Mesmo que seja por um momento

3 Quando eu posso ser eu mesmo


Notas iniciais
Eaí meu povo? Tudo certo com vocês? Espero que sim :D Eis aqui mais um capítulo desse super ship, quero dizer romance entre Rin e Archer. IMPORTANTE: Há menções vagas a determinados trechos do anime Fate Stay Night: Unlimited Blade Works. A descrição de cenário e enredo pode de certa forma ser considerada Spoiler. Por esta razão e para que este trecho de história não seja jogada no ar sem que você, meu caro leitor entenda o que se passa, recomendo que assista os últimos 3 episódios da 1ª Temporada do anime referido aqui. Boa Leitura ;)

Antes de enfrentar a Caster junto a Rin, Archer a viu dormir tranquilamente pela última vez. Ela estava sentada em um banco, apoiando sua cabeça nos braços que estavam em cima da mesa. A brisa suave passava por ela que inconscientemente sentia frio. Ele materializou um casaco e colocou sobre sua Mestre. O que se passava em seus sonhos? Ele gostaria de saber. Será que ela sonhava com ele de um jeito bom ou olhava para a miséria que a vida dele havia se tornado?

— Archer... não vá. – Rin resmungou enquanto dormia. Mesmo sabendo que ela não poderia ouvir ele disse:

— Estarei aqui pelo tempo que você precisar. – Rin continuou a balbuciar:

— Sei que posso salvar você...

— Não Rin, você não pode. – É inútil responder uma pessoa que está dormindo, mesmo assim ele não pode evitar.

— Vou te alcançar com o meu amor, eu sei.

— Você não pode me salvar, não há nada que você possa fazer por mim. Aceite isso apenas, assim como aceito minha solidão e decadência eterna.

— Archer, seu idiota... Está me ouvindo? Vou salvar você. Espere por mim.

— Humph... Agora deu para me xingar. Ah Rin, o que eu faço com você? – Se aproximou dela e acariciou sua cabeça. Sentado ao seu lado fitava seu rosto de expressão determinada. Quantas vezes ela havia caído no sono e ele a havia colocado em seu colo para que ela dormisse melhor?

[Flashback: On]

A primeira vez em que ela dormiu apoiada nele, nem havia percebido que caíra no sono e recostado a cabeça em seu peito. Ele pensou em leva-la para o seu quarto, mas mudou de ideia, queria que ela ficasse perto dele pelo tempo que seu sono durasse. Quando ela acordou ficou toda corada e envergonhada.

— A-Archer... por que não me acordou? O que significa isso?

— Estávamos discutindo os próximos passos, mas você caiu em cima de mim de repente. Que tipo de Servo eu seria se não permitisse que você descansasse?

— Mas... Você poderia ter me deixado aqui.

— Se você deseja dessa forma, vou embora quando você cochilar do nada.

— Nã-Não era isso o que eu quis dizer...

— Esclareça então o que você quer.

Rin corou ainda mais. Fosse o que fosse que ela tinha para dizer não era fácil para ela.

— E-Eu... Não sei.

— Vou assumir que diante de circunstâncias como essa eu posso fazer aquilo que eu achar necessário para o seu bem estar.

— Como assim?

Archer piscou para Rin e abriu um sorriso malicioso. Como ele adorava provocar essa menina! As expressões dela para ele são impagáveis.

— Não se preocupe Mestre, você está em boas mãos. Não farei nada além do que você deseja.

— Nã-Não esqueça a sua posição em relação a mim!

— Jamais esquecerei Mestre. Sou teu Servo e tenho orgulho disso.

De maneira inesperada ela colocou sua cabeça no colo dele e fechou os olhos.

— Mestre?

— Cale a boca Archer, ainda estou cansada, preciso de silêncio para dormir.

— Como quiser Mestre.

[Flashback: Off]

Não estava pronto para deixa-la, não ainda pelo menos. Tinha esperança de que Shirou se entregasse ao desespero e se afastasse da luta, embora soubesse que seu antigo eu jamais recuaria. Tudo iria depender de Rin agora. Se ela adiasse esse confronto com a Caster, ele poderia ficar mais tempo com ela.

Ele sabia o que tinha que fazer, mas hesitava. Ele a desejava mais que tudo, mas ele sabia que no fundo era só uma ilusão criada pela saudade e o arrependimento. Aquela garota tinha um futuro brilhante pela frente e o seu eu de agora não poderia fazer nada por ela. Como aquilo doía.

Rin acordou de repente, confusa e com uma expressão cansada em seu rosto. Olhou para a blusa que a cobria e viu Archer observando-a. Seu rosto enrubesceu de constrangimento. Imaginou se ele havia escutado alguma coisa do que ela disse avidamente em seus sonhos com ele. Para a sua sorte ele disse que ela só havia reclamado como sempre faz.

Contudo, Archer a escutou em alto e bom som e nada tiraria suas palavras de sua cabeça. Por um momento ele poderia até esquecer, mas elas ecoariam pela eternidade, embora nenhum dos dois soubesse disso. Sim, ela o amava, mas desde quando ela percebeu isso? Era a primeira vez que se encontravam naquela época. Será que era a convivência obrigatória ou fato de Rin não estar acostumada a ter companhia em casa?

[Flashback: On]

Archer estava sentado no sofá em sua posição confiante e descansada de sempre. Sua Mestre entrou no cômodo e parou diante dele. Parecia ter algo para dizer, no entanto não o fez. Para a surpresa de Archer, Rin se sentou entre suas pernas de um jeito nada usual para uma garota tímida. Ele gostou da sensação de tê-la daquela maneira perto dele, mas como Servo, ele sabia que não poderia enxergar sua Mestre de outra forma. Seu primeiro pensamento foi o de repreendê-la por sentar-se daquele jeito nele, porém a repreensão saiu num tom de provocação:

— Você está cada vez mais à vontade comigo, Rin.

Ela abaixou a cabeça e abraçou seus joelhos, enquanto tentava esconder o rubor de seu rosto delicado.

— Isso te incomoda?

— Eu não me importo. Já você, não parece totalmente satisfeita com isso.

— Você só me irrita de vez em quando. Não é nada que eu não possa lidar.

— É mesmo? Como é que eu a irrito? Faço tudo o que você me pede para fazer.

— Sim, você faz, mas você sempre tenta me atacar com seus comentários rabugentos.

— Não sou obrigado a gostar de tudo o que você me manda fazer. Principalmente dessa aliança ridícula com um Mestre de segunda categoria.

— Shirou foi colocado no meio dessa batalha, não foi escolha dele.

— Ele permanece porque ele quer. Você não tem nenhuma obrigação com ele, Rin.

— Vamos mesmo falar sobre isso agora? Estou querendo relaxar um pouco e esquecer essa situação toda.

— Como quiser. O que posso fazer por você?

— Apenas... fique desse jeito comigo. Só por uns instantes.

— Está bem.

— É simples assim? Você não vai se recusar ou me censurar por isso?

— Hum... francamente. Não consigo te entender Rin. Você me pede algo simples e quando eu não discordo você fica irritada?

— Não é isso. É que... embora eu entenda que você seja o meu Servo, não quero te obrigar a nada com relação a mim. Pelo menos naquilo que não dizer respeito a Guerra.

— Entendo. Você espera que eu recuse essa sua proximidade inesperada? Como se eu achasse isso ruim tanto quando você me manda limpar a casa ou cuidar dos seus aliados?

— Sim, acho que é isso.

— Certo. Isso não diz respeito a Guerra, mas não vou recusar essa ordem se isso fizer com que você se sinta bem.

— Você ouviu o que eu disse? Não quero te obrigar...

— Eu sei, mas quem disse que isso é uma obrigação para mim?

— Você não acha isso chato?

— É desconcertante no mínimo, pois não estou acostumado a ver você agir assim como se estivesse carente.

Rin bufou e fez menção de se levantar, porém antes que ela o fizesse ele a segurou com um dos braços e a prendeu com suas pernas fortes.

— Eu não terminei. — Disse Archer — É desconcertante, mas não é de todo desagradável. É um dos raros momentos quando você é você mesma e não esconde a ternura que existe aí dentro.

— Quando... eu sou eu mesma?

— Sim, você é orgulhosa ao extremo, suportou tudo sozinha e sempre escolheu seguir em frente em vez de se lamentar e sofrer. Porém isso não significa que você não necessite de nada ou de ninguém.

Rin fechou os olhos por um instante tentando engolir tudo que sentia naquele momento. Sim, Archer podia ver através dela. Ele levou uma de suas mãos ao rosto macio daquela menina e disse:

— Sou teu Servo e isso me obriga a lutar por você pelo Graal, porém aqui entre essas paredes serei tudo aquilo que eu puder ser para você. O seu bem estar é minha prioridade.

— Archer... você... Você não precisa fazer isso por mim.

— Eu sei, mas eu quero. Permita-me ao menos fazer o que desejo de vez em quando.

Ele a abraçou, enquanto Rin vertia lágrimas silenciosas. Era difícil lidar com ela, mas ele sabia que era ainda mais difícil para ela lidar com ele. Ele não queria dizer, mas já a estimava muito. Embora suas memórias fossem confusas, ele se lembrava de como Rin o ajudou quando era mais novo. Ele se lembrava de como ela cuidou dele até onde pode. Se ele poderia fazer algo pelo amor de sua vida, ele faria certamente, mesmo que essa fosse a Rin de outra época.

[Flashback: Off]

— Archer.

Meus devaneios e lembranças acabam de ser interrompidos. A Rin que acabou de acordar está falando comigo novamente.

— Sim, Rin.

— Quem é você de verdade?

A pergunta me pegou desprevenido. Olho para Rin por um momento tentando desvendar o que ela estava pensando e o que queria dizer com aquilo.

— Sou um herói do passado, nada mais que isso.

— Isso eu sei. O que quero saber... é quem você é para que tenhamos uma ligação tão forte como a que temos.

— Você presume que em algum momento eu fiz parte de sua vida?

— Sim. E então, o que tens para me dizer?

— Nada. Nada que mudaria nossa situação de agora.

— Sei que você é minha alma gêmea. Sei que em algum momento de sua história estivemos juntos, embora eu não sonhe com isso. Eu posso sentir.

— Não comece Rin.

— Eu não comecei nada, você começou guardando o meu pingente.

— Então você já tem a sua resposta.

Ela se levantou e caminhou em minha direção. Parou bem próxima a mim e me fitou com um olhar impossível de decifrar.

— Sei o que você vai fazer, sei que age conforme seus próprios interesses. Ao menos esta vez se permita ser sincero comigo e consigo mesmo.

Seus olhos brilhavam e eu podia ver as chamas da paixão por trás deles, ela era apenas uma garota com um pouco mais que 16 ou 17 anos, mas ela sabia me desmontar com um único olhar. Sabia como me encurralar e tirar a verdade de mim. Eu não pude me conter, agarrei ela em meus braços e a beijei desesperadamente. Ao menos aquela vez eu não me seguraria com ela, mesmo sendo uma jovem imatura ainda era a mulher que eu amava.

Rin enlaçou meu pescoço com seus braços delicados, porém firmes e se apertou ainda mais contra o meu corpo. Eu queria beijá-la dessa forma para sempre, queria sentir seu corpo nu junto ao meu, por mais que houvesse uma diferença absurda de idade entre nós, ela era tudo o que eu queria naquele momento. Eu a ergui sobre a mesa e suas pernas entrelaçaram minha cintura, eu sabia que não podíamos exagerar, mas eu a queria profunda e loucamente, sabe-se lá quando a teria novamente em meus braços. De súbito ela para de me beijar e fixa o olhar em mim.

— Sabe que não posso permitir que você o mate.

— E você sabe porque preciso matá-lo. Sou capaz de fazer qualquer coisa para conseguir concretizar meu intento. Inclusive deixar de lado o que sinto por você. Eu estou preso, Rin, preso a uma vida que desejei sem saber como seria.

— Eu sei e compreendo. Vamos Archer temos que dar um fim logo a tudo isso. Seguir nossos caminhos para o bem ou para o mal.

— Vamos.

— E Archer?

— Sim?

— Não pense que vou pegar leve com você.

— Nem eu pegarei leve com você.