Notas iniciais
OOOOEEEEENEY. Eu vou estrear essa maravilha porque eu divo. Enfim, meu presente de Natal para todos os meus leitores, amo vocês, amo tudo.

ONE INSPIRADA NA MÚSICA NEW YEAR'S DAY, DOS MAIS PERFEITOS SERES HUMANOS, BLACK VEIL BRIDES.

P.S.: ESPERO QUE PIETRA POSTE PRA NÃO FICAR SEM ÚTERO.

Bjk azul no core, feliz natal e até mais õ/

Eu suspirei pela milésima vez naquela noite. O ar saía de meus lábios e se dirigia para o ar frio de Nova York com melancolia. Que bosta. Eu tenho tudo. Por que estou brisando numa rua escura com cheiro de drogas se tenho uma casa alegra com uma família perfeita? E por que justo no ano novo?

Idiota. Você sabe porque, seu estúpido.

Me levantei contra gosto e saí da penumbra da rua. Um bar brilhava em ápice na esquina. Fui até lá e comprei uma garrafa de coca-cola zero. Eu não bebo faz um ano. Eu não fumo faz um ano. E faz um ano que eu a conheci.

Droga. Não era pra ter pensado nela. "Você não é assim". Claro que eu sou, cale a boca. "Eu não o reconheço, di Angelo". PARE COM ISSO! "Vou embora. Não me procure."

Fora um golpe fatal. Eu sangrara por lágrimas durante a noite toda, chamando por ela. Ela. E ela não veio. Porque eu a havia machucado.

Desci as escadas do metrô, torcendo para que o subsolo bloqueasse meus pensamentos. O ar embaixo da terra era quente e tinha cheiro de pessoas, embora não tivesse ninguém ali. O aroma estava impregnado nas paredes e no chão. Como ela na minha mente.

Não. Isso não é verdade. Tudo o que eu preciso é de tempo. Algum tempo sem ela vai me fazer esquecê-la.

Me sentei num banco e bebi minha coca. Ela estava sem gás, com gosto de xarope. Tive que cuspir. A deixei de lado e observei a lâmpadas brilharem e atraírem insetos. Eles batiam com violência no vidro, rodopiavam, caíam e repetiam o processo. Assim seria até que as lâmpadas fossem apagadas.

Fechei os olhos tentando me lembrar de coisas boas.

Há. Uma coisa boa na sua vida? Ela!

Sem essa de "ela". Teve muita coisas boas antes da maldita. Como Hazel. Minha pequena Hazel, de olhos amendoados e cabelos repletos de cachos largos. Também tem Bianca, Mrs. O'Leary, Percy, Annabeth,

Thalia.

Abri os olhos e me endireitei com violência. Não. Coisas boas. Apenas coisas boas.

Minhas notas no colégio, que subiram.

Estudou com Thalia.

Minha relação com meus pais, que melhorou.

Conversou com Thalia.

Os meus vícios, que eu perdi.

Foi por Thalia.

Peguei a coca-cola e tomei o resto de uma vez. Tem como morrer de overdose de coca-cola? Espero que sim.

Espero que eu morra.

Espero não pensar nela de novo.

Espero morrer.

Me concentrei em pensar no metrô de dia. Pessoas andando de um lado pra o outo. Uma indiana, um executivo, uma diretora, um mendigo, um nômade, uma Thalia chorosa com uma roupa amassada, pensando em um Nico desesperadamente, sentindo-se esfaqueada e traída, uma mãe com seus filhos, uma prostituta, um palhaço... Espera, o quê?

Merda. Eu estou aqui me remoendo, me fazendo de coitado. Mas o que fiz pra ela foi horrível. Ela me salvou. Me tirou de um buraco fundo e escuro, onde chovia, só tinha solidão e eu estava morrendo. Ela me deu uma chance, estendeu a mão. Eu me agarrei a ela como nunca tinha feito a ninguém, e Thalia me deu vida. Ela me amou. Eu a amei. Mas o buraco tinha uma força terrível. Ele me puxava. Resisti. E muito. Mas armaram pra mim.

Alguém me fotografou fumando sabe-se lá o que em um beco. Mas era mentira. Aquele não era eu. Só estava com minha roupas, meu cabelo, minha essência. O verdadeiro eu estava em casa assistindo TV e pensando em Thalia.

Meu corpo fez, minha alma não.

E Thalia não entendeu. Thalia não quis saber. Thalia me chutou para dentro do buraco de novo e foi embora. Eu a havia matado. E ela me matou.

O ar do metrô se agitou quando minhas mágoas o preencheram. Eu estava chorando. Droga, mil vezes.

Eu quase podia sentir o cheiro dela. Ela cheirava chuva, porque amava chuva. E eu cheirava chuva, porque a amava. Tudo o que meu corpo queria era deitar nos trilhos do metrô e adormecer. Para sempre. Seria leve o impacto dos trilhos contra meu corpo. Eu sangraria muito pouco. E continuaria dormindo por todo o sempre.

Mas meu corpo é um idiota. Minha alma estava certa. Eu tinha que acha-lá. Eu estava sentindo seu cheiro. Eu conseguia sentir sua mão contra a minha.

-Nico? -Thalia me chamou. Ela estava do meu lado. Ela estava chorando. Eu a abracei. — Feliz ano novo.

-Só é feliz porque você está aqui.

Ela me chamava pra fora do buraco que eu mesmo tinha cavado.