quando ele fez menção de se afastar se sentindo culpado pelo que acabara de fazer Tohsaka não permitiu que ele a deixasse. Ela o puxou para mais um beijo ao qual ele correspondeu com fogo e paixão. Quando deu por si viu que estava em cima da menina com as mãos por baixo de sua camisa, teve que se controlar e se afastar.

— Me desculpe por isso, eu não queria...

— Tudo bem... Eu não sei porque agi assim também.

— Peço permissão para me retirar.

— Por favor, não vá.

— Se eu ficar, não sei se poderei me controlar, esta honra não pertence a mim.

— O que quer dizer?

— Existe alguém melhor para você.

— Esse alguém não pode ser você?

— Não, eu só iria desgraçar a sua vida. Vamos esquecer o que aconteceu hoje, está bem?

— Mas... Archer eu...

— Esqueça isso, foi um erro.

— Não posso esquecer! Durante esse tempo todo achei que eu fosse louca, que tudo era culpa do pacto. Quando você saltava comigo pelos prédios da cidade e me carregava em seus braços eu me sentia muito mais confiante, me sentia viva e o calor de sua pele quando encosta na minha faz com que eu sinta arrepios pelo corpo todo. Esse beijo... o que fizemos, eu sinto que poderia ter feito muito mais. Sinto que... isso vai além das sensações que você me causa.

— Não Rin! Sou um Servo, não posso ficar aqui para sempre, por mais que eu queira, só cabe a mim te dar o Santo Graal, nada mais e nada menos.

— O que eu sinto... não importa para você?

— Importa sim e muito, porém eu não posso permitir que você perca o foco e consequentemente sua vida.

— Você só está fugindo do que realmente quer como sempre fez. Sempre pensando nos outros em vez de si mesmo.

— E você só luta por lutar, nem sabe o que quer!

— Eu sei o que quero agora e eu quero você!

— Pare Rin, pare agora mesmo com isso! Você não sabe o que está desejando. Se viu o que passei, sabe que não há felicidade comigo. Você tem que esquecer tudo o que aconteceu aqui. Por favor, não me faça sofrer mais.

— Archer...

— Por favor, esse é um fardo que não posso carregar.

Rin se calou e pensou por um momento. Sabia que não podia forçar ele a ficar com ela, mesmo que isso fosse para o próprio bem dele. Ela mesma não sabia como ajuda-lo. Diante dessa conclusão entendeu que devia se colocar no seu lugar e deixa-lo seguir em frente com suas crenças, se é que ele acreditava em alguma coisa.

— Está bem. Pode ir Archer, me desculpe por isso.

— Obrigado por entender.

Ele se retirou da presença dela sem dizer mais nada. Rin não dormiria pelo resto da noite e nos próximos dias.